Sou de exatas, não de humanas

Oi Oi anjinhos, estou aqui com uma história que publiquei a cerca de um ano no aplicativo verdinho e pouco tempo reli ela e me deu uma vontade enorme de escrever um bônus para essa oneshort e também publicar ela aqui!
Espero muito que vocês gostem, tenho muito carinho por essa estória.

✩✼ 。゚・  ゚・ ☆ 。゚・   ✩ೃ

Ah, a droga do amor, sempre soube que deveria seguir as coisas de modo racional e firme, afinal, é muito melhor algo que você pode se apegar e ter certeza, e, para isso, você deve NUNCA, repito, NUNCA, confiar em outra pessoa, ou pode acabar como eu, um fracassado.

Quando chego nessa empresa, as más lembranças — que outrora foram boas — me invadem; eu depositei todo o meu amor, até aquele que nem sabia que existia, em uma pessoa, e veja só agora: ela está emanando paixão por outro, isso tudo na minha frente!

Eu deveria ter separado os negócios do amor.

Todos os dias me levanto da cama com um único propósito: pagar meus boletos. É a única coisa que me faz pegar meu carro e percorrer o caminho até meu trabalho.

Tento ao máximo ficar recluso na minha sala, resolvendo problemas matemáticos, já que os da vida eu não consigo resolver. Só que eles sempre aparecem batendo à minha porta — literalmente.

一 Jimin, você já lançou a planilha do consumo desse mês?

E aquele era Kim Taehyung, presidente da empresa e dono da minha decepção. Era incrível como ele conseguia encarar a situação com tanta naturalidade, enquanto eu nem era capaz de encarar a cara do desgraçado.

一 Sim, e o RH já passou as folhas de pagamento dos funcionários. 一 Eu encarava meu computador, tentando focar em qualquer parte daquela tela para não notar como o alfa ao meu lado ficava tão gostoso em um terno cinza.

一 Você precisa lançar esses pagamentos ainda hoje, antes da reunião. 一 De canto de olho, dava para perceber que ele me encarava.

一 Eu tenho mesmo que ir? 一 perguntei, enquanto digitava.

一 É óbvio, você é o gerente de finanças desta empresa, é uma peça-chave para a reunião.

一 Mas não é só para apresentar ao seu irmão que veio sei lá de onde? 一 Eu continuava sem encará-lo.

一 Park Jimin... 一 ele me adverte, e eu o ignoro 一, Park, você pode me encarar, por favor? 一 Seu tom era sério.

一 Já disse que não gosto que me chame de Park. 一 proferi, encarando-o por cima dos óculos.

一 Pensei que fosse mais profissional. 一 Cruzou os braços. 一 Até quando vamos ficar nisso?

一 Oh, um pouco difícil de superar, não é mesmo? Você me largou do nada e, de repente, semanas depois, puft! Um novo membro da família Kim 一 debochei, deixando o moreno nervoso.

一 Já te falei, eu e o Jungkook temos uma ligação profunda, nós estamos destinados a ficar juntos, não é como se eu tivesse controle. 一 A fatídica explicação de sempre.

一 Mas você teve opção sim! Poderia ter tido um pouco mais de consideração. Não deixou nem mesmo eu conseguir me recuperar da separação e já enfiou seu ômega aqui na empresa, e, agora, todos os dias tenho que ser plateia do amor de vocês, acha que é fácil aguentar isso? Quando, mês passado, você estava me jurando amor? Taehyung, eu estou sendo mais que profissional, pois, se eu não fosse, já tinha voado na sua cara e arranhado ela toda! 一 As palavras saíram tão rápido da minha boca que eu até mesmo perdi o fôlego. 一 Você sempre soube que não era eu, tínhamos quase dois anos juntos e você nunca quis ter uma ligação profunda comigo, você sabia que não era pra ser, mas, mesmo assim, me enrolou esse tempo todo, me fez promessas que não podia cumprir e, quando foi para me descartar, não pensou duas vezes.

O alfa abria e fechava a boca, buscando as palavras, mas ele sabia que estava errado e nada que dissesse melhoraria aquela discussão.

一 Eu... fui inconsequente, sei disso. 一 Foi o que a voz miúda do Kim conseguiu dizer.

一 Até às dezesseis horas. 一 Peguei minha bolsa e saí dali, sem olhar para trás.

(...)

Eram quase 13h e eu estava no refeitório da empresa finalizando meus relatórios de trabalho, alguns funcionários também se encontravam na sala, mas, como a maioria preferia ir a restaurantes em seu horário de almoço, havia poucas pessoas ali.

Pela porta, passa Hoseok, que vem correndo até mim, saltitante e sorridente, como sempre.

Meus olhos continuam focados na tela, e eu noto o ruivo parar ao meu lado e olhar o que eu estava fazendo.

一 Hm... 一 disse, como se estivesse entendendo algo. 一 Você trabalhando no refeitório, Taehyung lá no escritório estressado com qualquer coisa que passe pela sua frente. Vocês dois brigaram de novo?

一 Bingo! 一 proferi, em um tom sério, sem desviar o olhar.

一 Loirinho, até quando vocês vão ficar nessa, hein? Tá chatão e acaba atrapalhando o trabalho de vocês, sei nem como vão ficar nessa reunião. 一 Sentou-se ao meu lado.

一 É tão fácil falar. Eu apostei tudo no meu relacionamento com o Tae, e ele me esqueceu tão facilmente que parece que nunca sentiu nada por mim 一 suspiro.

一 Sim, meu amor, mas você não pode parar sua vida por causa disso, você tem uma carreira pela frente, e, se não consegue encarar os dois, talvez seja melhor solicitar sua demissão.

一 Tá doido? 一 Arregalei os olhos. 一 Sabe o tanto que eu lutei pra estar nesse cargo? Foi tudo mérito meu, foram noites sem dormir para que finalmente conseguisse mostrar meu valor pra essa empresa, fora que eu ainda estou pagando meu apartamento e a casa dos meus pais, e sem esse salário...

一 Pois é, então foque nisso, foca em você e em esquecer esse amor pelo Taehyung, ele não é digno. Sabe qual a melhor forma de afogar as mágoas? 一 Deu um sorriso sugestivo.

一 É, eu acho você tem razão. 一 Sorrio, seco.

一 Oba! Então vamos nessa, Loirinho!

(...)

Antes mesmo de a reunião começar, separei tudo o que tinha preparado dos dados que deveríamos apresentar e, infelizmente, apesar de ter pensado em várias saídas, eu teria que ir até a sala de Taehyung para entregar os papéis.

Quando estava parado em frente à porta, pude ouvir murmúrios, e, dentre eles, estava o meu nome. Logo encostei meu ouvido na porta.

— Eu vou ter que demiti-lo — Tae anuncia.

— Mas por quê? — Jungkook indaga.

— Não dá pra conviver com ele aqui na empresa, sei que ele entende de finanças muito bem, é um pilar muito importante pra nós, mas todo esse show...

— Ah, Tae, isso é uma fase, ele está em negação ainda, mas tenho certeza que passará, além do que isso só vai aumentar o ódio dele por você.

— Eu o recomendo para alguns colegas meus, sem emprego ele não fica.

Eu mal podia acreditar naquilo que estava ouvindo, juntava meu corpo cada vez mais na porta para conseguir escutar tudo o que falavam.

— Tá, mas você sabe que vai ser difícil encontrar alguém como ele, né? É um cargo de confiança, isso pode até diminuir os lucros.

— O que não dá é para ficar desse modo — persistiu.

— Só... Cuidado pra não se arrepender.

— Vamos parar de falar nisso. Me diz, nesta noite fazemos dois meses juntos, onde vamos jantar?

Dei alguns passos para trás e encarei a porta branco gelo. Naquele momento, eu era o maior idiota de todos os tempos.

Se, por acaso, você pensa que não pode piorar, querido, não subestime seu azar, pois pode piorar sim. Além da iminente perda do meu emprego, Taehyung e Jungkook, hoje, estão fazendo dois meses juntos e, se não me engano, pelas minhas contas, terminamos há um mês e três semanas... O que significa? Fui corno por pelo menos uma semana. ÓTIMO!

Respirei fundo e, com meu último suspiro, bati à porta. Em poucos segundos, o Kim a abre.

— Os relatórios da reunião — falei, sem nem olhar em seus olhos, e, então, apenas saí dali.

Chego à minha sala e tranco a porta, eu estava cansado, cansado das decepções, cansado de Kim Taehyung, cansado desse trabalho de merda, onde não sou valorizado, nem como profissional, nem mesmo como ex, muito menos como atual.

Eu estava no fundo do poço, só poderia chorar naquele momento, estava de mãos atadas, sem poder fazer nada. Perdi meu amor, meu emprego, minha dignidade.

Fui até o banheiro e molhei meu rosto. Tentei ao máximo disfarçar minha cara de choro com maquiagem, eu precisava sair pelo menos com um pouco de honra.

Peguei meus papéis e segui em passos firmes até a sala de reuniões.

Sentei-me no local mais afastado do presidente, eu não conseguia olhar para Taehyung, nem para Jungkook, meus sentimentos estavam à flor da pele.

— Boa tarde a todos, antes de iniciar a reunião, gostaria de lhes apresentar meu irmão, Kim Namjoon, que agora vai participar ativamente das decisões da empresa. — Quando ele termina a introdução, um rapaz alto entra na sala.

Sua pele era bronzeada, o corpo era farto, a camisa branca fina marcava isso, e o terno lhe dava um ar classudo. Os fios castanhos-mel estavam arrumados em um pequeno topete, mas o que me tirou o ar mesmo foram aquelas covinhas.

— Boa tarde! — Fez uma referência, inclinando o corpo para frente e se sentou ao meu lado, na outra ponta da mesa.

Durante toda a reunião, permaneci de cabeça baixa e só falei quando era necessário. Apresentamos o plano anual e mensal de trabalho para Nam, e, em seguida, foram servidos petiscos em comemoração à sua chegada.

Como eu não tinha muita escolha, fiquei recluso durante a comemoração, apenas beliscando algumas coisas enquanto mexia no celular.

— Oi. — O Kim mais velho parou ao meu lado.

— Olá — disse, baixo.

— Com isso tudo, nem tivemos chance de nos apresentarmos direito. Prazer, Kim Namjoon. — Sorriu e ergueu a mão para cumprimentá-lo, e assim fiz.

— Eu sou Park Jimin.

— Oh... Então você é o ex do meu irmão? Nem tivemos chance de nos conhecermos enquanto éramos cunhados. Talvez tenha sido bom. — Eu poderia estar errado, mas aquela conversa me parecia sugestiva.

Até então, só ouvia histórias sobre Namjoon, soube que ele se interessava por arte, e, por isso, foi para a Grécia, tanto para estudar sobre a cultura, como administração; e, apesar de ser o sucessor do pai, seu sonho nunca foi ser o dono da empresa, mas sim viajar o mundo, além de que Taehyung sempre demonstrou muito mais facilidade em administrar os negócios.

— É... Mas, se eu fosse você, não se acostumaria muito comigo não. — Estava amargurado e, talvez, fosse uma péssima escolha contar aquilo para uma pessoa que acabou de chegar e que é um dos sócios da empresa.

— Por quê? — indagou, confuso.

— Não sei, só tô sentindo que não duro muito.

— Mas seus resultados são incríveis, eu li seus relatórios hoje.

Pude ver que o Kim mais novo se aproximava.

— Infelizmente, você pode se doar para uma pessoa, para um trabalho, fazer o que pode e o que não pode, mas nunca será suficiente — disse, em um tom alto o suficiente para Taehyung ouvir.

— Namjoon, podemos conversar? — pergunta o loiro.

— Depois conversamos mais, Jimin. Tchau. — despediu-se com um aceno.

(...)

O resto da tarde foi agonizante, parecia que a cada segundo Taehyung iria passar por aquela porta com a minha carta de demissão, mas, para minha felicidade, isso não ocorreu, ao menos não ainda.

Peguei minhas coisas e fui até a sala de Hoseok. Para a minha surpresa, quando cheguei, ele estava conversando com Namjoon, e os dois pareciam se divertir muito.

— Ah, aí está ele! — Jung disse. — Minnie, chamei o Nam pra ir com a gente, tem problema?

— Não, imagina — proferi, envergonhado.

— Então vamos! Hoje é dia de festejar! — Aquela animação toda chegava a ser contagiante.

Eu realmente precisava daquela noite, nada de números, papéis, Taehyung, trabalho, apenas eu e duas pessoas incrivelmente divertidas em um karaokê com bebida.

No início, até tivemos uma pontuação razoável nas músicas, mas, à medida que o álcool foi subindo, as vozes se tornaram mais emboladas, o que dava mais espaço para as risadas.

Perdi as contas de quantas doses tomei, mas soubemos que era o momento de pararmos quando encontramos Hobi dormindo no sofá do salão.

Eu sequer sei explicar como consegui chamar aquele Uber, só sei que conseguimos deixar o ruivo em sua casa e, quando estávamos a sós, eu não consegui me controlar, tive muita vontade de beijá-lo, por mais que isso parecesse tão errado; todavia, só fez aumentar o meu tesão.

(...)

A claridade do quarto me faz despertar, minha cabeça ainda doía, e estava confusa, mas foi como um banho de água fria quando vi Kim Namjoon deitado ao meu lado, e o pior foi quando vi que nós dois estávamos nus.

Desesperadamente, catei todas minhas roupas pelos cantos do quarto e me arrumei no mais completo silêncio, saindo dali rapidamente.

E, para piorar minha situação, eu estava na mansão dos Kims, mas, por sorte, apenas o porteiro me viu sair dali, mas, ainda assim, poderia me render um baita problema; não era coisa boa me verem saindo da casa do meu ex aquela hora da manhã.

(...)

Se passaram exatas uma semana do acontecido pós-karaokê, eu e Namjoon nem tocamos nesse assunto, eu mal me lembro dos detalhes daquela noite e, pelo visto, nem mesmo ele. Mas ele nunca me ignorou, sempre me chamando para almoçar ou tomar café, sendo um cavalheiro, como sempre. Seu jeito era encantador, entretanto, eu me segurei firmemente; o amor não era para mim, mesmo com uma pessoa como o Kim.

O telefone da minha sala toca e então atendo, era a voz de Tae do outro lado.

— Jimin, preciso que venha até minha sala.

Com o coração apertado pelo o que poderia acontecer, fui até a sala da presidência.

Abrindo a porta, encontrei, além do Kim mais novo, o mais velho e Jungkook.

— Sente-se, por favor — pediu o loiro.

Nam estava estranho, encarava o chão com um olhar ríspido, nem mesmo me cumprimentou.

Obedeci a ordem dada, e um papel foi entregue a mim, e lá pude ver que era a tão temida folha de demissão.

Minha boca ficou seca e os olhos, marejados, eu não tinha mais o que falar, estava estático. Peguei o papel e comecei a encará-lo, sem mesmo ler; minha cabeça estava um turbilhão, era uma enorme decepção.

— Desculpe, mas você não me deixou opções — Taehyung explica.

— Você tinha sim, apenas, como sempre, optou pelo o que era mais fácil para você, sem se importar com quem iria se machucar pelo caminho — falei, com uma voz séria, segurando meu choro — Desejo prosperidade para a empresa. Com licença. — Levantei-me.

— Espere, Jimin, vamos conversar — Jungkook pediu.

— Conversa? Não tem mais conversa. — Ergui o papel, simbolizando o motivo. — Eu não faço mais parte daqui, agora, se me derem licença, eu preciso ir, tenho que arrumar minha sala.

Saí dali o mais rápido que pude, eu não queria ouvir mais nada, nenhuma desculpa, apenas desejava acabar com aquilo.

Com o rosto encharcado pelas lágrimas, peguei as caixas e comecei a empacotar meus itens pessoais do escritório, foi quando a porta se abriu e Namjoon apareceu.

Eu não estava no meu melhor momento, por isso, não conseguia encarar o moreno naquele instante.

— Eu não pude fazer nada. — Seu tom era triste. — Apesar de ser um dos sócios, Taehyung e Jungkook são peso duplo, além do Tae ser presidente, o que dá muito mais poder de decisão para ele. — Fez uma pausa dolorosa. — Eu não quis te decepcionar. — Suas desculpas eram sinceras.

— Está tudo bem — funguei — Ao menos vai ficar, e isso que está acontecendo não é culpa sua, fica tranquilo, eu já esperava.

O mais velho se aproximou de mim e, mesmo de costas, consegui notar sua proximidade. Para a minha surpresa, ele me deu um abraço por trás e apoiou seu queixo em minha cabeça. O abraço era tranquilizante, o que me fez fechar os olhos e sentir o conforto que trazia.

— Jimin — chamou-me, e eu me virei para ele —, não some, por favor. — Acariciou meu rosto.

— Pode deixar — proferi, nervoso.

O mais alto se aproximou suavemente e selou nossos lábios com um selinho, o que sucedeu em um beijo lento e calmo. Desde o dia no karaokê, não tivemos mais nada, e aquele beijo me trouxe uma sensação de paz indescritível.

— Você promete? — pediu, ainda próximo à minha boca.

— Eu prometo — disse, ainda de olhos fechados.

(...)

Assim que saí da empresa, fui direto para a clínica para fazer o exame demissional que era necessário para concluir meu desligamento.

Após passar pelo exame de sangue, esperei alguns minutos até voltar para a sala da médica.

— Senhor Park, o senhor não poderá ser demitido — a médica avisou, deixando-me confuso.

— Como assim?

— O senhor está grávido.

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