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ᴛᴀᴇʜʏᴜɴɢ
A minha mente sabia dos meus erros e o meu coração sabia o tamanho da dor que sentia em mim. No entanto, eu também sabia que nada podia ser feito para mudar a situação em que me encontrava. Todas as minhas escolhas me trouxeram ao momento presente e todas as consequências dos meus atos eram apenas minhas, isso era um fato. Para mim, apenas o meu sofrimento era importante e as pessoas que gostavam de mim, eram cúmplices juntos a dor. Em algum momento eu perdi o amor que sentia por ela e ao reencontrar, senti medo. Sentia medo por ambos, medo de esquecer que a amava mais do que a mim mesmo, medo de aceitar que não éramos um, mas sim dois pedaços ensopados em sangue.
Passei dois meses, preso nas memórias que criei ao seu lado, eu não me sentia bem e sabia que nada estava bem. Todavia, eu não consegui mudar e ao invés de voltar para o meu amor, eu o magoei. Na verdade, eu a abandonei pensando que lhe fazia um favor e quando decidi voltar, aprendi que já não fazia falta. Essa é a pior parte de amar alguém, quando você percebe que não receberá o mesmo amor que compartilha. Estar aqui era, para mim a confirmação que chegamos ao fim e que esse fim teria vários finais até encontrarmos o que mais nos representa.
Tudo aquilo que eu conhecia como seguro e chamava de casa, era invadido por olhares rígidos e julgamentos sem conhecimentos. Para eles, eu colhia o que havia plantado, para eles eu era apenas mais um que a magoou quando ela precisou de mim. Os meus amigos me olhavam com desprezo e com muito descaso, eles não se preocupavam com a minha presença e em suas mentes, eu era o vilão. Não que eles não estejam certos, eu realmente era o vilão da história e acabei com a minha felicidade mesmo antes de a sentir por completo.
Porém, eu tinha o direito de me sentir triste e traído, pois, era o que sentia no momento. Precisei dos meus amigos e eles precisaram dela. A traição foi tanta que ninguém se importou em saber se eu estava bem. No entanto, eu não brigaria com eles por isso, eu estava aqui por outros motivos. Respirei fundo e ponderei as minhas palavras, eu não queria causar um clima desagradável ou proporcionar um clima desagradável para eles. Os questionamentos sobre a lealdade eram reais e eu não me esqueceria disso tão cedo.
— O que aconteceu? – a minha voz estava descontrolada e o meu corpo tremia. — Ela já estava passando mal? – precisava me controlar.
— Eu não sei. – respondeu Namjoon. — Após falar contigo, eu contei a ela. Ela foi para o quarto e quando voltou já estava em trabalho de parto. – ele andava de um lado para o outro enquanto relatava o ocorrido. — Os médicos acreditam que ela teve um ataque de pânico que causou o rompimento da bolsa, mas não é certo.
— Está dizendo que a culpa é minha? – parecia perseguição, aos poucos acreditava ser. — Que a minha ligação causou isso? – queria compreender.
— Não. – retrucou. — Claro que não.
— Eu preciso vê-la. – disse. — Agora! – ordenei.
— Ela está medicada e não acordará por agora. – respondeu. — Os médicos dizem que a situação ainda é crítica, por isso, levarei os bebês para mamar. Porém, quando ela acordar eu te aviso. – ele falava como se fosse dono dela. — Tudo o que ela mais precisa é de descanso e paz. – o que ele queria dizer com isso?
— Como assim? – retruquei. — Eu não posso vê-la, é isso? – quem ele pensa que é?
— Sim, é isso mesmo. – disse Seokjin se manifestando. — Acredito que você já fez demais, ela está de repouso. Eu levo os bebês para não criar uma briga maior. – ele se envolvia demais. — Cuidei da Alice por dois meses, posso continuar fazendo isso até ela melhorar. – o que isso tinha a ver com o meu pedido?
— Taehyung, se voltou para brigar conosco, não tente. – disse Jimin. — Por favor, vá embora se não quiser aceitar as condições. – ele também estava contra mim. — Não tem nada a ver com você, ela está descansando depois de quase morrer dando à luz aos seus filhos.
Eu não havia voltado para brigar com ninguém, a minha intenção não era magoar os meus amigos. No entanto, sentia que eles estavam distantes de mim por causa da Alice e alguns deles faziam de tudo para não nos ver juntos. Será que a mágoa era tão grande ao ponto de fazer com que os meus amigos me abandonassem? O que estava acontecendo entre nós? Por qual motivo eu era odiado em todos os lados?
— Quando poderei ver os meus filhos? – me sentia uma criança. — Será que posso vê-los?
— Quando der. – respondeu Seokjin. — A Alice pediu um exame de DNA e se você quisesse vê-los, estaria aqui quando ela precisou. – ele saiu da sala antes de conseguir responder. — Pode ser que você tenha razão, eles podem ser do James e então você não precisará voltar para a mulher que tanto magoou. – senti as lágrimas invadirem os meus olhos.
— Vamos dar uma volta, Tae. – murmurou Hoseok me puxando.
Os meus amigos estavam contra mim e me tratavam como um inimigo, o que me fez pensar como a Alice me trataria. Provavelmente ela estaria tão magoada, por isso, não queria a minha presença. Talvez, ela nem quisesse me ver ou estar em minha companhia e talvez, ela desejasse que os bebês fossem de James e não meus. O meu coração doeu ao lembrar que a perdi para sempre e ainda não sabia como sobreviver sem ela ao meu lado. A Alice não era minha e a culpa não podia ser dada a outro ser. Não podia culpar ninguém além de mim mesmo por meus atos de crueldade.
***
— Taehyung. – a voz de Namjoon ecoou e chamou a minha atenção. — Ela acordou.
As suas palavras fizeram com que o meu coração acelerasse, me levantei com tanta velocidade que senti a minha cabeça girar em todas as direções possíveis. Todo o meu corpo tremia e as minhas pernas aos poucos desistiam de obedecer aos meus comandos. Eu não sabia como reagir e nem sabia como me comportar ao lado da mulher que eu mais amava. Será que ela gostaria de me ver ou sentiria vontade de estar em minha presença por alguns minutos?
— Ela quer te ver. – senti as lágrimas voltarem, mas me controlei. — Vem comigo.
Namjoon me guiou em silêncio, o segui pelo corredor até ao quarto onde a Alice se encontrava. Em minha mente eu procurava as palavras corretas para expressar o quanto eu a amava e o quanto estava disposto a fazer tudo por ela. Eu queria lhe dar um abraço e pedir perdão por todas as palavras que usei contra ela, por todas as desconfianças sem motivos e claro, por toda a dor causada mesmo que sem intenção. Ao nos ver, os meninos saíram do quarto e permitiu que ficássemos sozinhos. Seokjin se aproximou de mim e sussurrou algo em meu ouvido.
— Se a magoar, se brigar com ela ou se ela chorar por sua causa eu acabo com você. – ameaçou.
Não reconhecia o homem em minha frente e eu não sabia explicar o seu comportamento. Porém, eu sabia o que ele sentia por ela, afinal de contas, foram sentimentos assim que causaram a nossa separação. Era impossível conviver com a Alice sem a amar, era impossível estar ao seu lado sem desejar os seus toques e eu sabia disso, possuía isso antes de jogar tudo pela janela. Respirei fundo e procurei ignorar o que ele havia dito, não queria pensar em mais nada além dela. Assim que entrei no quarto e fechei a porta, pude avistá-la na cama, ela estava deitada com os nossos filhos no colo.
As lágrimas que procurei conter inundaram o meu rosto e eu não consegui reagir, ou controlar os sentimentos que me invadiram. Ao notar a minha presença, ela ergueu o seu rosto e sorriu. A mulher em minha frente era bem diferente da mulher que eu deixei partir. Apesar do seu cansaço e esgotamento, ela estava mais linda do que nunca. Os seus cabelos estavam bem mais curtos, em seus olhos um brilho diferente cintilava e em seus lábios eu pude reencontrar o sorriso sincero que tanto amava. Respirei fundo e limpei as minhas lágrimas, me aproximando devagar.
— Oi. – sussurrou ela quase sem forças.
— Ei, Alice. – murmurei. — Como você está? – eu realmente não sabia como começar uma conversa com ela.
— Bem. – a sua voz não saiu e a sua resposta veio em forma de sussurro.
Em silêncio, eu me aproximei e me sentei em uma cadeira que estava de frente para a cama. Permiti que os meus olhos admirassem a visão e gravei em mim a memória dela com os nossos filhos. Para mim, esse momento seria eterno e sempre que me sentisse triste, voltaria para este momento e confortaria o meu coração lembrando do amor que ainda sentia por ela.
— Quer segurá-los um pouco? – claro que eu queria.
Me aproximei e cuidadosamente peguei um dos bebês dos seus braços, ela sorriu e aconchegou o outro em seu colo. Senti o meu coração parar ao ver o meu bebê em meus braços e as lágrimas já dominavam tudo em mim, me fazendo chorar mais. A felicidade que sentia percorrer os meus sentidos tinha gosto de amor e o significado era inefável.
— Te apresento o nosso filho, Taekwon. – senti um arrepio. — E a nossa menina, Taegeuk. – disse aconchegando a bebê em seus braços.
Desejei congelar o tempo para admirar esse momento com outros olhos. Queria envolvê-la em meus braços e pedir perdão por tudo o que havia feito de ruim. A Alice manteve todas as promessas feitas a mim e me sentia envergonhado por meus atos. Os nossos filhos receberam os nomes escolhidos por mim, muito antes de todo o caos começar e muito antes de pensarmos em sermos pais. Enquanto nos conhecíamos, comentei que gostaria de dar estes nomes aos meus filhos e assim ela o fez, transbordando o meu coração com amor.
— A nossa menina tem algo seu. – comentou chamando a minha atenção.
Me aproximei delas e de longe pude ver na pontinha do seu pequenino nariz um pequeno sinal. As lágrimas voltaram a me invadir e eu só conseguia sorrir de felicidade, ela sorriu ao ver e isso me passou um certo conforto.
— Se observar os lábios do seu filho também verá algo seu. – voltei o meu olhar para o bebê em meus braços e chorei mais. — Não preciso de um exame para saber que eles são seus, mas te devo isso como prova do meu caráter. – as suas palavras ecoaram e me causaram dor.
O nosso filho tinha um sinal no canto da boca, assim como eu. Ambas as crianças carregavam o meu DNA e isso não podia ser arrancado de mim e eu não precisava de provas para entender que estava diante de uma obra-prima. Em meus filhos eu conseguia ver a semelhança de ambos e para a minha alegria, eles tinham os lábios que tanto amava ver. A mistura do nosso amor era perfeita e não me cansaria de os ver e os amar, isso seria eterno.
— Como você está se sentindo? – perguntei tentando não emanar energias negativas.
— Bem, mas você já me perguntou isso. – sorri ao ouvir.
Desejei ouvir o mesmo, mas ela não se importou em saber como eu estava.
— Quando podemos ir para casa? – indaguei ainda admirando a sua beleza.
— Não sei. – murmurou. — Penso que em breve, os nossos filhos e eu precisamos do nosso cantinho. – ela não me olhou nos olhos, mas soube que ela não contava comigo em sua vida.
Permaneci em silêncio, eu não sabia o que dizer e, na verdade, só queria aproveitar o momento. Ao fundo ouvimos batidas na porta e os meninos rapidamente entraram no quarto. A Alice fez sinal e Seokjin rapidamente se aproximou dela, segurando a nossa filha. Permaneci com o nosso filho nos braços, não queria me afastar deles. Me sentei na cadeira e admirei o nosso filho, nada podia estragar o momento.
— Seokjin, Hoseok e Jimin. – disse ela chamando a nossa atenção. — Vocês aceitam ser padrinhos do meu menino?
Ela esboçou um sorriso tão grande que aqueceu o meu coração por dentro, enquanto, eu babava e morria de saudades dela.
— Mas é claro! – exclamou Seokjin indo até ela. — Será um prazer. – continuou lhe dando um beijo na testa.
— Sim, eu aceito também. – disse Jimin se aproximando.
— Eu também! – Hoseok sorria de um canto ao outro.
— Que bom, agora. – ela fez uma pausa. — Namjoon e Jungkook, vocês aceitam ser padrinhos da minha menina? – continuou.
Namjoon já tinha lágrimas nos olhos e Jungkook que até o momento não havia dito nada, sorriu. Jungkook esteve ao meu lado e sempre me fortaleceu dizendo que a Alice voltaria para mim. Porém, desde que estávamos na Coreia ele não havia dito nada, o que me dizia que ele também não acreditava nisso. Namjoon se aproximou da Alice e se sentou ao seu lado e Jungkook se aproximou para lhe dar um beijo no rosto.
— Claro. – respondeu Namjoon enxugando as suas lágrimas.
— Preciso de um favor, Seokjin. – ela estava tão diferente.
— O que deseja, meu anjo? – senti o meu coração acelerar.
— Yoongi. – tremi ao ouvir. — Quero que ele faça parte disso. – eu ainda sentia raiva dele.
Hoseok notou a minha reação e estendeu os braços pedindo pelo meu filho, assim o fiz. Não estava bem e não seria bom segurá-lo agora, após tudo o que passamos, a Alice ainda se importava com o Yoongi.
— Eu vou atrás dele pessoalmente. – ela sorriu ao ouvir. — Agora. – disse lhe dando um beijo na testa antes de sair do quarto.
Me levantei da cadeira para que Hoseok pudesse se sentar e permaneci em silêncio, não queria cometer mais erros. Precisava lidar com estes problemas depois, quando estivéssemos sozinhos. Ainda precisávamos falar sobre o nosso relacionamento e como faríamos com as crianças, pois, eu não abriria mão delas.
— Nam, mal posso esperar para eles estarem no quarto que preparamos. – continuou ela sorridente.
— Imagina até eles conseguirem usar os brinquedos que eu comprei. – retrucou Jimin.
— Eu tenho certeza que eles adorarão, quem não adoraria um quarto daqueles. – respondeu Hoseok. — Eu que carreguei todos os móveis. – todos sorriram ao ouvir.
— Vou amar cuidar deles todos os dias. – Namjoon se orgulhava.
Me sentia preso em outra dimensão ao ouvi-la falar com os meus amigos sobre momentos que deveriam ser compartilhados comigo. Respirei fundo e me afastei aos poucos, enquanto eles conversavam. Eles estavam tão envolvidos com as crianças e com a Alice que não notaram o meu afastamento. Fui em direção à porta e ninguém notou a minha saída. Saí do quarto e fechei a porta atrás de mim com a certeza de que a Alice não era minha e que em algum lugar da sua alma eu já não existia e não havia mais amor para partilhar.
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