Capítulo 1
20 de setembro de 2019.
Marina
Acordo assustada, suando frio enquanto tento me situar após o sonho que tive. Parecia tão real... Eu estava na praia, e a meu lado havia um lindo menino, rindo sem parar de alguma situação engraçada, e me lembro de estar rindo com ele e me sentindo muito feliz. Então acordei.
A realidade me atingiu com força quando observei onde estava. Deitada em uma cama, com aparelhos e agulhas ligados a mim, sentindo o inconfundível cheiro de hospital do qual sempre tive certa repulsa. Mas o que estou fazendo aqui, afinal? Não me lembro de ter me machucado, me acidentado nem nada do tipo. Na verdade, minha mente está vazia, totalmente vazia.
Um desespero começa a me invadir quando me vejo sozinha, em um quarto de hospital, provavelmente me recuperando de algum acontecimento grave dado à quantidade de aparelhos e agulhas, sem lembrar como vim parar aqui.
- Acalme-se! - Esbravejo comigo mesma, afinal, esse desespero não vai me levar a lugar nenhum.
Vamos por partes. Meu nome é Marina. Isso, já é um começo. Meu sobrenome é... Valença. Na verdade, Valença é meu nome de solteira. Desde que me casei, meu nome completo é Marina Valença Sartori. Nasci e fui criada por meus pais em uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, chamada Campinha, e na minha adolescência me mudei com minha mãe, já separada de meu pai, e com minha irmã mais nova para a cidade em que vivo atualmente, Itoupava.
Fico por algum tempo relembrando fatos da minha vida, e nem sei quanto tempo passa até que a porta do quarto seja aberta por uma senhora de feições simpáticas, que acredito ser enfermeira.
- Oh, senhora Sartori, finalmente está acordada! - Ela diz com um sorriso sincero enquanto confere algo no monitor ao lado da minha cama. - Como se sente?
Pela primeira vez percebo meu estado físico. Minha perna e meu braço esquerdos estão engessados, e sinto um latejar neste mesmo lado de minha cabeça. Explico isso à enfermeira, que se apresenta como Rose, enquanto ela me avisa que vai chamar o doutor.
Quando ele entra, sinto um tipo de sentimento familiar, como se eu o conhecesse, e uma angústia toma conta de mim.
- Fico feliz que esteja acordada, Marina - diz ele com a expressão séria - Como está se sentindo?
Por que ele me chamou como se tivesse intimidade? Não me lembro de já ter conversado com esse médico. Deixo minhas questões de lado por enquanto, e acabo apenas repetindo as coisas que disse à enfermeira. Ele examina meus ferimentos, dando atenção especial a minha cabeça, enquanto Rose volta a conferir meus aparelhos.
- Por que estou aqui? O que aconteceu? - Não consigo mais segurar meu nervosismo, já estou irritada com essa enrolação.
- Do que você se lembra? - Pergunta-me o doutor.
- Não me lembro de nada, caso contrário não estaria perguntando, certo?! - Sei que estou sendo grossa, mas não me arrependo. Esse médico me deixa com o estômago embrulhado.
- Isso é bem comum, considerando a lesão em sua cabeça causada pelo impacto. Vou fazer um pequeno teste para verificar a gravidade da sua lesão, e depois conversamos sobre o que aconteceu, ok?
Após fazer alguns testes de orientação, ele me questiona:
- Me diga seu nome, idade, nome dos pais, irmãos, a cidade onde estamos, e o que mais possa achar relevante.
Mesmo que minha angústia persista com relação ao Doutor, sei que tenho que colaborar para saber o que de fato aconteceu comigo, então respondo a seu interrogatório.
- Sou Marina Valença Sartori, filha de Judith Maya e João Carlos Valença. Nasci em Campinha, mas moro há alguns anos aqui em Itoupava. Tenho uma irmã mais nova chamada Sabrina, sou formada em relações internacionais, tenho 29 anos, sou casada com Murilo Sartori e temos uma filha de oito anos chamada Maya.
Percebo que na parte final da minha narração o médico e a enfermeira trocam olhares preocupados, aumentando minha preocupação.
- Agora podem me dizer o que aconteceu? - Pergunto inconformada.
Antes que eles possam responder, escuto gritos vindos do corredor e uma certa correria. Então um homem entra no quarto, olha pra mim e exclama:
- Meu amor, nem acredito que está acordada!
E eu penso... Quem é esse homem?
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