3- Ninfomania

Nanda

Quando falamos da ninfomania imaginamos alguém que simplesmente faz sexo a toda hora, certo? Bom, não é totalmente o oposto disso, porque em parte é verdade. No entanto, também tem o lado ruim, o lado que está por trás da ninfomania. Um exemplo? Bom, o que normalmente causa a compulsão por sexo são traumas na infância, e isso eu tive, com certeza.

Quando mais nova, meus pais viviam brigando, ao estremo de meu pai bater em minha mãe. Eu, assistindo a tudo aquilo, me sentia uma inútil por não poder fazer nada. Ouvir os gritos de minha mãe era tão doloroso quanto se fosse eu a apanhar. Por esse motivo, entre outros, eu também não confio totalmente em Deric, além de desconfiar de quase todos os homens. É inevitável, eu olho para um homem e penso se talvez ele já não tenha batido em uma mulher, e em seguida, quando minha mente diz que o cara em questão talvez não tivesse feito isso, eu imagino como seria se ele me fodesse.

Outra coisa que pode causar o vício no sexo é a depressão e ansiedade, coisa que eu tenho em doses pequenas, talvez por esse motivo eu não seja tão desesperada ao ponto de me prostituir, porque sim, é comum isso acontecer. O sexo trás êxtase por alguns momentos, e isso faz com que uma pessoa depressiva queira cada vez mais, para poder se sentir mais "feliz", digamos assim.

E outro motivo de ser ninfomaníaca ser ruim, é que isso te tira a concentração em diversos momentos no dia, pode ser no seu trabalho, relacionamento e, no meu caso, os estudos. Por esse motivo, eu passei a me esforçar o máximo que consegui na escola, tentando o máximo não sair no meio das aulas para me masturbar no banheiro.

A ninfomania é uma compulsão, um vício, assim como se é possível ser viciado em drogas, bebidas e etc. Ela te faz se excitar incrivelmente fácil, além de te fazer consumir um auto teor de conteúdo erótico.

Então, eu, uma ninfomaníaca, estou saindo de um carro nesse exato momento, após ter a minha terceira foda na noite, todas com pessoas diferentes. E como de costume, não tão satisfeita como gostaria.

Eu não estou bêbada, eu me mantenho o mais sóbria possível para não entrar em enrascadas, porque eu obviamente não quero ser estuprada, mesmo tendo a porra do vício em sexo.

Ao entrar novamente na boate, eu varro o lugar com o olhar, procurando Tyler, ou quem sabe, alguém com que eu queira me satisfazer. Sem encontrar nenhuma de minhas opções citadas, eu me direciono até o bar, me sentando e pedindo uma garrafa de água. Permaneço ali por alguns minutos até alguém se sentar ao meu lado.

Mesmo sem me virar para olhá-lo, sei que é um homem forte, consigo ver pelo canto dos olhos, e posso sentir o cheiro maravilhoso de seu perfume inteiramente masculino. Uma boate sem dúvidas não é o lugar indicado para alguém que quer parar de fazer sexo, e eu estou muito bem disposta a dar para esse homem.

- Não esperava te encontrar aqui - no entanto, ao ouvir sua voz e descobrir quem é, eu quis sair correndo. - Ainda mais bebendo água.

- Eu não venho a boates para beber, querido, eu venho para transar - eu respondi na lata, não me importando no que ele acharia de mim. Me virei para lhe encarar.

- Então não era totalmente mentira quando disse que iria atrás de um cafetão para lhe satisfazer? - eu consegui sentir o sarcasmo em sua voz, mesmo que não fosse sua intenção. Eu neguei lentamente com a cabeça. - E achou? - ele perguntou, se aproximando mais.

- Aham, três. Mas eu não reclamaria se você quisesse ser o quarto, Félix.

- É uma proposta tentadora, confesso. O que acha de sairmos para caminhar um pouco? - caminhar? Fala sério.

- Okay - porém, acabei aceitando, eu não tinha nada para fazer mesmo. - Preciso só avisar Tyler primeiro.

Sem esperar resposta, caminhei na direção em que estava com meu amigo da última vez, e felizmente o encontrei ainda paquerando o mesmo cara de duas horas atrás. Melhor dizendo, os dois estavam praticamente se comendo na mesa onde iniciamos nossa noite.

- Tyler - chamei, atrapalhando o beijo dos dois. - Tô saindo, encontrei um conhecido e nós vamos sair para conversar.

- Tudo bem, se cuida - ele disse.

- Você também - eu respondi e me despedi dele e de sua companhia.

Voltando para onde estava, encontrei Félix ainda no mesmo lugar, obviamente me esperando. Nós caminhamos juntos e em silêncio para fora daquele lugar cheio e barulhento, logo nos distanciando do local e caminhando, ainda sem dizer um palavra.

Félix parece ser uma pessoa legal, e com certeza se fosse outro já estaria me fodendo no banheiro daquela boate. Ele parece ser totalmente diferente do que eu estou acostumada, e com certeza é.

- Me conte um pouco sobre você - ele pediu, finalmente dizendo algo depois de aproximadamente dez minutos.

- Não tenho muito sobre o que dizer, minha vida não é importante. Mas e você? O que você faz?

- No que trabalho? - eu assenti. - Psicologia infantil.

- Gosta de crianças? - eu perguntei, o olhando.

- Gosto sim, e poder ajudá-las é uma das coisas que mais me deixam feliz, além disso, nunca se sabe quando um trauma vai causar algo realmente muito sério, então eu ajudo o máximo que posso.

- Uau - eu disse, realmente impressionada. - E quantos anos tem?

- Vinte e quatro - ele respondeu simples, como se não fosse um ótimo avanço ter a vida pronta aos vinte e quatro. - E você? Quantos anos tem?

- Dezoito. Eu já deveria ter terminado o colégio, mas eu reprovei um ano.

- Qual o motivo da reprovação?

- Eu não conseguia prestar muita atenção na aula, e acabou que no fim eu não sabia muita coisa - eu expliquei, enquanto chegávamos em uma praça.

Isso que lhe contei é totalmente verdade, e no caso, o ano que reprovei foi esse mesmo ano que estou agora. E a culpa, mais uma vez, foi de minha ninfomania; eu não prestava atenção na aula, apenas queria saber de transar, e por esse motivo eu saía várias vezes para ir ao banheiro, no qual eu sempre me masturbava. E depois de saber que eu havia reprovado, eu fiz de tudo para ser melhor esse ano, e eu realmente estou me esforçando.

- A quanto tempo é amigo do meu padrasto? - perguntei, depois de um tempo em silêncio.

- Faz um tempinho; nós nos conhecemos no meu antigo emprego. Eu tinha que trabalhar para pagar minha faculdade, então trabalhei de garçom em alguns restaurantes, e em um deles Deric também trabalhava.

- Pelo menos agora ele tem um emprego descente - eu resmunguei, mais para mim que para ele. Se Félix ouviu, certamente fingiu que não.

- E você, pelo que vejo, ainda não trabalha - ele afirmou, acertando.

- Não, ainda não consegui um emprego.

- Talvez possa ser difí... - ele parou antes que pudesse concluir. - Talvez eu possa te ajudar, eu preciso de uma secretária.

- Mas eu nem tenho experiência.

- Sem problema algum, eu te ajudo no que for preciso. Então, o que acha?

- Tudo bem - eu respondi, sorrindo.

Eu realmente preciso de um emprego, e mesmo não sendo o emprego dos sonhos, vai me ajudar a pagar minha faculdade futuramente, e isso me deixa feliz.

Depois de conversarmos mais um pouco, vimos que já estava bastante tarde, e como nós dois temos que levantar cedo, decidimos ir embora. Félix me levou até em casa, ele estava de carro então não demorou nadinha.

Assim que chegamos, eu me despedi dele e entrei, encontrando tudo em silêncio total. Tentando fazer o mínimo de barulho possível, eu subi as escadas e entrei em meu quarto, caminhando calmamente até o banheiro, onde tomei um banho rápido para finalmente poder dormir. Antes de enfim pegar no sono, eu enviei uma mensagem para Tyler, avisando que já estava em casa, e ele me respondeu dizendo que também estava na dele. Sendo assim, pude dormir tranquilamente.

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