Capítulo 3

ENTRE O AMOR E O MEDO

João nunca havia sentido tanto nervosismo em sua vida. Ele já tinha enfrentado finais de campeonato, cobranças de pênaltis decisivas e a pressão de milhares de torcedores, mas nada disso se comparava ao que estava prestes a fazer: pedir a mão de Maria em namoro para Antônio Medeiros.

Ele sabia que não poderia continuar com o relacionamento em segredo. Maria merecia mais. Mas, ao mesmo tempo, também sabia que Antônio não seria um obstáculo fácil de superar.

"Eu preciso fazer isso," ele repetia para si mesmo, enquanto estacionava o carro em frente à casa dos Medeiros.

O Pedido de Namoro

Antônio estava sentado na sala, lendo um relatório técnico sobre o próximo adversário do São Paulo. Quando João entrou, ele levantou os olhos, surpreso, mas sem demonstrar nada além de uma leve curiosidade.

"João? O que faz aqui?"

João limpou a garganta, sentindo a pressão do momento. "Professor, eu queria conversar com o senhor. É sobre a Maria."

O nome da filha fez Antônio franzir a testa. Ele colocou o relatório de lado e cruzou os braços. "Maria? O que tem ela?"

João respirou fundo, tentando manter a calma. "Eu... nós temos nos visto há algum tempo. Eu gosto muito dela, professor. E vim aqui hoje para pedir sua permissão para namorá-la."

O silêncio que se seguiu foi sufocante. Antônio não desviava o olhar, analisando cada palavra de João. Finalmente, ele se levantou, a expressão agora rígida.

"Você acha que é uma boa ideia, João? Namorar minha filha enquanto joga no time que eu treino? Você sabe o que isso pode significar?"

"Eu sei que não é o ideal, mas eu quero ser honesto com o senhor e com a Maria. Eu a amo, e estou disposto a enfrentar qualquer coisa para ficar com ela," João respondeu, firme.

Antônio deu uma risada seca. "Você é jovem, impulsivo. Está confundindo paixão com algo mais sério. E mesmo que não estivesse, isso não vai acontecer. Minha resposta é não."

A Discussão

Maria, que estava no andar de cima, ouviu o tom elevado de voz do pai e desceu as escadas correndo. Quando viu João e Antônio frente a frente, ela entendeu imediatamente o que estava acontecendo.

"Pai, o que está acontecendo?" ela perguntou, nervosa.

Antônio virou-se para ela, a expressão dura. "Esse rapaz acha que pode namorar você, Maria. E eu acabei de dizer que não."

Maria sentiu o sangue ferver. "Como assim, não? Eu não sou mais uma criança, pai! Eu decido com quem quero ficar!"

"Enquanto você estiver debaixo do meu teto, Maria, vai fazer o que eu digo!" Antônio gritou, perdendo a paciência.

A voz alta do pai a fez estremecer. Ela nunca o tinha visto tão bravo, e a sensação era aterrorizante. Mas, ao mesmo tempo, ela sabia que não poderia deixar isso assim.

"Você não tem o direito de decidir por mim," ela disse, a voz trêmula, mas cheia de determinação.

"Tenho todo o direito! Você é minha filha, e eu não vou deixar que isso aconteça. Você sabe o que vão dizer, Maria? Que ele está se aproveitando, que isso vai afetar o time, minha carreira e a dele! Você quer destruir tudo por causa de um capricho?"

"Não é capricho!" ela gritou de volta, agora com lágrimas nos olhos. "Eu amo o João! E você não pode controlar minha vida assim!"

Antônio balançou a cabeça, frustrado. "Se você quiser continuar com isso, Maria, pode sair dessa casa. Porque enquanto estiver aqui, vai seguir as minhas regras."

O Medo e o Conforto

Maria correu para o quarto, com o coração apertado e as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela nunca imaginou que teria que escolher entre o amor do pai e o de João.

João foi atrás dela, entrando no quarto sem se importar com as regras. Ele a encontrou sentada na cama, abraçando os joelhos, parecendo pequena e frágil.

"Maria..." ele começou, sentando-se ao lado dela.

"Eu não posso perder você, João," ela disse, sem levantar a cabeça. "Mas também não quero perder meu pai."

Ele segurou a mão dela com cuidado. "Você não vai perder nenhum de nós. Eu vou fazer o que for preciso para provar que mereço você. Não importa quanto tempo leve."

Ela o olhou, os olhos cheios de lágrimas, mas também de gratidão. "Você realmente acha que a gente vai conseguir superar isso?"

"Eu não acho, Maria. Eu tenho certeza."

João a puxou para um abraço apertado, e naquele momento, ela sentiu que, apesar do medo e da dor, talvez o amor fosse realmente forte o suficiente para vencer.

Continua...

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