O tilintar das espadas

Jeon Jungkook

Era óbvio demais para Jungkook ignorar.

Todos dariam rios de dinheiro para saber um pedaço de seu futuro, para saber se estaria casado, se teria uma boa condição financeira ou até mesmo se estaria vivo daqui há uns anos, por isso davam rios de dinheiro para as bruxas revelarem essas informações. Bruxas eram mulheres extremamente perspicazes e persuasivas, todas — sem exceção — foram agraciadas com uma beleza esplêndida e uma inteligência de dar inveja, coisa que não agradava nem um pouco a igreja. Jungkook presumiu que mulheres inteligentes ameaçavam a monarquia misógina e arcaica dos mais influentes, por isso as chamavam de bruxas e as jogavam na fogueira.

Para que elas não tirassem os burros do poder.

Jungkook foi ensinado desde pequeno a admirar a força das mulheres e tratá-las com o respeito que elas mereciam, pois, sua Mama, a mulher que o criou por treze anos a pedido de seu pai o ensinou assim, ela era uma mulher incomum, não se encontravam mulheres como ela, era única. Ela se chamava Maria e apesar de morar na América, tinha descendência e traços da Ásia, ela o ensinou a ler, a escrever e a ser um homem de índole inquestionável, pois Jungkook observou de perto todas as desvantagens de ser uma mulher em uma sociedade que fazia de tudo para subjugá-las. 

Maria era uma mulher jovial, embora muito madura e experiente, ele fora entregue em seus braços quando ela era muito jovem, mas ele a via como uma figura materna e ela o ensinou a chamá-la de mama. Maria seria considerada uma mulher muito bela se não fosse a grande queimadura no lado esquerdo de seu rosto, que deformou sua pele pelo precário tratamento que recebeu, havia sido vítima de um homem que ela ensinou Jungkook a não ser. Ela nunca contou o que de fato havia acontecido no dia que ele a queimou, pois, ela apenas sorria e dizia que homens não gostam de mulheres como ela.

Hoje Jungkook sabe bem o que houve no dia que ela adquiriu a queimadura, graças a seu pai.

Maria era uma mulher linda que dançava diariamente na praça junto das crianças, pois ela tinha um dom para encantá-las que nenhuma outra pessoa tinha, talvez fosse sua alma infantil que as atraía, ele nunca saberia explicar. Seu pai disse que se ele já não estivesse apaixonado por sua mãe, ele teria facilmente caído nos encantos de Maria, mas ele não conseguiu vê-la com esse tipo de olhar, pois além da pouca idade ela passava essa áurea de inocência que ele jamais macularia. Mas é claro, que nem todos pensavam como ele, Maria foi alvo de inveja e desejo de muitas pessoas.

Inclusive de um dos soldados do rei, os mesmos que tinham fama de serem soberbos e se acharem donos de tudo, apenas por serem soldados do grande soberano de Palaciana, o soldado se encantou por ela assim que a viu, ele invadiu a casa de Maria durante a noite para tomá-la. Seu pai pareceu muito incomodado em dizer o que houve naquela noite, mas disse que Maria havia sido encontrada no meio das chamas após sua casa ser incendiada, ela estava desacordada e com óbvios sinais de violência. Jungkook, agora um adulto, entendia o que havia acontecido e sentia um ódio fulminante crescer por suas veias somente de imaginar que o culpado havia saído impune.

E apesar de tudo o que passou, Maria continuou um doce, mas longe de tudo o que gostava de fazer, como dançar com as crianças na praça — já que tinham agora medo de sua feição desfigurada — e ser mãe, pois ninguém jamais aceitaria se deitar com ela após o ocorrido. Jungkook a admirava e a respeitava muito, ela era uma vítima e jamais faria ou deixaria algo parecido acontecer com outra mulher sob suas vistas, coisa que muitas pessoas ignoravam quando presenciavam. Sentia falta dela e na primeira oportunidade a visitaria, mas pensava no que lhe diria se soubesse estar considerando pular no mar e se afogar para fugir do olhar inquisidor de Taehyung.

Depois do ocorrido em Macua ele o encarava a cada instante, parecendo tentar entender o que Amélia havia dito sobre os dois, claro que Jungkook também estava confuso com as informações, mas seu maior medo era dele descobrir que o filho de Junghyun já estava em seu navio e que não precisaria procurar por ele, já que praticamente havia se entregado de bandeja a ele. A tripulação perguntou ao Capitão sobre qual seria o próximo rumo e dava para ler em seus olhos que ele estava completamente perdido, mas disse que iria conversar com Namjoon e lhes dizer em breve.

Lisa sabia que haviam descoberto algo ou ao menos que tinham alguma informação útil, já que saíram da Taça de Safira com as expressões banhadas em confusão interna, mas por mais que tenha notado as feições estranhas no rosto deles, não falou nada, mas estava nítido que era o que ela mais queria fazer. Jungkook estava ajudando Hoseok a guardar as novas espadas que haviam comprado do ferreiro de Macua, ele tagarelava sobre como as lâminas estavam muito mais afiadas do que as espadas que havia trocado, mas sua cabeça divagava em torno das informações que ele recebeu.

Hoseok fez um bom trabalho em distraí-lo, por mais que quisesse ficar imerso em seus pensamentos, ouvir as conversas aleatórias e no mínimo estranhas dele, faziam com que os problemas não adentrassem seus pensamentos, sempre movido pela montanha-russa que eram os pensamentos e sorrisos de Hoseok. Mas quando as tarefas acabaram, ele suspirou, agora teria tempo suficiente para milhões de pensamentos e perguntas invadirem sua mente sem conseguir controlar, por isso apenas suspirou e se entregou a correnteza de todas as suas incertezas.

Sua mente girou em volta das palavras de Amélia, sobre o que ela havia dito sobre seu encontro com Taehyung, que ele precisava do Capitão tanto quanto ele precisava de si, mas não fazia sentido algum, pois existiam centenas de navios navegando pelos oceanos, não só piratas como corsários também, não seria difícil encontrar algum que pudesse guiá-lo até o tesouro de seu pai. Ele sabia que para chegar até o tesouro precisava aprender a ler o mapa, que não adiantava achar o navio que o levaria sem antes entender todas as linhas e ilhas das quais nunca ouviu falar antes.

Taehyung sabia ler mapas, ele era Capitão, era preciso ter um vasto conhecimento para se tornar um.

“Mas eu não arriscaria pedir-lhe e ter minha herança roubada” respondeu as próprias divagações em sua cabeça.

Decidiu que encontraria outro navio enquanto descia as escadas do convés, caminhando até as redes onde dormiam para deixar seu casaco sobre a dele, futuramente Jungkook partiria da Aurora quando não estivesse sobre a mira de Taehyung e iria para o mais longe que conseguisse dele. “Você garoto, precisa da Aurora, outro navio não fará o que ela faz e não haverá melhor capitão do que Taehyung” lembrou-se do que Amélia disse suspirou, tirando seu casaco e dobrando-o para colocar sobre a rede, havia se metido em uma enrascada ao entrar naquele navio.

— Está bem longe de Palaciana, não é? Jeon Jungkook? — Ouviu a voz rouca soar atrás de si de repente, fazendo todos os seus pelos se arrepiarem e o gelo adentrar suas veias, paralisando-o ao ouvir seu nome sendo pronunciado por Taehyung. — Imagino que deve ter sido extremamente difícil se esconder esse tempo todo…

Jungkook estava fodido, em todos os sentidos possíveis dessa palavra, talvez pior, estava sem dúvidas morto, todos os músculos de seu corpo travaram e ficou completamente imóvel diante da rede em que dormia, nem mesmo sua respiração conseguiu libertar de seus pulmões. Mas definitivamente não ficaria de costas para o inimigo, vulnerável a ele para que pudesse apunhalá-lo por trás, por isso forçou seu corpo a se mover e se virou em direção a Taehyung, fazendo sua melhor feição confusa.

Sua confiança deu uma vacilada ao ver o sorriso gigante no rosto do Capitão, ele estava de braços cruzados, encostado na pilastra de madeira que levava à entrada da escada por onde havia descido, ele estava sem seu chapéu de três pontas e casaco, ostentando apenas seus diversos anéis e deixando seu peito parcialmente a mostra por conta dos cordões abertos de sua camisa branca. Sua expressão era a mesma de alguém que encontrou a galinha dos ovos de ouro e foi exatamente assim que Jungkook se sentiu, um franguinho acuado.

— Do que está falando Capitão? — Fez-se de desentendido, franzindo o cenho e curvando um pouco o pescoço, usando toda sua habilidade de persuasão para parecer genuinamente confuso.

— Agora tudo faz sentido — ele abaixou a cabeça para soltar uma fraca risada descrente, levantando o olhar novamente, encarando-o com uma intensidade alarmante, Jungkook estava sentindo-se exposto diante seu olhar, completamente nu. — Todos os segredos, as respostas na ponta língua, sua personalidade esquiva e a postura defensiva ao extremo.

— Não está dizendo nada com nada Capitão — riu fraco, tentando não denunciar o medo que estava sentindo. — Não sou esquivo.

— Ah! Com certeza você é — seu sorriso aumentou, se aproximando alguns passos. Impensadamente Jungkook deu alguns passos para trás, mantendo uma distância segura, foi puramente instintivo, Taehyung parecia pronto para lhe atacar. — Estava tão óbvio, era você o tempo todo, aqui, no meu navio… Bem debaixo do meu nariz.

— O que está dizendo…? Não faz senti-

— Vai mesmo me fazer arrancar a verdade de você? — Taehyung se aproximou ainda mais, fazendo Jungkook tropeçar nos próprios pés ao recuar alguns passos, seu coração antes acelerado quase parou com a aproximação.

Jungkook não era um homem que se afugentava facilmente, longe disso, tinha sangue quente nas veias, sabia se defender, nunca abaixou a cabeça ou perdeu sua confiança, mas ali diante de Taehyung tudo se dissolveu como açúcar na água. Os olhos de Taehyung, antes castanhos agora estavam completamente pretos, não havia o ébano bonito que se tornava um caramelo queimado no sol, era puramente sombrio, um preto profundo como se suas pupilas houvesse engolido suas íris e aquilo lhe assustou.

Quando suas costas bateram na madeira do navio Jungkook subiu sua mão para o peito, tocando a runa por cima do tecido de sua camisa, sempre fazia isso quando precisava de proteção, como se aquilo fosse impedir que ele fosse engolido pelo medo, como estava sendo naquele momento. O que era aquilo nos olhos dele? O que significava o sorriso um tanto sádico que ele exibia ao vê-lo tão acuado? Mas acima de tudo, por que sentia algo estranho emanando dele? Algo que fazia seu corpo simplesmente entrar em estado de alerta.

Todos os seus sentidos gritavam: perigo!

— O que você é Taehyung? — Jungkook deixou escapar, incapaz de conter o quanto aquilo estava lhe cutucando a mente, parecia absurdo agora que disse em voz alta, porém aquilo não era natural. — Isso que você faz… Não é normal.

— Você não é o único com segredos JK ou devo dizer Jungkook? — Sorriu ainda mais, mantendo seu corpo perigosamente próximo. — Normalmente não gosto de intimidar pessoas dessa forma, mas há algo em suas reações… Que eu simplesmente não consigo resistir.

— Acha divertido brincar comigo assim? — Por mais que ainda estivesse com medo, sentindo aquela pressão absurda emanando dele, ainda era um homem orgulhoso, jamais admitiria ser brinquedo de alguém. — O que eu sou para você? Um brinquedinho? Uma diversão? Seu sádico maldito… — Disse entredentes, vendo o sorriso de Taehyung aumentar.

— Isso Jungkook, mostra as garrinhas, estava louco para ver você se revelar — colocou a mão direita na parede ao lado de sua cabeça, Jungkook notou que ele tinha a mania de encurralá-lo contra a parede. — Você é um gatinho arisco.

— Você tem fetiches estranhos — soltou, áspero.

— Você nem imagina — sorriu ladino.

“Aí está o sorriso malicioso que ele sempre dá quanto flerta comigo” Jungkook pensou, bufando por se sentir afetado por ele. Aquela tensão assustadora lentamente estava indo embora junto com o castanho ébano voltando as íris de Taehyung.

— Então… Temos assuntos a resolver Jungkook — seu nome dançou sob os lábios dele.

— Jungkook, é um nome que eu não escuto faz um tempo… Não é o nome do filho do Capitão Jeon Junghyun?

— Sua fraca persuasão não funciona comigo — se afastou um pouco, cruzando os braços e encarando-o com divertimento.

— Por que acredita que sou o filho do Capitão Junghyun? — Também cruzou os braços.

— Vamos aos fatos — afastou-se um pouco e ergueu sua mão, levantando o indicador, mostrando que iria enumerar os fatos. — Já é estranho um corsário invadir navios, normalmente eles são selecionados ou fazem testes para ingressar na marinha do rei, mas estranho ainda era um deles saber o código dos piratas, algo passado pelos mais antigos capitães dos navios mais temidos. 

— Por isso fácil de descobrir — Jungkook justificou.

— Certo, me explica então tudo casar tão perfeitamente — sorriu levantando o segundo dedo. — Ninguém sabia o rosto de Jungkook, mas o conheciam pelo nome, então claramente ele usaria um apelido, não acredita que JK é meio óbvio? É como seu pai assinava nos corpos dos cadáveres de todos que ousavam enfrentá-lo, foi a sigla que ele tatuou no pulso do meu pai após matá-lo.

— Tão óbvio que não seria uma opção se eu de fato quisesse me esconder.

— Certo — sorriu levantando o terceiro dedo. — Você disse que cresceu em um navio como a Aurora e que seu pai era um pirata, coincidentemente, seu pai morreu no mar e não voltou para o navio dele. E olha só que coisa estranha, após a morte de Junghyun, seu filho não voltou para o Nevrine e você foi enfático que não queria voltar para um navio pirata porque se lembrava do seu pai, que naufragou anos depois da morte dele.

Aquilo fez seu estômago se revirar, pois, lembrava bem quando a notícia que o amado navio de seu pai naufragou durante uma guerrilha com corsários.

— Isso é uma história comum entre piratas, todos temos algum passado trágico ou traumas que nos levou a pirataria.

— Você tem apenas vinte e quatro anos JK, esses anos que você fez questão de frisar para não ser jogado em uma ilha, conta com a sua infância, correto? — Levantou o quarto dedo, sorrindo ao ver seu semblante confuso, não entendendo até onde ele queria chegar. — Você passou anos em navios corsários, então é mais que nítido que você entrou para a pirataria muito cedo. Quem foi o único pirata a permitir que houvesse crianças a bordo de seu navio?

— Um pirata como você? Sem preconceitos com idades e gêneros? — Ergueu uma sobrancelha.

— Aceitar mulheres é uma coisa JK, elas são inteligentes e ótimas no que fazem, mas eu jamais permitiria crianças no meu navio, esse não é um ramo seguro e saudável para elas.

— Mas isso não significa nada.

— Se você diz — riu nasalmente e levou o quinto dedo. — Essa runa que você carrega, o Capitão Jonghyun tinha uma runa com uma cor jamais vista antes, todas são sempre prata ou cobre, mas há quatro muito raras com colorações diferentes, apenas uma delas já foi vista e é essa aí, estava pendurada no peito do capitão Junghyun. E não adianta negar, eu vi com meus próprios olhos e fiz questão de perguntar a Amélia sobre isso.

— A encontrei no mar — o que não era de fato uma mentira, mas ela apareceu em sua mão em vez de procurá-la.

— Ou será que foi entregue a você como uma herança de família? — Ergueu uma sobrancelha, fazendo Jungkook franzir o cenho. — Talvez não acredite no sobrenatural Jungkook, mas eu já vi você fazer coisas que não tinham explicação, como encantar aqueles golfinhos, tenho certeza que foi influência dessa runa. Já que seu pai fazia coisas inexplicáveis no mar também, o que lhe dava certa vantagem diante de uma batalha.

— Do que está falando Taehyung? — Riu, estava tão descrente de tudo o que estava acontecendo que nem notou estar chamando-o pelo nome como se fossem amigos há anos. — Foi apenas uma coincidência eu estar na borda do navio no momento em que eles subiram para a superfície e eu nunca ouvi falar disso sobre o Capitão.

— Você realmente não sabe o que fez? — Franziu o cenho olhando para Jungkook com um olhar confuso. — Seu pai não o ensinou a usar a runa?

— Meu pai morreu há muitos anos e ele não tinha runas. 

— É sério que vai continuar negando? Mesmo depois de tudo que a Amélia disse? 

— Não estou negando nada, apenas colocando na sua cabeça fantasiosa de que eu não sou quem você procura — revirou os olhos, só queria acabar com aquela conversa e fugir para o mais longe possível de Taehyung.

— Eu sei que você é o Jungkook, era tão óbvio que eu nem sequer pensei na possibilidade, não adianta negar, Amélia foi enfática que eu deveria ir para Venados. Daí você do nada invade o meu navio e ela diz que eu não preciso mais da ajuda dela?  — Jungkook bufou, não havia como negar aquilo. — Tenho uma proposta a fazer.

— Proposta? — Ergueu a sobrancelha esquerda.

— Não sou um monstro a ponto de roubar o tesouro que seu pai lhe deixou, eu respeito a história e a memória  do Capitão Junghyun mais do que tudo, por isso não farei o que certamente os outros fariam. Eu quero lhe propor uma parceria — sorriu ladino, cruzando os braços e encarando-o com expectativa. — Você tem o mapa e eu o navio, a Aurora é o navio mais rápido dos sete mares e tenho os melhores artilheiros a minha disposição, munição e um dos melhores navegadores dos oceanos, você não vai encontrar opção melhor para levá-lo até o tesouro de seu pai.

Interessante” Jungkook admitiu a si mesmo, mas valia o risco?

— E que garantia eu tenho de que você cumprirá sua parte? — Disse com os braços também cruzados, vendo o sorriso de Taehyung aumentar exponencialmente. Mordeu a língua ao perceber que havia acabado de admitir ser quem ele procurava.

— Eu não arriscaria perdê-lo de vista, por isso é melhor uma negociação do que um confronto não concorda? Uma abordagem violenta só te afastaria e consequentemente eu não conseguiria convencê-lo a me entregar o mapa.

— Parece que estava pensando bastante sobre isso, já tem até um plano completo em mente — viu o sorriso ladino surgir novamente nos lábios dele e o encarou com ceticismo.

— Tive muitos anos para planejar — disse sem diminuir o sorriso.

Um plano que eu não sei qual é, que pode muito bem acabar comigo sem o tesouro e a sete palmos abaixo da terra” Jungkook pensou, colocando a língua na lateral de sua bochecha.

— Claro que seu plano não é uma caridade para me ajudar, você quer o tesouro também — afirmou, vendo Taehyung assentir.

— Estou oferecendo meu navio, minha artilharia, minha tripulação e a mim, para ajudá-lo a encontrar o tesouro. Já que está óbvio que você ainda não o encontrou — disse com convicção, sabendo estar certo, o que fez Jungkook revirar os olhos. — Você precisa de um navio, te ofereço o meu, em troca quero parte do tesouro para mim e minha tripulação.

Jungkook arregalou os olhos ao escutar aquilo, ele passou anos fugindo de piratas porque não queria que o patrimônio do seu pai caísse nas mãos de homens gananciosos como eles e de repente o capitão pirata — mais temido atualmente — quer que além de entregar o mapa, dívida o tesouro com toda a tripulação? Sua reação foi totalmente espontânea, ele colocou a mão na barriga e gargalhou, sentindo seu abdômen doer com a intensidade das risadas, enquanto Taehyung o encarava com as sobrancelhas arqueadas.

— Eu passei anos fugindo, me escondendo e apagando qualquer rastro meu durante oito anos e você quer que eu divida a herança do meu pai com todos? — O encarou com se estivesse vendo o ser mais bizarro do mundo na sua frente. — Não quer chamar mais gente não? Vamos dividir com todo mundo, um pouco para cada pirata que cruzar o nosso caminho o que acha?

— Nada mais justo do que compensar a tripulação que vai arriscar a vida para ir atrás do tesouro, que certamente Junghyun escondeu no Triângulo das Bermudas — disse fazendo Jungkook morder o lábio inferior, ele não sabia onde ficava, pois, não sabia ler as direções do mapa. 

— Ninguém vai para o Triângulo das Bermudas e volta vivo para contar a história… Nem mesmo o meu pai.

— Não há outro lugar para esconder tão bem um tesouro, seu pai não temia o mar, se Barba Negra não encontrou o tesouro quando dominava os mares, quer dizer que está em um lugar fora do alcance dele, ou seja, o Triângulo das Bermudas.

— Você parece ter bastante certeza disso — disse após cruzar os braços novamente.

— É uma hipótese — Taehyung deu de ombros. — Pensa que encontrará outros corajosos o suficiente para se aventurar em águas perigosas como essas? Ninguém é tão louco a esse ponto, mas estou disposto a correr esse risco e tenho certeza que minha tripulação também.

— Não dividirei o tesouro do meu pai — Jungkook disse rispidamente, fazendo o sorriso de Taehyung desaparecer. — Ele o confiou a mim, não confiarei em alguém movido pela ganância, não entregarei a ninguém que maculará todo o esforço dele por desejo. 

— Então é assim? — O semblante de Taehyung mudou, para uma que Jungkook nunca viu, era ameaçadora, mas sem o sorriso ladino, era puramente feroz e sem traço algum de simpatia. — Eu ofereci tudo o que eu tenho pela sua busca, em troca apenas de uma recompensa pelo nosso esforço, o único ganancioso que daqui é você. Continue mentindo para si mesmo dizendo que é para proteger o legado de seu pai, quando seu propósito é somente ter tudo para si sem ter que dividir com ninguém. — Se afastou, caminhando para as escadas, prestes a ir embora, deixando Jungkook para trás com um olhar ofendido. Mas antes de chegar ao final da escada virou-se em sua direção uma última vez. — Você não é mentiroso, esquivo ou sangue ruim, é simplesmente um hipócrita.

(...)

Irritado era pouco para descrever aquele sentimento corrosivo que estava sentindo dominá-lo desde que conversou com Taehyung.

Esperava que ele contasse a todos da Aurora que era o filho perdido de Junghyun, aquele com posse do mapa dos Jeon’s, por isso subiu as escadas preparado para ter que enfrentar toda uma tripulação, estava com a mão sobre o coldre de sua espada, pronto para se proteger, mas o cenário que encontrou foi o mesmo de quando saiu. Todos estavam cuidando de suas próprias vidas, o que fez Jungkook franzir o cenho em pura confusão. 

Taehyung não contou a ninguém sua verdadeira identidade?

A resposta estava óbvia pelo semblante enraivecido que ele carregava ao dar as ordens aos marujos no castelo da popa, caminhando até o leme, Lisa gritou as ordens e todos passaram a se mover, decidido a ignorar a existência do Capitão Jungkook fez o mesmo. As palavras dele ainda estavam martelando em sua mente insistentemente, mas tentou ignorar, se Taehyung não iria revelar sua identidade, ótimo, não ia ficar se sentindo mal por aquilo.

— NAVIO À VISTA! — Jimin gritou do alto do traquete. Chamando a atenção de todos, que correram para a borda do navio para enxergar um navio indo em direção a eles no horizonte.

— CORSÁRIOS! — Jennie gritou, ela estava próxima ao leme. O que consequentemente fez Jungkook notar a reação de Taehyung diante da fala dela, ele não estava nem um pouco feliz.

— TODOS AOS POSTOS DE BATALHA! — Taehyung gritou e Lisa correu até o Capitão, ouvindo o que ele tinha a dizer antes de correr novamente para se juntar aos outros.

— ENFUNEM AS VELAS! — Ela gritou e Jungkook correu para ajudar, era só o que faltava mesmo. — ESTAMOS CONTRA O VENTO, POR ISSO ESTEJAM A POSTOS E PRONTOS PARA A BATALHA!

— Estava louco para descontar minha raiva em alguém — ouviu a voz de Yoongi um pouco distante. 

Nada melhor do que passar a espada na garganta de alguém para aliviar a raiva” ironizou e revirou os olhos em seguida.

— Piratas… — Jungkook disse entre dentes, descendo as escadas e indo até os canhões.

A correria começou junto com o rufar dos tambores, que era inclusive uma coisa que todo navio tinha e Jungkook nunca entendeu o motivo, no meio da confusão alguém começava a bater nos tambores em uma velocidade altíssima, por quê? Não seria mais eficiente essa pessoa ajudar em vez de fazer a trilha sonora? Provavelmente havia um motivo, mas por ser desconhecido por si, julgava que era apenas bizarro e desnecessário.

Todos corriam de um lado para o outro para abrir as escotilhas e posicionar os canhões nos lugares corretos, enquanto Jungkook e mais alguns marujos iam atrás das munições dos mosquetes, pistolas e canhões, as armas foram distribuídas entre todos e embora Jungkook optasse por uma luta de espadas, não recusaria uma defesa a mais. Estava colocando a arma nas costas para se posicionar ao lado do canhão, quando Taehyung apareceu nas escadas olhando para todos os lados, até seus olhares se encontrarem.

— JK, quero você aqui em cima, na linha de frente — o Capitão disse firme, fazendo com que se levantasse e caminhasse até ele. — Espero que não pense em nos trair, você faz parte da tripulação da Aurora agora. Lutaremos lado a lado, mas não hesitarei em matá-lo se ousar se bandear para o lado inimigo e ferir alguém do meu navio. — Disse aos sussurros, quase um rosnar, para que apenas ele ouvisse.

— Precisa melhorar seus papos motivacionais — Jungkook revirou os olhos. — Não sou um traidor e odeio quando me denominam assim, eu vou lutar ao seu lado então tente não morrer, tá? Quero esfregar isso na sua cara depois que eu acabar com eles.

Caminhou para longe, sem sequer ouvir se ele tinha mais algo a dizer, não estava com paciência no momento para ser desafiado, visto que desde que colocou seus pés naquele navio sua paciência tem sido testada. Acabou por concordar com Yoongi, seria bom descontar a raiva nos corsários, já que eles viriam para cima deles para matá-los. Quando estava ao lado de Yoongi com a arma posicionada em suas mãos na borda do navio ele esperou, todos que não estavam nos canhões estavam no convés, popa e proa, prontos para atirar.

 — AGUARDAR ORDENS! — Lisa gritou ao lado do capitão, que segurava sua pistola também.

Todos ficaram imersos em um silêncio mórbido enquanto o navio corsário se aproximava da Aurora, eles estavam a favor do vento e por este motivo se aproximaram rapidamente. As velas da Aurora estavam abaixadas e assim que os navios estavam lado a lado eles baixaram as velas também, todos estavam prontos para atirar no comando de Taehyung, que se aproximou da borda com a pistola nas mãos. Jungkook franziu o cenho ao olhar para todos os tripulantes do outro navio.

— Ah não… — Praguejou, chamando a atenção de Yoongi ao seu lado.

— O que foi? — Ele perguntou sem tirar a mira do navio corsário.

— Essa é a Marinna… O navio principal da frota do rei — disse travando o maxilar. — Era o navio do Capitão Benjamin.

— Então não é uma ameaça — afirmou com confiança.

— Não seria, mas ao que parece ela tem um novo capitão — suspirou pesaroso ao ver Vernon vestindo as roupas do capitão e se aproximar da borda do navio. — A Marinna é uma forte concorrente da Aurora, antes não era uma ameaça por ser mal redigida, mas eu conheço o Capitão atual… Estamos fodidos se ele souber como usá-la.

— Vejo que estão prontos para um confronto — Vernon gritou sorrindo, encarando Taehyung e todas as fileiras de tripulantes da Aurora armados.

— Vocês também não parecem querer resolver as desavenças com um diálogo — Taehyung também gritou, apontando com sua pistola para os canhões posicionados e marujos armados.

— Estou disposto a aceitar a vossa rendição — ele gritou com um sorriso convencido, passando o olhar para todos os tripulantes da Aurora até que eles pousaram em si. — Olha se não é nosso marujo desaparecido, confundiu os navios JK?

— Ele é um dos nossos — Taehyung respondeu por si, atraindo um olhar de Vernon que ergueu a sobrancelha.

— Ah é? Poxa! Que pena — fingiu estar chateado. — Queria repetir nossa noite, você geme tão gostoso, realmente é lastimável que não poderemos mais repetir. — Jungkook sentiu o estômago se revirar com sua fala e fez uma careta enojada.

— Já acabou de falar merda seu nojento? — Lisa gritou ao lado de Taehyung. 

— Vamos fazer um trato? — Vernon sorriu e Jungkook sentiu medo do que ele diria. — Se  entregarem o JK a nós e colaborarem comigo, apenas levaremos seu navio, mas deixaremos vocês vivos. — Ele voltou o olhar em sua direção. — O rei ficará satisfeito somente por ter a Aurora e um traidor para enforcar. Terei o prazer de cuidar muito bem do JK, para que ele chegue em Palaciana pronto para receber sua punição.

— Sinto lhe desapontar Capitãozinho de araque, mas nenhum de meus tripulantes será moeda de troca — Taehyung respondeu, ele segurou em uma das cordas e subiu na borda do navio, olhando em direção a Vernon. — Farei questão de cortar sua língua fora antes de te matar, para você aprender antes de sangrar até a morte a não tratar um dos meus como um meretrício. — Apontou a arma em direção a Vernon. — Você deveria saber… Um pirata nunca foge de uma boa luta.

Bang.

— FOGO! — Taehyung gritou e todos começaram a atirar.

Jungkook levou alguns segundos digerindo a situação antes de começar a atirar também, estava surpreso e agradecido por Taehyung lhe defender, ele havia atirado no em Vernon por ter lhe ofendido, faria questão de agradecê-lo depois. Jungkook e mais algumas pessoas se abaixaram quando viram que o canhão seria disparado em direção a eles, puxou Yoongi no último instante quando percebeu que ele não se abaixaria e os dois se encolheram quando a bala do canhão estilhaçou a borda de madeira da Aurora.

Jungkook foi acertado por algumas lascas de madeira, fazendo gemer dolorido pela força do impacto delas em seu corpo, as pessoas ao seu lado também foram atingidas, mas logo ouviram os sons dos canhões da Aurora bombardeando sem pausas a Marinna. Jungkook levantou-se com a arma na mão e atirou novamente, vendo os corsários se abaixarem para não serem atingidos pelas balas, aquele era o momento perfeito para investirem. Encarou Taehyung e Lisa, vendo que os dois se preparavam para saltar da Aurora em direção a Marinna.

— Vamos com eles! — Jungkook gritou a todos que estavam ao seu lado e correu até uma das cordas do grande, segurando em uma delas e correndo em direção ao outro navio.

Pôde ver pela visão periférica Lisa e Taehyung aterrissando no navio inimigo e atirando logo em seguida. Jungkook concentrou-se em seu pulo e se agarrou com força na corda antes de pular, sentiu o característico frio na barriga ao ver a grande imensidão azul do mar embaixo de si, antes de flexionar as pernas e soltar a corda. Por conta da velocidade não conseguiu cair de pé, o que o fez usar as costas para evitar que desse de cara no chão de madeira de Marinna, dando uma pequena cambalhota antes de se levantar.

Segurou seu mosquete com firmeza e atirou no primeiro corsário que viu, derrubando-o instantaneamente, ele nem sequer havia visto o que o atingiu. Jungkook desviava e se escondia atrás dos mastros quando atiraram em sua direção, mas conseguiu cobertura de Yoongi, Hoseok, Namjoon e Rosé, que haviam pulado no navio também, um após o outro. Jungkook aproveitou que eles causaram uma distração para voltar a atirar, mas sua arma foi jogada longe por um golpe de espada que quase o atingiu, fazendo-o recuar rapidamente.

Seu coração acelerou em sua caixa torácica, aquela lâmina passou perigosamente perto de seu corpo, poderia ter causado um estrago e tanto se tivesse lhe atingido, mas ao que parece a intenção de seu adversário era apenas desarmá-lo. Quando pegou sua espada e levantou seu olhar se deparou com o olhar enraivecido de Vernon, que apontava a lâmina de sua espada em sua direção. Seu braço esquerdo pingava sangue e ele não se movia, normalmente os corsários mantinham o braço esquerdo nas costas quando iam duelar.

— Olha o que o seu novo Capitão fez comigo — ele disse entredentes.

— Merecido — Jungkook disse sorrindo.

— Você é um traidor de merda mesmo — cuspiu em sua direção, fazendo Jungkook virar o rosto por reflexo e a saliva grotesca dele grudar em sua bochecha. — Vou fazer questão de eu mesmo enforcá-lo em praça pública.

— Não vou te dar esse prazer — Jungkook limpou o cuspe com a manga de sua camisa, contorcendo sua feição em nojo. — Eu faço questão de deixar seu outro braço inutilizável também.

— Boa sorte — ele sorriu de maneira debochada e olhou para algo atrás de si, fazendo um sinal com a cabeça. Jungkook teve tempo apenas de ouvir a movimentação atrás de si e defender um golpe frontal de um corsário que pretendia lhe acertar pelas costas.

— Bambam… — Jungkook arregalou os olhos ao vê-lo pressionar a espada contra a sua.

— Quando você disse que ia partir para outro navio, não pensei iria ser para um navio pirata — sua voz soou repleto de desprezo. — Você não tem honra.

— Porque todo mundo fica me cobrando como se eu devesse seguir as expectativas de vocês? — Irritou-se e colocou força em sua espada, olhando entre Bambam e Vernon. — Eu faço o que eu quero, quando eu quero e da maneira que eu quiser, porque a vida é minha e não devo satisfação a ninguém. Mas eu tenho honra suficiente para não lutar de forma covarde como vocês, dois contra um? É sério?

— O forte dos corsários não é a justiça gatinho — Taehyung disse aparecendo ao seu lado com a espada na mão, fazendo-o franzir o cenho com o apelido. Ele apontou a espada para Vernon, o que o fez focar sua atenção em Bambam. — Estufam o peito para dizer que somos os sujos, mas fazem coisas piores que nós, não passam covardes fazendo merda com a proteção do rei.

— Essas serão suas últimas palavras? — Vernon perguntou um segundo antes de avançar em direção a Taehyung e os dois começaram um duelo de espadas.

— Não precisamos fazer isso Bambam, não há diferença entre nós — Jungkook disse esperançoso.

— Sou um homem da lei, não me rebaixe ao seu nível baixo de ladrão — Bambam disse trincando os dentes. 

— Eu realmente não quero lutar com você, em respeito a amizade que cultivamos durante meu tempo de serviço na Marinna — Jungkook disse com o tom manso, tentando barganhar para que não sujasse suas mãos com o sangue de um antigo amigo.

— Pois eu faço questão de levar sua cabeça para o rei, não confraternizo com traidores — disse com o maxilar travado, fazendo-o suspirar antes de simplesmente dar de ombros.

Jungkook realmente não queria duelar com Bambam, pois, ele foi uma das poucas pessoas que pôde chamar de “amigo” durante sua vida, mas ao que parece a sua amizade se limita a apenas corsários, sentia muito, mas era um tripulante da Aurora agora e era um homem de palavra, lutaria ao lado de Taehyung como havia dito que faria. Quando suas lâminas se cruzaram, o tilintar violento das espadas mostrou que não adiantava negar a si mesmo, um dos dois sairia sem vida daquela luta.

E não será eu” prometeu a si mesmo.

A gritaria à sua volta, pessoas morrendo e espadas cruzando uma com a outra tomaram completamente o barulho aconchegante das ondas, todos lutavam por suas vidas enquanto os canhões da Aurora continuavam a acertar o navio corsário. Marinna era um navio rápido e com artilharia pesada, mas agora que os corsários estavam ocupados demais se defendendo das espadas dos piratas da Aurora, ela não tinha nenhuma chance de vencer aquela luta, eles cairiam em breve.

Bambam era bom em duelos, já lutou ao seu lado, sabia que era habilidoso, mas não era páreo para si, seus movimentos eram fortes e ágeis, mas desengonçados, o que o deu uma vantagem para investir com tudo o que tinha e desarmá-lo. Quando a espada de Bambam foi ao chão, Jungkook pediu desculpas antes de atravessar a lâmina de sua espada no peito dele, fazendo-o cair no chão agonizando um pouco antes de parar de se mover.

Jungkook se abaixou com o peito apertado e juntou as mãos dele sobre o peito, ele havia falecido com a boca e olhos abertos, por isso fechou seus olhos delicadamente e tirou o chapéu de seu uniforme, cobrindo seu rosto, pois ele morreu com a face banhada em agonia. Quando se levantou novamente olhou em volta, alguns tripulantes da Aurora haviam caído, notou que Jin estava ferido e Jennie mancava, mas estavam lutando com unhas e dentes para saírem vitoriosos. A luta não duraria muito, visto que havia mais piratas de pé do que corsários.

Jungkook decidiu que ajudaria Jin, pois ele parecia estar tendo muitas dificuldades em lutar com uma ferida — que sangrava muito — em seu abdômen, correu em direção a ele e impediu que o corsário conseguisse atingi-lo, apunhalando-o por trás. Jin agradeceu e se curvou, fazendo uma careta de dor ao colocar a mão sobre a ferida, aparentemente era uma ferida bem feia, precisava ser tratada rapidamente. Jungkook colocou o apoiou no ombro e caminhou com ele até a borda da Marinna.

— Precisamos voltar para a Aurora e encontrar o Jimin — disse pegando uma das cordas que estavam presas no traquete, que havia sido acertado pelo canhão e agora estava torto. — Segure-se em mim.

Jin abraçou seu corpo junto a um suspiro dolorido, segurado-o com firmeza antes de Jungkook tomar impulso e levar os dois até a Aurora novamente, esperava apenas que a força que Jin exercia para se segurar em si não piorasse o estado de seu ferimento. Jungkook provavelmente machucaria muito sua mão, mas não soltou a corda de uma vez, diminuindo o aperto para que ela deslizasse por sua palma e impedisse que a queda dos dois fosse brusca. Jin estava machucado demais para aterrissar.

O peso do corpo dos dois fez seu aperto na corda queimar sua palma, fazendo-o comprimir uma careta quando pressionava a corda com força novamente antes de atingirem o chão, impedindo que os dois pousassem com violência. Quando estavam enfim no chão de madeira da Aurora, Jin o soltou e abraçou a própria barriga, Jungkook gritou por Jimin, que veio correndo do andar de baixo do convés com um olhar aflito. 

— Ele está ferido e perdendo muito sangue — disse ajudando Jimin a levá-lo até as redes.

— Pode deixá-lo comigo — Jimin disse colocando o braço direito de Jin nos ombros. — Vá ajudar, precisam de você lá. — Jungkook assentiu e correu para voltar para a batalha.

Quando estava de volta no convés Jungkook ouviu mais sons de canhões e viu que Marinna estava sendo destruída, os corsários estavam perdendo de maneira vergonhosa, pois eles estavam em menor número e os tripulantes da Aurora tem uma força ofensiva muito maior. Jungkook correu até o traquete, pegando uma corda para poder pular, suas palmas ainda ardiam, mas ignorou a dor e correu até a borda destruída do navio para pular, segurou-se com firmeza e pulou.

Ouviu o som estridente do canhão sendo disparado e arregalou os olhos viu a bala passar muito perto de seu corpo, não teve tempo de soltar a corda antes da bala atingir o traquete e a madeira se romper, fazendo-o sua corda se soltar e ele cair no mar. Jungkook prendeu a respiração e fechou os olhos quando seu corpo colidiu na água, assim que o som do mar e os gritos abafados adentraram seus ouvidos, ele abriu os olhos e nadou para a superfície.

— HOMEM AO MAR! — Ouviu Jisoo gritar da escotilha da Aurora e olhou para cima. A pessoa que atirou estava mirando nas velas da Aurora, para que ela não conseguisse fugir ou se afastar.

— MORRAM SEUS PIRATAS IMUNDOS! — Ouviu um homem gritar e sentiu seu corpo todo tensionar ao ver a Marinna virando em direção a Aurora.

Quem quer que estivesse no leme, estava querendo colidir os dois navios, aproveitando que Aurora estava sem seu traquete e não conseguiria usar o vento para fugir, seu objetivo era afundar os dois navios, não haveria vencedores, seria apenas a sentença de morte de todos que estavam sobre Marinna e Aurora. Quando o grande e imponente navio começou a virar, Jungkook sabia que ele seria esmagado entre os dois, ele não conseguiria nadar rápido o suficiente para escapar dos dois.

Ele morreria ali.

— Merda! — Sentiu o medo o tomar e mesmo sabendo que seria inútil ele tentou nadar para longe.

— JK! — Ouviu Yoongi o chamar, mas estava desesperado para sair dali antes que morresse.

Use-me

Jungkook parou de nadar ao ouvir a voz de seus sonhos, olhou em volta aflito, procurando pela origem do som, mas não viu nada, mas ouviu ela dizer novamente: use-me. Foi puramente instintivo olhar para baixo e ver a runa submersa, presa em um cordão, sem demora Jungkook a agarrou com força e fechou os olhos, sentindo a adrenalina o deixar trêmulo de medo, podia ouvir o som do espelho d'água sendo quebrado e o navio se aproximando cada vez mais, mas mesmo assim deixou os pensamentos pessimistas de lado e apertou a runa entre seus dedos.

— Me ajuda, por favor — sussurrou.

No momento em que as palavras saíram de seus lábios, ele sentiu algo acontecendo, era como se ele e o mar fossem um só, ele sentia as ondas se formando como se fosse uma parte de seu corpo, como se pudesse controlá-lo, por isso como um teste moveu sua mão e o mar obedeceu seus comandos, formando uma onda que bateu contra Marinna. Jungkook arregalou os olhos ao ver que o impacto da água balançou o navio, fazendo a pessoa que estava no leme e todos que estavam sobre ele se desequilibrarem.

Faça mais.

Jungkook novamente mexeu sua mão, como se empurrasse a água para frente, formando mais uma onda, que ao bater no navio o balançou ainda mais, fazendo as pessoas que estavam sobre ele gritar. Quando a ficha caiu, Jungkook arregalou os olhos, ele conseguia controlar os movimentos do mar, sorriu incrédulo e olhou para cima, vendo que a Marinna estava voltando a se manter estável sobre a água, se recuperando dos golpes de água que recebeu.

— VOLTEM PARA A AURORA! — Jungkook gritou olhando para cima, vendo Yoongi lhe encarando com o cenho franzido e olhos arregalados, mas pareceu acordar do transe ao ouvir seu pedido.

— VOLTEM PARA A AURORA AGORA! — Ele gritou e caminhou até uma das cordas, assim que a pegou, subiu na borda do navio e olhou para trás. — AGORA! SAIAM DA MARINNA! ELA VAI AFUNDAR!

E ele pulou, Jungkook não ficou ali esperando que todos pulassem também, nadou até a escada na lateral da Aurora, assim que a alcançou usou a força de seus bíceps para tomar impulso e sair da água, conseguindo subir nos primeiros degraus. Enquanto subia a escada feita de madeira e cordas presa na lateral do navio, viu que os tripulantes da Aurora estavam voltando para o navio, enquanto Yoongi atirava nos corsários que tentavam fazer o mesmo, enchendo o mar de corpos e sangue.

Em breve o mar estará cheio de tubarões” Jungkook pensou.

Assim que estava de volta ao convés olhou volta, vendo Hoseok, Namjoon, Lisa, Jennie, Rosé e Taehyung a bordo, virou-se para o navio inimigo e procurou por algum pirata que ainda não saíra de lá, mas só encontrou corpos e corsários tentando se proteger os tiros de canhões que não cessaram e da mira certeira de Yoongi. Jungkook ia correr até a proa do navio, para que tivesse uma visão melhor do mar, mas seu braço foi segurado por Taehyung, que lhe encarava com o cenho franzido.

— O que fará? — seu tom soou preocupado e seu olhar desceu para sua mão, que apertava a runa de seu pai entre os dedos.

— Irei afundar a Marinna.

~🖤~

Parabéns as pessoas que estavam certas sobre o poder da runa! Eu li tudo e fiquei chocada.

Mas e a runa do Tae? Eu joguei a resposta no meio da treta, alguém notou?

Eu estou ativa no twitter, bora falar da fic lá?

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#dentesdodiabo

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