Memórias de Outono

Caminhando lentamente em uma simples tarde de sábado enquanto eu ouvia uma playlist entre os meus fones de ouvido, eu sinto a leve brisa de outono chegar por trás de mim, fazendo os meus cabelos castanhos curtos voarem como as folhas laranjas que estavam entre os meus sapatos pretos. Arrumando o meu moletom preto e a minha calça jeans, decidi me sentar em um banco de madeira que estava abaixo de uma árvore de cerejeira. Suspirei logo ao sentar, sentindo que o vento iria voltar a qualquer momento, então eu apenas fiquei sentada, observando as pessoas indo para lá e para cá. De vez em quando, eu via alguns gatos e chamava a atenção deles, fazendo carinho e logo deixando eles irem embora.

Fazia mais de uma semana que a escola havia acabado. Não que isso me incomodasse já que eu não gostava daquele lugar, porém... Eu estava meio perdida no que eu iria fazer daqui para frente. Eram tantas possibilidades, mas vários desafios.

Abaixei a minha cabeça com cuidado para que os fones de ouvido não saíssem e acabo dormindo sentada, perdida em meus sonhos, cujo se resumia em um encontro, mas não sei com quem. A música, que agora é apenas o som suave de um violino com uma guitarra para mim, ressoavam suavemente, deixando o sonho agradável, quase impossível de acordar. E quando menos esperava, acabei dormindo confortavelmente no ombro de alguém, que pela rigidez, parecia ser de um garoto.

Eu conseguia sentir o mínimo calor que exalava do corpo dele, e conseguia sentir ele me observando de tempos em tempos sem falar nada para não me acordar. Era como se ele não estivesse incomodado com a minha meta presença, diferente de outras pessoas que eu conheço ou já conheci em minha vida, cujo aquele sentimento de "Você sempre atrapalha" vinha a tona às vezes.

Era um sonho real demais. É como se o garoto dos meus sonhos estivesse do meu lado. Sempre tive o pressentimento de que ele me conhecia também, mas não sei dizer o motivo. Afinal, acabei o conhecendo pela internet.

Enquanto eu dormia tranquilamente deitada no ombro de um desconhecido, um dos fones caiu. Devido a isso, eu consegui ouvir o farfalhar das roupas dele, ajeitando a sua postura para não me acordar e para ele ficar confortável, e pelo som das folhas se virando, provavelmente eram páginas de livro.

Eu gosto de ler, porém fazia meses que não ando lendo por culpa da escola em que estava. Felizmente, de pouco em pouco, eu estou voltando a ter esses hábitos enquanto o meu celular estava carregando ou antes de dormir. Espero que esse garoto deixe eu ler com ele, quem sabe...

Sentindo novamente a brisa refrescante, acabo acordando lentamente de um sono profundo. – Por quanto tempo dormi? – perguntei-me enquanto esfregava os meus olhos de chocolate. Estando prestes a pegar o fone de ouvido que caiu do lado esquerdo, finalmente consigo enxergar o garoto com quem dormi: Cabelos negros com mechas loiras e olhos castanhos avermelhados (olhos que são raros de adquirir), com altura de 1,80 e vestindo roupas de outono, como uma blusa branca, calças jeans pretas e uma blusa de frio azul marinho, combinando com os sapatos marrons dele.

— Você dormiu bastante, não? — disse o garoto. Sua voz rouca e sexy me fizeram paralisar por um segundo após eu acordar.
— Ah... Sim. Acabei dormindo demais. Desculpe por ter dormido do seu lado. — disse cabisbaixa e sonolenta.
— Está tudo bem. — sorriu ele. — Qual o seu nome, aliás? — perguntou ele.
— Mitsuki! — sorri, fazendo reverência. — E o seu nome?
— Kazuya. — disse ele, sorrindo como se tivesse orgulho de seu nome e fechando o livro, que olhando cuidadosamente, era Os contos de Edgar Allan Poe.
— ...Muito prazer. —  disse quase silenciosamente, sentindo a ficha cair. Ele é o garoto dos meus sonhos, e o mesmo que conheci na internet.
— Um prazer imenso te conhecer pessoalmente. — disse Kazuya respeitosamente, me fazendo paralisar por segundos.
— Eu... Haha! Igualmente, Kazuya. — tentei olhar nos olhos dele, mas não deu muito certo. Tudo o que eu sabia dele era a sua voz, os seus gostos por literatura, chás e playlist de rock e o seu aniversário, 23 de novembro.

Eu estava ferrada. Mal sei eu conversar com uma pessoa desconhecida e puxar assunto, e conhecendo Kazuya em pessoa por acaso do destino então... Era como se a minha bateria social tivesse sido jogada fora ao perceber que eu dormi no ombro dele.

Enquanto eu estava perdida em meus pensamentos, Kazuya apoiou os seus braços encima da perna esquerda dele, visto que as pernas estavam cruzadas; pude sentir o seu olhar misterioso me fitando de cima para baixo. Admiração? Felicidade? Eu nunca iria saber o que se passava na cabeça dele...

— Pode me falar mais sobre você, senhorita? Estou curioso. — perguntou ele, me tirando dos meus pensamentos intensos. É a primeira vez que alguém me pergunta isso.

— ...Tudo bem. — respondi, quase em um sussurro. E então, pela primeira vez, nós começamos a conversar fora das telas.

Enquanto conversávamos sobre nós dois, sobre gatos, sobre tudo e nada, o tempo rapidamente havia passado, como uma ampulheta medindo o tempo.

Aquele encontro foi como um cenário de um anime. Um cenário que jamais irei esquecer.

“Espero que ele esteja bem.” — pensei contente comigo mesma ao olhar pela janela do meu quarto no horário azul após o nosso mágico encontro.

Enquanto o outono acabava, e o inverno chegava diante de mim, o eixo da terra girava calmamente, fazendo a temperatura do mundo cair como flocos de neve a deriva. Foi então que me lembrei dele enviando o endereço dele para mim meses antes de me encontrar com ele pessoalmente por acaso, em Agosto.

Com um suspiro, um papel e caneta em minhas mãos, eu escrevi uma carta para Kazuya.

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