Capítulo 31

23 de fevereiro de 2020.

Marina

A primeira visão que tenho quando entro no jardim e sigo caminhando pelo tapete banhado de pétalas, é que a decoração está espetacular. Grandes arcos de flores estão espalhados pelo caminho que faço, e consigo ver as mesas e a pista de dança mais ao longe, tudo simples, mas de muito bom gosto, do jeito que gostamos.

A segunda visão, que toma toda a minha atenção impedindo que eu enxergue qualquer outra coisa é Murilo, vestido em um terno elegante na cor cinza claro, com camisa branca e sem gravata, olhando para mim como se fosse a primeira vez. Ele me aguarda no altar, e ao lado dele vejo nossa filha, de mãos dadas com ele, secando as lágrimas enquanto tenta não borrar a maquiagem. Essa é a imagem mais bonita que eu vejo em muito tempo, e sinto meu coração explodir de alegria por ter tido a chance de tê-los de volta.

Quando me aproximo, Murilo vem até mim, beija minha testa e segura minha mão, dizendo o quanto estou linda. O vestido modelo sereia e sem alças na cor champanhe ficou perfeito em mim, mesmo que eu não o tenha provado nenhuma vez. Meu cabelo está ondulado e preso na lateral, criando uma cascata de cachos e com pontos de luz espalhados por ele, para dar mais brilho. A maquiagem, apesar de ter várias camadas, me deixou com um aspecto natural, que era meu desejo. Estou me sentindo realmente linda, como há muito tempo não sentia, e fico ainda mais feliz quando vejo o olhar de desejo de meu marido para mim.

O celebrante inicia a cerimônia dizendo algumas palavras bonitas, mas só consigo me concentrar em Murilo, enquanto ele me olha com a mesma adoração com que olho pra ele. A celebração não é formal como foi o nosso casamento, que foi realizado na igreja, e logo já me vejo tendo que dizer os votos que escrevi as pressas. Murilo, porém, é o primeiro a falar:

- Marina, meu amor. Quis fazer essa celebração hoje pra dar início a esta nova etapa de nossas vidas, onde renunciamos aos nossos medos e tristezas, e vivemos o amor que sentimos um pelo outro. Eu te amo desde o primeiro momento em que te vi, há tantos anos atrás, e desde então esse sentimento só tem crescido, coisa que eu não achei ser possível, mas é. Tenho orgulho de ser seu marido, e de ver o quanto você tem se esforçado para superar tudo o que a vida te impôs, mesmo com todos os percalços do caminho. Obrigada por ser minha esposa, minha amiga, minha confidente, por ser a mãe dos meus filhos e a pessoa que compartilha a vida comigo. Eu não posso e não quero viver a vida sem você, porque eu te amo demais, e prometo passar o resto dos meus dias te provando isso.

Sou tomada por um amor ainda maior por esse homem depois de ouvir seus votos, e tento me recompor para conseguir falar sem gaguejar, tamanha a emoção que sinto.

- Murilo, sou grata a Deus todos os dias por estar aqui e por ter você e Maya de volta. Eu amo vocês mais do que tudo, e amo o nosso anjo Théo que olha por nós lá de cima. Você tem me provado, desde que te conheci, o quão persistente você é em me ter ao seu lado, mesmo que no princípio eu tenha duvidado dos seus sentimentos, mesmo que há pouco mais de dois anos eu tenha me perdido. Em ambas as ocasiões, você me tirou do fundo e me colocou novamente ao seu lado, onde pretendo ficar para o resto de nossas vidas, onde é o meu lugar. Eu não poderia ter escolhido um homem melhor para ser meu esposo, pai dos meus filhos, minha razão para acreditar que tudo dará certo no final. Eu te amo muito, te amo mais do que ontem e menos do que amanhã, porque todo dia ao seu lado é uma oportunidade para te amar sempre mais.

Murilo me surpreende mais uma vez quando tira do bolso um caixinha contendo as nossas alianças de casamento originais, e que eu nem sabia que ainda existiam. Colocamos este nosso símbolo de amor em nossos anelares esquerdos, a minha junto ao solitário, de onde nunca deveriam ter saído, e selamos a promessa feita com o olhar de que elas permanecerão ali para sempre, beijando um a mão do outro por cima da aliança.

Somos ovacionados enquanto nos beijamos ao final da cerimônia, e só então reparo que há muitas pessoas presentes, algumas até da época da faculdade, e fico imaginando quem foi o responsável pela lista de convidados, Mas as únicas que importam pra mim são as pessoas na primeira fila de ambos os lados. Minha mãe, acompanhada por um senhor que nunca vi na vida, e que olha pra ela com adoração (vou investigar mais tarde!), Sabrina com um rapaz bonitão que pela descrição é o cara do aeroporto, Aimee abraçando Maya, ambas emocionadas, meus sogros, que sempre me trataram como filha e perdoaram todas as minhas falhas, Renata com Arthur e Melissa, que parece uma princesa vestida de daminha. Minha família, meu bem mais precioso.

Ao invés da chuva de arroz, tradicional nos casamentos, uma chuva de pétalas nos recebe no início do tapete vermelho, enquanto os flashes eternizam o momento que estamos vivendo. Quando percebo, já cumprimentamos pessoas que nem conheço, jantamos, e estamos nos dirigindo à pista de dança, onde uma música que conheço muito bem começa a ser tocada pela banda: Heaven, de Bryan Adams. É a mesma música que dançamos em nossa primeira dança depois de casados, neste mesmo jardim, há quinze anos, e foi escolhida depois de eu admitir para Murilo que sempre escutava a música pensando nele, quando a possibilidade de ficarmos juntos só acontecia nos meus sonhos.

- Está gostando da festa, senhora Sartori? - pergunta Murilo enquanto giramos pela pista de dança.

- Muito senhor Sartori - respondo. - Apesar de não conhecer ou não ter contato com muitas das pessoas que estão aqui. Quem fez a lista de convidados?

- Ah, foi minha mãe, você sabe como ela é. Como decidi tudo as pressas quando nos reconciliamos lá no hospital, e ela se ofereceu pra ajudar, deixei tudo nas mãos dela. Por mim, éramos apenas você, eu e nossa família, mas meus pais viram a festa como uma oportunidade para estreitar relações com alguns figurões da cidade, então aqui estamos!

- Não faz mal, o importante é que nós estamos aqui - respondo.

- Eu cheguei a achar impossível que isso acontecesse novamente naquela época sombria de nossas vidas amor, ainda mais depois que você jogou o carro contra o penhasco. Eu sei que é difícil falar disso, ainda mais agora, mas eu quero que você saiba que, fora o tempo em que falhei e acabei te deixando nos braços de outro, não me arrependo de nenhuma escolha, e que faria tudo para te ter em meus braços outra vez Marina.

- Eu sei Murilo, e serei eternamente grata por isso. Você é o homem da minha vida! Sempre foi, e sempre será!

Após essa primeira dança e todas as declarações que a envolveram, continuamos dançando, rindo, nos divertindo com nossa família, aproveitando aquela noite mágica que não estava nos planos, mas que me com certeza me marcará para o resto da vida.

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