A profecia

Jeon Jungkook

 O Deus do elemento fogo…

 Jungkook entendia agora o porquê sentia aquela sensação estranha, estava na presença de outro Deus, de outro sucessor, como ele. Olhando-o de perto entendeu o porquê de sua aparência peculiar, assim como seus cabelos e olhos clarearam, os de Jayce adotaram a cor do elemento que dominava, o que fez seu olhar cair para a mulher atrás dele. Analisando-a, Jungkook notou que ela não era uma mulher ainda, era uma jovem e apesar da altura ser a mesma de Amélia e Ruth, parecia ser extremamente jovem. Seus cabelos e olhos eram castanhos, pele escura, pintada pela mais bela cor pecan, suas feições eram delicadas, mas ela possuía uma beleza digna de uma Deusa. Seus olhos escuros o encaravam também, analisando-o assim como ele fazia com ela.

 — Percebeu, não é? — Amélia perguntou a Jungkook, trazendo sua atenção a ela. — Ela também é uma sucessora.

 — Terra? — Voltou a encará-la, a garota apenas assentiu silenciosamente.

 — Lia, sucessora de Éretz — Amélia explicou. 

 — Onde está o sucessor do ar? — Taehyung perguntou, fazendo Jayce e Lia encararem Amélia. — O quarto elemento?

 — Isso é um assunto um tanto delicado — Amélia suspirou, caminhando até sua cadeira novamente, sentando e pedindo para que fizessem o mesmo. — Sentem-se por favor, preciso contar-lhes algo, pois o destino do quarto elemento vai redigir o de vocês. — Jungkook franziu o cenho e encarou Taehyung, que também o encarou com o semblante confuso. Todos sentaram-se em um estofado, que havia de frente a mesa da bruxa.

 — Antes de contar o que certamente mudará o rumo do destino de vocês — ela colocou as mãos sobre a mesa. — Preciso que saibam de algumas coisas. — Ela respirou fundo, parecendo preocupada, o que acabou preocupando Jungkook também. — Taehyung, meu feitiço irá se desfazer daqui três dias… Eu disse a Elisa que não seria permanente, mas ela implorou para que eu fizesse meu melhor e eu fiz, mas não consigo mais contê-la, meu poder tem um limite.

 — Entendo — Taehyung suspirou, fazendo Jungkook encará-lo com o cenho franzido.

 — Do que ela está falando? — Jungkook perguntou, olhando de Amélia para Taehyung, que o encarou com os lábios juntos em uma linha rígida.

 — Jungkook antes de lhe contar, quero que saiba que não escondi isso de você propositalmente, mas sim porque não encontrei um momento certo para revelar — segurou sua mão, assustando-o ainda mais com o que estava prestes a ouvir. — Desde pequeno eu tenho uma saúde frágil, minha mãe sempre me levou a diversos médicos, curandeiros, bruxas e já usou todo o tipo de remédios, alquimia ou lendas que encontrou, pois eu tenho uma doença ainda não estudada…

 — O que? — Perguntou confuso. — Mas você parece extremamente saudável…

 — Devo isso a Amélia — sorriu em direção a bruxa, que sorriu de volta para ele. — Ela colocou um feitiço em minha runa, enquanto eu a usasse, minha doença estaria contida. Mas se o feitiço dela se desfazer, significa que voltarei a adoecer e muito em breve…

 — Não! — Jungkook recusou-se a ouvir.

 — Jungkook… — Taehyung suspirou pesaroso.

 — Eu já perdi todos que eu amei algum dia Taehyung, não perderei você também! — Apesar da convicção queimar em seu âmago, sentia vontade de chorar. Por isso direcionou seu olhar para Amélia. — Há algo que eu possa fazer para impedir?

 — Existe uma maneira — ela disse, chamando a atenção de Taehyung, que a encarou de maneira curiosa. — Há uma profecia, que envolve duas crianças, onde vocês estão interligados a elas. — Olhou para Jayce e Lia. — Todos vocês.

 — Por isso nos chamou aqui? — Jayce perguntou e Amélia assentiu. — Prossiga.

 — Há muitos anos atrás, minha ancestral previu que iriam nascer duas crianças — ela disse olhando para os anéis que ornavam seus dedos. — Uma benção e uma maldição. Duas crianças nascidas em momentos propícios, elas serão responsáveis por ditar o caminho do destino de vocês, seja ele bom ou ruim.

 — Nosso destino está nas mãos de duas crianças? — Jungkook perguntou, temeroso, fazendo Amélia assentir.

 — Uma das crianças nasceu em um Equinócio, banhado por bênçãos de Deuses, a pedido de sua mãe, que não conseguiria levar a gestação adiante. Ele foi abençoado com um destino afortunado, regado pelas mais diversas alegrias, mas o mais importante, fora um dom concedido por um Deus benevolente, que lhe deu uma habilidade sem igual — Amélia disse olhando nos olhos de cada um antes de continuar. — Ele não é um Deus como vocês, é apenas um garoto humano, mas com um destino formidável. Ele agora, é Ryan, o atual Rei de Vallone, monarca de quase todas as terras banhadas pelos oceanos que vocês navegam.

 — Por que uma criança detém tanto poder? — Taehyung perguntou confuso. — Como podem colocar uma criança no trono?

 — O antigo rei e pai dele faleceu, deixando o trono para o herdeiro de sangue — a bruxa explicou. 

 — Certo, entendemos que ele é a “benção” do qual você falou — Jayce interpôs. — E a maldição?

 — Eveline, nascida em um eclipse lunar, detentora de uma maldição cruel, ela nasceu com o destino de trazer morte e caos por onde passa. Ela é a filha renegada, a criança que matou a própria mãe após seu parto e mergulhou o reino em uma escassez de chuva durante toda a gestação até seu nascimento — Jungkook arregalou os olhos. — Foi tratada como tal, considerada uma bruxa e queimada pelo conselho, mas não conseguiram matá-la por conta de um pequeno detalhe extremamente importante.

 — Que é? — Taehyung perguntou.

 — Ela é a sucessora de Avír, o quarto elemento — disse fazendo todos os presentes arregalar os olhos. — Portanto, uma deusa, impossível de ser morta por fogo, apesar de terem tentado.

 — Tentaram queimá-la… viva? — Jayce perguntou com a voz tensa.

 — Sim, quando não conseguiram, a trancaram no castelo, pois ela era uma criança amaldiçoada com um poder devastador. Apenas um Deus pode matar outro Deus, Eveline possui o poder tão poderoso quanto o de vocês, apesar da pouca idade — o olhar de Amélia voltou-se para Lia. — Ela teve seu despertar tão cedo quanto você, graças a isso não foi morta, apesar de terem tentado muito. Ela agora está ao lado do irmão, pois ele não segue os passos do pai, não a renega como o progenitor fazia. Os dois estão destinados a trazer o caos, ou a salvação para os mortais da terra, mas o destino não está decidido ainda, o caminho vai depender de vocês.

 — Amélia, apenas não entendo o que essa profecia tem a ver conosco, qual o nosso papel nela? — Jungkook perguntou confuso. — Por que depende de nós?

 — Vocês devem, como Deuses, evitar que o mundo seja devorado pelo caos — ela lhe encarou. — E vocês têm objetivos em comum, juntos, vocês terão todas as respostas para suas perguntas não respondidas.

 — Então devemos procurar pelo pequeno rei? — Jayce perguntou e Amélia negou.

 — Ele irá procurar por Taehyung — disse olhando para ele, que arregalou os olhos. 

 — O que um Rei iria querer com ele? — Jayce perguntou curioso.

 — Talvez me confrontar porque derrubamos uma frota inteira dos navios dele no oceano? — Taehyung perguntou a Amélia, fazendo Jayce arregalar os olhos. Mas a bruxa negou.

 — Assim como vocês vieram buscar respostas comigo, Ryan tem uma bruxa no conselho, escondida de todos, claro — revirou os olhos. — Ela e eu não estamos em bons termos, ela seria a mais poderosa se eu não existisse, mas conseguiu cair nas graças do antigo rei, tornando-se conselheira. — Cruzou os braços. — Ela contou-lhe sobre sua doença Taehyung, o rei sabe que está doente e pretende fazer um acordo com o Capitão da Aurora, o dono do navio que derrubou todos os que seu pai colocou no mar.

 — Devo aceitar seu acordo? — Taehyung perguntou.

 — A decisão cabe apenas a vocês — olhou para os outros presentes. — Isso afeta o destino de todos, mas saibam que aceitar significa ter as respostas e os objetivos de vocês alcançados, porém…

 — Porém…? — Jungkook perguntou preocupado.

 — Este caminho será feito por cima de sangue e morte — ela o encarou nos olhos. — Terão que escolher, sacrificar aqueles que conhecem, ou deixar que o universo decida, o caos cairá sobre os mortais de qualquer maneira, de uma forma ou de outra. Vocês podem escolher evitar, derramando sangue daqueles que amam, ou deixando o caos tomar, poupando a vida dos que são importantes para vocês, comprometendo todo o restante.

 Aquela revelação fez um silêncio mórbido cair sobre todos os que estavam na sala de Amélia, que encarava todos com pesar, parecendo não gostar do que os aguardavam no futuro. Então eles só tinham duas escolhas: salvar aqueles que amam e deixar que o resto morra, ou salvar os mortais e sacrificar aqueles que amavam, era um destino cruel, para dizer o mínimo, jogaram uma responsabilidade horrível sobre as costas deles. Os quatro estavam pensativos, imersos em seus próprios pensamentos, eles não tinham de fato uma escolha Jungkook pensou, pois se o trabalho deles como Deuses era garantir a segurança de todos os seres mortais, não podiam simplesmente escolher quem era mais importante e deixar que o resto perecesse.

 — Vocês têm alguns dias para decidir — Amélia disse, endireitando sua postura. — O rei os convocará para o castelo daqui algumas luas, até lá, o destino de todos estão em suas mãos.

 — Entendi — Jayce disse cruzando os braços, com um sorriso tenso. — Sem pressão. — Amélia e Taehyung acabaram rindo, mas Jungkook o entendia perfeitamente. Vidas estavam em suas mãos.

 — Vocês podem tirar este tempo para se conhecerem — Amélia disse apontando para os três deuses. — Vocês são parte de um mesmo todo, não pode haver rivalidade entre vocês.

 — Para onde devemos ir Amélia? — Jungkook perguntou. — Estávamos esperando que nos desse uma direção.

 — Creio que sua mama esteja com saudades, não é? — Ela sorriu, fazendo o peito de Jungkook se apertar em saudades. — Ryan saberá onde encontrá-lo, vá até ela, precisa descansar de todas as descobertas que fez. Jayce foi o primeiro a despertar, tem um controle muito bom sobre o próprio poder e suas capacidades, pode ensiná-lo, assim como você pode lhe dar respostas também. Os diários do seu pai são detentores de muito conhecimento.

 — Amélia, só um momento — Jayce estendeu a palma da mão, fazendo a bruxa encará-lo com curiosidade. — Entendo que há coisas que preciso saber, que sendo sincero, a escolha que nos deu não é exatamente uma escolha. Mas o que realmente está me preocupando é ele. — Apontou para Taehyung, que ergueu uma sobrancelha. — Você está chamando-o por um nome bem famoso, as roupas dele… Ele não é aquele Capitão pirata, não é?

 — E se eu for? — Taehyung perguntou com um sorriso ladino, fazendo Jayce sorrir de maneira sarcástica.

 — Eu não irei pisar em um navio, senhor Sorriso bonito — disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Eu sou um Deus do fogo, eu seria muito idiota em não temer ir para uma embarcação de madeira no meio do oceano.

 — Tem medo de água foguinho? — Taehyung perguntou com o sorriso rasgando-lhe a face. Jungkook o encarou com censura, por mais que soubesse que ele tinha o irritante hábito de provocar os outros, Jayce podia simplesmente atear fogo a ele com um estalar de dedos.

 — Você também deveria ter Capitão — o sorriso de Jayce aumentou, mostrando uma fileira branca de dentes bonitos. — Ou será que você gosta de brincar com o fogo? — Os olhos de Jayce mudaram do vermelho para o laranja, cintilando como lava fervente em um vulcão, trazendo um arrepio para a espinha de Jungkook, que se levantou.

 — Ok! — Disse, encerrando a troca de farpas, ou flertes, de Jayce e Taehyung. — Então devemos ir? — Perguntou olhando para Amélia, que assentiu com um sorriso divertido.

 Jayce bufou, mas levantou-se, sendo seguido por Lia, que ainda permanecia silenciosa, ela segurou a mão do Deus do fogo e caminhou para fora da sala de Amélia. Taehyung fez o mesmo, levantando-se para caminhar para fora, segurando sua mão, fazendo-o sorrir e ridiculamente corar. Jungkook deveria estar acostumado com aquilo, pois o Capitão estava sendo afetuoso com bastante frequência, sempre beijando-o e demonstrando afeto em público, sem ligar para quem estivesse assistindo. Os dois caminharam em direção a porta, Jungkook estava pensando nas informações que haviam acabado de receber, novamente o destino estava brincando com a vida dele. Não conseguiu fazer muito da primeira vez, mas como Taehyung havia lhe dito, agora ele era um Deus.

 Não seria o destino ou o que quer fosse que iria controlá-lo.

 — Jungkook — Amélia o chamou quando estava prestes a atravessar a porta, fazendo-o virar-se para encará-la. — Não deixe que o desejo o deixe cego, apesar de suas ambições serem boas, podem torná-lo ingênuo. Mantenha seus olhos abertos, nem tudo é o que parece.

 — O que quer dizer? — Perguntou confuso.

 — Apenas se atente aos detalhes — ela juntou os lábios em uma linha rígida e levantou sua mão esquerda, para mostrar veias escuras subindo por seus dedos e alcançando seu pulso, deixando-a trêmula. Jungkook franziu o cenho, notando a feição de sofrimento da bruxa. Taehyung também a encarou com preocupação.

 — O que está havendo Amélia? — Ficou extremamente preocupado ao vê-la abaixar a cabeça e respirar fundo, antes de levantar o olhar novamente e sorrir. Mas o sorriso não chegou a seus olhos, pois a dor estava estampada neles.

 — É a punição por revelar algo que não deveria — ela segurou a própria mão, as veias estavam subindo ainda mais, alcançando sua clavícula. — Não durará muito, Ruth pode me ajudar, chame-a.

 — Não há nada mais que possamos fazer? — Taehyung perguntou preocupado, mas Amélia negou.

 — Será apenas por um momento, mas irá se tornar mais doloroso a cada minuto — ela fechou os olhos, o suor começou a acumular-se em sua testa. — Por favor, chame-a, rápido!

 Jungkook assentiu e puxou Taehyung para fora da sala, caminhando às pressas pela Taça de Safira, a procura de Ruth, não encontrando-a entre os clientes, por isso seguiram até a saída encontrando Jayce e Lia, após contar-lhes o que houve todos saíram para procurar pela pequena bruxa. Enquanto procuravam Jungkook pensava no que havia acabado de presenciar, sempre pensou que as bruxas não revelavam o que realmente precisavam saber por diversão, achava que era uma maneira de brincar com o psicológico deles, mas a verdade é que elas eram punidas por fazer isso. Sentiu-se culpado por ter deixado Amélia naquela situação, seria cauteloso para não causar a mesma dor a Jennie, que já o ajudara diversas vezes com seus dons. 

 Quando finalmente encontraram Ruth, ela conversava com uma garota, molhando os pés no mar, na beira do cais.

 — Ruth! — Taehyung a chamou, atraindo sua atenção, notou ela franzir o cenho ao ver suas expressões preocupadas.

 — O que houve? Por que estão afobados dessa maneira? — Ela se levantou, a menina ao seu lado também se ergueu. Jungkook notou algumas tatuagens espalhadas por seu corpo, não tantas quanto no de Ruth ou Amélia, mas ainda assim eram várias. Outra bruxa.

 — Amélia — Jungkook disse, vendo os olhos verdes dela lhe encararem com preocupação. — Ela disse algo sobre revelar algo que não deveria, parecia estar sentindo dor.

 — Droga, mãe! — Ela praguejou e apressou-se para ir até Amélia, mas parou no caminho. — Entendo que são deuses, devo respeito a vocês, por ser uma mensageira como minha mãe… — Virou-se para encará-los. — Mas por favor, não a force a revelar nada, não tem ideia da dor que sentimos ao sermos castigadas por revelar algo proibido. — Ruth virou-se e voltou a correr, a outra garota estava em seu encalço. Deixando para trás os quatro com expressões extremamente confusas.

 Qual das informações que Amélia havia revelado era um conhecimento proibido?

 (...)

 — Definitivamente não — Jayce disse estendendo o indicador e balançando-o diante dos olhos de Jungkook e Taehyung.

 Estavam todos de frente para a passagem que levava para dentro do Nevrine, os tripulantes já estavam todos embarcados no navio, com exceção dos três Deuses e do Capitão, que encarava o Deus do fogo com impaciência. Estavam a caminho de Palaciana, para visitar Maria e passarem um tempo longe do mar e seus desafios, à espera do pequeno rei entrar em contato com eles, também para aproveitar o tesouro que haviam conseguido conquistar na Ilha do Tormento. Nesse momento Jayce fazia uma cena porque não queria entrar no navio, dizendo que não ficaria cercado por seu inimigo natural, o que fez Jungkook revirar os olhos. Lia também parecia tranquila com a ideia, tanto que caminhou pela passagem de madeira e entrou no navio, deixando o Deus do fogo com uma expressão chocada.

 — Traíra — Jayce disse a Lia, que apenas deu de ombros, como se não se importasse.

 — Se importa? — Taehyung perguntou com impaciência, indicando o caminho. — Temos que zarpar e quando mais tarde você embarcar, mais tempo levaremos para chegarmos à Palaciana.

 — Mas e se essa banheira afundar? — Virou-se para o Capitão com a feição preocupada, fazendo Taehyung suspirar com impaciência.

 — Não irá, mas caso ocorra um evento impossível como este — ele apontou para Jungkook. — Temos o Deus da água bem atrás de você, ele já nos salvou de coisas muito piores que um naufrágio. 

 — Isso deveria me tranquilizar? — Jayce ergueu uma sobrancelha e Taehyung pareceu perder a paciência.

 — Com sua licença “oh grande Deus do fogo” — revirou os olhos, curvando-se à frente de Jayce, segurando seu braço direito e jogando o corpo dele por cima de seus ombros. — Não temos o dia todo. — Disse com impaciência, fazendo surgir uma expressão ultrajada no rosto de Jayce.

 — Embora eu ame homens bonitos e gostosos mostrando toda sua força e virilidade, acha mesmo que isso foi necessário? — Revirou os olhos, olhando para Jungkook, que os seguia com um sorriso nos lábios.

 Jayce era um cara divertido, apesar de um pouco irritante.

 — Já disse que você tem um sorriso lindo gracinha? — Perguntou, apoiando a mão esquerda nos ombros alheios, sorrindo faceiro em sua direção. O Capitão deu um pequeno tranco, como se o corpo de Jayce fosse pesado, fazendo-o gemer de dor, o que fez Jungkook rir ainda mais, pois sabia que para ele aquele peso não era nada para Taehyung. — Seu namorado é um bruto, sabia?

 — Sabia — Jungkook respondeu, não precisava olhar para Taehyung, para saber que ele sorria também.

 — Hm, vocês são fofos — Jayce disse sorrindo, para logo em seguida ter seu corpo colocado no chão. Estavam no convés do navio, com toda a tripulação do Nevrine à espera de ordens.

 — Novos tripulantes Capitão? — Lisa perguntou de braços cruzados, fazendo Taehyung assentir e Jayce encará-la.

 — É um grande prazer — o Deus do fogo caminhou até Lisa graciosamente, segurando em sua mão e levando-a até os lábios, deixando um beijo singelo sobre ela. — Como devo chamá-la senhorita?

 — Lisa — respondeu de maneira vaga. Jennie apareceu ao seu lado, estendendo a mão para Jayce, que a encarou com curiosidade.

 — É um prazer — ela disse com a expressão de poucos amigos. — Jennie, namorada da Lisa.

 — Oh! — Jayce sorriu grande, levando a mão de Jennie até seus lábios. — É um imenso prazer senhorita Jennie, devo dizer que você é tão linda quanto sua namorada. — Respondeu galante, piscando para a bruxa, que franziu o cenho e recolheu sua mão.

 Jennie o encarou com uma expressão assustada por alguns segundos, antes de dar um passo para trás. Ela viu alguma coisa.

 — Quem é ele, Capitão? — Ela perguntou sem tirar os olhos dos de Jayce. — Ele tem uma carga muito pesada e sufocante.

 — Este é Jayce e Lia, Deuses do fogo e da terra — Taehyung os apresentou, fazendo todos arregalar os olhos.

 — Eles são como o Jungkook? — Jimin perguntou confuso e Taehyung assentiu.

 — Ao que devemos a honra de ter mais dois deuses no Nevrine? — Hoseok perguntou curioso.

 — Amélia disse que seremos convocados pelo rei — Jungkook respondeu, cruzando os braços. — E que eles deveriam se juntar a nós, pois o que nos aguarda mais para frente nos dará as respostas que precisamos.

 — Então qual será nosso rumo? — Namjoon perguntou, parado ao lado de Jimin. 

 — Palaciana — Taehyung disse olhando para o rosto cansado de sua tripulação. — Teremos alguns dias de descanso, pois nossa jornada foi longa e extremamente cansativa, iremos aproveitar o ouro que conquistamos e relaxar um pouco antes de voltarmos a navegar.

 Todos começaram a gritar e comemorar, sorrindo por terem o tão esperado descanso após passarem dias a fio arriscando as próprias vidas. Precisavam daquilo, um tempo antes de se aventurarem novamente em um mar repleto de caos e morte, ir visitar sua Mama seria ótimo, pois iria relaxar e esquecer sobre essa história de Deus, caos, morte e destino. Olhou para Taehyung, vendo-o sorrir, contagiado pela alegria de sua tripulação, o que o fez sorrir também, mas seu sorriso se desfez e deu lugar a um vinco de preocupação em sua testa, ao lembrar-se do que Amélia revelou. Não expressou sua preocupação e tentou não deixar nítido em suas feições, para não acabar com a felicidade dos tripulantes, mas não conseguiu conter a dor que estava apertando seu peito.

 — Então vamos! — Taehyung bateu uma palma, chamando atenção de todos. — Subam a âncora, ergam as velas e vamos zarpar! O descanso nos aguarda!

 — Sim Capitão! — Todos gritaram e começaram a seguir suas ordens.

 — Jimin! — Taehyung o chamou, antes que ele se afastasse para ajudar a tripulação. — Por favor, ajude nossos… — Olhou para Jayce e Lia. — Hóspedes, a se acomodarem.

 — Sim Capitão — ele sorriu e olhou para os dois Deuses. Que estavam parados olhando todos andando de um lado para o outro. — Sigam-me, por favor.

 Jayce e Lia o seguiram, caminhando até às escadas que os levavam para baixo do convés, para mostrar onde ficavam as redes e onde guardavam suas coisas — embora não estivessem levando nada fora as roupas do próprio corpo — para que se acomodassem da melhor maneira. Jungkook partiu para ajudar os tripulantes, puxando as cordas para erguer as velas, girando a manivela que controlava as correntes ligadas a âncora e tentou ajudar um pouco na velocidade do navio, criando correntes. Tentou não criar correntes fortes, para não prejudicar a vida marinha e para não se esgotar, mas confessou a si mesmo que o principal motivo era para não preocupar o Capitão, que ainda ficava temeroso ao vê-lo controlar o mar, com medo que ainda houvesse um limite o segurando.

 Tinham muito o que conversar.

 A viagem não demorou muito, pois Macua não ficava tão longe de Palaciana e suas correntes ajudaram a acelerar um pouco a viagem, fazendo-os chegar em algumas horas na praia. Como fizeram na última visita ao porto, Taehyung e Namjoon conduziram o navio a uma costa afastada, estavam carregados de ouro, não queriam ser furtados, por isso manteriam o navio escondido de todos. Como não sabiam a data exata que o rei iria convocá-los, o Capitão pediu para que todos se reunissem no navio em cinco dias, pois se Ryan tinha mesmo uma bruxa no conselho, ele saberia que não ficariam em terra por muito tempo. Jayce e Lia ficaram junto a Taehyung e Jungkook, que olharam um para o outro agora que todos haviam partido.

 — Para onde iremos? — Lia perguntou, pela primeira vez, ao ver o rosto confuso de todos. Jungkook sorriu, encantado com a voz suave dela.

 — Iremos para a casa da mulher que me criou — virou-se para Taehyung. — Depois podemos ir para o bangalô? Preciso de um pouco de calmaria, longe da cidade, Jayce e Lia podem ficar com minha mama, ela os acolheria com prazer.

 — Acho uma ótima ideia — o Capitão sorriu. — Podemos buscá-los assim que o pequeno rei nos convocar.

 — Contanto que tenhamos um lugar para passar a noite, não vejo problemas — Jayce respondeu, fazendo Lia assentir. 

 — Vocês não têm trouxas de roupas, não tem moradia… Como sobreviveram até agora? — Jungkook perguntou confuso.

 — Temos vivido como nômades, estávamos morando em um distrito no Atol das Orcas, tínhamos bagagens, mas Lia e eu gostamos de nos aventurar — sorriu para a pequena Deusa, que retribuiu seu sorriso. — Por isso viemos atrás de vocês, deixando tudo para trás.

 — Sem dinheiro, sem roupas e sem rumo — Taehyung constatou, fazendo Jayce assentir. — Vejo que raciocínio lógico, não é o seu forte.

 — Tenho uma teoria de que Jayce é dez por cento gênio e noventa por cento idiota — Lia disse fazendo tanto Jungkook, quanto Taehyung rirem. O Deus do fogo revirou os olhos, mas riu também.

 — Ele se dará muito bem com Hoseok — o Capitão disse olhando para Jungkook, que assentiu.

 — Mas vamos apresentá-lo a ele em outro momento — segurou a mão de Taehyung, puxando-o em direção ao centro de Palaciana. — Meu peito não está se aguentando de saudade da minha mama.

 Os quatro seguiram o caminho que levava ao centro de um dos maiores portos banhados pelas águas dominadas por Taehyung, Palaciana era somente menor que Vallone, onde o — agora — rei Ryan morava junto a sua irmã, o lugar para onde Jungkook fugiu quando sua vida começou a girar em torno do mapa “perdido” de seu pai. Nunca pensou que andaria pelas ruas do porto sem medo de ser reconhecido, agora ninguém podia feri-lo, ou usá-lo para chegar ao tesouro de seu pai, pois mesmo se tentassem, somente ele conseguia passar pelas provações e abrir os portões do tesouro. Sua aparência era completamente diferente, mas notou que estava chamando a atenção das pessoas quando chegou ao centro.

 Um cabelo completamente branco em alguém jovem e os olhos vermelhos de Jayce eram completamente incomuns, além da beleza estonteante de Lia, havia também o temido Capitão Taehyung andando junto a figuras tão peculiares, eram realmente um grupo bastante exótico. Conforme iam caminhando o coração de Jungkook disparava forte em seu peito, pois fazia anos que não via Maria, não podia conter sua ansiedade, pois apesar de saber quem de fato era sua mãe, Maria foi a mulher que cuidou e o educou, como seu próprio filho. Quando avistou a casa de tijolos de sua mama, seus passos se apressaram, mas o que o fez correr em direção ao pequeno casebre, foi Maria, que colocava suas roupas para quarar.

 — Mama! — Ele a chamou, soltando da mão de Taehyung. Maria virou-se em sua direção e abriu um imenso sorriso ao reconhecê-lo. Ela abriu seus braços, esperando por um abraço, que não demorou a chegar.

 Jungkook a envolveu em um abraço apertado, sentindo seu perfume de flor de cravo, graças ao seu pequeno trabalho com arranjo de flores, fazendo-o voltar há anos atrás, quando aquele cheiro o acalentava durante as noites. Maria estava um pouco mais baixa do que se lembrava, mas fazia sentido, pois quando fugiu era apenas um garoto de dezesseis anos, agora ele era um homem, seu corpo perto do dela era imensamente maior, mas seu abraço não deixava de ser o melhor por conta de sua baixa estatura. Afastou-se um pouco, para olhar em seus olhos, sorrindo ao vê-los marejados, a saudade estampada neles junto a felicidade, fazendo com que seus olhos também ficassem úmidos por conta das lágrimas.

 — Você demorou a voltar Kookie — ela disse colocando suas mãos espalmadas em suas bochechas, segurando-as, para que pudesse admirá-lo melhor. — Está tão crescido… E diferente. — Disse acariciando suas bochechas, mas seus olhos estavam focados nos seus. 

 — Desculpe a demora mama — deixou um beijo terno em sua testa. — Aconteceram tantas coisas, não podia arriscar vir até você, estar comigo poderia torná-la um alvo.

— Então quer dizer que está tudo bem agora? — Ela perguntou preocupada, fazendo-o assentir. — Você está tão parecido com as descrições de Junghyun sobre sua mãe…

 — É uma longa história — ele riu, segurando seus pulsos com delicadeza, fazendo uma pequena carícia com os polegares. — Eu a conheci.

 — Conheceu sua mãe? — Ela arregalou os olhos, abaixando suas mãos, deixando-as juntas as de Jungkook, que assentiu. — Temos muito o que conversar então.

 — Sim temos, mas antes, quero lhe apresentar algumas pessoas — virou-se, entendendo sua mão a Taehyung, chamando-o, junto aos outros dois deuses. — Estes são Jayce, Lia e Taehyung.

 — Taehyung? — Maria encarou Jungkook em choque, assustada. — Kim Taehyung? O Capitão pirata?

 — Ele realmente é tão famoso assim? — Jungkook perguntou confuso, ele realmente nunca ouvira falar de Taehyung até o dia que encontrou os dois homens falando sobre ele, no caminho da pousada que estava hospedado, antes de sair da Marinna.

 — Sua fama o precede — Maria encarou o Capitão com cautela. — Não há um navio que não tenha caído pelos canhões dele… seria um oponente digno para seu pai.

 — O admiro demais para tornar-me um inimigo de Junghyun — Taehyung respondeu com a voz mansa. — Ele me deu a chance de tornar-me o que sou hoje.

 — Taehyung não é uma ameaça a nós mama — Jungkook explicou, juntando sua mão a do Capitão, entrelaçando seus dedos aos dele, atraindo o olhar de Maria para aquele ato um tanto inusitado. — Ele é meu companheiro.

 Maria franziu o cenho por alguns instantes, mas logo sua face transpareceu surpresa, fazendo-a encará-lo com um olhar curioso. Jungkook confessou a si mesmo que estava com medo de como sua mama reagiria ao saber que estava romanticamente envolvido com outro homem, mas o sorriso que ela lhe ofereceu dissolveu todos os seus medos. Desde muito novo sentiu atração por garotos, assim como sentia por garotas, mas até sua fase adulta, nunca tinha experimentado sentir os lábios de outro homem junto ao seus, até o dia que estava em uma taberna, bebendo junto a outros corsários e a bebida o desinibiu, acabando por ir aos fundos junto com um dos seus colegas tripulantes, sentindo pela primeira vez, os prazeres carnais proporcionados por uma pessoa do mesmo sexo.

 Saber que sua mama não o olharia com olhares tortos faziam seu peito se aquecer em alívio e admiração, pois seu pai estava certo, Maria era uma mulher diferente das outras.

 — Vamos conversar lá dentro — ela disse caminhando para dentro do casebre, deixando para trás apenas a sombra de seu sorriso.

 (...)

 — É realmente muita coisa para digerir — Maria dizia bebendo seu chá quente, igualmente aos outros quatro. — Seria difícil de acreditar se você não tivesse me mostrado.

 — Mas o principal agora é que eu posso lhe dar uma vida decente mama — Jungkook disse tirando um saco cheio de ouro de seu cinto, colocando sobre a mesa. — Saía daqui, vá para um lugar melhor, abra sua escolinha, como sempre sonhou… posso lhe dar mais, muito mais, compro um palácio para você.

 — Não precisa Kookie — ela negou.

 — Eu insisto, ao menos a escolinha… Por favor, deixe-me retribuir o que fez por mim mama — ele segurou sua mão. — Deixe-me dar um futuro digno da mulher incrível que você é.

 — As crianças têm medo de mim Kookie — ela sorriu, mas seus olhos não expressavam o que seu sorriso tentava mostrar.

 — Eu não tinha — ele argumentou. — Deixe-os conhecê-la, irão amá-la, assim como eu a amo.

 — Eu… — Ela suspirou, abaixando os olhos por alguns segundos, antes de encará-lo novamente. — Irei pensar.

 — Pense com carinho, por favor, você merece isso — pediu, Maria apenas assentiu, sorrindo docemente em sua direção.

 — Com licença senhorita — Jayce a chamou, fazendo-a encará-la.

 — Me chame de Maria — pediu e o Deus do fogo assentiu.

 — Certo, Maria — Jayce juntou as mãos, olhando para baixo. Pela primeira vez desde que o conheceu, sua expressão escureceu, fazendo com que Jungkook desconhecesse a súbita mudança de humor. — Sou o Deus do fogo, tenho um poder destrutivo correndo por minhas veias. — Como para provar seu ponto, suas mãos aqueceram, um pequeno vapor surgiu delas antes de uma chama, tímida, dançar por entre seus dedos. — Sei do que são capazes, já vi a destruição que podem causar, as cicatrizes que elas deixam. — Seus olhos levantaram para o rosto de Maria, que pareceu entender onde ele queria chegar.

 — Está curioso sobre minha cicatriz… — Ela disse tocando na lateral esquerda de seu rosto, que estava deformada por uma grande cicatriz, originada por uma queimadura.

 — É por conta dela que as crianças a temem? — Jayce perguntou cauteloso. — Não precisa me responder se for um assunto delicado.

 — Não é — ela sorriu. — Sim, é por conta da cicatriz. A ganhei quando fui deixada para morrer em um incêndio. — Olhou em volta, levando todos a fazerem o mesmo. — Minha casa foi devastada pelo fogo, Junghyun me encontrou entre as chamas e me deu sua casa para que eu não vivesse em abrigos. — Olhou para Jungkook. — Por isso não quero me desfazer dela, seu pai foi como um irmão pra mim, salvou minha vida, me deu um lar e um propósito. 

 — O Capitão Junghyun realmente era um homem admirável — Taehyung disse, Maria assentiu, sorrindo.

 — Então sim — ela voltou sua atenção a Jayce. — Foi o fogo quem me deu esta cicatriz, as crianças se assustam por causa dela. Mas, apesar disso, eu fui e sou muito feliz, apesar das minhas flores não venderem tanto, tenho clientes fiéis. — Maria sorriu, segurando a mão de Jungkook com mais fervor. — Não tive filhos, mas Junghyun me trouxe Jungkook, não posso reclamar da minha vida, vivo melhor do que muitas outras mulheres. 

 — Mas… — Jayce pareceu perdido.

 — Eu aceitei minha cicatriz — ela disse olhando nos olhos do Deus do fogo. — Espero que um dia você aceite a sua também. — Após dizer isso Jayce arregalou os olhos, mas juntou os lábios em uma linha rígida e assentiu, abaixando a cabeça logo em seguida.

 — Desculpe desviar do assunto… — Lia chamou a atenção de todos na mesa, mas seu olhar focou-se somente em Jungkook. — Isso é algo que vem atiçando minha curiosidade desde que o conheci, mas seu despertar foi no momento em que os dois estavam no mar, quando estava contando a história de sua jornada ao tesouro?

 — Ah, sim, foi naquele momento — concordou. 

 — Não houve nenhuma catástrofe? — Ela perguntou confusa.

 — Catástrofe? — Jungkook perguntou também confuso.

 — Talvez não tenha havido nenhuma, pois ele estava no centro do elemento dele — Jayce disse a Lia, que assentiu, parecendo entender o que ele havia dito.

 — Do que estão falando? Que catástrofe?

 — Durante o despertar liberamos uma quantidade imensa de poder — o Deus do fogo explicou. — Isso normalmente gera uma catástrofe.

 — Durante meu despertar eu causei um terremoto — Lia disse abaixando a cabeça. — O lugar onde eu vivia foi destruído, casas foram ao chão e muitas pessoas foram feridas. Houve um deslizamento de terra, onde metade da aldeia foi soterrada, muitos aldeões se feriram e morreram, aqueles que foram encontrados no caso…

 — Nem preciso explicar o que minha explosão causou, não é? — Jayce riu sem humor, fazendo com que todos na mesa adotassem uma expressão triste.

 — E Eveline? O que será que aconteceu? — Jungkook perguntou preocupado.

 — Houve boatos de um tornado em algum lugar na floresta, mas se realmente houve um, a família real fez com que todos acreditassem que era aquilo mesmo, um boato — Jayce deu de ombros. — Mas o verdadeiro temor era o seu despertar.

 — Por que? — Perguntou confuso.

 — Você é o Deus mais poderoso entre nós — Lia disse fazendo Jungkook arregalar os olhos.

 — E o último despertar do Deus da água foi cataclísmico — ele disse olhando nos olhos, agora, azuis de Jungkook. — E você é um descendente de sangue dele, pensamos que seu despertar seria tão destruidor quanto.

 — O que houve? — Taehyung perguntou, curioso. 

 — Mayim afundou a terra em um dilúvio, fazendo o mar engolir todos que estavam em seu caminho.

 ~🖤~

E voltamos!!!

Amo essas tensões no final, confesso.

O que acharam do primeiro capítulo desse novo arco? Tem drama suficiente ou preciso pegar mais pesado?

Gente, vocês vão se apaixonar TANTO pelo Jayce e pela Lia, principalmente pelo nosso Deus do fogo.

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Tag da fic no twitter:
#dentesdodiabo

Vou deixar aqui as minhas inspirações para a aparência deles, ao contrário da Mayim e o Junghyun, esses personagens foram encontrados no Pinterest :)

Jayce (imaginem ele de olhos vermelhos):

Lia:

Eu tinha colocado a aparência do Ryan e da Eveline, mas achei que era spoiler e tirei :)

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