Entre o sangue e a espada

Jeon Jungkook

(...)

Apesar do clima caótico, Lia consertou o traquete destruído pelo raio e Jungkook de alguma forma conseguiu parar a chuva e devolver o clima ensolarado. Estavam todos se preparando para comemorar, Jin estava fazendo lanches e mostrando aos tripulantes quais eram os barris com rum e cerveja, para que levassem para o convés e terminassem a noite tão embriagados que sequer conseguiriam se manter de pé. Oliver havia trocado de roupa e estava com cara de poucos amigos observando Hoseok e Lisa pegar os instrumentos, enquanto Ryan e Eveline estavam juntos abaixo do convés. A princesa parecia abalada e não queria ter que encarar a tripulação, o que fazia Jungkook se sentir um pouco culpado por ter ajudado a expor o que sentia.

— Eu vou falar com ela! — Jungkook disse em um solavanco, assustando Taehyung. Os dois estavam encostados na borda do navio enquanto viam os tripulantes organizarem as coisas da festa da maneira que queriam.

— Isso está realmente te incomodando bastante, não é? — Taehyung perguntou com um riso soprado.

— Mais do que deveria — confessou.

— Por quê? — Ele o encarou com curiosidade.

— Eu não sei — suspirou, passando as mãos por seus fios grisalhos. — Eu sinto uma conexão com ela, como se ela fosse da minha família, não sei explicar, sinto isso com Jayce e Lia também, mas com Eveline é estranho, ela está tão quebrada... Eu senti isso sabe? Senti a dor e o medo dela, isso está a consumindo completamente.

— Você sentiu tudo isso apenas tocando em sua mão?

— Não sei como funciona, mas ela compartilhou isso comigo, se abriu pra mim — seus olhos se voltaram para o Deus do fogo, que sorria ao contar algo a Lisa e Jennie. — Quando Jayce tocou nas minhas mãos e me ajudou a derreter o gelo, ele compartilhou algo comigo também. É como se nossas emoções passassem através de nós, eu me senti bem com o que ele compartilhou..., Mas com Eveline eu só senti uma angústia muito forte e de alguma forma, eu sabia que aquelas emoções não eram minhas e sim dela.

— É confuso — Taehyung disse encostando-se na borda do navio e cruzando os braços. Seus olhos brilhavam com ternura em sua direção, tranquilizando-o apenas com sua presença. — Mas se acha que ela precisa de sua ajuda, não hesite. O que Amélia nos contou sobre ela nos dá uma base do que acontece à sua volta, todos têm medo dela, pelo que ela representa, certamente está sendo atormentada com um peso que não deveria carregar.

— Oliver a chamou de "garota amaldiçoada" — revirou os olhos, sentindo raiva somente em lembrar da expressão que ele fez ao dizer aquilo. Jungkook tem estado vigilante sobre o escudeiro desde o desentendimento no castelo de Ryan, soube desde aquele instante que não deveria abaixar a guarda. — Não gosto dele, não é confiável.

— Pedi para todos da tripulação serem cuidadosos com ele — Taehyung disse encarando-o, Oliver estava distraído encarando Rosé. — Lembra-se que um tempo atrás eu disse que era bom em ler pessoas? — Perguntou, virando-se em sua direção. Jungkook assentiu. — Ele definitivamente não é uma boa pessoa, por isso nunca largue sua espada e mosquete.

— Certo — concordou. Depois virou-se em direção a Taehyung e deixou um beijo em sua testa. — Irei conversar com Eveline.

Taehyung assentiu e Jungkook caminhou em direção às escadas, da última vez que a viu, ela tinha corrido naquela direção, sendo seguida por seu irmão. Quando chegou até às redes, procurou por eles, mas não os encontrou, por isso caminhou até a outra escada e desceu mais um pouco, chegando no espaço onde guardavam o carregamento do navio e onde ficavam as masmorras. Jungkook não sabia exatamente o que iria dizer a ela, mas sentia em seu peito que ela precisava de apoio e isso ele podia oferecer, por isso procurava por ela, mas quando a encontrou seu reflexo foi se esconder atrás de uma pilastra. Ela estava sentada ao lado de uma das celas, chorando, enquanto Ryan a abraçava.

Eles não podiam vê-lo, pois estava escondido atrás de um dos pilares, mas ouvia os soluços de Eveline de onde estava. Eles estavam de costas, por isso podia observá-los sem que notassem sua presença, não sabia ao certo o porquê estava escondido sendo que seu objetivo era conversar com a pequena Deusa, mas estranhamente sentiu que não deveria interromper. Os soluços de Eveline estavam partindo seu coração em milhões de pedaços, pois eram tão sentidos que estavam lhe causando dor física, seu peito estava sendo dilacerado pela dor dela, como se fosse a sua. Ryan afagava sua cabeça, oferecendo seu ombro para ela chorar, ele parecia agoniado com seu sofrimento.

— Evie não chore, não é culpa sua — ele disse com a voz calma e baixa, tentando acalmá-la.

— É sim Ryan — ela soluçou novamente. — Se eu não estivesse aqui, isso certamente não aconteceria, eu poderia ter machucado eles.

— Mas não machucou, novamente Evie, isso não é culpa sua! — Ele se afastou um pouco, segurando as bochechas dela entre suas palmas. — Terem jogado uma maldição em você não a torna uma pessoa ruim, você é um doce, jamais faria mal a alguém intencionalmente. Foi um acidente.

— Mas isso sempre acontece quando eu estou presente Ryan! — Ela chorou mais e seu irmão limpou suas lágrimas com um gesto delicado de seus polegares. — Por que fizeram isso comigo? O-o que eu fiz para os Deuses me odiarem tanto?

— Nada Evie, você é a pessoa mais doce e gentil que eu conheço, não há qualquer justificativa para o que fizeram com você — voltou a abraçá-la, deixando que ela descansasse a cabeça em seus ombros. — Assim como existem humanos ruins, existem Deuses ruins, o Deus que lhe amaldiçoou é um deles.

— Mas ele lhe abençoou, graças a ele você traz felicidade por onde passa — seu choro pareceu se acalmar, mas ela ainda soluçava por entre algumas falas.

— Do que adianta essa benção se eu não posso te ajudar? — Ryan suspirou. — Dar um presente tão grande a um corpo tão fraco como o meu e destruir o futuro de alguém tão boa como você é injusto. Nenhum de nós dois merecemos o que recebemos, humanos não deveriam ter tamanha responsabilidade jogada em nossas costas.

— Ser uma bênção é um fardo para você irmão? — Perguntou após fungar e conter um soluço.

— É horrível, não sabe o quanto eu a invejo — ele desabafou com um suspiro pesaroso, que a fez se afastar e encará-lo.

— Você me inveja? — Ela perguntou com o cenho franzido.

— É ridículo, não é? — Ryan abaixou a cabeça, rindo sem qualquer humor. — Eu cresci preso no castelo, o pai me obrigava a ficar ao seu lado a todo momento, eu o odiava... Ele me fazia assistir tudo, reuniões, batalhas e até mesmo as torturas, dizia que eu deveria aprender a ser como ele, pois um rei benevolente não move guerras.

— Eu também o odeio — a voz de Eveline não falhou, seus olhos apesar de inchados e avermelhados transbordaram toda a sua repulsa. — Quando a mamãe mais precisou, ele virou as costas, quando eu pedi por ajuda... quem veio me ajudar foi Avír.

— Eu sinto muito Evie — Ryan pediu com a voz embargada, de cabeça baixa, parecia não querer encará-la. — Eu queria te ajudar, mas com meu corpo fraco eu não poderia fazer muita coisa...

— Eu não o culpo Ryan — Eveline disse com a voz aveludada, levantando o rosto de seu irmão. Ela sorriu, um sorriso fraco, mas ainda assim, sincero. — Você foi afastado de mim a vida toda, ao menos eu tive Avír, mas nem mesmo ele conseguiu te salvar das garras de nosso pai. Você é uma vítima tanto quanto eu.

— Eu queria ter impedido...

— Sei bem que um título não impede nosso pai, eu era uma princesa e você um príncipe, mas olha o que ele fez conosco — sua expressão estava banhada em tristeza e carinho. — Você não conseguiria impedi-lo mesmo se tivesse tentado Ryan, ninguém conseguiria.

— Avír conseguiu — ele abriu um sorriso pequeno. — Ele me deu a chance de me aproximar de você... sinto muito que ele tenha partido, apesar de ter sido meu tutor e meu amigo, ele era muito mais que isso para você.

— Avír foi o pai que eu nunca tive — Eveline abriu um sorriso genuíno, que nem mesmo as lágrimas em seus olhos foi capaz de ofuscar. — Mas sei que ele está nos observando das estrelas, junto com nossa mãe.

Jungkook percebeu naquele momento o quanto os irmãos eram atormentados por seus dons e que assim como sua mãe, Avír também partiu após o despertar de Eveline. Decidiu não invadir ainda mais a privacidade deles, por isso cautelosamente ele deixou os dois sozinhos novamente, voltando para o convés, encontrando os tripulantes conversando e rindo enquanto bebiam. Taehyung estava bebendo, o que o fez estreitar os olhos, pois ele estava doente e não devia estar bebendo, mas ele parecia feliz, por isso resolveu não interferir. O Capitão estava com o lenço abaixado, bebendo o que parecia ser uma caneca de cerveja, enquanto Jimin e Hoseok contavam alguma coisa que parecia muito engraçada a julgar pelas gargalhadas.

Taehyung apenas sorria, mas não respondia.

Jungkook sentou-se nos degraus da pequena escada que levava ao leme, deixando que os pensamentos tomassem sua mente, estava sendo bombardeado por um misto de sentimentos e dúvidas sobre o que ouviu dos irmãos. Ficou um tempo distraído, olhando para a tripulação que sorriam e conversavam animadamente, viu o momento em que Eveline apareceu e Lia correu em sua direção, puxando-a de maneira animada para o círculo de conversa com Jisoo e Jennie. Ficou observando-as, viu como Lia fazia de tudo para alegrar Eveline, que parecia um pouco tímida, mas feliz com a atenção que estava recebendo dela. A Deusa do ar pareceu hesitante quando Jisoo levou sua mão até a barriga dela, dizendo algo com um sorriso lindo nos lábios, mas logo a Eveline sorriu também.

Hoseok e Jayce estavam pegando os instrumentos, quando Lia viu o Alaúde nas mãos do Deus do fogo ela correu em sua direção com um sorriso imenso. Enquanto estava distraído, notou Ryan no topo da escada que levava para baixo do convés, ele encarava Lia, que via Jayce tentar dedilhar algumas notas no instrumento, mas não conseguindo nada mais que um ranger de cordas bem desafinado, fazendo-a rir com vontade. Jungkook intervalou seu olhar entre os dois, olhando para a Deusa da terra e em seguida para o rei, que a encarava com os olhos brilhando e um sorriso pequeno nos lábios. Quando enfim o entendimento caiu sobre ele, Jungkook sorriu grande e se levantou, caminhando até o final da escada, apoiando-se no corrimão e cruzando os braços.

— Ela é linda, não é? — Jungkook perguntou de repente, assustando-o.

— Hã? Quem? Ah... sim — Ryan corou, tingindo até suas orelhas de vermelho.

— Percebi que Lia o encantou no palácio — disse ao lembrar-se como o rei a encarou quando estavam comendo.

— Ah não é isso... é que ela é... hm — atrapalhou-se, sem saber ao certo o que dizer. — Ela é... sabe?

— Sei — Jungkook riu, vendo o rei coçar a nuca, com as bochechas pintadas de vermelho.

— Ela me deixa sem jeito — admitiu com um suspiro e um sorriso tímido. — Eu sabia que Deuses tinham uma beleza característica, já que Avír era um homem muito bonito e Evie ficou deslumbrante após seu despertar, mas Lia... não sei explicar.

— Ela é realmente muito linda, sua personalidade mais ainda — sorriu ao encarar a pequena Deusa.

— Ela não tem tipo... centenas de anos não né? — Ryan hesitou um pouco em perguntar, o que o fez gargalhar. — Não ria! — Se possível suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas e ele desviou o olhar do seu. — É que Avír tinha centenas de anos, então eu pensei que talvez ela fosse mais velha do que aparenta.

— Se não estou enganado, ela tem dezesseis anos — Jungkook disse sorrindo. — Avír, como minha mãe Mayim e seus irmãos Esh e Éretz são os originários, somos a segunda geração de Deuses. — Disse lembrando-se das informações sobre sua origem que encontrou no diário de seu pai. Ainda era estranho referir a si mesmo com um Deus.

— Ah certo... — Ele pareceu feliz com a informação. Jungkook estava sorrindo, quando notou que ele segurava a bainha de sua espada estranha.

— Ryan, por que sua espada tem essa cor?

— Ah! Bonita, não é? — Ele a tirou da bainha, mostrando a lâmina afiada a Jungkook, que realmente a achou extremamente bonita em sua cor de carvão. — Ela era do meu pai, ele disse que ela havia sido feita com o metal de uma estrela caída.

— É realmente muito bonita — concordou, encarando-a. Sua coloração era completamente escura, mas tinha alguns detalhes em vermelho como se houvesse rubis enfeitando-a.

— Eu não acredito muito na história que meu pai contou sobre ela — Ryan riu soprado, guardando-a novamente na bainha. Ele cruzou os braços e o encarou com um sorriso zombeteiro. — Meu pai disse que a conseguiu quando lutou contra o exército de outro rei, que enfrentou diversas batalhas até que finalmente a tivesse em suas mãos. Disse pertencer ao rei de outro continente.

— Por que não acredita nessa história? — Perguntou confuso. — Parece o feito de um rei para mim.

— E seria, mas não do meu pai — ele cruzou os braços com um olhar repleto de desprezo. — Meu pai era um covarde, temia sair de seu trono e ele ser usurpado, ele temia que Evie fizesse isso. Por isso mandava outros batalharem em seu nome, mas não saía do palácio, pois tinha medo de Evie notar o próprio potencial e perceber finalmente que a vida que tinha não era digna dela.

— Ah... — Não sabia o que dizer e Ryan notou.

— Enfim, se ele tivesse espalhado aos sete ventos que mandou seus homens para a guerra e conseguiu essa espada como prêmio da vitória de seu exército, eu acreditaria, pois meu pai era covarde demais para lutar — completou, com um sorriso zombeteiro nos lábios. — Mesmo eu com meu corpo fraco, lutaria pelo reino se fosse necessário.

— Você odeia o antigo rei, não é? — Jungkook perguntou encarando-o, o rei cruzou os braços e assentiu, olhando para um ponto fixo no chão. — Eu ouvi sua conversa com Evie.

— Oh... — Dessa vez foi Ryan que ficou sem palavras.

— Desculpe, não quis bisbilhotar, mas estava preocupado com ela e quando cheguei achei melhor não os interromper — disse com um sorriso pequeno. A verdade era que Jungkook tinha um mau hábito e sempre era guiado por sua curiosidade, tinha certeza de que se Taehyung soubesse o que aconteceu quando foi procurar por Eveline iria lhe provocar, pois havia feito o mesmo com ele meses atrás.

— Está tudo bem, não é um segredo que os filhos do rei cresceram sendo atormentados por ele — deu de ombros com um suspiro. — Odeio meu pai pelo que ele fez a Evie, o que fez a mim, por ser sempre o trono em primeiro lugar, seu bem-estar acima dos outros. Quando ele começou a adoecer fez com que eu ficasse junto a ele o tempo todo, que o tocasse para ajudar a amenizar seu sofrimento, mesmo que sua doença pudesse me contagiar e me matar, ele não ligava para nós.

— Sinto muito — não soube o que dizer além daquilo, mas Ryan apenas sorriu pequeno.

— Ele se foi, agora ele não pode mais nos atormentar — disse sorrindo, mas seu sorriso morreu logo em seguida. — Acho que isso não é ao todo uma verdade, suas palavras e maus tratos nos perseguem, por culpa dele Evie acredita que tudo o que acontece de ruim é por culpa dela, ele a fez acreditar que nada de bom viria com ela por perto e por mais que eu tente, não consigo livrá-la dessas correntes. Ele entrou na mente dela desde muito nova, esses medos estão enraizados de uma maneira muito profunda em sua cabeça, suas cicatrizes ainda não se curaram com a morte dele.

— Pelo que notei, você está fazendo um ótimo trabalho tentando curar essas feridas — Jungkook sorriu, fazendo-o sorrir também.

— Evie é tudo o que eu tenho, minha única família desde que nossa mãe partiu e farei tudo o que eu puder para que ela se enxergue da maneira que eu a enxergo — disse olhando para o chão, até que algo chamou a atenção deles.

O som delicado de uma lira.

Jungkook direcionou o olhar para Lia, que dedilhava uma lira com uma delicadeza graciosa, ela estava sentada ao lado de Jayce e Hoseok, que a observava tocar o pequeno instrumento, assim como todos que estavam no Nevrine, suas atenções estavam sobre ela. A pequena Deusa olhava para as cordas, enquanto dedilhava com cuidado cada nota, enchendo o ambiente que de repente ficou silencioso, para que pudessem ouvi-la com mais atenção, o único som que se juntava ao instrumento era do navio quebrando o espelho d'água. O sol já havia partido, restante somente o céu escuro e as estrelas, fazendo Jungkook se perder entre a beleza de Lia e das constelações sobre sua cabeça, enquanto aquele som preenchia completamente seus ouvidos.

My mother told me — ela começou a cantar, com sua doce e suave voz, fazendo que as estrelas perdessem o encanto aos olhos de Jungkook, porque naquele momento não existia nada mais bonito que a voz de Lia. — Someday I would buy... galleys with good oars. Sail to distant shores. Lia fechou os olhos, imersa demais na canção para que notasse os olhares encantados de todos em sua direção. — My mother told me Someday, i would buy, galleys with good oars... Sails to distant shores. Stand up high in the prow, noble barque I steer, steady course for the haven... Hew many foe-men.

A letra se repetia mais uma vez, deixando todos tão imersos na melodia quanto ela, a música contava sobre as aventuras de um pirata, mas na voz de Lia parecia ter um sentido diferente, parecia ter um significado maior. Jungkook estava tão distraído com a música que havia se esquecido completamente de Ryan, levando seu olhar até ele notou que ele estava hipnotizado encarando Lia, seus olhos brilhavam como se ela fosse o centro de seu universo, o que o fez sorrir, pois aparentemente alguém havia sido flechado pelo cupido. Quando a música acabou a pequena Deusa abriu os olhos, encarando todos com expectativa e um sorriso tímido antes de todos começarem a aplaudir e despejar elogios sobre ela.

— Como Lia já nos presenteou com essa linda canção, por que não agradecemos a ela iniciando a festa também? — Hoseok perguntou, segurando o alaúde e começando a dedilhar-lo, fazendo os tripulantes comemorarem e se levantarem. — What will we do with a drunken sailor? What will we do with a drunken sailor? What will we do with a drunken sailor?

Early in the morning! — Todos os tripulantes cantaram em conjunto, enquanto se posicionavam no centro do convés, contornando o traquete.

— É a sua chance de fugir Ryan — Jungkook riu, quando notou Taehyung caminhando em sua direção. O rei franziu o cenho e o encarou confuso.

— Por quê? — Perguntou, vendo o momento em que Taehyung estendeu sua mão e Jungkook não demorou a segurá-la, sorrindo.

— Porque as festas da tripulação costumam durar a noite inteira, se não fugir, será arrastado por eles a noite inteira — riu antes de caminhar com Taehyung até o centro do convés, pronto para aprender mais uma coreografia.

— Por favor, não pise no meu pé — Taehyung pediu, ficando a sua frente, assim como todos os outros tripulantes. Aparentemente essa dança era em duplas.

— Não posso prometer nada — sorriu, fazendo o Capitão rir.

Way hay and up she rises, way hay and up she rises, way hay and up she rises — Hoseok voltou a cantar, sendo acompanhado pelos tripulantes. — Early in the morning!

Taehyung estendeu as duas mãos em sua direção, fazendo com que as segurassem antes de começar a bater os pés na madeira no ritmo da música, o que o fez tentar imitá-lo, se atrapalhando um pouco no início. Tentou copiar os passos do Capitão e Jin, que estava ao seu lado dançando com Rosé, apesar de sair um pouco desengonçado, estava arrancando risos seus e de Taehyung, que tentava conduzi-lo antes de trocar suas posições, deixando-o de costas para o traquete. Depois que trocavam de lugar, batiam palmas e batiam seus pés com mais força no ritmo da música, antes de girarem e repetirem os passos. Refizeram os passos até que trocassem de pares, como na coreografia que dançaram meses atrás.

Shave his belly with a rusty razor, shave his belly with a rusty razor, shave his belly with a rusty razor — Taehyung cantou junto a Hoseok e a tripulação, fazendo Jungkook rir quando ele começou a interpretar a música durante a dança, tocando sua barriga enquanto dançava com Lisa. — Early in the morning!

Em algum momento da dança seu parceiro era Jayce, que parecia tão perdido quanto ele na coreografia, mas riram juntos e tentaram imitar os passos dos outros, tentando não passar tanta vergonha. Ficaram dançando em volta do traquete e mudando de parceiro de tempos em tempos, até que notou que Ryan e Eveline haviam sido puxados para a dança também, enquanto tentavam aprender os passos durante a coreografia. Alguns tripulantes já haviam se cansado e saído da roda, assim como Jayce que saiu depois de três minutos de dança dizendo que suas pernas estavam falhando, mas Jungkook somente saiu da roda de dança quando Taehyung começou a tossir e se afastou de todos.

Estava ofegante, pois havia dançado bastante junto com os outros tripulantes, mas agora Taehyung precisava dele, por isso saiu da roda de dança e caminhou até o Capitão, que ainda tossia e caminhava até as escadas, indo para baixo do convés. Jungkook estava em seu encalço, sabia que ele estava indo lá para baixo porque não queria preocupar os tripulantes, por isso o seguia silenciosamente, mas assim que chegaram os dois paralisaram com a cena que encontraram perto das redes. Jayce estava prensando Yoongi contra uma viga de madeira, beijando-o com voracidade enquanto o artilheiro puxava seus fios ruivos e retribuía o beijo com bastante vontade.

— Cof cof — Taehyung forçou uma tosse e riu quando Yoongi empurrou Jayce, ele encarou o Capitão como se tivesse acabado de cometer um crime. — Não sabia que vocês estavam nesse tipo de relacionamento.

— Não estamos — foi rápido em negar, fazendo Jayce rir soprado e colocar uma das mãos na cintura. — Foi apenas uma aventura levada pela bebida.

— Não tem uma única gota de álcool no meu corpo — Jayce disse com um sorriso sacana nos lábios.

— Não sabia que gostava de homens Yoongi — Jungkook encarou o artilheiro, que estava com as bochechas coradas. — Sempre achei você meio... casca grossa.

— Casca grossa? — Jayce perguntou rindo. — A casca é fina até demais.

— Cala boca — Yoongi lhe acertou uma cotovelada nas costelas de Jayce, fazendo-o se encolher. — Vou me juntar ao restante da tripulação. — Ele disse passando pelos dois e subindo até o convés novamente.

— Logo agora que estava ficando bom — Jayce suspirou e fez um bico, antes de seguir Yoongi.

Jungkook ficou encarando o Deus do fogo subir até o convés e desaparecer de seu campo de visão, fazendo-o levar o olhar até Taehyung, que estava tirando o lenço do rosto e rindo da cena que acabara de presenciar. O Capitão — ainda rindo — caminhou até uma das redes e sentou-se, encarando o lenço e notando que ele estava manchado de sangue, o que fez seu sorriso hesitar e logo um suspiro escapou de seus lábios. Jungkook caminhou até a rede ao lado da dele e sentou-se também, segurando suas mãos, para que pudesse ver as manchas vermelhas no tecido, mostrando que suas tosses ainda estavam saindo com sangue.

— Está se sentindo mal? — Jungkook perguntou tocando com a palma em suas bochechas, verificando se não estava febril.

— Sinto meu corpo pesado — ele respondeu encarando-o. — Nada mais que isso.

— Não está com febre — constatou aliviado.

— Os remédios que Ryan trouxe realmente são muito bons, Jimin está me dando todos os dias — sorriu. — Mas infelizmente os remédios não controlam minhas tosses ou minha indisposição, ainda sinto como se um exército tivesse me pisoteado.

— Sente dor?

— Somente um pequeno desconforto aqui — Taehyung levou a mão esquerda até o peito. — Mas é somente um incômodo, não chega a doer.

— Graças a... mim — riu, fazendo-o rir também.

— Sabe... eu tenho uma teoria sobre a minha doença que eu nunca cheguei a testar — encarou suas mãos, brincando com os anéis.

— Que teoria?

— Quando eu recebi minha runa muitos anos atrás, eu estava doente, mas quando a toquei me senti bem — levantou o olhar, encarando seus olhos. — Acredito que a runa, apesar de não curar minha doença... retarda os sintomas dela.

— Faz sentido, mas você não está querendo testá-la, não é?

— Apenas por pouco tempo, só quero ter certeza — puxou o cordão que segurava sua runa, tirando-a de dentro da camisa. Taehyung retirou a runa e a segurou entre os dedos, estendendo-a para Jungkook.

— Tae não sei se é uma boa ideia... — Jungkook encarou a pedra, sem tocá-la.

— Se notarmos que algo realmente mudou, dê para mim novamente — disse segurando sua mão. Jungkook estava temeroso, mas assentiu e Taehyung colocou a runa em sua palma, antes de afastar a mão.

Quase que instantaneamente Taehyung ficou pálido, como se um véu pesado o cobrisse, ele pareceu perder a instabilidade do próprio corpo, curvando-se para frente, fazendo com Jungkook tivesse que segurá-lo. Ele gemeu de dor tocando o peito, como se alguém tivesse enfiado uma faca em seu coração, quando o sangue irrompeu por sua garganta o fez se engasgar Jungkook desesperou-se, colocando a runa em contato direto com a pele de seu peito, pedindo para Taehyung tentar respirar. Mas não pareceu funcionar, ele estava sufocando com próprio sangue, enquanto segurava a runa com força.

— Tae! Meu Deus, o que eu faço?! — Jungkook começou a tremer, vendo Taehyung tentar puxar o ar e não conseguir.

Da última vez que aquilo tinha acontecido Taehyung estava se afogando, mas naquele momento não havia como criar um vácuo ou livrá-lo da água, pois estavam em terra firme, não havia água para manipular, mesmo assim, movido pelo medo Jungkook levantou a cabeça dele, colocando sua palma direita aberta sobre seu rosto e tentou puxar o sangue preso em sua garganta. Não sabia se funcionaria, mas sendo o sangue, um líquido, ele poderia manipular certo? Viu suas írises cintilantes sendo refletidas nos olhos de Taehyung, quando buscou aquele poder que agora conhecia tão bem.

Jungkook procurava algo para se agarrar, enquanto Taehyung tentava inutilmente buscar por ar, até sentiu algo e não demorou a agarrá-lo, assim como fazia com a água tentou puxar para fora, vendo o líquido vermelho acompanhar seus comandos. O sangue acumulou-se em frente a sua palma, formando uma bola até que uma quantidade um pouco maior saiu da garganta de Taehyung e ele conseguiu puxar o ar, agarrando sua camisa com força enquanto puxava o oxigênio de volta aos seus pulmões. Jungkook estava estático, vendo-o recuperar o fôlego, enquanto a bolha de sangue flutuava sobre a sua palma.

— Nunca mais tire a runa Tae! — Disse vendo Taehyung assentir, enquanto apertava a runa entre os dedos com força.

— Como fez isso? — Perguntou encarando a bolha de sangue, enquanto passava o cordão da runa por seu pescoço.

— Eu não sei só... fiz — disse encarando a bola vermelha, fazendo-a girar em sua mão. — Acho que sangue é composto por água também.

— Você não cansa de me surpreender — Taehyung disse sorrindo.

— E você de me assustar! — Jungkook se desfez da bolha, jogando-a pela janela. — Será que você poderia tentar não morrer a cada cinco minutos?

— Não posso prometer nada — repetiu o que havia dito, fazendo-o revirar os olhos.

— Engraçadinho.

(...)

Depois do episódio traumático de Taehyung sufocando com o próprio sangue, os dois caminharam até a cabine para pegar um lenço limpo e depois voltaram para o convés, preferindo ficarem encostados na borda do navio, conversando e assistindo os tripulantes se divertirem. Comentou com Taehyung sobre como Ryan estava extremamente sem jeito quando chegou sua vez de dançar com Lia e ficaram observando os dois rirem dos passos desajeitados um do outro, enquanto tentavam dançar igual aos outros tripulantes. Ficaram juntos conversando por um tempo, até que algo chamou sua atenção.

Eveline estava dançando com Jayce e rindo, os dois não estavam na roda, mas dançavam a música da maneira deles, a pequena Deusa estava com um sorriso enorme no rosto enquanto segurava as mãos dele e tentava acompanhar seus passos. Ela vestia uma calça de pele preta, botas e uma camisa branca, parecia muito mais confortável do que com o vestido que a viu usar no palácio, naquela roupa ela parecia mais jovial, apesar de ter a mesma idade de Lia. Depois de um tempo, Jayce se afastou para beber algo em um cantil, enquanto Eveline caminhou até as escadas que levava para debaixo do convés, ainda sorrindo.

Mas o que aconteceu depois o preocupou, pois assim que Eveline desceu as escadas Oliver a acompanhou — depois de encará-la fazer todo o caminho até os degraus — com uma expressão suspeita no rosto. Jungkook se levantou assim que viu os dois sumirem escada abaixo, com medo do escudeiro fazer algo contra a princesa, no caminho ele olhou em volta notando que todos estavam distraídos demais para notar se algo acontecesse a ela, o que fez o sangue em suas veias borbulhar, pois Oliver escolheu bem o momento para segui-la. Assim que desceu as escadas procurou pelos dois, vendo o escudeiro em frente a pequena Deusa.

— Está se divertindo? Aberração — ele perguntou, fazendo Eveline recuar um passo, ela segurava um cantil entre as mãos trêmulas. — Está feliz? Se sente segura só porque tem um monte de aberrações igual a você? Acha que eles podem proteger você para sempre?

Quando ele ergueu a mão para desferir um tapa em seu rosto, Eveline se encolheu e fechou os olhos, esperando pelo golpe, mas Jungkook foi rápido o suficiente para segurar seu braço e impedir que ele a agredisse. Oliver arregalou os olhos e o encarou, parecia assustado por ter sido pego e não arrependido, o que o irritou profundamente e levando-o a perder a razão, Jungkook ainda segurando o braço dele girou no lugar e usou suas costas para derrubá-lo no chão sem qualquer piedade, aplicando o mesmo golpe que Lisa aplicou em si. Fazendo-o gemer de dor e arrancando um suspiro surpreso de Eveline.

— Por que você ia bater nela?! — Jungkook gritou, ficando entre Oliver e a princesa. — Hein? Por que seu covarde?

— Eu não... — ele gemeu mais uma vez e se ergue, com o rosto contorcido em dor e segurou na bainha da espada, como sempre fazia. — Eu não ia bater nela.

— Ah não? Que merda você ia fazer levantando a mão contra ela? — Jungkook avançou novamente, segurando-o pelo colarinho. Oliver fez uma careta contida, segurando suas mãos. — A chamou de aberração e ergueu a mão para agredi-la, acha que eu sou cego?

— Eu vim para ajudá-la — respondeu tentando afastar suas mãos, mas só fez com que o aperto aumentasse.

— Será que você consegue falar a verdade depois de levar uma surra? — Jungkook ergueu o punho para socá-lo, mas Eveline o impediu.

— Por favor não faça isso! — Ela pediu com os olhos marejados, suas mãos tremiam segurando seu braço. O olhar assustado dela foi o que fez Jungkook soltar Oliver com um empurrão.

— Eveline há quanto tempo ele está te agredindo? — Perguntou com a voz mais calma, fazendo-a arregalar os olhos e encarar as próprias mãos.

— Eu não... — Oliver tentou responder, mas foi interrompido por Jungkook.

— Eu não perguntei para você! — Disse olhando nos olhos dele, vendo suas írises brilhantes serem refletidas nos olhos assustados dele. Jungkook não sabia controlar como Jayce fazia, mas notou que elas brilhavam quando era tomado por um sentimento forte, como a raiva que sentia por Oliver naquele momento. — Você pode me contar...

— Ele... — Eveline encarou Oliver, mas Jungkook foi rápido em segurar suas mãos.

— Não olhe para ele — disse olhando em seus olhos, vendo o receio nos dela. — Ele não pode fazer mal a você enquanto eu estiver aqui, confie em mim, pode dizer.

— Desde que meu pai morreu — ela olhou para cima, tentando conter as lágrimas, mas sua voz embargou.

— Quanto tempo faz que ele morreu? — Perguntou com cautela, segurando suas mãos com mais firmeza.

— Um ano — ela engoliu o bolo em sua garganta, olhando para suas mãos. Assim que seu olhar se abaixou uma lágrima escorreu por sua bochecha. Jungkook estava com tanta raiva que temia causar uma tempestade, mas naquele momento Eveline precisava de seu apoio.

— Ryan sabe disso? — Perguntou vendo-a negar com a cabeça.

— Por favor, não conte a ele — ela pediu olhando em seus olhos.

— Por quê? — Franziu o cenho. — Ele precisa saber o que o escudeiro do rei anda fazendo com a irmã dele.

— Não — ela negou, deixando escapar um soluço. — Não quero mais causar problemas a ele, Ryan não pode saber.

— Eveline... — Jungkook a encarou com tristeza.

— O que eu não posso saber? — Ryan perguntou assustando a todos. Ele estava atrás de Oliver, que arregalou os olhos e empalideceu, mas a atenção do rei estava sobre a irmã. — Evie o que aconteceu? Por que está chorando? — Ele caminhou em direção a ela com um olhar preocupado.

— Nada — ela negou, tentando limpar as lágrimas.

— Conte a ele — Jungkook disse chamando a atenção dos dois. — Ele precisa saber ou você sempre será vítima dele.

— O que? Do que ele está falando Evie? — Ryan perguntou preocupado. Eveline fez uma careta de choro e abaixou a cabeça.

— Oliver maltrata sua irmã desde a morte do seu pai — Jungkook contou quando notou que ela não conseguia dizer. Ryan arregalou os olhos e encarou seu escudeiro, que estava pálido e com uma expressão de pânico. — O peguei chamando-a de aberração e levantando a mão contra ela.

— Isso é verdade Evie? — Ryan segurou o rosto de sua irmã entre as palmas e ela assentiu, soluçando logo em seguida. — Por que não me contou?

— Não queria te causar mais problemas... — Eveline abaixou a cabeça, sem conseguir encarar seu irmão.

— Evie... — Ryan adotou uma expressão triste e a abraçou. — Me desculpe por não ter notado antes, eu nunca mais irei deixar nada lhe ferir. — Eveline assentiu e Ryan se afastou para enxugar suas lágrimas, antes de virar-se em direção a Oliver e sacar sua espada, encarando-o com nada mais que ódio puro em seus olhos. — Mostre-me suas mãos.

— Majestade, por favor! — Oliver ajoelhou-se e se curvou. — Me perdoe, por favor, eu jamais tocarei em sua irmã novamente! Por favor!

— As mãos Oliver! — Gritou, fazendo o escudeiro começar a chorar e se aproximar dos pés do rei, tocando-os.

— Por favor, majestade! Me perdoe! — Oliver chorou, tocando a testa nas botas de Ryan.

— Não irei repetir — Ryan disse erguendo a espada, mas Eveline o impediu.

— Ryan não precisa fazer isso! — Ela pediu, mas seu irmão a encarou com incredulidade.

— Preciso sim! Ele merece perder as mãos por tocar em você Evie!

— Por favor... eu serei tudo aquilo que ele falou se perder as mãos por minha causa — ela pediu chorosa, fazendo Ryan suspirar. O rei afastou seus pés de Oliver, que ergueu os olhos vermelhos por causa do choro.

— Peça perdão a ela — Ryan disse com puro desprezo. — Implore por seu perdão. — Oliver assentiu e se rastejou até Eveline, tocando em suas botas como havia feito com o rei.

— Me desculpe alteza, por favor me perdoe — ele pediu chorando. Jungkook achou pouco, queria vê-lo perdendo as mãos e pelo olhar de Ryan essa também era sua vontade, mas Eveline era boa demais para o próprio bem.

— Está perdoado Oliver — ela respondeu após limpar o nariz e se afastar do toque dele.

— Obrigado alteza! Muito obrigado!

— Se você ousar tocá-la novamente — Ryan disse atraindo a atenção de Oliver. — Não irei cortar suas mãos, cortarei seu pescoço, fui claro?

— Sim majestade! Obrigado! — Ele se curvou mais uma vez, mas Ryan apenas revirou os olhos e puxou Eveline para longe dele, caminhando para as escadas novamente, deixando Jungkook sozinho com Oliver.

— Aberração, não é? — Jungkook falou rindo, atraindo a atenção de Oliver. — As outras aberrações vão gostar de saber que você bateu em uma de nós. — Abaixou-se para olhá-lo nos olhos. — Ryan e Eveline podem ter lhe poupado, mas espero que esteja preparado, pois não seremos tão piedosos quanto eles.

Jungkook não esperou por uma resposta, apenas caminhou para as escadas, ainda estava com raiva, mas precisava conte-la antes que acabasse causando uma chuva e acabasse com a diversão da tripulação. Quando estava de volta ao convés viu que Taehyung ainda estava sentado no mesmo lugar, por isso caminhou até estar sentado ao seu lado novamente, contando tudo o que havia acontecido e vendo-o com tanta raiva quanto ele. O Capitão prometeu fazer da vida de Oliver um inferno e faria com que os outros tripulantes fizessem o mesmo, para que ele fosse maltratado tanto quanto Eveline foi.

Ryan, Lia e Jisoo estavam fazendo de tudo para alegrar Eveline novamente, que apesar de um pouco cabisbaixa sorria para eles. Jungkook pensou no quanto ela havia sofrido, não tendo sequer um dia de alento mesmo depois com a morte do rei, pois havia Oliver para assustá-la sempre que seu irmão virava as costas, fazia sentido o porquê ela se sentia como uma maldição, as pessoas a fizeram acreditar naquilo. Suspirou com tristeza e encostou sua cabeça nos ombros de Taehyung, que segurou em sua mão, brincando com o anel que ele o havia dado de presente, junto com a promessa de ser leal eternamente.

"Taehyung se casou comigo antes mesmo de começarmos a namorar" Jungkook pensou, rindo sozinho com o próprio pensamento.

— Jennie está se sentindo mal? — Ouviu a voz de Lisa, levantando seus olhos para encará-la ao notar seu tom preocupado.

Ela estava acariciando as costas de Jennie, que estava com uma expressão sôfrega e suando bastante, elas estavam a apenas alguns metros, por isso Jungkook conseguia ver com precisão o estômago de Jennie se contraindo algumas vezes antes de ela finalmente conseguir vomitar. Ela curvou-se e colocou para fora tudo o que tinha em seu estômago, enquanto Lisa segurava em seus cabelos e acariciava suas costas, ela vomitou até que apenas uma espuma saísse, fazendo seu estômago se contrair algumas vezes. A tripulação parou de dançar no momento que ela começou a passar mal, Jimin se aproximou, encarando-a com preocupação, pois ela ainda tentava vomitar, mas seu corpo não tinha mais nada para expelir.

— Tente respirar fundo Jennie — Jimin pediu, tentando abaná-la e Lisa fez o mesmo. — Ela comeu algo diferente hoje?

— Não, nem mesmo bebeu álcool — Lisa respondeu com preocupação. — Ela não comeu muita coisa, pois disse que não tinha fome.

— Jennie está com dificuldades para respirar? — Jimin perguntou quando notou que ela estava tendo alguns espasmos, estava empalidecendo, enquanto agarrava a mão de Lisa. — Jennie?

— Amor? O que está acontecendo? — Lisa perguntou em pânico, tentando levantar seu rosto. — Jennie?

— Ela não está conseguindo olhar para você? — Jimin perguntou, vendo Lisa negar desesperadamente. Ele tentou estalar os dedos próximo aos ouvidos dela, mas ela continuou sem reagir. — Ela está convulsionando...

— O que? — Lisa o encarou aflita, voltando sua atenção a Jennie, dando leves tapinhas em seu rosto. — Amor? Por favor, fale comigo!

Jennie não respondeu, pelo contrário ela pareceu desmaiar, antes de seu corpo começar a tremer violentamente, desesperando Lisa que não sabia o que fazer, por isso Jimin virou o corpo de Jennie de lado e pediu que alguém lhe entregasse um casaco o mais rápido possível. Namjoon era um dos únicos que usava um casaco, por isso ele foi rápido em tirá-lo e correr em direção ao namorado, entregando a ele, que o dobrou e colocou embaixo da cabeça de Jennie, que ainda tremia violentamente contra o chão. Jungkook e Taehyung estavam de pé, próximos a cena com os rostos contorcidos em pura preocupação, enquanto Lisa chorava em desespero ao ver a namorada convulsionar.

Quando finalmente as convulsões de Jennie pararam, Jimin a virou, deixando a cabeça dela descansando no colo de Lisa.

— Jennie? — Jimin a chamou, mas ela apenas abriu os olhos e voltou a fechá-los. — Precisamos deitá-la em algum lugar confortável.

Como Jimin era o mais próximo, ele a pegou nos braços com cuidado e caminhou até as escadas, sendo seguido pelos tripulantes, quando chegou até as redes ele a deitou em uma delas e mediu sua temperatura. Lisa estava ao seu lado, tremendo e com olhos marejados, sem saber o que fazer, por isso Rosé se aproximou e acariciou suas costas, tentando inutilmente acalmá-la de seu desespero. Jimin explicou que Jennie provavelmente acordaria com dores de cabeça e muito confusa, que ficassem de olho nela caso tivesse outra convulsão e não a deixassem se levantar da rede, pois seu corpo estaria sem estabilidade.

— Preciso conversar com vocês — Jimin disse a Jungkook e Taehyung, que assentiram e caminharam para as escadas. A pedido de Jisoo todos os tripulantes as deixaram sozinhas, voltando para o convés, mas Jimin seguiu até a segunda escada, ficando na parte mais alta do navio.

— Se veio até aqui é porque não quer que os outros ouçam... — Taehyung disse parando ao lado do leme. Jimin assentiu.

— Estou preocupado com a Jennie — ele disse suspirando. — Uma febre já é um mau sinal, significa que tem algo de errado com o seu corpo, mas uma convulsão... ela precisa de um médico urgentemente. Não tenho como ajudá-la com os meus conhecimentos e o que temos aqui.

— Estamos muito longe de nosso destino? — Jungkook perguntou a Taehyung, que negou com a cabeça.

— Talvez algumas horas dependendo do vento e da maré — o Capitão respondeu. — Já estamos banhados pelas águas da Ásia.

— Então eu posso adiantar nossa viagem, criarei correntes para que cheguemos lá o mais rápido possível — Jungkook disse fazendo os outros dois assentir. Mas uma dúvida surgiu em sua mente. — Qual a língua nativa do nosso destino?

— Mandarim — Taehyung respondeu.

— Alguém do navio sabe falar mandarim? — Perguntou a Taehyung, que fez uma careta pensativa.

— Acho que não — Jimin respondeu por ele.

— Eu sei — Ryan disse subindo as escadas. — Eu preciso ser fluente em muitas línguas para ser um bom monarca, posso ser o intérprete de vocês.

— Perfeito! — Jimin disse parecendo extremamente aliviado. — Precisamos encontrar um médico assim que desembarcamos, alguém fluente nos ajudará muito!

— Temos outro problema — Taehyung disse encarando algo atrás de Jimin.

— O que? — Jungkook perguntou olhando na mesma direção que ele, havia um outro navio na mesma direção que estavam indo.

— Parece que Ching Shih veio nos dar boas-vindas.

~🖤~

É gente, é a partir daqui que a merda começa a feder.

Espero que estejam prontos, o ápice do segundo arco está chegando, será que vocês estão preparados?

Esse capítulo foi publicado e retirado várias vezes, porquê o wattpad está tentando boicotar os autores.

A música que a Lia cantou:

A música que o Hobi cantou:

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#dentesdodiabo

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