Capítulo 12

26 de dezembro de 2002.

Marina

Sabe aquela sensação mágica de que você conhece a pessoa a vida inteira, quando na verdade acabou de conhecê-la? Sinto-me assim com Murilo. Mesmo que eu seja a fim dele há algum tempo, nosso relacionamento está apenas na terceira semana, mas parece que faz bem mais tempo, considerando o amor e a confiança que sinto com ele. Por isso resolvi me arriscar e me entregar completamente a esse relacionamento, aceitando o convite que ele e seus pais me fizeram para passar alguns dias e a virada de ano em sua casa de praia, que fica em uma cidade próxima.

Conheci seus pais de supetão e em uma cena constrangedora há duas semanas, quando estávamos mais uma vez no sofá da sala deles namorando. Ainda não aceitei o convite que Murilo faz vez ou outra para irmos para seu quarto, porque sei que então passaremos da fase dos amassos para o ato em si, e apesar de confiar nele me sinto insegura para a minha primeira vez. Foi nessa situação que o Sr. Roberto e da Dona Cassandra nos encontraram em um domingo à tarde, quando resolveram voltar mais cedo da praia. Depois de alguns momentos para que pudéssemos nos recompor e de apresentações murmuradas de minha parte, enquanto os pais de Murilo trocavam olhares significativos, fui convidada para jantar e não pude recusar frente à insistência do casal.

Para minha total surpresa fui super bem tratada pelos dois, que me perguntaram amenidades sobre minha vida, e é claro, sobre a quantas andava meu relacionamento com seu filho. Ao ver minha cara de quem não sabe o que dizer, Murilo se levantou da cadeira, veio até mim e segurou minha mão:

- Não temos nada rotulado ainda, mas pretendo mudar isso agora mesmo – disse ele se ajoelhando e me deixando envergonhada. – Marina, nunca imaginei que sentiria por alguém o que sinto por você, nem que estaria fazendo isso na frente dos meus pais, mas a vida nos prova todos os dias que tudo pode mudar, e estou amando as mudanças que ela trouxe nos últimos dias. Quero viver intensamente tudo o que estou sentindo com você, por isso quero saber: Aceita ser minha namorada?

Pensei ter escutado seu pai cochichar "esse é meu garoto" enquanto eles aguardavam com expectativa minha resposta, assim como Murilo, que me olhava com certo medo da rejeição. Como posso recusar pertencer ao homem que eu amo? Como posso dizer não quando a vida me dá uma oportunidade tão linda de ser feliz? Faço com que Murilo se levante e seguro seu rosto entre as mãos, olhando bem dentro de seus olhos:

- Sim Murilo, eu aceito ser sua namorada. Nada me deixaria mais feliz!

Sem nenhuma vergonha, ele me puxa para seus braços e me beija com vontade, selando nosso compromisso e recebendo aplausos de seus pais.

É por isso que estou aqui, dentro do carro do meu namorado a caminho da praia. A paz reina dentro do veículo e não consigo deixar de sorrir, porque sei que fiz a escolha certa ao ficar com ele, apesar da briga que arrumei em casa.

Mesmo com os protestos de minha mãe convidei Murilo para o almoço de natal, e ele foi um exemplo de cavalheirismo com Dona Judith e Sabrina, mesmo que minha mãe tenha sido hostil com ele ao perguntar se Murilo já tinha conseguido o que queria comigo, ao que ele respondeu com orgulho que sim, conseguiu fazer com que eu aceitasse ser sua namorada, deixando-a sem palavras. Não posso dizer que foi um dia agradável, e é óbvio que ela protestou sobre meu namoro assim que Murilo foi embora. Aquilo foi a gota da água pra mim, não aceito mais que ela me diga como viver minha própria vida, por isso joguei na cara dela que no dia seguinte estava indo para a casa de praia da família, e a deixei falando sozinha. Quando subi a meu quarto para arrumar minhas coisas minha irmã apareceu, me abraçou e disse para eu não me preocupar, porque tinha tirado a sorte grande.

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- Pode deixar suas coisas aqui minha linda, esse vai ser o seu quarto – diz Cassandra quando levo minha mala para o andar de cima, enquanto Murilo ajuda seu pai com as malas deles. O quarto é maravilhoso e com vista para o mar, todo em cores claras e bem arejado, já estou adorando. Fico sabendo por minha sogra que o quarto do Murilo fica ao lado do meu, e só isso já causa um frisson no meu estômago.

Após o almoço nos esticamos na rede da varanda, bem de frente para o mar, e acho que nunca vi lugar mais lindo. Apesar de não ser longe de Itoupava (uma hora de carro, duas na temporada) nunca tinha vindo aqui, e me sinto leve só de escutar o barulho das ondas quebrando na praia. Uma soneca depois estamos nos preparando para ir pra praia, e estou com muita vergonha de aparecer de biquíni na frente do Murilo, minha insegurança falando mais alto. Visto uma saída de praia para disfarçar e desço para encontrar o pessoal.

Já estamos na praia há uns vinte minutos e ainda não tive coragem de tirar minha vestimenta, apesar do calor e da minha vontade de entrar naquele mar que me prometia frescor. Vendo meu receio Renata, irmã do Murilo com quem eu não havia trocado mais que cumprimentos desde que chegamos me chama para jogar vôlei, que prontamente aceito. Meu namorado se junta a nós, e um tempo depois somos um emaranhado de sorrisos, areia e suor. Esqueço até minha vergonha frente a tanto calor, então simplesmente arranco o vestidinho que estava usando e corro com minha cunhada para dentro da água aos risos. Acho que podemos ser muito amigas afinal. Ao olhar para trás percebo que Murilo ainda está na areia, me encarando com um olhar significativo, e fico vermelha na hora.

Enquanto ele entra no mar para chegar até onde estamos, sua irmã diz:

- Sabe, eu nunca vi meu irmão tão feliz. E se te serve para tomar algum tipo de decisão quanto a ele, Murilo nunca apresentou nenhuma garota à família, muito menos convidou para vir para cá, que é meio que um santuário para ele. Dá pra ver que ele te ama, então vai fundo. – e quando o percebe se aproximando, ela completa. – Agora deixa eu sair daqui porque não quero ficar de vela.

Ao passar pelo irmão que se aproximava, os dois começaram uma guerrinha de água típica de irmãos. Em seguida Murilo mira em mim, enquanto sua irmã se afasta, e ficamos um tempo nesta brincadeira gostosa.

- Sabe, eu achei que já estava no paraíso aqui, mas depois de te assistir correndo de biquíni a paisagem até perdeu o brilho – diz ele me abraçando por trás e me fazendo sentir calafrios que nada tinham a ver com água gelada.

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Estamos no último dia do ano, e eu não me lembro de ter me sentido mais feliz e mais leve em toda a minha vida. Murilo tem sido paciente e atencioso comigo, assim como sua família, e me sinto em casa com todo o carinho que tenho recebido. Estou agora no quarto me preparando para receber o novo ano, e sou tomada por uma certeza: Essa noite me entregarei de corpo e alma para meu namorado. Em um rompante de coragem coloco uma lingerie branca mais ousada que comprei com uma parte do meu bônus de fim de ano, e um vestido branco que usei apenas uma vez, justo no busto e na cintura e soltinho nas pernas. Tenho me sentido mais confiante devido aos olhares que recebo de Murilo, e graças também ao meu corpo bronzeado pelo sol.

Ao descer, meu príncipe me aguarda ao pé da escada como em um filme, mas ao invés do traje tradicional ele usa uma camisa de botões aberta (que abdômen) e uma bermuda branca. Ao me aproximar sou puxada por seus braços bronzeados, e ele sussurra em meu ouvido:

- Você está maravilhosa minha princesa.

Não sinto falta nem do cavalo branco para completar o conto de fadas.

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- Feliz ano novo! – Gritamos e nos abraçamos em uníssono. Assistimos ao show de fogos enquanto bebemos nossa espumante, e espero que um pouco de álcool me deixe menos nervosa para o que estou prestes a fazer. Quando voltamos para casa quase não consigo caminhar de tão nervosa, estou com o coração na mão.

Quando todos vão para seus respectivos quartos Murilo me pede para ficarmos na varanda, mas antes entra em seu quarto para colocar uma roupa mais leve. Permito-me alguns poucos segundos no corredor para tentar me acalmar, mas antes que perca a coragem entro em seu quarto sem bater.

Ele está em pé, no meio do quarto, só de cueca, e me perco nessa visão. Ele também parece congelado no lugar.

- Marina...? – diz ele como uma pergunta, sussurrando.

- Eu quero te dar um presente de ano novo – digo tirando o vestido. Vejo fogo em seus olhos enquanto caminho em sua direção, mas ele tenta disfarçar:

- Você tem certeza? Porque posso esperar... – tenta ele enquanto passo as mãos por seu pescoço e me encosto em seu corpo, fazendo ele perder um pouco da postura que tentava manter.

- Eu não quero esperar mais. Eu te amo Murilo, nós pertencemos um ao outro, e é isso que significa fazer amor.

Ele me beija com intensidade, e só pausa os beijos para dizer que me ama. Intensificando o momento, ele me deita na cama, e momentos depois nos tornamos um só, brindando à chegada de um ano cheio de promessas de amor.

* Imagem tirada da internet

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