Abraço de Inverno
Escrevia, riscava, jogava fora o papel, e o ciclo se repetia até que saísse algo bom dentro da minha mente atormentada na calada da noite, tal horário belo como a lua e frio como o gelo. Dias após o encontro, pensei em escrever uma carta para ele, na esperança dele ler a melancolia doce que trazia á tona através da minha escrita. Eu conseguia sentir o toque dele, o calor sutil e gentil, que mesmo distante, era como se estivesse ao meu lado.
Ambos moramos em Tóquio, a cidade mais visitada por turistas todos os anos no Japão, a cidade cujo é um abraço quente para quem vem visitar ou morar aqui. Um lugar que tem cafés tematizados, lojas de videogames e lojas de anime gigantescas, restaurantes chiques e tudo o que pode imaginar. Mesmo morando por aqui há um bom tempo, não explorei tudo, pois sempre se resumiu em uma rotina monótona entre casa e escola. Era entediante, e ao mesmo tempo frustante, pois senti que não aproveitei o suficiente como as outras pessoas da minha escola, que se divertiam após as aulas.
Kazuya e eu nos conhecemos virtualmente meses atrás pelo Instagram. No começo, eu achei que seria mais uma pessoa cujo eu conversaria por três dias e depois esqueceria, porém, o tempo foi passando e acabamos virando bons amigos, sempre trocando cartas, fotos dos momentos que achamos incríveis e presentes um para o outro.
Nem sequer imaginei que eu encontraria ele por acaso, e nem saberia que ele sumiria após o nosso encontro, o que achei estranho.
O som da chuva estava ensurdecedor desde a semana passada; tudo o que ouvia é apenas as gotas de chuva caindo violentamente lá fora.
“Será que estou apaixonada?” – pensei ao ficar olhando para a folha de papel branca com uma caneta ao lado. Aquele sentimento cresceu muito a cada dia que se passava ao pensar nele. Ele dominou a minha cabeça. E ao olhar para o relógio em meu celular, eram 02 da manhã.
Suspirando, me levantei da cadeira e deitei-me na minha cama, me cobrindo com o cobertor azul.
Mais um dia se passou... E o inverno havia chegado.
Balançando a minha cabeça para espantar os pensamentos negativos, decidi sair de casa para ir a uma biblioteca.
Sentindo os ventos frios e torturantes, abracei-me através de um moletom quente e andei rapidamente até lá, que não era tão longe da minha casa. Tanto o ar fresco, quanto o calor aconchegante, pareciam estar me abraçando silenciosamente ao entrar no pequeno mundo. A biblioteca era pequena por fora, mas grande por dentro como um coração de mãe.
Sempre vinha para lá quando tinha 7 anos, mas parei de ir por motivos que eu não consigo me lembrar; mas ao pisar dentro da biblioteca, eu senti ondas de nostalgia e felicidade dentro de mim, fazendo-me sentir uma criança novamente, cuja aquela ainda acha fascínio e conforto entre os livros.
— Espero eu que o encontre aqui. — sorri para mim mesma após pegar um mangá de terror, Mieruko-chan, e me sentar no sofá branco, lendo o mangá e esperando por ele.
Minutos se passaram e acabei dormindo no sofá com o mangá ao meu lado. Entre os meus batimentos leves e a respiração estável no meu sono, senti uma mão em minha cabeça fazendo cafuné. Era gélido, porém confortável. Logo após isso, senti alguém colocar um cobertor encima de mim, cujo estava em meus pés mas não havia notado.
— Senti sua falta. — sussurrou a voz em meu ouvido, me fazendo acordar lentamente.
Era ele. Era realmente ele.
Com um choque, eu olhei para ele surpresa, me perguntando como ele voltou ou como ele sabia onde eu estava.
— ...Kazuya? Por onde você esteve? — sussurrei melancólica.
Sorrindo de canto e me abraçando, eu pude sentir sua respiração quente em meu pescoço, me arrepiando levemente.
— Sinto muito. — respondeu ele de volta, sentindo a minha preocupação. — Fiquei ocupado com o meu trabalho como artista e nem tive tempo de...
— Está tudo bem. Isso não importa. Ainda bem que você está bem. — sorri ao olhar para o seu rosto, fazendo a preocupação cessar.
Ao sorrir de volta para mim, eu pude ver claramente as suas presas e, fascinada, tentei tocar, mas ele acabou segurando a minha mão.
— Tome cuidado. Elas são afiadas. Não quero que se machuque. — riu Kazuya, fazendo eu me sentir uma idiota.
— Seu... — tentei xingar porém ele acabou me abraçando de novo, fazendo com que todos os xingamentos ficassem entalados em minha garganta.
— Obrigado pela carta. — disse ele graciosamente, me fazendo companhia.
Fiquei um pouco vermelha por ele estar perto, e ainda mais por ele me agradecendo pela carta passada, após o nosso encontro. Com a timidez tomando conta, eu assenti de volta.
Acabei recebendo um email dele vários dias depois após nós ficarmos juntos na biblioteca. Perguntando-me porquê ele iria mandar mensagem às 3AM, abri o email enquanto suspirava.
“Querida Mitsuki,
Já faz um bom tempo desde que nos conhecemos pelo Instagram. Temo eu que os seus medos apareçam, mas saiba que nunca irei lhes machucar.
Acho que você não deve lembrar, porém, dois meses antes de nos conhecer virtualmente, acabamos nos encontrando em um Vampire Café. E enquanto conversava com um amigo, eu olhava para você de longe... Aqueles olhos cheios de vida dizia muito que você esperava que um vampiro aparecesse. E cá estou eu, saindo das sombras através de um simples email.
Você não leu errado, senhorita. Eu, Kazuya, sou um vampiro. Espero que eu não esteja te deixando desconfortável, no entanto, devo elogiar, você é uma humana amorosamente fascinante.
Que nossas almas se encontrem novamente neste mundo monótono.
Com carinho, Kazuya.”
Aquelas palavras foram como uma bomba virtual. Este tempo inteiro eu tenho amizade com um vampiro sem saber? Como que não notei antes? Eu queria que isso fosse um sonho, mas beliscando a minha bochecha, acabei percebendo o quão real era.
Respondi ao email com apenas um “Obrigada por me contar. Juntos seremos invencíveis”, pude sentir uma presença sombria em meu quarto. Aqueles olhos magenta... Aquela sensação... Senti arrepios e fui dormir na esperança dele não me pegar.
Mal sabia que ele esteve ao meu lado, e enquanto a lua brilhava no céu, eu sonhei com ele pela primeira vez.
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