prólogo

Natal, o que dizer sobre essa data?

Em primeiro lugar, eu a odeio!

Jesus não nasceu no dia 25, quem estuda história sabe que foi outro personagem que nasceu nesse dia, e atualmente só é usado para os comércios lucrarem muito.

Esse ano irei viajar para um chalé nas montanhas, me recuso ficar perto dos meus familiares e suas comemorações após brigar o ano inteiro para ver quem vai ficar com a casa da minha avó.

Spoiler: ela ainda não morreu.

Minha mãe me convenceu a levar alguém, para não ficar sozinho, como se eu me importasse com isso.

O escolhido foi o melhor amigo da minha irmã, motivo? Além de ter uma pequena quedinha por ele, não parece ser alguém ligado a essas comemorações.

Como eu sei disso? Os pais dele são judeus, então tenho certeza que ele não comemora. Para os judeus Jesus ainda está para vir, então como vai comemorar o nascimento de quem ainda não veio.

Eu sou um gênio!

Voltando para o dia atual, hoje é dia 17, uma semana para o Natal, e eu vou convidar o lee em algumas horas, se ele não aceitar vou sozinho mesmo.

Saí do meu quarto e fui até o quarto da minha irmã, bati à porta.

— Entra. — ouvi a voz dela.

Abri a porta e entrei, estava na cama passando chapinha em seu cabelo longo loiro, coreanos loiros legítimos, meu pai jurava que minha mãe tinha traído ele.

Afinal, os dois têm o cabelo preto. Mas a resposta é, nós dois temos uma falha genética que deu esse resultado maravilhoso.

— O que precisa? — perguntou.

— Sabe se o lee vai passar o Natal aqui? — perguntei fechando a porta, virei para ela.

— Os pais dele estão querendo ir para Israel, não sei se ele vai. — ajudou muito. — Por quê? Quer convidar ele para ir para a Suíça com você?

— Sim, eu levaria o changbin, mas ele ama tanto o Natal que com aquela voz fica igualzinho uma gazela saltitante falando dos planos para essa comemoração falsa. — expliquei. — E ele está namorando, então não vai deixar os namorados aqui.

— Como ele consegue namorar dois ao mesmo tempo? — é uma ótima pergunta.

— Não sei, mas ele já tem alguns fios de cabelo branco, então não vejo como lucro. — agora o assunto principal. — Você acredita que o lee aceitaria ir comigo?

— Para fugir de ir para Israel ele aceitaria ir para o inferno, então sim. — me usando como escape, não ligo. — Quando os pais judeus dele descobrir que seu amado filho, criado para ser certinho, está no crime, vão ter um infarto.

— Eu quero saber é como você fez amizade com um criminoso? — essa menina é tão extrovertida que faz amizade com pombos se deixar ela sozinha com eles.

— Na balada, eu acabei parando na área vip, fiz amizade com ele e depois descobri que era o dono da balada, no próximo ano ele vai assumir completamente a máfia e ir embora para o Japão. — ele vai embora? — É irmãozinho, se você quer confessar o que sente, essa é a sua última chance.

— Eu nem sinto nada. — ela me encarou. — Talvez uma coisinha, mas nada demais. — riu na minha cara. — Então, mas eu nem sei se ele gosta de homens, porque minha irmã não descobriu isso, como você é melhor amiga dele e não sabe a sexualidade?

— Nunca falamos sobre isso, ele sabe a minha obviamente. — lésbica.

Meus pais esperavam que eu gostasse de mulheres e minha irmã de homens, nós resolvemos trocar. Mas após muita conversa, eles entenderam e aceitaram.

— Rosé, você precisa descobrir isso hoje, ou eu conto para a Lisa que estava seguindo ela no shopping. — colocou a mão no peito desacreditada.

— Você é cruel, tá bom! Vou descobrir. — bom mesmo. — E não foi porque eu quis, eu a vi andando com uma menina que não conhecia, pensei que estava nascendo coisas na minha cabeça, mas só era a prima dela.

— Você é doida! Paranóica! — só um gêmeo deu certo, e não foi ela.

— Não sou. — é sim. — Mas não crie esperanças dele ser bissexual ou pansexual, porque eu só vejo ele ficando com meninas, aquelas frescas, chatas, insuportáveis, não quero que meu irmãozinho fique de coração partido.

— Algum dia ele foi inteiro? — que triste se ele for hétero.

— Você entendeu, hyunjin. — Sim.

Saí do quarto dela e fui para o meu, está arrumado hoje.

Entrei no closet, peguei uma mala grande, hora de fazer a mala.

Como é frio lá, coloquei bastante roupa quente, mas para usar no chalé foram roupas mais tranquilas e frescas, tem aquecedor.

Em uma mala menor coloquei os sapatos, botas, coturnos, e bastante meia.

Saí e ouvi a voz do felix conversando com a minha mãe no corredor, depois entrou no quarto da Rosé.

Ele chegou!

Coração, não bate tão rápido.

Ouvi batidas na minha porta, permiti que entrasse, minha mãe.

— felix está aí filho. — avisou. — E eu fiz chocolate quente, desça pegar sua caneca.

— Obrigado mãe. — ela sabe da minha quedinha pelo lee, meu pai também, por isso ele não é o maior fã do felix.

Ele jurou não gostar do homem que levasse o príncipe dele embora, e está fazendo isso com êxito, mesmo que eu e lee não tenhamos nada.

— Troque de roupa, a que eu coloquei em cima da ilha, e sem fazer birra. — saiu do quarto.

Por que fazer birra? Todo ano minha mãe tira foto da família junta, para mandar para os parentes com um cartão desejando "Feliz Natal".

Entrei no closet, troquei meu pijama de Cookies pela roupa que ela colocou aqui. Macacão jeans branco, e uma blusa de lã vermelha com bonequinhos de neve.

Eu odeio o Natal!

Calcei o tênis branco, tô pronto!

Peguei o gorrinho de papai Noel e coloquei, eu fiz uma cartinha para mandar para ele.

"Papai Noel, esse ano eu peço, acabe com o Natal!".

Não ligo que ele vai ficar desempregado, trabalha uma única noite do ano, vai trabalhar com o coelhinho da páscoa.

Passei gloss na boca, saí do closet bicudo em estar usando essas coisas, do quarto igualzinho.

— Oi hyunjin! — que susto!

— Oi lee! — desfiz o bico, estou vermelho! Espero que ele pense ser reflexo da roupa no meu rosto.

— Já disse que pode me chamar de felix, te conheço há seis anos. — Sim, minha quedinha dura tudo isso, me deixa ser iludido.

— Claro, felix. — vai hyunjin, convida ele. — O que vai fazer no Natal?

— Se não arrumar uma desculpa, ir para Israel com os meus pais. — falou com tédio.

— Posso te ajudar, eu vou viajar para a Suíça, minha irmã já deve ter comentado. — confirmou. — Então, minha mãe não me deixa ir sozinho, quer ir?

— Suíça, sempre quis conhecer, e meus pais gostam de você, tudo bem, eu vou com você. — Os pais dele gostam de mim, isso eu não sabia. — Quando vai?

— Amanhã. — se assustou. — É, esteja no aeroporto de Incheon oito horas, vai ser legal.

Desci na frente dele, porque tão lindo? Que ódio!

Fui até a cozinha, bebi tranquilo meu chocolate quente até minha mãe me chamar, usei o celular para checar minha boca, não estou com bigode de chocolate.

Me arrastei até a sala, lee ainda está aqui, minha mãe convenceu ele a ficar para nos fotografar.

— Rosé, anda logo. — ouvimos a campainha, meu pai foi atender, voltou com a Lisa. — Aqui querida, sua blusa e o gorro.

— Oi gente! — cumprimentamos ela, colocou a blusa vermelha com pequenas árvores de Natal, combinou com a calça. — hyunjin, ajeita a gola atrás por favor.

— Claro. — ajeitei a gola da blusa que ela usa por baixo. — Prontinho.

— Chegando. — Rosé apareceu arrumada.

— Finalmente, já estava nascendo a barba em mim de tanto esperar. — meu pai reclamou.

Nem é exagerado.

— Bruce, Floquinho. — é o nosso cachorro e gato.

Os dois com roupinha de papai Noel, até os animais não escapam.

Meus pais usam a blusa vermelha com flocos de neve, minha irmã e a namorada usam com a árvore de natal, e eu estou sozinho com os bonequinho de neve.

E os bichinhos combinando, todo mundo tem alguém menos o hyunjin.

— Crianças no meio, animais na frente. — Minha mãe posicionou todo mundo. — Ano que vem eu espero que Felix, já tenha alguém para usar a blusa combinando.

— Mãe. — na frente do felix? Para quê?

A primeira foto da família inteira, lee mostrou como ficou.

— Deixa eu ver se alguém piscou. — minha mãe deu zoom em todos. — Amor, mantenha os olhos abertos, não pisque.

— O flash está forte. — Nem está com flash, ele que pisca demais.

A outra foto ficou boa, graças.

— Agora só de nós com os bichinhos. — as "crianças" saíram.

felix tirou a foto, minha mãe gostou.

— Os bichinhos. — só dos bichinhos. — Gêmeos.

Eu e a minha irmã ficamos lado a lado, sorrindo, mas nem tanto porque meus olhos precisam aparecer.

— Rosé e a Lisa. — até sentei. — Lindas, sorria mais filha.

— Pronto! — lee mostrou a foto.

— hyunjin, sua vez. — sozinho de novo.

Fui até lá, sorri para a foto.

— Lindo, mas com um namorado estaria perfeito. — ela só quer uma genro porque quer ser avó, e a Rosé disse que não vai ter filho nenhum.

—Eu discordo, está lindo sozinho filho. — pai ciumento.

— Pronto fe... felix? — agora preciso me acostumar a chamar ele assim.

— Sim, ficou bonito. — evitei sorrir.

— Ficou mesmo, lindo! — minha mãe concordou olhando a foto. — Obrigado, felix! Quer ficar para o jantar?

— Não, obrigado! Eu preciso ajeitar umas coisas para a viagem, até mais família lee. — ele foi embora.

— Eu vou tirar essas coisas, estou parecendo uma árvore de natal. — subi para o meu quarto.

Tirei o gorro, o casaco e o macacão.

Fui tomar banho, lavei o cabelo. Saí e me sequei, já passei creme na pele.

Vesti um pijama, com gatinhos dessa vez.

Sequei meu cabelo, só passei um óleo para não ficar todo em pé.

Sentei na cama, peguei meu celular.

— Entre. — falei após as batidas, Rosé entrou e acendeu a luz. — Fale.

— Então. — apertava as mãos. — Ele disse ser hétero.

Isso foi um baque, eu estava feliz porque ele disse que eu estava bonito.

— Tudo bem, era só uma quedinha mesmo. — fiquei forte.

— Certeza que está bem? — confirmei. — Talvez ele só nunca tenha pensado que pode se relacionar com homens, e vai descobrir isso com você.

— Acho que não, estou bem com ele gostar apenas de mulher, isso vai até facilitar para a nossa convivência no chalé. — falei.

— Ele aceitou ir? — confirmou. — Não desista tão fácil.

— Estou bem, Rosé! Já me acostumei com isso da solidão. — após um tempo você percebe ser a sua própria companhia.

— Tenho certeza que vai voltar da viagem pensando diferente. — duvido!

Saiu do quarto, agora posso sofrer.

Eu me apaixonei três vezes esse ano, o primeiro era um hétero casado, a segunda foi por um hétero violento, e a terceira por um gay encubado.

Só pessoas legais, né? Eu não tenho sorte para isso.

Já namorei antes, duas vezes. Uma das vezes foi um namoro longo de um ano, mas ele terminou comigo, disse que eu era muito grudento e não dava espaço.

Eu não sou grudento, e dava espaço. Mas ele só queria pegar todo mundo mesmo e deu essa desculpa, na hora doeu o que ele disse, demorei dois meses para superar.

Meu segundo relacionamento sério durou menos de seis meses. Ele terminou comigo por mensagem, disse que não estava dando certo porque eu era apegado demais e falava muito, o que mais me irritou foi a mensagem, não teve coragem de terminar pessoalmente.

Resumindo, o problema sempre sou eu, meu jeito carinhoso afasta os homens, será que eu vou ficar sozinho?

Recebi uma ligação, não atendi e deixei tocar enquanto pensava.

Agora faz três anos que eu não tenho relacionamento sério com ninguém, porque eu não quero que quebre meu coração de novo só por eu ser, eu mesmo.

Pela forma dos términos, eu vou precisar fingir algo que não sou para manter alguém na minha vida. Ninguém aceita o verdadeiro hyunjin, querem que fale menos, sem ser grudento, desapegado, e que dê espaço de sobra.

Na verdade, só se interessam pelo meu corpo, é só isso que eles querem, meu corpo. Mas esquecem que eu tenho um coração, sentimentos, e minha própria personalidade.

Na terceira vez que tocou eu atendi.

— Que foi? — falei.

— Três vezes hyunjin, o que raios você está fazendo? — ouvi a voz do changbin.

— Nada, só não queria te atender. — ele bufou, vai boi.

— Chato! — sei disso. — Vamos comigo no shopping, vou comprar os presentes dos meus namorados e você sempre tem ideias ótimas.

— Não, chame a Helen. — amiga nossa.

— Já estou aqui, hyunjin. — ouvi a voz dela. — Mas sou péssima com presentes sabe disso, por isso eu sempre dou o dinheiro de presente.

Rica!

— Não quero ir, usem o Google. — não estou no clima.

Descobri que o carinha que eu gosto (silêncio), é hétero, que tristeza!

— Vai hyunjin, por favor! E você vai viajar amanhã, precisamos de uma despedida. — como se eu não fosse voltar. — Vou passar aí em dez minutos, esteja pronto.

— Eu te odeio! — falei.

— Você me ama. — Iludido!

Desligou.

Levantei da cama e fui para o closet, vesti calça jeans branca, blusa branca gola alta, sobretudo azul-claro.

Calcei um all star branco. Na frente do espelho passei pente no cabelo, ficou bem alinhado, pronto!

No banheiro eu escovei o dente, e passei protetor labial.

Peguei celular e cartão antes de sair, desci para o primeiro andar.

— Estou saindo! — meus pais me olharam.

— Não volte tarde, sairemos cedo. — meu pai falou.

— Vai comer fora? — confirmei. — Bom passeio!

— Obrigado mãe, tchau! — saí de casa, que frio!

Vi o carro do changbin chegando, parou em frente a minha casa, fui até lá e abri a porta de trás, entrei.

— Oi! — falei, coloquei o cinto.

— Oi! — os dois falaram.

— Por que está bicudo, hyunjin? — Helen perguntou.

— Estou saindo contra a minha vontade!? — minha casa está ficando longe.

— Sem ser isso, já estava de mau humor antes. — changbin falou. — felix aceitou ir com você?

— Sim. — os dois comemoraram, mal sabem.

— Porque está assim então? Vai passar quase duas semanas em um chalé nas montanhas, com o crush, muito romântico. — Helen falou. — Eu estaria radiante, porque está tristonho?

— Rosé finalmente descobriu a sexualidade dele. — comecei a falar. — É hétero.

— Não. — falaram juntos.

— Sério? — confirmei. — Já pensou que ele poderia ter mentido?

— Acho que não, e ele não mentiria para a Rosé, são melhores amigos. — falei.

— Que triste! Segundo hétero do ano hyunjin, você tem fetiche por acaso? — changbin perguntou.

— Não, eles que deveriam parar de dar mole para gay, assim eu não me apaixono por eles. — mas ser bonito causa isso, até héteros dão em cima.

— Vai achar sua alma gêmea hyunjin, não perca a fé. — Helen falou.

— Não acredito em almas gêmeas. — se existisse eu já teria encontrado a minha. — E se eu achei ela já foi embora, porque eu sou chato demais.

— Você não é chato! — discordo, se eu fosse legal teria um namorado. — Só não encontrou alguém que ame você com seu jeitinho único.

— Verdade, eu precisei vir para a Coréia para achar minha alma gêmea. — Helen falou.

— E eu descobri que a minha alma gêmea se dividiu em duas, vai achar a sua. — assistem romances demais esses dois. — Essa viagem vai mudar as coisas.

— Vai, e para melhor. — assim espero.

Ao chegar no shopping primeiro estacionou o carro, depois entramos.

— Do que eles gostam changbin? — perguntei.

— O chan gosta de dormir, tocar piano, facas, e eu. — jura? — O jisung gosta de dançar, comer, armas, e eu.

— Já sei do chan, agora do jisung vai pensando em mais coisas que ele gosta. — subimos até o terceiro andar, fomos até a loja que vende facas personalizadas.

— Em que posso ajudar? — o atendente perguntou.

— Eu vou querer uma faca, a melhor, com nome no cabo, e uma frase na lâmina. — ele escreveu.

— Mostrar as melhores. — changbin já sorridente.

— Você não acha que deveria procurar um presente sozinho? — perguntei.

— Não, eles perguntaram para a Helen e você o que me dar de presente. — verdade.

— Aqui, as melhores. — olhamos as facas.

— Escolhe, changbin. — ele escolheu.

— O nome que vai gravar e a frase. — passou o caderno.

changbin escreveu o nome e a frase, passou de volta.

— Onde eu pago? — após pagar nós saímos, ele vem pegar em três dias.

— Do jisung, vai changbin, o que mais ele gosta? — pensou.

— Isso vai demorar. — Helen sentou.

Sentei também, após dez minutos ele teve a resposta.

— Animais. — Descemos até o petshop.

— Quais animais estão para adoção? — perguntei, a moça apontou a porta, nós fomos lá para dentro.

— Que bonitinhos. — Helen se encantou com os bichinhos, já tenho dois em casa, são da minha mãe, mas tudo bem.

— Olha esse. — changbin apontou um cachorrinho peludinho.

— Ele é alérgico ao cachorro changbin, escolha um gato. — memória fraca do cacete.

— É mesmo, mas esse é uma gracinha. — concordo.

Fomos para a parte dos gatos, ficou indeciso entre dois gatos, um dorminhoco que nem ligou para nós e outro que ficou sentadinho nos olhando, esse pede para ser adotado.

— Quero os dois. — falou. — Um me representa, e o outro, o chan, vai dar certinho.

Voltamos a loja, changbin falou qual os gatos que ele queria.

— Mas você vai ter condição de criar os dois? — a pergunta é inofensiva, o tom que ela usou que ferra tudo.

— Só um segundo. — changbin mexeu no celular e virou para ela. — Esse é o preço do meu casaco, quero os dois!

Sete mil um casaco, casaquinho caro.

Fez toda a papelada da adoção dos gatinhos, changbin deixou claro que em uma hora e meia volta para pegar os dois e as coisas que comprou para eles.

— Eu vi uma calça, e eu quero ela. — arrastou nós dois para uma loja.

Experimentou a calça e serviu perfeitamente, fomos para o caixa.

— hyunjin, esse é seu presente para mim. — Paguei a calça. — Obrigado amigo, também te amo!

— Claro, escolhe o seu Helen. — ela escolheu uma jaqueta.

— Enquanto hyunjin odiar o Natal e ainda dar presente está tudo bem. — Helen falou e changbin concordou.

— Interesseiros! — se ofenderam.

Saímos da loja, changbin já me fez entrar em outra.

— Deveria comprar um presente para o felix. — falou do nada.

— Por quê? — perguntei. — Estou indo para longe exatamente para escapar dessas tradições pagãs, você quer que eu dê um presente para ele?

— É uma ótima ideia hyunjin. — Helen concordou com changbin.

— Isso é só um presente, que mal tem? — tudo. — Vai, se ele te irritar lá você não entrega, simples.

— Ta! — concordei.

— Não vai ligar para a Rosé te ajudar? — neguei.

— Já sei qual presente posso comprar. — Saímos daquela loja e fomos para outra, de brinquedos antigos.

— Vai dar um brinquedo para um homem adulto? — confirmei. — Tem certeza? Que tal uma roupa?

— Silêncio os dois. — ficaram quietos. — Eu ouvi ele falando com a minha irmã, que tem um brinquedo que ele não conseguiu ter quando criança, mas nunca achou para comprar.

— Por que ele não teve? Os pais dele são ricos, e bem ricos mesmo. — não tem judeu pobre, pelo menos eu nunca vi.

— Não foi pelo dinheiro, é um robô que fez parte de um filme que lançaram na época que os judeus estavam sendo mortos, os pais dele associaram o filme àquele massacre, então negaram comprar. — expliquei.

— Agora fez sentido. — Helen falou.

— Sim, mas como tem certeza que tem aqui? — changbin perguntou.

— Se fizerem algum comentário engraçadinho, eu tomo o presente de vocês. — abraçaram a sacola. — Eu há alguns meses pedi para o meu contato nessa loja procurar, e ele achou.

— Então já iria dar um presente? Tá apaixonado! Tá apaixonado! — segurou mais forte o presente, bocó.

— Seu contato está vindo até nós, apaixonado. — colocou a sacola atrás de si, chata!

Olhei para frente, o atendente me cumprimentou.

— Foi difícil hyunjin, achei um lá no Canadá. — longe.

Fomos até o depósito, ele pegou a caixa e trouxe para mim, olhei o robô, tem cinquenta centímetros.

— Como pode ver, está novo. — sim.

— Embale para presente, mas nada de Natal. — já deixei claro.

— Você e sua aversão a natal. — Saímos do depósito e fomos até o caixa, embalou com um papel preto, laço branco.

— Quanto? — peguei o cartão.

— Como eu demorei para achar, veio de outro país, e é novo, para você eu faço por trinta. — barato.

— Que barato! — changbin falou.

— É trinta mil seu bocó. — Helen falou.

— Dólares. — já esperava, ele gastou em dólares para trazer ele, faz sentido.

— Cartão. — falei. — Débito.

— Rico. — falou, coloquei a senha. — Foi um prazer fazer negócio com você.

Colocou na sacola, Helen comprou uma Barbie com um monte de vestidos e sapatos.

— É para a sua sobrinha? — perguntei.

— Não, você tem um crush que sonha em ter um robô, minha princesa sonha com uma dessa, foi uma criança pobre e nunca brincou de Barbie. — os olhos brilhando ao falar da noiva.

— Eu queria meus olhos brilhando ao falar de alguém, igual ao de vocês. — falei.

— Após a viagem vai parecer que tem refletores no lugar dos olhos. — changbin falou.

— Com certeza. — a confiança que eles tem que eu vou achar minha alma gêmea lá.

Nós comemos na praça de alimentação, lanche e batatas, mesmo com frio quisemos sorvete.

Pegamos os gatinhos e as coisas deles antes de sair do shopping, os dois ficaram atrás comigo, o binnie ficou no meu colo o caminho inteiro, o lilixie preferiu dormir.

— Tchau! — falei quando parou em frente à minha casa. — Vejo vocês no ano novo.

— Tchau! Faça uma boa viagem! — Helen falou.

— Se permita amar, boa viagem! Tchau! — changbin falou. — E o gato fica espertinho.

— Chato! — deixei binnie para trás.

Saí e fechei a porta, fui para dentro de casa.

— Cheguei! — falei, tirei meu tênis.

— Chegou cedo. — Olhei o relógio, nove horas ainda.

— Foi rápido. — graças a mim. — Vou subir, boa noite!

— Boa noite! — falaram.

Subi para o meu quarto, entrei no closet, guardei o tênis. O presente eu escondi na mala, ainda não tenho certeza se irei entregar.

Mas você pagou trinta mil dólares, eu ganho dinheiro todo dia, é mais que isso.

Troquei a roupa pelo meu pijama de gatinho. Fui ao banheiro e escovei meu dente, voltei ao quarto e deitei embaixo da coberta.

— Fechar cortina duas e três. — Ouvi que estava fechando.

Coloquei o celular para despertar às 06:00 horas, fui dormir.

[...]

Acordei no susto com o despertador, eu sei que ele vai tocar, mas consigo me assustar.

Desliguei, e fui meio dormindo para o banheiro, tomei banho só para despertar. Me sequei, de roupão eu escovei meu dente e passei creme no rosto.

Entrei no closet, após colocar a cueca passei creme no corpo. A roupa eu deixei separada para poupar tempo, facilitar minha vida de ser indeciso.

Vesti a calça jeans preta, blusa de lã da Chanel branca, com o símbolo em vermelho.

Antes de colocar a jaqueta eu passei chapinha no cabelo, deixei os fios bem alinhados. Passei um pouco de maquiagem, disfarçando a cara de sono.

Calcei o coturno também da Chanel, e enfim vesti a jaqueta verde-escuro.

Me olhei no espelho, eu entendo os héteros duvidarem da sua sexualidade, perfeito!

Saí com as malas do closet, peguei minha bolsa preta transversal, abri e chequei todos os documentos, certo!

Peguei meu celular e o carregador dele, iPad também, os carregadores foram para a bolsa, arrumei a minha cama.

— Abrir todas as cortinas. — Saí do quarto, Rosé também estava saindo e me ajudou, Lisa na porta do quarto.

— Boa viagem, hyunjin! — falou.

— Obrigado! — agradeci.

— Tchau! Bebê, se comporte. — avisou a namorada.

— Eu sempre me comporto. — segurei o riso. — Tchau! Bons sonhos!

Me ajudou a descer com as malas, meus pais já estavam esperando, saímos de casa. Meu pai foi guardar as malas, nós entramos no carro.

— Ano que vem vamos passar o Natal juntos. — minha mãe falou. — Mas só nossa família, não sei se aguento mais um Natal com meus irmãos brigando pela casa da mamãe, como se ela tivesse morrido, ela pode enterrar todos eles.

Não duvido, minha avó é muito saudável.

Ela corre cedo e à tarde, come apenas alimentos saudáveis e sem glúten, faz academia duas vezes por semana. Muito vaidosa, vai todo sábado no salão de beleza, tem uma vida de rainha.

Já os meus tios, estão cavando a própria cova, não faz um exercício, só come porcaria, colesterol alto, pressão alta, está tudo alto. Um tem problema no coração, o outro no fígado de tanto beber, e o último nos rins.

Eu e a Rosé apostamos quem vai morrer primeiro, não nos chame de frio.

São homofóbicos e não gostam de nós, minha avó quase entrou na aposta, minha mãe que não deixou.

— Talvez eles nem estejam vivos. — Rosé resmungou, fiz um toque com ela.

— Vamos? — meu pai perguntou, confirmamos. — Todos de cinto?

Coloquei e confirmei, aí ele saiu.

— Quem vai com você, hyunjin? — meu pai perguntou.

— O lee. — longe dele posso chamar pelo sobrenome.

— Por que? Levasse outra pessoa, não volte namorando ele. — muito ciumento.

— Fica tranquilo pai, ele é hétero, não vai acontecer nada. — falei triste.

— Ah! Não, o único dos pretendentes que eu gosto é hétero. — minha mãe achou o cúmulo.

— Que maravilha, essa viagem só está melhorando. — disfarça a alegria pai, minha mãe bateu no braço dele. — Que pena! Vai achar alguém filho.

— Continue como engenheiro pai, se fosse ator nós passaríamos fome. — Rosé falou nos fazendo rir.

O caminho apesar de ser levemente longo foi tranquilo, nós chegamos quarenta minutos antes como o planejado.

Saímos do carro, meu pai pegou as malas e nós entramos no aeroporto.

— Ali o felix. — Rosé apontou, olhamos na direção dele.

Está todo de preto, em pé mexendo no celular, tão gostoso! E tão hétero! Que ódio.

Fomos para perto dele, notou nossa presença antes de chegar perto, focou os olhos em mim.

Você é hétero, não me olhe assim.

— Bom dia, família Hwang. — olhando meus pais e a minha irmã, ei, também sou um Hwang. — Bom dia, Hyunjin.

— Bom dia! — faltou pouco para a voz não sair.

— Hétero uma ova. — ouvi minha mãe resmungando, quieta mãe.

Ele é hétero, se a Rosé falou ele é.

— Precisam fazer toda a burocracia. — meu pai falou.

— Vamos? — felix falou.

— Ah! Sim, vamos! — segui com ele até a fila para fazer check in da passagem, malas, e corpo.

Peguei a passagem dele na minha bolsa e já tirei meus próprios documentos, fechei ela.

— Sua passagem. — ele pegou, colocou no meio do passaporte.

— Obrigado! Você já foi para a Suíça? — puxou assunto me surpreendendo, não que ele costume me ignorar quando estamos apenas nós dois, mas quem costuma falar sou eu.

— Sim, três vezes. — contei. — Gosto de ir para esquiar, fui no ano passado duas vezes, e no ano retrasado uma vez.

— Então sabe esquiar? — confirmei. — Patinar no gelo?

— Também, você sabe? — patinar no gelo eu tenho certeza que não.

— Sim, os dois. — mentira. — Por que está saindo do país bem na época do Natal?

— Longa história. — longa mesmo. — Porque não quer ir com os seus pais para Israel?

— Longa história. — me imitou.

— Justo. — falei.

Eu fui o primeiro a fazer a burocracia, mas esperei ele.

— Pronto. — falou.

— Atenção, senhores passageiros do voo internacional para a Suíça. — disse o número do voo. — Terceira chamada para embarque.

— Vamos? — ele confirmou.

Fomos para perto da minha família.

— Já vamos embarcar. — falei.

— Tudo bem, façam uma boa viagem! — minha mãe abraçou nós dois. — Se comporte, hyunjin.

— Já sou adulto mãe. — Cada coisa.

— Claro, toma conta dele, felix. — Que mico!

— Sim, senhora lee. — não preciso que tome conta de mim.

— Tchau! Maninho. — abracei minha irmã. — felix, cuide do meu irmão.

Meu pai se despediu de mim, felix ganhou um aperto de mão, apenas.

Seguimos até o portão de embarque, olharam nosso corpo inteiro antes de seguir caminho.

— Oi hyunjin! — o comissário falou ao meu ver, já fiz amizade com eles.

— Oi Johnny, quanto tempo. — abracei ele.

— Só dois meses, você não para quieto. — pois é, amo viajar! — Viajando com o namorado, isso é novidade.

— Não, ele não é meu namorado. — já neguei rapidamente, antes que dê merda. — É só um colega.

— Ah! Parecem namorados. — os dois se apresentaram. — Pode ir para os seus lugares, depois vou lá, hyunjin.

— Tá! — seguimos até a primeira classe, fui cumprimentando os comissários que conhecia.

Está vazia, sentei no meu lugar ao lado da janela, ele ao meu lado.

— Desculpe pelo ocorrido. — pedi.

— Qual? — perguntou.

— Ele te confundir como meu namorado. — deve ser estranho para um hétero ser confundido como namorado de um homem.

— Tudo bem, eu não ligo. — eu jurava que ele iria ligar.

Coloquei o cinto, agora é esperar o avião decolar.

— Eu te conheço há seis anos, certo? — perguntou de repente.

— Espera. — Fiz as contas. — Em janeiro faz sete anos.

— Você me conhece há quase sete anos, como me considera só um "colega"? — foi por isso que ele ficou estranho.

— Bom, qual é o meu filme favorito? — perguntei.

— Algum romance. — até ri.

— Não, é "John Wick", minha cor favorita? — pensou.

— Azul. — errou.

— Vermelho, por isso você é um colega, essas duas coisas é algo que meus amigos sabem. — expliquei. — Você é melhor amigo da minha irmã, nunca demonstrou interesse em ser mais que meu colega.

— Faz sentido. — eu sei. — Você sabe o que perguntou sobre mim?

— Seu filme favorito é "Rocky", o terceiro por ser a revanche. — respondi a primeira. — Sua cor favorita mesmo vestindo só preto, é verde.

Se surpreendeu, é, eu sei muito sobre você.

— Como sabe disso? — perguntou.

— Presto atenção nas pessoas. — Ótima desculpa.

Quando tenho uma quedinha por alguém, sei tudo sobre ela, tudo mesmo.

— Presta mesmo. — confirmou. — Como faz para ser mais que seu colega?

Isso me pegou de surpresa.

— Vai ter tempo para descobrir isso, passaremos quase duas semanas juntos. — respondi. — Voltaremos como amigos.

Só amigos, infelizmente.

— O que disse? — perguntei após ele resmungar algo que não entendi.

— Nada. — o avião vai decolar, desliguei meu celular e meu iPad.

Olhei a janela enquanto o avião começava a decolar, ele finalmente estava no ar, bonita a vista.

Natal! De novo? Mas com meu crush hétero......................... 

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