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Desde que me lembro , o Brooklyn é dividido em dois lados, o lado Leste e o lado oeste, os dois lados sempre foram comandados por gangues adversárias, e nessa guerra de anos valia tudo em nome do poder, não importava em quem a bala atingisse, desde traficantes culpados a crianças inocentes, todos eram reféns.
As ruas são como um campo de batalha. Os oponentes? Qualquer um que entre no caminho, então se ouvir tiros, melhor se deitar no chão, ninguém vai sentir remorso por ter tirado mais uma vida. Até por que uma vida não vale nada, desde que não seja a de quem atirou.
Recordo da minha māe me aconselhando, ou melhor, me obrigando a seguir todas as suas regras sobre como andar pelo nosso bairro e algumas sobre como ser digno. As que eu quebrei todas, uma por uma. A pior delas com certeza foi "não furte ", essa foi a chave para todas as portas que me levaram para os piores lugares, segundo ela. Só que naquele momento, mesmo arrastando minha perna ensanguentada enquanto eu jurava que a porra dos tiras ficaram na casa de cacete, eu ainda não me sentia no inferno.
- Drew! Dá pra parar, porra? - quando olhei para trás , por cima do ombro, vi Charles, um dos poucos amigos que eu tinha. Ele dirigia seu carro devagar enquanto mantinha a cabeçona na janela. O que não passava de cabelo, porque se alguém mais tivesse cérebro naquela merda, eu não teria que pensar em tudo sozinho. - Para de andar igual zumbi e entra logo.
Ele encostou o carro no acostamento, e eu sabia que tinha que chegar no BMW preto , mas minha perna fraquejava e me deixava no chão, quando olhei para trás, vi a "trilha" de sangue que derramei pelo caminho." "Ninguém jamais me acharia, claro que não." Tiras otários, tenho até vergonha de ser perseguido por Zés roelas desse nível.
- Ah, caralho, não tá vendo que meu cu colou no chão? - eu queria gritar, mas o máximo que eu consigui foi soar irritado.
- Desculpa , princesinha linda, quer que eu vá aí te pegar no colo, quer?
- Oh, daddy, você faria isso? - eu pisquei meus olhos rapidamente , encenando, mas logo senti que ia fechá - los de vez.
Chaz veio até mim, gargalhando como uma hiena, e quando ele insinuou me colocar mesmo no colo, eu reagi.
- Sai fora, bro - empurrei sua mão -, o meu nível de veadagem ainda não chegou tão alto assim.
Ainda rindo, ele me ofereceu sua mão, eu a peguei e ele me puxou, logo estava me apoiando em seu ombro e indo até seu carro , foi quando ouvimos uma sequência de tiros. A rua escura e vazia de repente parecia ainda mais arriscada, Chaz me jogou no carro sem se importar com o fato de eu estar completamente fodido. Eu fiz uma careta de dor. Ele passou por cima de mim para ir até o banco do motorista e acelerar com a porta do passageiro , vulgo eu, ainda aberta. Provavelmente isso é uma aposta , " vamos ver quem mata o Bieber primeiro".
- Nem pra fechar essa porra - reclamei, tava aí uma coisa que era tão boa quanto sentir meu pau entrando numa buceta, reclamar.
- Tu levou um tiro na perna ou no braço? Assim, só pra eu ficar informado.
- Vai tomar no cu, Chaz - disse enquanto fechava a porta com a mão ensanguentada que eu estava pressionando minha perna. O tiro tinha sido de raspão , mas pareceu que ele decidiu voltar no meio do caminho e me perfurar de verdade. - Quem são? - questionei , olhando pelo retrovisor o carro que nos perseguia.
- Quem você acha?
- Eu nāo tenho tempo pra falar com esse imbecil.
McLean. Sua gangue comandava o lado oeste, ele tinha a menor parte e estava prestes a perder o pouco que tinha.
- E aí, Lean - eu falei, ignorando a dor na minha perna e a velocidade em que o carro de Chaz e o seu corriam.
- Eu vou te matar, seu desgraçado! Cadê a minha cocaína? - Lean gritava do seu carro, um dos seus manos estava no banco do carona com uma arma, enquanto outros dois em duas motos faziam sua escolta.
- Eu não sei do que tu tá falando, bro.
- Bro é o caralho! Eu quero a minha droga!
- Se eu fosse você, me preocuparia com o pneu furado do meu carro.
- Vê se cresce, seu filho da puta!
- Ah, não tá furado? - então eu disparei um tiro no seu pneu e o vi perder a velocidade - Agora tá! - gritei.
Ao meu lado, Chaz abaixava a cabeça ( com eu), esperando os tiros de McLean , e gargalhava tanto que quase chorava.
- Eu não acredito que você fez isso, cara! Mc Lean vai nos matar! - ele gritava aos risos.
- Você sabe que ele não pode, não num jogo sujo.
Eram as regras da rua.
* Jogue limpo ( é a primeira delas, isso quer dizer : atire num mano a mano, mas nada de entrar no território inimigo e cometer assassinatos imprevistos ) eu não sei MC Lean, mas se eu não fui capaz de obedecer minha mãe, não seria a rua que mandaria em mim.
- Já pensou se ele começa a quebrar as regras?
- Ele é otário demais para isso, agora acelera essa porra que eu preciso chegar em casa.
[...]
- Merda! - foi o que Ryan disse quando cheguei na garagem da minha casa. Pattie devia estar em casa, droga!
Eu saí do carro e cambaleei indo até a porta. O sangue que derramei no carro de Chaz devia ter sido o suficiente para me derrubar , mas eu ainda estava de pé, porém se eu demorsse mais um pouco para fechar a ferida, será o suficiente pra deixar meu corpo às moscas.
- Não me diga que ela tá aí - passei a mão no rosto.
- Já que você não morreu, se prepara porque ela vai te matar - ele falava com os olhos arregalados em alerta. Minha mãe metia mais medo que a polícia.
- Puta que pariu! - me sentei na grama seca - Chaz , entra pelos fundos e trás algo pra eu fazer um curativo nessa merda - em resposta eu ouvi tiros , eles vinham em direção à minha casa , Ryan ,rapidamente me arrastou para trás do carro e ficamos deitados ali junto à Chaz que se abaixou tão rápido quanto nós, eu , na verdade, caí.
Os tiros atingiram o carro e quebraram os vidros das janelas , me fazendo fechar os olhos e alguns cacos cortarem meu rosto, mas meu coração não acelerou tanto quanto quando vi as janelas da minha casa se quebrando. Pattie poderia não estar ali, mas ela também poderia estar.
- Eu não tô pra brincadeira, Bieber! - ouvi McLean gritar enquanto sumia na rua escura.
Chaz segurou meu braço contra o chão quando insinuei levantar , mas eu não estava me importando se eles iam voltar ou não, Pattie estava lá dentro e mesmo sendo cretino demais para que Deus me ouvisse, eu pedi para que ele permitsse que minha mãe vivesse.
Regras da rua :
* Tudo que vai, volta.
[...]
- Então, ela só vai acordar daqui a uns quarenta anos? - eu ouvi Chaz e Ryan conversando perto da cama da minha mãe. Ela foi perfurada por duas balas, uma atingiu a cabeça , outra a barriga, essa por pouco não causou uma emorragia, foram essas as localizadas nos lugares emergentes. Após uma cirurgia de mais de trinta e seis horas, Pattie ficou em coma. E eu, mesmo com os olhos abertos, não parecia estar muito diferente. Os médicos imbecis disseram não saber o que podia ter causado o coma, mas fariam novos exames. "Claro, tudo bem, eu espero, sou super paciente. "
"-... eu mandei você não se meter com essa gente, seu filho da puta" Foi o que ela me disse antes de fechar os olhos e quase me fazer chorar, era o que eu repassava milhares de vezes na minha mente.
- Deixa de ser burro, Chaz! - Ryan bufou - E para de falar merda.
- Tempo indeterminado - ele enfatizou -, foi isso que o médico disse. Ela pode ficar dormindo até por mais tempo.
- Chaz tem razão - disse, fazendo a atenção deles parar em mim, mas o meu "mais tempo "não queria dizer que eu concordava com essa ideia estúpida dele, mas eu sabia que ela poderia ficar dormindo por muito tempo.
- Não fala assim, Drew. Ela vai ficar bem logo - Ryan interveio, louco para que eu acreditasse no seu blefe que não convencia nem a ele.
- Não precisa mentir pra mim , porra!
Eu sai do quarto antes que Ryan começasse com a sua ladainha chata. Ele às vezes agia como se fosse meu pai, como se fosse pai de todo mundo. Perda de tempo.
Nós dois sabíamos que as coisas não iam ficar bem , nós dois sabíamos que a palavra "esperança " não fazia efeito em nenhum de nós. Assim como qualquer outra palavra que remetesse a uma coisa boa. Poderíamos ter tudo que o dinheiro pudesse comprar , lidávamos com fatos. E esperança tá longe de ser um fato.
Viver se torna menos doloroso quando esses sentimentos não estam no caminho . No final das contas, eu não era o único ladrão da praça. Me roubaram tudo. Não sossegaram até que eu ficasse vazio. Eu não estava. Mas eles descobriram, e então não demorou muito para que acertassem minha mãe com balas.
- Você está bem? - a enfermeira morena tocou meu braço quando eu passei, "Catie " li no seu crachá, havia esquecido seu nome de novo. Ela era responsável por dar os medicamentos à Pattie, e seria responsável pelo meu pau duro também se eu não estivesse na situação em que estava.
- Arrā - meu tom saiu tāo seco quanto eu queria. Tirei sua mão de mim e me afastei sem nem olhá -la.
Só de pensar em quebrar seu coração, ficaria excitado, mas não naquele dia.
Fui até a sala de espera que ficava próxima à recepção. Com tantos sofás brancos combinando com as paredes, eu me sintia quase num manicômio. E eu ficaria louco de verdade se não retomasse loga à porcaria da minha vida, a de sempre, nada de apenas uns assaltos aleatórios para esquecer que Pattie está num hospital, a minha vida de verdade, bolando planos complexos para assaltar bancos, roubar as drogas de McLean ( que para isso não precisava de um plano tão complexo assim. Na real, precisava mesmo de um plano? ), comer umas vadias gostosas e acordar de ressaca.
Num sofá próximo ao que eu me sento ,estava uma garota que parecia aflita. Ela tinha a pele negra e cabelos cacheados e pretos dentro de um gorro preto, o decote em sua blusa não permitia que meus olhos desviassem dele. Era uma droga mesmo, o diabo me desviava até ali! Aquilo poderia acontecer com Catie, seria mais fácil.
Quando os olhos verdes ,num tom que eu nunca tinha visto antes, me encararam, a boca dela perfeitamente desenhada se movendo, as sobrancelhas contraídas, eu notei que passei tempo demais analisando ela, e estava tão "focado " que nem percebi que dizia algo.
- Você não escuta? - ouvi sua voz irritada , de repente, como se tivesse voltado à consciência.
- O quê? - resmunguei.
- "O quê " o quê? - o seu nível de irritação se elevava.
- Você é doida? - seria um problema, nunca fodi com uma mulher realmente insana, talvez essas cumpririam a promessa de me matar. Uma pena, a morena à minha frente era tão gostosa que eu poderia salivar de onde estava.
- Ah, você fala - isso não soou com alívio, nem com nada que eu pudesse detectar. Foi apenas seco e acompanhado de um revirar de olhos.
- O que foi? - resmunguei outra vez. Saí do quarto onde Pattie se encontrava para arranjar briga com uma estranha, por que não estava surpreso com isso?
Ela contorceu a boca bufando um pouco após me olhar por um tempo, talvez tentasse me reconhecer, e mesmo que não tivesse conseguido, ainda pensava que eu a conhecia.
- Perdeu alguma coisa? - eu entendi o que ela quis dizer , já que meu rosto sério ainda a encarava, então eu disse:
- Gostaria de perder - isso saiu tão malicioso quanto eu queria.
- Vai pra puta que pariu! - ela gritou, me fazendo arregalar os olhos em espanto. Susto do caralho! A voz dela ecoava nos quatro cantos da sala, e eu tinha certeza que metade do andar a escutou.
- Que stress, gata - sorri para ela. - Se não quer ser vista, coloque a porra de um pano na cabeça.
- Algum problema? - eu escolhi fingir por um segundo que essa voz não era de quem eu pensava , encarar o punho da vadia corajosa prestes a me acertar me parecia mais aconselhável, isso evitaria mais problemas para a minha "pequena lista ", meus ombros iriam relaxar e eu ia pensar num próximo assalto, mas eu não demorei mais que um segundo para virar minha cabeça em direção àquela voz. McLean me olhava com um sorriso triunfante estampado na cara de cu arrombado.
- Não - a voz da morena de repente soava mais baixa, porém ainda dava para sentir sua raiva nela.
- Ele está te irritando , meu bem? - o vi tocar o rosto dela enquanto a vadia o virava para o lado , antes de me concentrar em pensamentos idiotas para não acabar com esse imbecil ali mesmo - Hein, porra, fala!
- Me deixa em paz! - e então seus passos vão se distanciando. Ela devia dever muito a ele para deixar que fosse tratada daquela maneira. Ela não era do tipo que se deixava ser pisada por todo mundo e eu não precisaria de muito tempo com ela para notar.
- Não encosta no que é meu, Bieber, ou eu entrego sua mamãe pro diabo. Ou melhor, eu mando você entregar ela.
No mesmo instante, meus dedos afrouxamram o aperto contra a palma da minha mão, levantando uma sobrancelha, eu fiz o máximo que podia para enfiar minha raiva no rabo e fingir que estava bem.
- Você ainda não descobriu com quem tá brincando.
Ele ri.
- Eu já disse que nāo tô pra brincadeira, só fica esperto - e acenou com a cabeça como um amigo, um filho da puta. Com as mãos dentro dos bolsos da jaqueta, ele se virou para ir embora, e assim que entrou no corredor, o vaso à minha frente foi direto pra parede.
- Filho da puta! - eu gritei. Alguns enfermeiros se aproximaram, logo depois dois seguranças me seguraram ,alimentando ainda mais minha raiva. - Tira as mãos de mim, porra!
- Ficou louco, Drew? - Ryan apareceu no corredor, havia uma expressão de horror no seu rosto, como se eu tivesse matando alguém. Ainda não.
- Queira nos acompanhar, Senhor - dizia um dos seguranças, um que estava prestes a puxar a porra da arma.
- Me solta, caralho! Eu sei o caminho da saída! - grito, e antes que eles
possam pensar em me soltar, eu faço isso, e sigo para fora em passos pesados. Ryan tenta me acompanhar, quando o olho de relance, vejo que ele ainda continua nervoso. Muito nervoso. - Qual foi a merda? - questiono enquanto procuro um cigarro no meu bolso. Dane - se a lei, eu fumo aonde eu quero!
- Chris - os olhos estão baixos, sinal de que a merda tinha sido do tamanho de Nova York. - Eu sei que não é uma boa ideia te contar isso agora, mas precisam encontrar o quanto antes.
- Meu filho, não pode fumar aqui - me alerta uma velhinha com bengala, ela passa por mim na velocidade de uma lesma.
- Não enche tá ,vovó? Vai procurar alguma coisa pra fazer - entāo eu sopro mais fumaça , a qual infesta o corredor com seu cheiro.
- Tá chamando muita atenção, cara - Ryan começa. - Você não precisa dos tiras na sua cola, principalmente agora.
- Fala logo que merda Chris fez - eu bufo. - E por falar no chupa rola, onde ele tá?
- Se escondendo de você.
É quando eu paro de andar e levo o assunto mais a sério, Ryan também para, me encarando ainda como eu fosse lhe dar a porra de um tiro. Meus ombros pendem, essa noite só piora.
- Qual foi a merda? - repito, num tom mais sério.
- Lembra do assalto de hoje mais cedo? - sua mão direita escorrega por toda a cabeça, eu já solto fogo pelas narinas.
- Não me faz perguntas idiotas, caralho!
- Chris perdeu a mochila dele - o movimento em sua garganta diz que ele está engolindo seco. Medo, aquele desgraçado está com medo. - E lá tinha uns bagulho meio... - sua mão esquerda passa por todo o pescoço - cara, a gente se fodeu.
Quando criança , minha mãe tentou me levar a uma psicóloga de um programa para pessoas de baixa renda. O que eu chamo de pessoas fodidas, realmente era o que éramos. Lembro da minha primeira vez de frente para a mulher ruiva de meia idade, ela me observava com desprezo. Com toda certeza, eu nunca encontrei um olhar sob mim que me deixou com mais raiva que o dela.
Ela parecia saber de algo sobre mim, mas não muita coisa, nunca sabem, e foi isso que acendeu a chama do diabo dentro do meu corpo. De repente o que deveria melhorar, piorou tudo. E eu sai da sala da mulher um puto agressivo pior que quando entrei. Desde então não há o que fazer comigo, ou melhor, eu decidi isso, então o ódio me consumiu de tal maneira que ocupou a maior parte do meu corpo.
É difícil controlá -lo. Às vezes, eu só ajo. Como nesse momento em que soco a parede do hospital.
- Para com isso, imbecil! - a voz de Ryan consegue sair mais alta que a da vadia de McLean. Arrombado McLean! E eu não acreditava que alguém conseguiria gritar mais alto que aquela vagabunda, até agora. - Não precisamos de mais problemas!
- Por qual pecado eu tô pagando hoje, hein? - murmuro para a parede enquanto bato minha testa nela.
A parte do hospital na qual estamos, é um corredor depois das escadas, um local vazio com poucas portas, mas que logo ficaria cheio, eu tenho certeza que quem quer que estivesse atrás das câmeras já notou que eu sou problema desde o momento em que peguei meu cigarro. - Será que eu só trabalho com filhos da puta incompetentes? - digo, de repente , o pegando de surpresa, assim como faço ao jogar sua mão quando ele toca meu ombro.
- Só se acalma! - o seu tom passa a ser um sussurro desesperado - Agora vamos sair dessa porra antes que chamem a polícia!
Ryan quis tocar meu ombro de novo, mas novamente eu mando sua mão pra puta que pariu com um gesto agressivo.
Os meu dedos que haviam sido rasgados pela minha imbecil atitude de socar a parede, mancham minha camisa cinza enquanto eu tento só ir embora.
As pessoas por quem eu passo adquirem um semblante assustado, como se eu fosse matar alguém aqui a qualquer momento. Eles estam certos, mas com toda certeza McLean já foi embora, o que não me impede de querer matar outra pessoa só pra aliviar a tensão.
- Merda - Ryan resmunga após passarmos pelas portas de vidro que nos tira do hospício. Que porra aconteceu agora? Miro meus olhos aonde estão os seus e vejo duas viaturas bem á nossa frente. - Alguém chamou os tiras.
- Vamos logo - digo com mais calma -, pegamos o carro e nos mandamos daqui.
Sorrateiramente vamos até a vaga onde se encontra o meu empala preto. Ryan quase desiste de puxar a porta para entrar pela janela.
- Concerta esse carro, bro, o carango é mais difícil de abrir que as pernas da Aila.
- Não compara meu carro com aquele vadia do cu doce - retruco, saindo do estacionamento e indo direto pra pista - , esse carro aqui já foi mais eficiente que todos vocês. Foi a única coisa que Jeremy "meu pai " deixou ,eu devia ter vendido essa merda, mas de alguma maneira esse carro me deixa mais forte, como pela força do ódio.
- Ah, claro - ele revira o olhos.
- Agora diz logo o que rolou com a mochila - meus dedos apertam o volante, a pele dos nós tingidos de vermelho estaam quase rasgando mais.
Desde o maldito dia em que McLean meteu as porras dos tiros na minha mãe , eu jurei, no instante em que a vi no chão, que eu o mataria , eu pretendia acertar as contas no mesmo dia, mas Ryan filho da puta intrometido e responsável, mesmo parecendo piada, do jeito qué é ,me impediu.
Eu esperei, esperei as coisas se acalmarem e eu ter certeza que a coroa estava bem , então, eu poderia colocar aquela desgraça de bigode falhado num saco preto, e era só com isso que eu me preocuparia, mas Ryan tinha que me trazer mais problemas. Essas porras que não sabem resolver nada sem mim!
- Ok, só não acelera - responde.
- Fala, caralho! - bufo, aperto os lábios e olho para longe.
- Tá, o lance é o seguinte , você se lembra do...
- Não me faça perguntas idiotas! -repito,erguendo as sobrancelhas pra ele, com ódio, antes que ele solte mais merda pela boca.
- Saquei, saquei, porra - suas mãos pendem no ar - Então lá vai - um suspiro. Mais um e esse imbecil estará se arrastando no asfalto -, acho que Chris acidentalmente trocou a mochila dele com a de uma garota enquanto saíamos do banco.
O assalto de hoje foi um dos bons , conseguimos uma boa grana após haquearmos o sistema de segurança o deixando impotente por um tempo considerável. Mas, como a vida nunca sabe me dar uma tonelada de cocaína sem me tirar o dobro, todos os dólares do assalto não vieram de graça, alguém estava com nossas fichas agora, as repletas de fornecedores e com esquemas comprometedores. Cada translação que Chris registrou.
Ryan nem precisa confirmar esse caralho, não tinha outro motivo para que ele ficasse em mais alerta, e Chris carregava aquele pen drive como a porra do cu dele. Ele está na sua mochila agora.
- O pen drive tava lá - ouço Ryan falar. A minha única reação provavelmente é a que ele mais temia. Eu acelero. Não preciso gritar quando já tinha entendido tudo antes que ele confirmasse, o que me resta é me por a pensar em como recuperaria aquela droga enquanto tento não desferir uns socos em Ryan quando ele só sabe me mandar ir mais devagar.
- Alguma ideia de quem é a vagabunda? - questiono sem olhá -lo.
- Si... cara! vai mais devagar!
- Quem é? - o ignoro com os meus olhos na pista que não se desviavam há um tempo.
- Liv - ele quase tampa toda a minha visão com essa merda de identidade que coloca diante dos meus olhos. - Liv Dylans.
Quando paro o carro no sinal vermelho, arranco o RG de sua mão e analiso a loira com cara de mal comida. Aliás , quem não fica com essa cara numa foto 3×4? Eu.
- Pesquisei um pouco sobre ela, mora do outro lado da fronteira. - The strong West. - Pensei em ir eu mesmo buscar a mochila, mas acho que precisamos de um plano.
- Plano? - solto um riso sarcástico.
- Drew porra - Ryan bufa, o seu senso de responsabilidade grita, diferente de mim que não tem nenhum - , a gente não pode quebrar as regras assim, quer morrer, cara? Porque tu sabe que uma vez pondo os pés lá, tu só sai num saco preto.
- À puta que pariu! - grito , já encostando o carro perto da minha casa - Eu não sigo caralho de regras, eu crio! E eu vou buscar essa porra agora - saltando do carro e batendo a porta com força, resolvo que vou até o lado do McLean antes que eu arrange problemas maiores, mas Ryan está determinado a me impedir.
- Escuta o que eu tô te dizendo, seu criançāo! VA.I. DAR. MER.DA.
E daria.
Regras da rua :
* Não ultrapasse os limites da fronteira.
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