As origens parte II

Jeon Jungkook

(...)

As coisas definitivamente faziam todo sentido e, ao mesmo tempo, não tinham nenhum nexo, sua mãe era uma das quatro deusas dos elementos conforme o livro de seu pai, ela controlava as águas e mantinha o equilíbrio do mundo e dos seres marinhos. Eram informações demais para seu cérebro assimilar, passou horas lendo o conteúdo daquele livro, descobrindo suas origens através da visão de seu pai, entendeu como eles se conheceram e porque Amélia tinha um papel tão importante na vida dele, pois as bruxas eram, na verdade, mensageiras dos deuses. Ficaram horas dentro da câmara de tesouros, até que tivessem explorado e visto todos os tesouros escondidos ali.

Usaram a câmara para se abrigarem e após procurarem por alimentos do lado de fora, passaram a noite dentro dela. A cabeça de Jungkook estava girando sem parar em torno das informações que descobriu, enquanto Taehyung lhe abraçava por trás, os dois estavam sentados, encostados em uma parede da câmera, havia anoitecido e estavam todos tentando dormir. Havia tomado água de coco e comido algumas frutas, mas apesar de saciado, sentia que faltava algo, pois seu corpo estava ansioso demais para sentir qualquer outra coisa que não a sensação de que ainda haviam respostas a serem ditas. Mas depois de um tempo, o cansaço o venceu, adormecendo nos braços de Taehyung.

Jungkook

Abriu os olhos de imediato ao ouvir a voz do mar novamente, o que o fez sentir seu coração saltar no peito, pois sabia agora que o mar era, na verdade sua mãe. Levantou-se, ouvindo-a chamá-lo, dessa vez a voz não estava vindo de sua cabeça, mas sim da câmara de tesouros, o que fez com que caminhasse por ela, à procura da origem do som. Parou de frente ao quadro, pois a voz dela vinha detrás dele, olhou para trás, vendo todos dormirem antes de segurar na moldura do quadro e puxá-lo, revelando uma passagem escondida. Hesitou um pouco em entrar, pois era um pouco escuro e estreito, mas seguiu adiante, caminhando pelo pequeno túnel até sair atrás de uma grande cachoeira. A água despencava de uma altura enorme, certamente era forte demais para tentar passar por ela sem se ferir.

— Jungkook? — Taehyung disse atrás de si, assustando-o. Jungkook colocou a mão sobre o peito.

— Você me seguiu? — Perguntou ainda se recuperando do susto, mas surpreendeu-se quando o viu negar.

— O mar… Quer dizer, acredito que sua mãe me chamou, daí segui a voz até aqui — disse olhando para a grande cascata de água.

Venham

Os dois olharam um para o outro antes de caminhar até a cascata, Jungkook abriu a cortina de água, como se movesse um tecido de cetim, impedindo que a água os atingisse. Do outro lado havia uma praia, a lua cheia brilhava forte no céu, iluminando o mar e os cabelos prateados de sua mãe, que estava de costas para eles. Seus cabelos prateados voavam sobre o vento, seus pés estavam submersos no mar e sua cabeça baixa, mas virou-se para encará-los, seus olhos azuis eram lindos e hipnóticos, mas seu sorriso era a mais bonita de suas qualidades. Jungkook não conseguiu conter-se, correu em direção a ela e a envolveu em um abraço, sendo retribuído com muito contento. Ela era pequena e tinha cheiro de maresia, como se estivesse submersa por muito tempo.

— Olá meu amor — ela disse suavemente, acariciando seus cabelos. Afastaram-se para poderem analisar seus traços de perto. — Você cresceu tão bem… Embora tenha os olhos e os cabelos claros como os meus, é muito parecido com seu pai.

— Você é exatamente como ele descreveu — Jungkook sorriu, acariciando sua bochecha. Sua mãe não havia envelhecido nem um pouco, estava exatamente como na pintura. — Queria que ele estivesse aqui também.

— Não se preocupe, ele está nos observando de onde está — seu sorriso aumentou. — Em breve estarei com ele novamente.

— Como assim? — O sorriso de Jungkook se desfez.

— Hoje é meu último dia na terra, meu amor — o sorriso não saiu de seus lábios. — Você teve seu despertar, então devo partir.

— Despertar? — Perguntou confuso.

— Sim, você agora irá tomar meu lugar, como meu escolhido — baixou seu olhar, segurando suas mãos. — Você é meu sucessor, de hoje em diante o mar obedece aos seus comandos, não os meus.

— O quê? — Arregalou os olhos. — Mas, por quê?

— Eu não sou eterna, tenho milênios de anos, não tenho mais a força que tinha antes, então devo passar meu poder a um escolhido — olhou em seus olhos. — E não há sucessor melhor que você.

— Mas mãe… 

— Sei que é informação demais, mas preparei você para isso, a runa foi um presente meu e de seu pai a você para que sentisse o quanto a água lhe completa. Ela é parte de você, você sente isso e você agora pode controlá-la em todo a sua fúria.

— Mas a runa se partiu, eu quase não suportei seu poder.

— Eu sei — abaixou o olhar novamente. — Vi o que ela fez a você, sinto muito pela dor que sentiu, pois como você ainda não tinha despertado, o poder dela era forte demais para seu corpo. Mas não mais, você não precisa dela, você é sua própria fonte de poder.

— Mãe, isso realmente é informação demais, mas uma coisa que eu não entendo é o porquê você precisa partir — segurou suas mãos com firmeza. — Pode ficar ao meu lado.

— Eu já completei minha missão aqui Jungkook, agora descansararei ao lado de seu pai, passei tempo demais longe de seus braços — seu sorriso aumentou. — Sinto saudades dele.

— Não há nada que eu possa fazer para mantê-la comigo? Acabei de reencontrá-la — disse sentindo seus olhos marejaram.

— Infelizmente, não, eu realmente preciso ir — tocou sua bochecha, fazendo um carinho singelo. — Mas não se preocupe, tudo que precisa saber esta nos diários de seu pai, você não está sozinho, tudo bem? Seu pai e eu sempre estaremos ao seu lado, não importa onde estivermos.

— Fico feliz de ao menos ter tido a oportunidade de vê-la antes de partir — a envolveu novamente em seus braços, sentindo seu abraço sendo retribuído. Quando se afastaram, ela direcionou seu olhar para Taehyung, que estava alguns atrás dele.

— Obrigada por salvar meu filho na Floresta Abissal — ela sorriu e Taehyung deu um passo à frente, sorrindo em sua direção. — Serei eternamente grata, pois mesmo sendo sucessor, ele teria morrido naquele dia sem sua ajuda.

— Faria de novo se pudesse — Taehyung disse olhando em sua direção, fazendo-o sorrir. 

— Como agradecimento e como uma compensação pela fúria do mar ter destruído Aurora, lhe darei um presente — Mayim virou-se para trás, acenando com a mão direita, fazendo o mar criar uma corrente, forte o suficiente para criar ondas fortes, que bateram violentamente contra os rochedos. Jungkook arregalou os olhos ao ver Nevrine navegando em direção a praia, guiado pelo comando da mão de sua mãe. — Junghyun gostaria que ele tivesse um Capitão como você.

— Pensei que ele tivesse naufragado — Jungkook disse olhando para o Nevrine, ao virar-se para encarar Taehyung ele estava com uma expressão perplexa. 

— Jamais deixaria o navio tão amado de seu pai naufragar, até porque, foi graças a ele que pude observar você e seu pai antes que ele partisse — ela sorriu. Mayim se aproximou um pouco mais, segurando em suas bochechas e ficando nas pontas dos pés para lhe dar um beijo na testa. — Eu o amo demais e espero que seja muito feliz com o que lhe deixamos.

— Eu serei, eu prometo — sorriu, tocando em suas mãos.

— Cuide bem do meu filho — Mayim disse a Taehyung, que assentiu.

Mayim afastou-se um pouco, olhando para Jungkook com atenção, antes de virar-se e caminhar em direção às ondas do mar, seu corpo começou a desfazer-se, tornando-se poeira assim como sua runa, a única coisa que restou foi seu vestido boiando nas águas agitadas do oceano. Não conseguiu conter a lágrima solitária de cair sobre sua bochecha direita, pois após muitos anos finalmente conheceu sua mãe, mas seu encontro não durou mais que alguns minutos antes de ela partir para estar junto a seu pai. Sentia que teria desabado se Taehyung não estivesse ao seu lado, ele segurou sua mão, entrelaçando seus dedos, passando o calor da palma dele para a sua. 

— Parabéns Capitão Taehyung — o encarou, vendo seus olhos curiosos ficarem nos seus. — Agora você é o Capitão do Nevrine, uns dos tesouros perdidos dos Jeon's.

— Ele merece um novo nome, não acha? — Disse sorrindo em sua direção, fazendo-o franzir o cenho. — Nevrine o Indomável.

(...)

Passaram-se alguns dias desde a descoberta dos tesouros do Capitão Junghyun e Mayim, deixados como herança para Jungkook, que naquele instante estava sentado em um dos degraus do Nevrine, lendo os diários de seu pai. Não se sabe muita coisa sobre a origem de sua mãe, apenas que ela, seus três irmãos nasceram da lua, todos tinham papéis muito importantes no equilíbrio do universo, como os quatro pilares que mantinham o mundo como ele era. Leu que se um dos quatro deuses dos elementos morressem sem um escolhido, o mundo perderia aquele elemento, o que fez Jungkook arregalar os olhos, pois se ele morresse, o mundo ficaria sem água.

Percebeu que depois de seu despertar, tornou-se um ser quase imortal, assim como sua mãe, iria partir somente quando seu sucessor tivesse seu despertar.

Após ler diversas coisas sobre o surgimento de deuses e runas, Jungkook percebeu que viveu sempre em uma bolha, agora que ela havia sido estourada sentia-se perdido. As coisas somente se tornavam menos confusas quando estava com Taehyung, pois ele acalmava seus pensamentos conflitantes e o fazia se esquecer de qualquer preocupação, mas agora havia uma nova questão que nem mesmo o Capitão conseguia fazê-lo esquecer. Agora que era um ser “celestial”, o tempo não passaria para ele como passava para outras pessoas, sem relógio biológico havia aos vinte e quatro anos e permaneceria daquela maneira pelo restante de sua vida.

— O que lhe preocupa? — Taehyung apareceu ao seu lado, assustando-o. Ele tinha um sorriso faceiro nos lábios, estava com uma maçã nas mãos, encarando-o com curiosidade. 

Depois que saíram da Ilha do Tormento, Jungkook notou o quanto as coisas haviam mudado, tiveram de passar pelos restantes das feras desenhadas em seu mapa, pois não havia como o Nevrine atravessar os Dentes do Diabo, ou ele acabaria como Aurora, naufragado nas rochas. Passaram pela casa do Craken na Coroa Branca, mas ele sequer ousou aparecer, sentindo sua presença e mantendo-se escondido no fundo do mar, assim como as sereias, que apenas o observavam passar pacificamente. Havia uma coroa invisível em sua cabeça, que pesava toda vez que encontrava em situações como aquela, pois agora ele era o próprio oceano, era responsabilidade demais.

— Estava pensando sobre as responsabilidades jogadas em minhas costas — Jungkook fechou o diário de seu pai, abraçando seus joelhos. — Não sei se consigo atingir as expectativas de ser um “Deus”.

— E quem disse que você tem que atingir qualquer expectativa imposta sobre você? — Perguntou confuso, mordendo um pedaço de sua maçã, colhida na Ilha do Tormento, junto a muitas outras frutas. — Você é um Deus agora Jungkook, ninguém dirá a você o que ser ou o que não ser.

— Deus é uma palavra pesada demais para me descrever — suspirou, olhando para suas mãos. — Sequer sei o que fazer com todo esse poder.

— Estamos chegando à Ilha de Macua, pergunte a Amélia, vocês têm uma ligação agora — ele disse com um ar despreocupado. Jungkook queria estar tão tranquilo quanto ele, mas não conseguia.

— Talvez ela me dê as respostas que os diários do meu pai não me dão — deixou o livro de lado, olhando para cima. 

— Gostaria de tomar rum comigo? — Taehyung perguntou com um sorriso de orelha a orelha. 

Jungkook riu, o tesouro mais precioso que encontraram na câmera de seu pai foi um acervo de cerveja, vinho fermentado e rum que seu pai colecionava em diversos baús. 

— Por que não? — Segurou em sua mão, quando Taehyung lhe ajudou a se levantar, roubando um beijo seu antes de levá-lo para sua cabine.

— Seria muito errado eu querer fazer coisas safadas com você na cama que seu pai dormia? — Perguntou após fechar a porta da cabine.

— Eu não irei contar-lhe — riu, abraçando o pescoço de Taehyung, beijando seus lábios, que estavam com o sabor de maçã.

(...)

Um dia depois.

— Estou com um mau pressentimento — Jennie disse enquanto caminhavam em direção a Taça de Safira, para conversar com Amélia.

— O que está sentindo? — Lisa perguntou preocupada.

— Uma presença, forte e densa, poderosa — franziu o cenho.

— Amélia? — Jungkook perguntou confuso, segurando na mão de Taehyung.

— Amélia é uma bruxa poderosa, mas não a ponto de sua presença causar um impacto tão grande no ambiente — ela o encarou de maneira tensa.

Jungkook franziu o cenho, olhando para Taehyung em seguida, vendo-o tão confuso quanto ele, por ser uma bruxa, Jennie tinha um sexto sentido aguçado apesar de não ser tão poderosa quanto Amélia. Quando entraram na Taça de Safira tudo parecia normal, o local estava cheio de pessoas bebendo e conversando, mas havia algo estranho, começou a sentir-se inquieto com algo assim que pôs seus pés lá dentro. Os quatro seguiram em direção aos fundos, até a sala de Amélia, mas hesitaram a ouvir vozes que não eram dela ou de Ruth. Quando sua mão tocou na maçaneta, seu corpo se arrepiou de imediato, o que o deixou curioso sobre o que estava causando aquela sensação.

Quando abriu enfim a porta a primeira coisa que viu foi Amélia, ela estava sentada em sua cadeira de maneira relaxada, Ruth estava no canto da sala, com os braços cruzados. Mas o que realmente chamou sua atenção foi a presença de duas pessoas, uma mulher e um homem, a mulher o encarou com um olhar sério, mas o homem arregalou os olhos assim que o viu, antes de um sorriso grande surgir em sua expressão. Jungkook franziu o cenho com a aparência do homem: ele tinha cabelos vermelhos escarlates, seus olhos eram de um tom vinho intenso, que contratava com sua pele branca e tatuagens.

— Ter essas presenças sob o mesmo teto me sufocam — Ruth disse abraçando o próprio corpo. Jennie que estava ao seu lado, concordou, segurando a mão de Lisa com firmeza. — Irei retirar-me mãe, não sou tão forte como você.

— Evite ir ao centro, há corsários pelas redondezas — Amélia pediu. Ruth assentiu e caminhou para a porta onde estavam.

— Eu também irei sair, a pressão é demais para suportar — Jennie disse seguindo Ruth. Lisa pareceu preocupada, vendo sua namorada se afastar, seu olhar encontrou o de Taehyung, que acenou para que ela fosse atrás de Jennie, coisa que ela não demorou a fazer.

— Devem estar confusos — Amélia disse levantando-se de sua cadeira, sorrindo. O som de suas inúmeras joias cobriu o lugar enquanto ela dava a volta em sua mesa. — Estar na presença de Deuses causam desconforto em bruxas que não aprenderam a lidar com suas intensidades.

— Deuses? — Jungkook perguntou olhando para as outras duas presenças ao lado de Amélia, pois Jennie não estava desconfortável em sua presença anteriormente.

— Deixe-me que eu me apresente — o homem disse de maneira sorridente. Sua voz era grave como a de Taehyung, seu sorriso era bonito, assim como o dono, ele possuía uma beleza selvagem. — Me chamo Jayce. — Ofereceu sua mão.

— Jungkook — disse apertando sua mão, surpreendendo-se quando Jayce levou sua mão até os lábios, plantando um beijo sobre ela.

— É um imenso prazer conhecer o homem que possui o poder de me dominar completamente — disse com um sorriso galanteador, fazendo Jungkook franzir o cenho e recolher sua mão, livrando-se de seu toque.

— O quê? — Perguntou confuso, sentindo a presença de Taehyung ao seu lado se tornar mais forte.

— Ele é como você Jungkook — Amélia disse sorrindo.

— Sou Jayce Embers, sucessor de Esh — encarou Taehyung com divertimento antes de seu olhar voltar-se para Jungkook. — O Deus do elemento Fogo.

~🖤~

E chegamos ao fim do primeiro arco!

Espero que tenham gostado da minha bebê até aqui! Esperam que fiquem para saber o verdadeiro final da aventura de nossos amados piratinhas!

Me digam o que acharam dela? Prometo que lerei o máximo que eu conseguir.

Obrigada por lerem, até o próximo arco <3

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