Doces mentiras
Jeon Jungkook
Jungkook sabia desde o primeiro momento que conversou com Taehyung, que teria de ser muito cauteloso com ele, porque o Capitão era uma incógnita e parecia saber como mexer com seu psicológico.
Não podia negar que estivesse atraído por ele, mas como não estar? O homem era a reencarnação do deus Eros, ficava provocando-o a cada cinco minutos, fazendo-o enlouquecer com a possibilidade de afogar-se naquela intensidade toda, mas embora seu corpo o desejasse, sua mente não o deixava esquecer que apesar de Taehyung ter feito uma promessa, de dizer coisas que o confundem, de ter poupado sua vida, ele era um pirata. Não confiava em piratas, pois todos eram iguais, até mesmo seu pai, todos sonhavam com mais do que poderiam ter.
Ele não seria traído novamente, ele não era forte a ponto de despencar duas vezes e não se machucar, nunca esqueceu da sensação horrível que foi descobrir que Eunji nunca o amou, que todas as palavras doces, todos os toques, os abraços e beijos, tudo era uma doce mentira. Se uma garota da cidade podia fazer um estrago desse tamanho imagine um pirata, que tinha todas as armas necessárias para matá-lo e roubar tudo que era seu, era perigoso demais para arriscar, não podia acreditar nas palavras de Taehyung, não conseguia, pois, por um momento Eunji parecia confiável também.
Seriam cinco dias evitando que Taehyung o engolisse por completo, escapando de suas doces mentiras.
Após dizer que não o deixaria escapar caso seus destinos estivessem entrelaçados, Jungkook por um momento cogitou a possibilidade de Taehyung o querer como amante, não apenas como uma noite cheia de prazeres em sua cama, o que o assustou, apesar de ser um homem muito inteligente, Taehyung parecia acreditar que as amarras do destino eram fortes a ponto de não ter como fugir delas. Mas se o destino realmente fosse louco o suficiente para prendê-lo ao homem que o mataria, Jungkook seria tão louco a ponto de desafiá-lo e mostrar que nem mesmo o destino o controlava.
— O que o faz pensar que o destino me levou até você? — Jungkook perguntou verdadeiramente curioso. — Pode ser apenas o acaso.
— Não é — afirmou com uma certeza inquestionável. — Eu simplesmente sei.
— Você parece não ter noção do que eu sou capaz de fazer não é? — Riu soprado. — Se você realmente estiver certo, o destino ligou você a sua morte.
— Por que diz isso? — Perguntou confuso.
— Sabe o que Ruth disse a mim quando me viu? — Taehyung negou. — Que eu levaria Aurora para os confins do inferno.
— Isso não quer dizer nada.
— Não? — Riu com certo deboche. — Está tão cego pelo tesouro que sequer pensou nas consequências? — Jungkook cruzou os braços. — Olha o que aconteceu com a Aurora, se você estiver certo e o destino tiver feito tudo isso para me levar até você, a culpa de tudo o que aconteceu foi minha. Eu por acaso entrei na Marinna, eu por acaso dormi com o futuro Capitão dela e por um acaso eu entrei para a Aurora no exato momento que Benjamin, no exato momento em que cruzamos com Vernon sendo que ele poderia ter ido a qualquer lugar! Tudo está nos levando rumo a destruição Taehyung, eu não quero morrer da mesma forma que o meu pai, eu quero usufruir do que ele me deixou e viver uma vida normal em algum lugar confortável.
— Tem certeza? — Perguntou com uma de suas sobrancelhas arqueada.
— Como assim? É claro que eu tenho certeza!
— Então deixe que eu o faça mudar de ideia — se aproximou, empurrando-o até que Jungkook caísse sentado no sofá, encarando-o de olhos arregalados por conta dos movimentos repentinos. — Você por acaso já notou as suas expressões enquanto duela com alguém? O enorme sorriso no seu rosto enquanto você lutava com Hoseok? A forma encantada que olha para o mar todas as noites? A forma que você pareceu se divertir dançando comigo no festejo com a tripulação? — Taehyung estava inclinado sobre o corpo de Jungkook, tão próximo que era impossível desviar o olhar. — Acredita que vai encontrar isso em uma vida monótona em alguma cidade? Você nasceu para estar no mar, você apenas não quer aceitar que o lugar que o faz tão feliz levou alguém que você ama, permita-se viver.
— Eu estou vivendo Taehyung.
— Não, você está se escondendo — disse certeiro e aquilo o atingiu, porque ele realmente estava certo. — Pensa que era essa a vida que seu pai queria para você?
— Ele queria que eu vivesse confortavelmente — disse rispido, não gostando de como Taehyung estava tentando persuadi-lo.
— Será gatinho? Será que é realmente isso que ele queria? — Arqueou uma sobrancelha. — Ou ele queria que você fosse feliz?
"Eu encontrei a minha felicidade, Jungkook, e espero que você aceite o tesouro que eu lhe deixei e o divida com alguém que confie. Ele me trouxe muitas alegrias, são minhas conquistas, quero que elas lhe tragam o mesmo sentimento." As palavras de seu pai vieram como adagas cortantes em sua mente, fazendo-o morder o lábio inferior por conta das lembranças e da confirmação que Taehyung precisava para esfregar em sua cara.
— Do que adianta estar confortável se não está feliz? — Ele questionou olhando nos fundos seus olhos.
Jungkook arregalou os olhos com aquilo, porque Taehyung estava novamente entrando em sua cabeça e deixando-o confuso, pois toda a sua vida ele idealizou conforto e tranquilidade, um lugar onde ele poderia descansar e viver sua vida sem confrontos, mas as palavras de Taehyung o acertaram como um tiro de mosquete. Passou a vida toda fugindo, se escondendo e nos últimos dias ele realmente se divertiu, ele realmente amava a adrenalina de estar duelando nos navios, a calmaria que o mar passava-lhe durante as noites estreladas, gostou de dançar com Taehyung e a tripulação da Aurora no sábado de festejo. Mas por alguma razão, aquilo o deixou irritado.
— Porra para com isso! — Jungkook exaltou-se e empurrou Taehyung, fazendo-o dar passos para trás com as sobrancelhas erguidas em surpresa. — Desde que eu pisei os pés na Aurora tudo o que você faz é me deixar confuso!
— Confuso? Suponho que essa não é a palavra certa gatinho — sorriu ladino, fazendo uma veia saltar na testa de Jungkook. — Digamos que eu apenas estou lhe fazendo enxergar a realidade por trás das mentiras que você vestiu como se fossem verdades.
— Você não me conhece Taehyung, não sabe o que eu penso ou como eu devo seguir a porra da minha vida!
— Você não estaria tão irritado se minhas palavras não tivessem lhe afetado — Jungkook se levantou e avançou em sua direção segurando-o pelo colarinho de sua camisa com força, irritando-se com o sorriso dele ao observar o quanto suas falas o afetou.
— Você acha engraçado ficar brincando com o psicólogo alheio? Seu babaca! — O empurrou contra a parede, observando o sorriso dele aumentar.
— O que realmente está te irritando gatinho? — Inclinou a cabeça, sem perder o sorriso ladino. — Eu estar me metendo na sua vida ou fato de eu estar certo? Você é um dos nossos Jungkook, apenas é covarde demais para admitir.
Aquilo foi a gota d'água para Jungkook, que largou o colarinho de Taehyung e se afastou alguns passos, apenas para pegar impulso e depositar um gancho de direita no estômago dele com força desmedida, vendo-o se curvar e gemer de dor antes de cair de joelhos. Jungkook estava cego de raiva, odiava que se metessem em sua vida e ainda lhe dessem uma lição de moral como se tivessem o direito para tal, normalmente ele não era uma pessoa agressiva, mas Taehyung estava levando-o ao limite. Havia avisado que ele não gostaria de vê-lo chegar ao seu limite e explodir.
Aviso dado e aviso ignorado com sucesso.
— Não me chame de covarde, seu babaca — disse entredentes. — Você não é melhor que eu.
— Porra isso doeu — Taehyung gemeu e levantou o olhar para Jungkook, o sorriso não havia saído de seus labios.
— Gosta de apanhar? Por que está sorrindo? — Franziu o cenho.
— Porque eu estava louco para o meu gatinho arisco mostrar as garrinhas novamente — seu sorriso aumentou antes que ele apoiasse as mãos no chão e girasse no lugar.
Jungkook mal teve tempo de processar seu movimento antes que a perna dele batesse contra seus tornozelos e lhe desse uma rasteira, derrubando-o no chão com uma facilidade absurda, fazendo-o bater as costas e a cabeça no chão. Por um momento Jungkook sentiu tudo girar, mas outra dor o distraiu da tontura causada pela colisão de sua cabeça no chão, ele havia mordido sua língua na queda, o que o fez gemer por conta de tantas sensações ruins juntas. Se recuperou quando sentiu o peso de Taehyung sobre o seu, abrindo os olhos e vendo-o sorrir ao se encaixar entre suas pernas, segurando-o no lugar antes de tentar golpeá-lo novamente e Jungkook o impedir, segurando sua mão.
— Pensa que é só você que sabe bater Jungkook? — Sorriu em puro cinismo. — E você acha mesmo que é páreo para mim? Precisa aplicar mais força se quiser me derrubar.
— Filho da puta!
Jungkook tentou se soltar, mas Taehyung prendeu sua perna entre o braço esquerdo, então teria que dar um jeito de sair ou imobilizá-lo, ou quem acabaria sendo derrotado era ele, por isso fechou suas pernas em volta da cintura dele e puxou o braço que o segurava no lugar, passando-o por detrás de seu pescoço e o prendeu embaixo de seu corpo, imobilizando-o. Taehyung arregalou os olhos ao perceber que se quisesse se soltar, teria que soltá-lo primeiro, já que o único braço que poderia usar para atacá-lo estava segurando a perna de Jungkook, os dois estavam presos um no outro.
— Me solta! — Jungkook gritou sentindo o gosto ferroso de sangue em sua boca, tentou se soltar e sentiu o aperto se firmar ainda mais, arrancando uma gargalhada de Taehyung, observando a runa dele brilhar por debaixo da camisa.
"Desgraçado!", Jungkook o xingou mentalmente, por ele estar usando a força que a runa lhe dava para prendê-lo.
— Por quê? Estou gostando bastante dessa posição — disse a centímetros de seu rosto. Estavam literalmente encaixados um no outro. — Eu poderia ficar assim a vida toda gatinho, só vejo vantagens.
— Me. Solta! — Disse pausadamente, sentindo sua raiva aumentar com o divertimento de Taehyung.
— Ou o quê? — Aproximou-se mais, encostando seus narizes. — Está tão preso quanto eu Jungkook e se eu soltá-lo, você vai me golpear novamente.
— Ué! Está com medo de que meu próximo soco o deixe no chão, capitão?
— Não, estou com medo de não ter outra oportunidade como essa — Jungkook franziu o cenho com a sua fala.
— O quê?
— Admita Jungkook — olhou no fundo de seus olhos. — Admita que eu estava certo o tempo todo e você só ficou com raiva porque sabia ser verdade.
— Nem fodendo! — Segurou os braços dele com mais força, tentando soltar sua perna, mas sentiu o aperto dele aumentar. — Me solta porra!
— Admita e eu te solto — sua voz rouca estava extremamente calma, nem um pouco afetada por sua raiva.
— Não!
— Vamos ficar a noite toda aqui então. E eu não vou me importar nem um pouco — disse olhando para baixo, entre seus corpos, vendo como estava com as pernas encaixadas em volta da cintura dele. — Melhor você se apressar se não quiser sentir algo te cutucando daqui a pouco.
— Você é um babaca mesmo seu desgraçado! — Jungkook estourou, vendo-o sorrir ao encará-lo novamente. Sentia algo escorrendo pelo canto de sua boca e o olhar predador de Taehyung acompanhar o caminho feito pelo o que julgava ser sangue, já que havia cortado sua língua e o gosto ferroso em sua boca não deixava dúvidas que o corte havia sido profundo. — Você está certo! Está satisfeito?! Eu gosto de estar no mar, eu me diverti sim, na Aurora como eu não me divertia há anos, e daí? Isso não te dá o direito de se meter na minha vida como se você soubesse de tudo! Eu tenho tanta vontade de socar quanto de te beijar, estou louco para me soltar e te encher de porrada por deixar a merda da minha cabeça confusa com cada fala que sai dessa sua boca venenosa, seu sádico do caralho!
Talvez fosse a raiva ou a adrenalina em seu sangue, mas demorou um pouco para acompanhar a velocidade da qual Taehyung juntou seus lábios, beijando-o como se estivesse faminto por ele, soltando sua perna e se inclinando ainda mais para cima de seu corpo. Jungkook podia dizer que odiou o beijo, que queria empurrá-lo para longe, mas estava há dias esperando por aquilo, desde a conversa que tiveram na cabine, admitindo a si mesmo que o desejava e ouvindo da boca de Taehyung que ele também sentia o mesmo. Por isso apenas resolveu esquecer-se de tudo por alguns segundos, entregando-se a toda aquela luxúria intensa.
Quando seus braços largaram os de Taehyung e circularam seu pescoço, puxando-o mais para perto, acabou gemendo de prazer contra a boca dele, por diversos motivos: gemeu pela forma como a língua do Capitão invadiu seus lábios com tanta vontade, pela forma que ele segurou em sua cintura e como o sentiu endurecer contra a sua bunda. Ele o beijava com fome, como se estivesse esperando por aquilo a vida toda, tomando-lhe todos os seus suspiros e gemidos, Jungkook mal conseguia acompanhar seus movimentos, por isso apenas afundou seus dedos nos cabelos da nuca dele, tentando descontar tudo o que sentia.
Taehyung afastou-se um pouco para respirar, encarando-o de cima, vendo a bagunça que Jungkook se encontrava, entorpecido pelo prazer com apenas um beijo, ofegante e pedindo por mais com apenas o olhar, aquilo pareceu deixá-lo ainda mais fora de si, pois ele se inclinou novamente, mas em vez de beijá-lo traçou o caminho que o sangue em sua boca correu, até seu pescoço. Jungkook jurou ver estrelas no momento que Taehyung mexeu seu quadril, esfregando-se contra ele enquanto chupava seu pescoço com gula, marcando-o por completo, nunca esteve tão sedento por tão pouco, mas percebeu que com o Capitão tudo seria diferente.
— Porra, acho que eu vou enlouquecer — Taehyung sussurrou contra seu pescoço, subindo os labios até encontrar os seus novamente, voltando a beijá-lo. Jungkook nem sequer conseguiu responder, já que sua língua foi chupada com força, o que fez seu corte arder um pouco e o gosto de sangue aumentar. — Até seu sangue é doce, eu sinto que eu poderia te devorar inteiro.
— Então pare de falar e me devore — puxou seu pescoço, juntando seus lábios novamente.
Não sabia com exatidão qual era o gosto dos lábios de Taehyung, pois o sangue cobria qualquer outro gosto adjacente, mas era estranhamente bom como ele parecia degustar sua boca como se fosse seu doce favorito. Mas aquilo não era suficiente, não para si, Jungkook nunca havia experimentado um desejo tão desesperador por alguém, mas sentia que aquele não era o potencial máximo de Taehyung, por isso o afastou de seu corpo, vendo-o ofegar com os olhos focados em sua boca. Ele parecia bêbado de prazer, lambendo os lábios, sentindo seu gosto que havia ficado marcado nele.
— Seja bonzinho e sente no sofá Capitão — Jungkook disse sorrindo ladino, observando o olhar dele subir de sua boca até encontrar seus olhos. — Por mais que esteja gostosa essa pegação no chão, eu quero sentar em você naquele sofá.
Taehyung o encarou incisivamente antes de se levantar e caminhar até o sofá sem dizer uma única palavra, Jungkook se levantou também, vendo-o se sentar de pernas abertas no estofado, encarando-o com aquele olhar de predador que só ele tem, dando tapinhas em sua coxa, convidando-o a se aconchegar em seu colo. Jungkook quase gemeu com a vista de sua ereção marcada na calça marrom, do olhar em seu rosto e do sorriso cafajeste que não saia dos seus lábios ao vê-lo caminhar em sua direção, ele parecia tão bonito e tentador sentado todo aberto para ele.
Jungkook passou suas coxas ao redor da cintura de Taehyung, sentando em seu colo e levando as mãos até os cabelos lisos e castanhos, puxando-os para trás, para ter livre acesso a seu pescoço, levando seus lábios até lá, sentindo seu cheiro peculiar bem de perto. Não demorou a chupar e marcar a pele bronzeada com toda a fome que conteve há dias, ouvindo-o suspirar e levar as mãos até sua cintura, instigando-o a se mover sobre sua ereção, fazendo-o rir e mover-se dolorosamente devagar sobre ele, amando ouvir sua voz rouca gemer bem próximo ao seu ouvido.
Seu consciente tentava lhe dizer que aquilo era errado, que quanto mais se entregava a ele mais difícil seria se afastar quando ele mostrasse sua verdadeira face, quando ele o traísse e roubasse aquilo que lhe é mais precioso. Mas naquele momento seu corpo estava no comando, seus desejos silenciavam sua razão, deixando que se perdesse no homem que o fazia suspirar com apenas um beijo, deixaria para se arrepender de seus atos mais tarde, quando saciar sua fome. Porém, uma coisa o fez se afastar de Taehyung, um detalhe que só lembrou quando as mãos dele adentraram sua camisa — que notou nem sequer que havia sido retirada de dentro de sua calça.
"O que estou fazendo? Não posso me entregar a ele", a voz de seu consciente soou mais alta dessa vez, mas foi rapidamente silenciada pelo gemido que escapou de sua boca ao ter a mão de Taehyung escorregando por entre sua bunda, apalpando seus testículos, subindo e descendo por seu períneo.
— Preste atenção aqui gatinho — Taehyung disse puxando seu queixo com o indicador e o polegar, sussurrando contra seus lábios. — Se distraia com os lábios ocupados.
Jungkook quase revirou os olhos ao sentir o indicador de Taehyung fazer pressão sobre a calça, estimulando-o enquanto devorava seus lábios em um beijo faminto novamente, sentia que perderia a cabeça com tão pouco, rebolando no colo dele para ouvi-lo gemer em seus lábios, gostando de ver como ele estava tão desesperado quanto si para se satisfazer. Teria que fazê-lo gozar ali ou estaria com problemas mais tarde, ele não podia de fato se entregar a Taehyung, mesmo que quisesse muito, mesmo que seu corpo ansiasse por apenas uma noite de prazer ao lado dele.
— Eu não transar com você Taehyung — disse afastando seus lábios, colocando seus braços para trás segurando-se nos joelhos dele, dando-lhe a visão perfeita de sua ereção.
— Por quê? — Devorou seu corpo com os olhos.
— Porque ainda estou irritado com você, não vai ser uma pegada boa que vai fazer eu esquecer toda a merda que falou para mim — disse arqueando uma sobrancelha, vendo Taehyung rir.
— Então vamos parar por aqui gatinho? Com nossos paus quase explodindo de tesão? — Ele sorriu cafajeste, remexendo-se um pouco, fazendo Jungkook sentir o quão duro ele estava.
— Não — gemeu e prendeu o lábio inferior entre os dentes, rebolou novamente sobre ele, mas dessa vez com mais intensidade, ondulando todo seu corpo para estimulá-lo, vendo-o jogar a cabeça para trás e gemer arrastado. — Contente-se em gozar nas suas calças, é o máximo que eu farei por você.
— Porra, agradeço a generosidade — disse de olhos fechados, levando as mãos para sua cintura, auxiliando seus movimentos. — Eu não vou durar muito, faz tempo que eu não transo.
Jungkook sorriu, rebolando e sentindo seu pau roçar no dele e fazer seu corpo ter espasmos por conta de sua alta sensibilidade, não fazia tanto tempo desde que transou pela última vez, mas sentia que também não duraria muito, porque ver Taehyung gemendo a cada movimento seu, era demais para ele poder suportar. Seu corpo estava quente, suado por conta das roupas, cada movimento era um repuxar em seu estômago, cada gemido era um espasmo, cada revirar de olhos era extremamente gostoso. Taehyung era quente, tudo nele era atraente e vê-lo embaixo de si era simplesmente enlouquecedor.
Jungkook gemia ao sentir Taehyung puxá-lo com mais força em direção ao seu pau, mas de repente ele parou seus movimentos e o jogou no sofá, se encaixando entre suas pernas e começando a simular estocadas, esfregando-se contra ele com força e agilidade, fazendo-o arregalar os olhos e gemer mais alto, era intenso demais. Taehyung parecia bravo com algo, pois seu cenho franziu e seus olhos escureceram, como fazia quando queria intimidá-lo, mas por alguma razão aquilo o deixou ainda mais quente. Taehyung segurou em sua cintura e o puxou para cima, encaixando-o em seu pau, acelerando os movimentos.
— T-Taehyung vai devagar... Assim eu vou gozar rápido — choramingou, tentando se segurar no sofá enquanto ia do céu ao inferno. Mas Taehyung o ignorou, com o cenho franzido e o deitou no sofá novamente, apenas para começar a masturbá-lo por cima da calça.
— Então goza — disse levando os lábios para seu ouvido, mordendo seu lóbulo, enquanto Jungkook se contorcia e gemia. Taehyung voltou a se mover, seus gemidos pareciam mais rosnados.
— P-Por que está bravo? — Se contorceu mais, estava perto de gozar, conseguia sentir o calor aumentar e a sensação de desespero aumentar.
— Lembrei do que aquele merda falou sobre você, realmente geme gostoso — se inclinou para beijar seu pescoço, sem parar de se mover.
— Ele não me fez gemer como você está fazendo — disse baixo, provocando-o. Aquilo pareceu ser o gás que Taehyung precisava para se mover com mais precisão, parecendo fodê-lo por cima das roupas, o que o fez gemer ainda mais.
O calor subiu de sua pélvis até sua cabeça, fazendo se debater no acolchoado do sofá, curvando suas costas quando sentiu seu ápice chegar, agarrando-se na camisa dele, enquanto gozava em suas calças, ficou sem ar por alguns segundos, sentindo tudo a sua volta girar enquanto ainda era estimulado. Ouviu Taehyung gemer arrastado em seu ouvido, denunciando que ele também havia gozado, os dois agora estavam tendo espasmos enquanto tentavam recuperar o folego, não haviam feito sexo, mas estavam ofegantes como se tivessem feito.
"Esse é o momento que eu me arrependo?" Jungkook riu de si mesmo, pois agora que havia saciado sua vontade de experimentar os lábios de Taehyung, ele sabia que havia acabado de se aventurar em um lugar perigoso.
Agora que sua cabeça não estava nublada pelo prazer sabia que havia feito merda, ceder aos encantos de Taehyung era diferente que ceder aos encantos de qualquer outra pessoa, porque ele já havia deixado claro que queria mais do que o tesouro, mas obviamente havia outro ponto importante a ser considerado também, assim como Eunji, ele sabe sua verdadeira identidade. Jungkook cobriu seu rosto enquanto tentava regular sua respiração, havia feito merda, havia se envolvido com a última pessoa que deveria ter algum vínculo, mesmo que fosse sexual.
— Saí de cima, quero me lavar — Jungkook empurrou Taehyung, que sentou no sofá, dando espaço para ele poder levantar.
— Você é um doce pós-foda gatinho — riu soprado.
— Vai se foder Taehyung — disse se levantando e analisando a bagunça que se encontrava.
— Você vai comigo?
— Onde fica o lavabo? — Ignorou sua fala, encarando-o antes de se levantar.
— Primeira porta a direita depois das escadas — Jungkook assentiu e caminhou até as escadas. — Ainda está bravo pelo o que eu falei?
— O que você acha? — Taehyung riu. — Me fazer gozar não te torna menos babaca.
— Eu vou me lavar em um riacho lá fora, depois vou ir até o centro de Palaciana para comprar algo para comermos, quer algo?
— Que você se perca no meio do caminho — disse subindo as escadas, ouvindo uma risada soprada de Taehyung. — E rum.
"Preciso beber para esquecer a merda que eu fiz".
(...)
Depois que Taehyung saiu para se lavar no riacho, Jungkook foi até o lavabo se limpar, vendo a bagunça que ficou dentro de suas calças, sentindo a culpa o consumir por ceder às tentações, havia feito uma promessa a não deixar ninguém se aproximar o suficiente para causar um estrago e havia quebrado sua própria promessa. Taehyung sabia sobre o tesouro, sobre o mapa, sobre sua identidade, ou seja, ele tinha informações suficientes para se aproximar, manipular e roubar tudo o que era seu. Jungkook praguejou e jogou suas roupas no chão, irritado consigo mesmo.
Amélia havia dito que ele precisava de Taehyung, mas não sabia se podia confiar, seu pai estava certo quanto às bruxas, eram mulheres inteligentes e não mentiam, mas tinham o péssimo hábito de brincar com o destino das pessoas por saber mais do que elas. Agora ele estava preso no lugar onde perdeu tudo, voltou ao centro de todos os seus problemas por conta de uma promessa, em sua cabeça ficava repetindo a si mesmo que não deveria confiar em Taehyung, mas já havia feito isso, embora sua guarda estivesse alta, foi com ele para um lugar isolado, longe de todos apenas porque ele pediu.
— Você é muito idiota por deixar ele manipulá-lo Jungkook — riu de si mesmo, abrindo a torneira do lavabo, usando uma tigela de barro para jogar água sobre seu corpo.
Enquanto se limpava pensada em toda a trajetória de sua vida até aquele momento, as palavras de Taehyung não saiam de sua cabeça, ele realmente havia se divertido na Aurora, sentiu-se acolhido e bem, riu, dançou e cantou, lutou ao lado deles e recebeu tributos em agradecimento, foi os dias mais felizes de sua vida desde a morte de seu pai. Mas não sabia dizer se Taehyung havia feito ele enxergar tudo isso para mostrar que ele estava renunciando a muitas coisas para se esconder, ou se estava tentando ganhar sua confiança para depois golpeá-lo pelas costas.
Jungkook não conseguia deixar a desconfiança de lado, porque a vida toda ele fugiu de pessoas com ele.
Quando terminou de se banhar, vestiu sua camisa, lavando suas calças e roupas íntimas, desceu as escadas e notou que Taehyung já havia saído, por isso deixou suas roupas na varanda para secar e voltou a subir as escadas, procurando pelo quarto. Encontrou o cômodo que procurava na segunda porta ao lado do lavabo, a decoração era simples, havia um guarda-roupa com as portas abertas, uma cama, um tapete de pelo no chão e as paredes eram de madeira marrom como o restante do bangalô. Caminhou até o guarda-roupa vendo algumas roupas nos cabides, mas estavam com um forte cheiro de mofo, por isso não as pegou, decidindo ficar apenas com sua camisa.
Apenas suspirou e se jogou na cama, cansado mentalmente e fisicamente, estava confuso e não sabia o que fazer para parar de pensar em todas as coisas que estavam acontecendo a sua volta, sua cabeça estava muito conflituosa, entre confiar e não confiar, se abrir e não se abrir, se entregar ou não se entregar e se permitir absorver ou não as doces mentiras de Taehyung. Tentou adormecer, mas os pensamentos martelando sua mente não deram descanso, não conseguiu descansar, pois, sua cabeça estava trabalhando demais e não conseguiu esvaziar a mente para poder relaxar.
Viu o momento que Taehyung voltou com as coisas que comprou e desceu as escadas a procura do rum que pediu, quando o encontrou ele estava arrumando as coisas na pequena cozinha do bangalo, assustando-se quando o viu parado. Jungkook sabia que provavelmente estava com uma cara péssima, pois Taehyung nem sequer abriu a boca para provocá-lo de alguma forma, por isso apenas o ignorou — e ignorou o fato de estar vestindo apenas uma camisa e nada mais — e caminhou até o jarro que julgou ser o rum, pegando-o e virando-o, bebendo tudo em goladas rápidas.
Quando terminou sentiu cabeça girar na hora, o gosto forte tomou completamente seu paladar, acabando por fazer o corte em sua língua arder um pouco, mas não se importou, apenas ignorou que havia acabado de virar um jarro de rum sozinho e caminhou de volta para o quarto, evitando os olhos arregalados de Taehyung. Sentia-se uma criança que brigou com os pais, fazendo birra e ignorando-os para que eles percebessem que estava chateado, pois, era exatamente assim que estava agindo.
Seriam os cinco dias mais longos da sua vida.
Após beber todo o conteúdo da jarra, Jungkook jogou-se na cama novamente, estava alcoolizado o suficiente para seus pensamentos silenciarem por completo, não demorando a adormecer daquele jeito, sentindo a cama girando junto com a sua cabeça. Quando os raios de sol adentrou as janelas do quarto e iluminou seu rosto Jungkook resmungou, como se lembrava bem, o sol de Palaciana castigava todos desde muito cedo, esqueceu-se da sensação de estar embaixo do sol de uma região tropical do mapa, a América Central realmente era o berço da pirataria.
No momento em que abriu seus olhos a dor de cabeça o atingiu com força, fazendo-o resmungar e fechar os olhos novamente, estava com mal-estar e sua boca estava seca, o que o fez suspirar, é claro que ele estaria com ressaca após virar um jarro de rum goela abaixo, sempre bebeu, mas não tão rápido a ponto de sentir uma tontura imediata. Não queria levantar da cama devido à dor de cabeça, mas estava sentindo um cheiro ótimo vindo do andar debaixo do bangalô e seu estômago começou a roncar por falta de uma refeição decente, por isso mesmo a contragosto tirou o lençol de seu corpo e levantou-se.
— Puta merda — gemeu e levou a mão direita até a cabeça, sentindo-a latejar, seu corpo todo parecia pesado. — Que porre.
Sentia-se um vampiro, fugindo da luz do sol porque parecia aumentar sua cefaleia, caminhou até a porta, notando que ela estava fechada, fazendo-o franzir o cenho, não se lembrava de tê-la fechado, até que notou outro detalhe e se virou, vendo o lençol que o cobria, ele também não estava ali quando foi dormir. Jungkook desceu as escadas pensativo, seguindo o cheiro bom que vinha da cozinha, encontrando Taehyung com uma pá de madeira, retirando pães do forno a lenha, colocando-os sobre a mesa antes de encará-lo.
— Bom dia! — Ele sorriu, enquanto Jungkook o encarava com o cenho franzido.
— Nunca pensei que eu veria o tão ameaçador Capitão da Aurora a Indomável assando pão — Jungkook disse segurando o riso.
— Sou um padeiro de mão-cheia — piscou em sua direção. — Está se sentindo bem? Está com uma cara péssima.
— Sério? Sinta-se culpado, porque a culpa é toda sua — resmungou, cruzando os braços. — Estou com uma ressaca terrível.
— E onde isso é culpa minha? — Perguntou pegando uma faca e cortando o pão, fazendo a boca de Jungkook salivar. — Quem bebeu foi você, não eu.
— Quem foi o idiota que fez eu ter a porra de uma crise identidade após me fazer gozar? — Taehyung levantou o olhar, encarando-o intensamente. — Sim, foi você.
— Amo essa sua boquinha suja gatinho — sorriu ladino.
— Onde você dormiu? — Mudou de assunto antes que acabasse caindo nas provocações dele.
— No sofá, você estava bravo, bêbado e quase nu nos lençóis, não ia dormir ao seu lado — deu de ombros.
— Um pirata com princípios? Primeira vez que eu vejo isso — riu soprado, fazendo uma careta, pois sua cabeça doeu mais.
— Coma, eu tenho planos com você hoje — Taehyung pareceu sério de repente. — Tem pães, frutas, café e chá.
— Planos? — Ignorou sua quase nudez e se sentou à mesa, vendo Taehyung fazer o mesmo.
— Sim, eu tenho cinco dias para enfiar nessa sua cabeça dura que um pirata não é esse bicho de sete cabeças que você tanto teme — revirou os olhos. — Seu preconceito conosco me irrita.
— Não disse nada mais que a verdade — deu de ombros. — Piratas são sujos, gananciosos, ladrões e assassinos.
— Seu pai também? — Taehyung perguntou com um olhar incisivo, fazendo Jungkook retribuir seu olhar. — Seu pai também era um pirata Jungkook.
— Ele era diferente.
— Claro, diga isso a si mesmo até se convencer — disse pegando um pedaço de pão e levando-o aos lábios. — Você julga todos pelos erros de alguns, assim como há pessoas boas há pessoas ruins, por conta disso você vai condenar a todos? Não seja injusto.
— Não sou injusto, sou realista — também pegou um pedaço de pão, não se afetando com as palavras de Taehyung.
— Ficar com os corsários mudou sua concepção de certo e errado — riu soprado. — Se somos ladrões e assassinos, o que eles são?
— Eu nunca disse que eles eram inocentes.
— Eles são enviados do rei Jungkook, são "a lei" — fez aspas com as mãos. — Se nós somos os vilões, eles são os mocinhos?
— Estou falando de modo geral — pegou o chá e despejou sobre uma xícara de cerâmica. — Não confio em ninguém, piratas estão no topo da lista por serem os mais gananciosos, é o que vocês fazem Taehyung, roubam tesouros.
— Por isso somos maus? — Ergueu uma sobrancelha. — Você conheceu minha tripulação, acredita que eles ferem inocentes como os seus amados cachorrinhos do rei? Temos leis, princípios e ideias, não somos os vilões Jungkook, somos anti-heróis.
— São humanos, o que os tornam falhos.
— Vou provar que nossas falhas não nos tornam pessoas ruins.
— E quais são seus planos para me fazer mudar de ideia? — Jungkook suspirou cansado, vendo Taehyung sorrir.
— Espere e verá.
Jungkook deu de ombros e aproveitou seu desjejum, o pão que Taehyung havia assado realmente estava ótimo, mas não disse isso em voz alta, pois o ego dele já era inflado o suficiente sem precisar de seus elogios. Comeram em silêncio, evitando entrar em uma nova discussão, apenas aproveitando a calmaria do lugar que se encontravam, ouviam sons dos pássaros, cigarras e do vento batendo nas árvores, o ambiente passava tranquilidade. Quando terminaram, Jungkook foi lavar a boca, seu corpo novamente e vestir roupas limpas, indo encontrar Taehyung na varanda logo depois, a pedido dele.
Quando saiu do bangalô encontrou Taehyung com duas espadas nas mãos, sorrindo em sua direção antes de lhe entregar uma, dizendo que iriam duelar, já que aparentemente deu empate na luta corpo a corpo do dia anterior, o que Jungkook rir perguntando se podia deixar cicatrizes. Os dois passaram muito tempo duelando, mas no final o Capitão acabou levando a vitória, o que fez Jungkook bufar e revirar os olhos, dizendo querer uma revanche no dia seguinte, que estava um pouco lento por conta da ressaca.
Jogaram alguns jogos que Taehyung havia trazido do centro de palaciana, nadaram no riacho que havia próximo ao bangalô e conversaram sobre as aventuras de Taehyung no mar, tudo o que ele e sua tripulação desbravaram juntos, descobriu que apesar de Lisa não gostar de relações sexuais, ela e Jennie estavam em um relacionamento romântico, assim como Jimin e Namjoon. Jungkook notava como a Aurora era um lugar sem preconceitos quando aceitavam mulheres na tripulação, mas sorriu ao observar a liberdade de um relacionamento publico entre pessoas do mesmo sexo.
Apesar de tudo que falou sobre piratas, eles praticavam a matalotagem juntos sem medo de julgamentos, dividindo seus tesouros entre pessoas do mesmo sexo com um vínculo afetivo ou sexual.
Os dias que passou ao lado de Taehyung naquele bangalô o fizeram por alguns momentos esquecer dos problemas, se divertiu tanto a ponto de nem ver o tempo passar, ouviu histórias e conheceu outros lados da vida do Capitão que talvez ele não tenha contado a outras pessoas. Jungkook estava novamente balançado, embora não estivesse entrando em desespero por conta das diversas indagações sobre si mesmo, estava confuso sobre qual rumo seguir, sobre qual decisão tomar e sobre o que pensar acerca de Taehyung.
Estavam naquele momento sentados na orla da praia, assistindo o sol se pôr gradualmente, dando lugar ao céu estrelado, o céu estava pintado em diversas cores, como laranja, roxo e azul, Jungkook havia prendido seu cabelo para enxergar melhor e relaxou sobre a areia. Estavam no quinto dia, na manhã seguinte iriam voltar para Aurora e seguir seu rumo, Taehyung estava sentado ao seu lado, em silêncio, admirando a vista belíssima do mar quebrando em ondas na areia.
— Por que Jimin não veio conosco? — Jungkook quebrou o silêncio. — Ele é seu irmão, pensei que ele viria em algum momento, mas ele não veio.
— Ele está com Namjoon, aproveitando seu tempo com ele — sorriu, fechando os olhos e aproveitando a brisa fresca. — No navio eles não têm muita liberdade para namorar, se é que me entende.
— Ah! — Jungkook riu. — Fora cinco dias intensos então.
— Sim, eles merecem isso, um tempo só para eles — Taehyung divagou de olhos fechados.
— Eles não ficam muito tempo juntos na Aurora?
— Ficam, mas há momentos em que queremos ficar sozinhos com quem amamos — deu de ombros. — Eu disse a Jimin e Namjoon que eles poderiam deixar a Aurora uma vez, para terem uma vida pacata, juntos.
— Eles recusaram? — Franziu o cenho confuso, vendo Taehyung assentir. — Por quê? Eles poderiam ficar juntos sem todos os perigos da vida no mar...
— Eles são livres no mar Jungkook — Taehyung abriu os olhos e o encarou. — Todos nós somos, o mar é o nosso lar, não existem as leis de reis para seguirmos, não há preconceitos para nos separar. É nossa casa, podemos ser nós mesmos lá, sem prensas.
— Você fala como meu pai — Jungkook abraçou os joelhos, olhando para o horizonte. — Ele perdeu alguns anos da minha vida porque não podia deixar o mar de lado, me levou para o Nevrine para eu ser um deles, me sentisse um deles. Eu amava ouvir as histórias das aventuras do meu pai, como ele parecia feliz em contar todos os perigos que enfrentou para juntar suas riquezas.
— Está vendo? Seu pai tentou lhe mostrar o que eu estou lhe mostrando agora, ser pirata não é ser um ladrão Jungkook, é ser livre — disse voltando a olhar para o horizonte. — Não roubamos, nos aventuramos por tesouros que não tem mais dono, nosso intuito é viver intensamente, ser feliz.
— Você fala sobre isso com tanta paixão — suspirou. — Você estava certo Taehyung, eu tenho medo da pirataria por que ela tomou de mim o meu bem mais preciso, eu só tive o meu pai ao meu lado por três anos. Embora eu entenda que o mar é o lar dele, que ele morreu fazendo o que ele mais amava, eu temo que que meu fim seja dessa forma também.
— Isso seria tão ruim? — Ele perguntou atraindo sua atenção. — Morrer feliz? Fazendo o que você gosta? Seu pai se foi sem arrependimentos, viveu intensamente até em seus últimos momentos, não há maneira melhor de partir. — Jungkook encarou o sorriso pequeno nos lábios de Taehyung. — Você merece o melhor da vida, gatinho, você é como uma criança descobrindo coisas novas, é simplesmente lindo observar o quão encantado você fica ao ver o desconhecido, o seu sorriso ao fazer algo que você gosta ou o quão leve você parece quando se diverte.
"Pare", Jungkook pediu silenciosamente, "pare antes que seja tarde".
— É como se estivesse vendo tudo pela primeira vez — seus olhos pareciam brilhar ao dizer aquilo. — Você é tão inocente e maduro ao mesmo tempo, eu queria tanto lhe mostrar coisas novas, se você permitir que eu faça isso.
"Por favor" implorou com os olhos fixos aos de Taehyung.
— Eu não sou como ela Jungkook — ele disse com calma, mas seus olhos transmitiam toda sua intensidade.
Jungkook sentiu algo em seu peito se apertar, nunca em sua vida sentiu o que estava sentindo com as palavras de Taehyung, o que era ruim, estava começando a sentir algo proibido, havia derrubado suas muralhas e o deixado penetrar suas defesas. Sentiu vontade de chorar, queria gritar para ele se afastar e não adentrar mais em sua mente como estava fazendo, suas palavras eram como flechas, acertando-o diretamente em seu peito e deixando a região dolorida. As pessoas tinham razão quando espalhava que Taehyung era perigoso, que era um ladrão, ele estava roubando algo que Jungkook jurou nunca mais entregar a ninguém.
Sentia que estava entrando em pânico, que esse era o momento que ele deveria decidir o que fazer e como fazer, ele não podia mais negar o que estava acontecendo ou ele ficaria pior, precisava escolher entre a razão e a emoção, não sabendo qual das duas era de fato a melhor escolha. Resolveu deixar suas preocupações de lado e confiar em suas emoções pela primeira vez, talvez se arrependesse, mas talvez o arrependimento seria maior caso não tentasse, por isso apenas agiu de acordo com suas emoções.
Jungkook apenas findou a distância entre os dois e tomou os lábios de Taehyung com os seus, se aproximando mais e subindo em seu colo, como havia feito alguns dias atrás no bangalô. Eles não haviam se beijado desde aquele dia, por isso a fome permanecia a mesma, o beijo tinha gosto de abstinência e maçã, já que foi a última coisa que comeram antes de sair de casa, mas havia mais algum sentimento misturado que Jungkook não soube nomear. Taehyung retribuía seu beijo com contento, abraçando sua cintura.
Jungkook apenas esperava que estivesse tomando a decisão certa, por isso se afastou um pouco para confirmar.
— Eu posso confiar em você? — Sussurrou, encostando sua testa na dele. — Posso realmente confiar que você não vai me trair?
— Eu não irei trair você — Taehyung segurou em sua mão, entrelaçando seus dedos. — Farei o necessário para provar.
— A única prova de que eu preciso é que você continuará ao meu lado mesmo que eu entregue a você — disse de olhos fechados.
— O quê? — Perguntou confuso, se afastando um pouco para encarar seus olhos.
— Eu aceito sua proposta, eu entregarei o mapa a você — disse encarando os olhos arregalados de Taehyung. — Meu pai disse para eu dividir as riquezas dele com alguém que eu confie... Eu estou lhe dando um voto de confiança Taehyung, estou entregando a você a única coisa que me restou nessa vida.
— Eu... Estou lisonjeado Jungkook — ele sorriu, puxando-o para poder beijá-lo novamente, sorrindo em seus lábios. — Eu serei merecedor de sua confiança, provarei a você, obrigado por confiar em mim. Você não se arrependerá.
"Eu espero".
~🖤~
Hm... Acho que alguém está se apaixonando hein?
O próximo capítulo é o que eu estou mais ansiosa para escrever, tem uma arte especial que eu encomendei com uma ilustradora!
Lisa é uma personagem Assexual, nessa época ainda não tinha nomenclatura para essa sexualidade. Mas eu precisava colocar algum personagem ACE, preciso de representatividade :)
Coloquei o golpe que o JK aplicou no Tae na mídia, para vocês visualizassem melhor, deu para entender na narração?
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#dentesdodiabo
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