Noite (in)feliz


_ Você tem certeza que não vem com a gente?

Olhei para dentro da van, as duas loiras que estavam comigo no bar e o gringo que acabou com minhas esperanças na noite. Ir para um tour pelas boates da cidade e ver as duas se digladiando pelo americano não estavam na minha lista de coisas agradáveis a serem vivenciadas.

_Não, divirtam-se. Depois vejo as fotos no facebook.

_Você pode se arrepender de não ir...

O jeito com o que ela falou quase me fez mudar de ideia. A intenção que me foi passada por sua linguagem corporal dizia: "Venha e serei sua esta noite".

Mas o americano sentado na poltrona e toda a minha experiência com mulheres que em tese me querem mas depois se esfregam em metade de Belo Horizonte na minha frente mantiveram a minha posição firme.

Apena pude vê-la fechando a porta e indo sentar-se ao lado dele (como odeio esse cara), quando a van começa a migrar para uma noite em várias boates da capital mundial dos botecos. Ainda consigo ver aqueles olhos me procurando na rua.

Um homem deve saber quando tirar seu time de campo. Eu não teria chance com o gringo. Logo pra que acompanhá-los em uma empreitada sem final feliz?

Claro que eu poderia ir. Me embebedar, conhecer gente nova e talvez até conhecer a mulher da minha vida, mas uma derrota dessas acaba com uma pessoa.

Para resumir um pouco a história, essa moça que estava falando comigo se chama Marcela. 22 anos, loira, baixa, corpinho de modelo e olhos verdes. Ela estava com uma amiga dela, Débora, morena alta e com corpo "à lá brasileira".

Cheguei no Maletta por volta das 20:00, 15 minutos depois meu alvo da noite veio abrilhantar o céu parcialmente nublado de uma fria noite sem lua. Estava tudo indo bem até Débora chegar com o americano, começar a falar o quão ele é gostoso e rir que ela ainda não o ensinou o que significa gostoso (Débora é professora de português para estrangeiros, acho que não comentei).

E a noite foi assim até as 22:00 quando chamaram a van, entraram, e zarparam me deixando na rua da Bahia com Augusto de Lima.

Comecei a descer a Augusto de Lima, afim de conseguir um táxi, quando me deparo com outro ser de luz que veio tentar iluminar minha noite. Biótipo bem parecido com o de Marcela, mas um pouco mais encorpada, alguns centímetros a mais e os cabelos tão negros que chegavam a ser azuis. Usava batom vermelho berrante que combinava com sua pele branca.

Mas minha segunda chance é arruinada logo em seguida, quando vejo quem está do lado dela. Izabela, pessoa de um passado distante da minha vida que, creio eu, ainda esta amargurada comigo por uma briga boba que tivemos anos atrás (nem lembro sobre o que).

_Gabriel? Não acredito que é você.

Acho que estava enganado.

_Izabela, quanto tempo!

_Nossa, muito tempo mesmo, o que você tá fazendo por aqui?

_Tava no Maleta com uns amigos meus.

_Você frequentando o Maleta? Caramba. Você mudou muito.

Eu fui um adolescente estranho que não saia de casa, não bebia, não usava drogas, não odiava os pais e adorava Deus, por isso toda essa estranheza.

_Pois é, você também mudou, pintou o cabelo?

Ela riu.

_Tem alguma coisa para fazer agora? Eu e a Lais estamos indo para o aniversario de um carinha lá da companhia de teatro, se quiser pode nos acompanhar.

O nome dela e Lais, ótimo, nenhuma péssima lembrança com o nome.

_Por mim tudo bem.

Fomos conversando e andando por um tempo, estava tão entretido que não prestei atenção no caminho. Quando chegamos no local, um grande prédio antigo, não tinha a menor ideia de onde eu estava.

Izabela tocou o interfone e o portão foi aberto de imediato, subimos até o segundo andar e entramos no apartamento 23. Estávamos em uma sala grande, com um sofá de frente para uma televisão, cozinha americana e um corredor. Fomos recebidos por um homem usando uma saia e um coque esquisito no cabelo.

Gabriel, esse e o Claudio, ele que é o aniversariante.

Nos cumprimentamos e as moças foram deixar suas bolsas no quarto dele.

Fiquei na sala sozinho, até que um rosto familiar aparece.

_Gabriel?

_Marcos?

Marcos é um sujeito bacana que vive rodando a cidade escrevendo poemas para todo mundo. Um bom homem.

_Caramba cara, o que você tá fazendo aqui em casa?

_Falaram que ia ter uma farra boa nesse endereço, não sabia que você morava aqui.

_Chega aqui no meu quarto, te mostrar uns poemas novos. Tô fazendo musica agora, sabia?

Fomos até o quarto dele, eu tocando violão, ele batucando um tambor e cantando músicas que não tinham nexo nem estrutura musical.

Fiquei sendo torturado por minutos que pareceram horas, enquanto escutava gente chegando, a sala se enchendo e vendo minhas chances com a Lais despencando.

_Marcos, as meninas tão pedindo o seu tambor para fazer o ritual.

Não haviam me dito que haveria um ritual envolvendo tambores na festa de aniversário de um sujeito que eu não conhecia. Comecei a ficar preocupado.

_Mas já?

_Quanto mais cedo começarmos melhor.

Quando Claudio saiu, ele esqueceu a porta aberta, olhei para Marcos que esboçava uma cara de chateação, desvio meu olhar para a porta decidido a ir para casa.

Me levanto e meus olhos caem sobre dois corpos femininos extremamente bonitos e apenas de calcinha. Decido ficar mais um pouco.

Vou até a sala ver o que está acontecendo e me deparo com uma cena maravilhosa. A primeira coisa que reparo é que a Lais aderiu a nova moda da festa e estava apenas de fio dental vermelho segurando uma taça de vinho cheia, logo em seguida vejo que ela e as três amigas estão dando vinho a quem está sentado na roda e depois beijando apaixonadamente quem bebia.

Calculei mais ou menos onde a Lais passaria para que pudéssemos ter algum contato e me sentei. Quando chegou minha vez, ela olhou para mim e me ignorou completamente, me pulando. A vida nunca para de pregar peças em mim, meu sensor aranha devia ter apitado.

Do ângulo em que eu me encontrava consegui ver que ela estava muito excitada, a calcinha já demonstrava sinais de umidade pelo lado de fora, seus mamilos rosados estavam bem duros, o que me deixou com um pouco de esperanças.

Depois da cirandinha, todos se levantaram e começaram a entrar num dos quartos, uma mulher na porta despia todos os participantes, menos a mim. Até agora não entendi por que me deixaram de roupa naquele quarto.

Quando entrei no quarto, percebi que ele estava escuro e que todos estavam se agarrando. Escorei num canto procurando minha querida obsessão.

Depois de contar que ela se agarrou com 5 homens diferentes, (isso sem contar os que eu não vi) vejo minha oportunidade.

Me aproximo dela e encosto em sua cintura, tentando nos aproximar.

Novamente ela olha na minha cara e se vai, consigo perceber que agora ela está totalmente nua, tem o monte de vênus alto e a depilação é total, fico ainda mais apaixonado.

Neste momento todo o meu amor próprio está morto.

Me agarro com a primeira que passa na minha frente, depois de alguns minutos de amassos intermináveis damos uma pausa para respirar.

Era Izabela.

_Droga Gabriel! Não deveríamos ter feito isso.

Concordo, agora tenho certeza que a Lais não vai me querer, o que não quer dizer que minhas chances tenham caído drasticamente.

Izabela vira as costas para mim e vai embora. Tenho uma súbita vontade de beber tudo o que eu conseguir. Acho algumas garrafas e começo o processo.

Olho para a direita e tem um cara ganhando um lap dance de uma deusa, quando assusto ele coloca o instrumento para fora. Viro para o outro lado e vejo duas mulheres se acariciando.

Aparentemente todo mundo estava tendo uma noite ótima, menos eu.

Checo meu Facebook e vejo que o tour pelas boates anda bem, Marcela aparece rindo em todas as fotos junto com seu grupinho feliz.

Sem que ninguém perceba saio do apartamento e começo a andar a esmo pela cidade.

A noite começa a clarear, finalmente sei onde estou.

_Gabriel?

Olho para trás e me deparo com Marcela saindo de uma casa noturna.

_Você não ia para casa?

_Desisti.

__Falei que ia se arrepender de não ter nos acompanhado.

_Você não imagina o quanto!

Ela ri mais uma vez, pega na minha mão e descansa a cabeça no meu peito. De longe vejo Débora e o gringo, aparentemente temos uma vencedora.

_Vamos tomar café da manhã?

E um vencedor.

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