Capítulo Cinco - Entre Sentimentos e Deveres

Se me perguntassem qual foi minha primeira impressão sobre ela, bem, diria que foi uma alegria à primeira vista. Não qualquer uma. Foi a mais genuína entre todas as pessoas que vi.

Naquela praia em Jeju, estava perdida dentro de mim mesma. Mergulhada em questões que mesmo hoje ainda me soam carregadas de tensão, mas assim que a vi, quando nossos passos se desencontraram os dias se tornaram semanas, as semanas por sua vez meses e, dos meses, as estações. Ali minha eu do passado teve certeza de que poderia viver naquele eterno presente.

Emoções tão fortes que palavras são incapazes de explicar como funcionam.

Naqueles dias era tão feliz que esqueci do mundo externo, tudo que me importava era seu sorriso e o quanto ele poderia brilhar. Uma emoção tão forte de minha parte, mas que, no fim, terminou com um gosto tão amargo quanto à solidão.

E com o estacionar volto minha atenção para ela, que adormecida, parece tão intocável quanto as capas de revista insistem em mostrar.

A mulher em minha frente não parece nada com a sua versão que conheci há quatro anos, naquele verão escaldante, seja pelo sorriso apagado, ou pelo seu olhar distante, até mesma a força que se impõe para viver em alegria é diferente.
Nada disso me remete aquela mulher, mas, algo me diz que ela ainda vive dentre de você.

No fim todas essas coisas me fazem questionar quem é a pessoa em minha frente, será que de baixo de toda essa aparência que pertence à estrela JiU você ainda vive com alegria ou apenas se deixou partir? Queria saber mais sobre isso, sendo sincera, minha maior vontade era matar a charada desta pergunta.

O problema é que quando vejo seus olhos, não enxergo nada além de mim.

"Ji-eun, chegamos.", toco seu ombro a despertando. E com seu olhar manhoso, afago sua face, e logo desfaço o embaraço em suas madeixas. Ela parece tão bonita dormindo que me sinto até uma pessoa ruim em precisar acordar ela. "Aqui é o ensaio. Desculpa não podermos por mais tempo, acho que ainda temos assuntos inacabados para terminar."

"Muito... tem tantas coisas que eu quero saber."

"Meu número." a entrego um pequeno cartão de visitas. "Meu número pessoal."

"Obrigada."

"Sempre que desejar pode me enviar mensagens, vou fazer o possível para te responder o mais rápido que eu puder."

"Ha-yoon, tem algo que quero saber antes de sair daqui.", seus olhos se perdem na paisagem em nossa frente. O muro qual um homem pinta sem nem mesmo se distrair. "Podemos sair depois? Tem algumas coisas que eu preciso dizer, mas se não quiser vou entender."

"Sobre sairmos..." toco suas madeixas, e sigo em direção à porta abrindo ela num gesto. "Podemos conversar sobre isso."

E com o fim de minhas palavras sua deixa para sair do carro, não tão feliz, mas não quero arrastar ninguém para o meio de problemas que não posso controlar.
Por muito tempo a Ji-eun que me lembrava era feliz, vibrava à cada momento e com uma alegria inexplicável. Seu sorriso era tão brilhante que me ofuscava, mas eu amava cada detalhe daquela pessoa, agora, meu peito ainda acelera com ela, mas ela parece tão sem cor que me faz questionar o que viveu nesses anos.

São tantas coisas para pensar, mas não tenho mais tempo, infelizmente o trabalho insiste em me chamar quando menos desejo ele. Parece que quanto mais feliz me sinto, mais forte é sua força dominante e, mais fraca me torno.

Em direção ao prédio de maior destaque quando o assunto é ser a casa das estrelas, a cidade parece diferente mesmo numa manhã tão comum como a de hoje, e no horizonte sua marca, a estrela na fachada do prédio. O maior centro de entretenimento do país, é a Starlight Entertainment.

Com a baliza estaciono meu esportivo no subsolo, mesmo aqui já há tantos que me pergunto o aquela toupeira fez hoje. No descer do carro sou recebida por seus flashes.

Essa vai ser uma coletiva cheia, apanho meu celular vislumbrando as mensagens dele, a toupeira mais inteligente que já vi, Kwon Yoo-han.

Seu escândalo da vez, visto num bar rodeado de álcool e duas acompanhantes.

Além de me atrapalhar, não é capaz de me ajudar a resolver as coisas do jeito certo. Um dia sem notas públicas ou coletivas sobre sua vida seriam muito bem apreciados por minha pessoa. Ignoro meus pensamentos e, pelos corredores monocromáticos da empresa caminho encontrando em cantos, mesas e filtros de água aquilo que mais odeio, burburinho.

As órbitas daqueles presentes se voltam para mim, e no descontentamento de minha expressão seu sorriso surge como uma reposta automática.

"Desculpa, imagino que estivesse ocupada."

"Atrapalhou meu café."

"Café, sério? Você não toma café. Com quem estava?"

"Não importa agora, pode me explicar o que fez? Ontem à notícia do dia era uma e, hoje, tenho isso em minha mesa. Yoo-han..."

Ele para fechando seu sorriso, seus olhos, tão fugazes caminham pelo salão de conferência vislumbrado as faces de cada jornalista. Por que esses dois precisam ser tão parecidos um com o outro? É pedir demais um pouco de paz?
O suspiro que escapa de seus lábios me faz gelar, no fim, ainda somos amigos de longa data. Pelo menos o suficiente para que minha raiva cesse.

"Desculpa por isso, sério, não pensei que dessa vez teria tento problema."

"Tudo bem, tudo bem. Vamos apenas lidar logo com esse problema, tenho uma reunião mais tarde com a equipe de produção."

"Então vamos ao que interessa, tem certeza de que pode lidar com isso? Pergunto pois nem mesmo eu esperava tal reação e, reconheço que dessa vez trouxe mais problemas do que esperava por um motivo o estúpido."

"Yoo-han, essa é a pergunta que deseja fazer? Esqueceu de todas as outras vezes em que eu salvei você de seus problemas?"

"Nisso você tem razão, foram muitas vezes mesmo. Porém agora tem um agravante, o casamento anunciado foi ofuscado pela minha falta de visão."

"Que bom ver que reconhece isso, mas espero que as fotos sejam apenas aquilo e, nada além disso. Sabe o que eu faria correto?"

"Foi somente aquilo, uma reunião de amigos. No final acabei bebendo um pouco, mas nada, além disso, apesar de nosso descontentamento, ainda quero ser um marido razoável para aquela mulher insuportável."

"Dessa forma fica mais fácil te defender."

Engraçado como essa é a única resposta cabível para tal situação, mas, quando olho para trás e vejo tudo que fiz nesses anos. Nenhum indivíduo nesse prédio fará isso, nenhum deles será tão assertivo como eu quando o assunto é lidar com estrelas e seus problemas. Contudo, assumo que pela primeira vez, nessa manhã, eu realmente gostaria que dessa vez eu realmente queria que minhas respostas fossem não, Deus me fez assim, e às vezes me pergunto o motivo.

"Yoo-han, me diga com honestidade e terei uma boa resposta para você. Que tipo de negócios foi resolver naquela boate?" Encaro o seu olhar lustroso, aí, e aqui está o famigerado olhar conhecido por reluzir não apenas o brilho de duas avelãs. O sorriso desgastado se reflete em seus lábios arqueados. Se ganhasse um aumento a cada vez que vejo esse olhar, poderia formar uma montanha com cada grão. "Pois bem, acho que entendi, de qualquer forma espero que tenha percebido o que é óbvio, não há trabalho que eu não possa fazer. Como aquele que me dá ordens deveria saber disso muito bem."

"Hum, fria como a neve." Suas palavras me provocam, esqueço de como pode ser mais travesso quando deseja. Toco seu ombro, descendo até sua gravata, o nó mal dado acerto, erguendo-a até seu pescoço. "Boa sorte ao fazer o que faz de melhor, sorrir, acenar... e acabar com os rumores."

"Agradeço o incentivo, acredite, agora temos uma coletiva para encarar se quisermos manter nosso posto, é claro."

Minhas palavras soam as últimas para seus ouvidos, esses que por muito me ouviram falar. Se existe alguém nesse mundo a quem devo algo ao ponto de respirar, esse alguém é ele, Kwon Yoo-han, e mais uma vez esse é o nome do homem em formação que irei salvar. Pelo salão de conferências, caminho pelo tapete vermelho, recebendo as dezenas de olhares daqueles sentados em suas cadeiras. De seus clicks os flashes vindo das lentes dos maiores jornais do país e todos diante de mim, mais um dia comum quando se envolve com este homem. De qualquer forma, isto é o que consome meu tempo, não levou mais que meses para que o sofrimento que vivenciei após ser abandonada em Jeju se transformasse nisso. Trabalho.

Ajeito o microfone, atraindo suas atenções antes focadas na presença de Yoo-han, esse homem merece realmente a fama que possui. Minha postura corrijo e, com um leve toque sob microfone, e seus olhos veem até mim, um sorriso demonstro, e logo os primeiros flashes ocorrem.
Não sei porque, mas pela primeira vez... Me sinto apreensiva.

"Antes de começarmos quero desejar a vocês que estão presentes um bom dia. A coletiva de hoje será para tirar dúvidas e para falar sobre o casamento de Kwon Yoo-han com a filha do primeiro-ministro, a coletiva será regida por mim, Song Ha-yoon, estou aqui presente para elucidar as questões ainda vagas que seus veículos jornalísticos espalham sem pensar em consequências."

E ao fundo da sala, em oculto dos de cada jornalista a sua presença se encontra. O homem que tudo comanda aqui, ele nunca foi bom nisso, mentir, na verdade, está tão preocupado com o pescoço do filho quanto eu ou o próprio Yoo-han.

"De antemão, quero deixar clara uma situação, para que enfim possamos seguir com as perguntas. Yoo-han, que vem mantendo sua vida em privado nesses anos todos, assim gostaria de se manter, afinal, como bem sabem, são pagos para levarem notícias e não as forjar. Portanto, deixou claro que as fotos vazadas sem o consentimento de sua parte são forjadas para parecerem erradas, o que houve naquele bar era iam reunião de negócios, nada, além disso."

Os flashes disparam, definitivamente essa fala trará os olhares negativos para mim, e justo como proferi lá estão. Antes eram mais ocultos, mas no fim imagino que seja uma reação natural às minhas falas enérgicas quando o tópico são sua conduta.

Na primeira fileira, um deles se levanta, SKS, emissora que ocupa o quinto lugar de audiência. E, com o levar do microfone aos lábios, diz:

"Jornalista Choi Min-seok do jornal SKS, Bom dia, senhorita Song, nós do jornal SKS sabemos que a família Kwon não é das mais apreciadoras da mídia. Porém, o que eles têm a dizer sobre mais esse escândalo envolvendo seu principal herdeiro? Há não muito tempo tivemos um caso parecido nas empresas Mirai por conta de familiares impulsivos onde a herdeira acabou trazendo problemas ao seu império por conta de questões pessoais, gostaria de saber como pretendem lidar com o dano causado a imagem da família."

"Agradeço sua pergunta, e para responder ela serei direta. O que ocorreu na corporação Mirai foi algo diferente que não possui relação com nosso caso, e como são pessoas com quem trabalhei no passado, posso afirmar com afinco que ambos os casos são distintos, portanto, não vejo essa comparação. Agora, sobre o que faremos para lidar com os danos, é bem simples, o CEO estava se encontrando com amigos num momento de intimidade onde realizou tratados que ampliaram as conexões da empresa, portanto se um arranhão manchou o nome da família, tal ato partiu da mídia que tirou conclusões precipitadas sobre o encontro."

Outro e, desta vez, vindo de fileiras mais atrás. O microfone segura e, ao olhar para a tela em suas mãos esse parece nervoso comparado ao anterior, mas num suspiro segue a dizer:

"Park Jae-won do jornal KNS, o que pode dizer sobre o resultado desse anúncio em meio aos preparativos do casamento? As ações das empresas Kwon caíram e, em meio às turbulências da vida privada de seu atual CEO, muitos se perguntam que rumo a empresa irá tomar, sendo uma pioneira no ramo do entretenimento."

"Mais uma vez agradeço a pergunta, quanto à resposta. Estamos estudando a melhor abordagem para trazer ao público uma resposta decente sobre o futuro do entretenimento no aspecto das estrelas e o quanto elas influenciam nosso dia a dia. Justamente sobre tal assunto, o CEO Kwon Yoo-han encontrou-se com amigos produtores, um debate para promover o que está por vir. Sobre o casamento teremos revelações em breve para a mídia e queremos que todos vejam como são um casal confortável, assim poderão ouvir com clareza o que ele pode e tem de dizer ao lado de sua futura esposa Kim Seo-yeon, adianto que será uma grande cerimônia. Agora, caso deseje falar sobre rumores infundados sobre a vida de Yoo-han e da senhoria Kim, teremos que conversar na justiça."

Desta vez, um ao meio das fileiras e, diferente dos outros, não encara a tela e sim meus olhos como se buscasse algo. Uma presença que não importa quanto tempo passe, ainda insiste em me perseguir. O sorriso enxergo em seus lábios e ao olhar para seu crachá encontro a identificação qual ama ostentar aonde vai, jornal Impact, meu preferido quando o assunto é ignorar sua existência.

A fama que a precede, sendo conhecida por arruinar a vida de diversas pessoas, e essa mulher, que sorri esbanjando confiança é um de meus maiores problemas.

Meu maior desgosto nesse meio.

"Aqui é Go Min-si do jornal Impact. Apesar da coletiva ser por outro motivo, gostaria de perguntar sobre algo que se relaciona ao episódio de ontem, sua artista foi acusada de usar drogas e se envolver com sua co-estrela, já acusada anteriormente. Que postura é essa que a Starlight Entertainment está tomando ao encarar seu segundo caso ilícito em pouco mais de três meses?"

"As medidas legais já foram tomadas e comentários que difamem a honra de nossos artistas não serão perdoados. Entraremos na justiça para punir quem espalhar tais rumores, isso inclui os próprios jornalistas que por vezes praticam esse ato sem pensar em suas consequências."

Odeio essa mulher e, se existe algo do qual me arrependo, e um dia ter aceitado trabalhar ao seu lado. Mudo meu foco encontrando minhas mãos sob o papel, minha garganta seca, odeio ela. Sua voz se eleva ganhando mais tom e, com o palmas, de palmas, retomo a encontrar seus olhos.

"Entendo, mas lançar uma nota não afugenta as alegações. Seria imprudente de minha parte não falar sobre o escárnio que um colega de profissão sofreu de sua parte ontem, sabemos como costuma lidar com jornalistas, mas agressão não era uma de suas práticas."

"Pedi para que eles saíssem num primeiro momento, além disso, isso é um problema pessoal de minha parte e não dá empresa. Se não possui mais nada a dizer além de eventos pessoais que pertencem a mim e não a empresa, peço que se cale."

"Não, antes de uma última questão, é verdade que a idol em questão passou a noite em sua casa após os eventos? Se sim, que tipo de relacionamento possuem? É raro pensar em uma diretora levando seus idols para seu apartamento tarde da noite e ainda permitir que eles durmam lá. Seria esse o abuso de poder que vem sendo denunciado pelos funcionários da empresa aos jornais?"

Eu realmente odeio esse jornal e, principalmente, a morena mergulhada em arrogância diante de mim.

"A entrevista acabou. Espero que tenha sido clara com todos vocês e, espero que os assuntos sobre rumores esteja encerrado." me curvo diante de seus olhares e flashes olhando para eles uma última vez. "A Starlight Entertainment agradece sua presença na coletiva de hoje."

Deixo o salão, encontrando diante das portas do elevado o olhar confuso do homem que senta na cadeira mais poderosa dessa empresa. Ele estava certo quando disse que realmente buscaram meu carro e informações de minha casa, agora me espanta como as informações lhe chegaram de forma tão rápida.

Às vezes me impressiona como o presidente Kwon mesmo não sendo uma figura regular na empresa, mantém sob suas rédeas essas informações tão pontuais que no fim me ajudam a controlar os danos.

"Foi bem, mas o que ela disse é verdade?"

"Sim, Ji-eun dormiu lá. Na minha cama, eu dormi na sala."

"Apenas perguntei se ela dormiu, não aonde. Que engraçado ver você se explicando, nunca vi ninguém lá e tão pouco você assim."

"Tanto faz, agora recomendo que marquemos essa entrevista com a senhorita Seo-yeon, antes que levantem um rumor de traição ou que isso de fato ocorra... afinal você sabe o que eu faria se estivesse traindo ela."

"Claro, claro, amizade e tudo mais. Nem parece que me conheceu primeiro que ela, dou mais valor a você do que ela."

"Você paga meu salário, ela me paga o almoço. De qualquer forma está livre hoje à noite?" pergunto, ganhando sua atenção, desvio por um instante encarando o painel que ascende em vermelho e sua numeração próxima de nosso andar. "Preciso beber um pouco, podemos ir nós três como no passado."

"Para falar isso, imagino que aquela mulher te pegou de jeito. Essa Go Min-si é um demônio mesmo." Encaro-o e, em silêncio, e com o desdém em face, adentro o elevador. "Agora tem algo que estou curioso, se ela tem essas informações, não seria arriscado demais ter levado ela para sua casa?"

"Esqueça essa assunto, o que importa é aonde iremos. Às nove no lugar de sempre? Soube que o lounge do Herah Palace estará cheio hoje por conta de uma comemoração."

"Entendi, temos mais opções além dele?"

"Não."

"Certo, vou falar com ela."

"Até mais tarde, e não se atrase."

"Pode deixar."

Com o fechar das portas, me volto ao espelho que reflete meu semblante. As coisas nunca podem começar amenamente, não é? Tão tranquila e sutil como uma quinta-feira funciona. Apanho meu celular, as ações voltaram a crescer como disse que seria, gradualmente o pronunciamento vai se espalhando por meio de cortes vêm editados e matérias previamente arquitetadas.
Quando encaro esse lado, entendo o motivo de dizerem fria como gelo, não há passo que não calcule, ainda mais quando eles envolvem o pescoço de outros.

Em meu andar, descendo-se, sou recebida pela secretaria, mas, sendo sincera, tudo que consigo pensar é em como ela irá se sair numa entrevista logo após a confusão de ontem à noite. Será que deveria ter cancelado? Dar ouvidos a seus desejos nem sempre é um bom sinal, mas se eu fizesse, estaria eu cruzando uma linha que impus a mim mesma?

Adentro de minha sala, deixando o casaco no cabide, na vidraçaria, encaro o entardecer nos céus da cidade. Kang Ji-eun. Engraçado como em todos esses anos não houve um dia em que uma parte de minha regra não fosse quebrada, mas por que agora tudo parece tão ruim? Antes que pudesse me sentar, vejo a abertura da porta, os fios rosados de um loiro que se perdeu há tempos escapam pela fresta e, apenas com esse gesto, noto que todos no departamento estão observando-a com olhares curiosos.

De todas as cenas que desejei ver no hoje, essa é de longe a que menos tenho vontade de observar. Me foco nos documentos para aprovação, campanhas publicitárias para alguns grupos, mas logo seu gesto ao bater da porta quebra minha concentração.

"Sério?"

"Você não me olha, me senti obrigada."

Retorno aos papéis focando em um nome específico, esse é o SecreT. Pensar como um único nome pode moldar toda uma geração de ídolos é realmente distinto, todos querem Ji-eun e, quando lembro de suas palavras na noite passada me pergunto o que Ji-eun quer de verdade nesse mundo. Dei a cinco meninas um caminho para o sonho e, no fim, elas trilharam seu caminho.
Isso graças aos esforços da diretora Kang. Se não fosse por ela parte desse projeto realmente não teria saído dos papéis das dezenas de reuniões que fizemos durante dois anos.

"Vai mesmo me ignorar de novo?", sua voz me retira de meus pensamentos mais profundos.

Suspiro, arrancando de seu olhar certa desaprovação, não era bem isso que pensei quando concordei com ela e, ainda assim, não é nada daquilo que me lembrava ser quando mais nova.

"Nem mesmo um beijo? Vim direto do aeroporto apenas para te buscar. Sabe o quão difícil foi ficar longe de você por um ano por conta da turnê?"

"Te dei o mundo que tanto pediu, não vejo problemas nisso, mas como assim me buscar Talvez não tenha percebido, mas estou no meio do trabalho e sua entrada causa confusão entre meus funcionários que apesar de não serem burros sabem o quanto sua presença levanta pontos errados."

"Ha-yoon por favor!", e com aqueles olhos tão vistosos se aproxima ao ponto de sua respiração se misturar a minha. Com o apertar do botão os vidros da sala se tornam foscos, não os enxergo assim como não me enxergam e com tal deixa intercedo seus lábios pintados de carmesim com meu indicador. "Precisa ser tão má comigo? Vamos sair hoje? Deve estar tão estressada de ontem, seus olhos me dizem isso com muita clareza."

"Vou me sentir mais calma quando você for embora daqui, por favor, apenas saí e falará com seu pai. Ou quem sabe seu irmão, Yoo-han, não tem mais o que fazer, quanto a mim, tenho muito e pouco tempo para tal." Aponto para a porta enquanto seus lábios se convergem num sorriso que definitivamente é forçado. "Eun-bi, pela última vez vou te pedir isso. Não venha no meu trabalho apenas porque decidiu fazer isso, tudo bem?"

"Meu pai já deixou, ele disse que depois da conferência de hoje além da chegada heroica de ontem você definitivamente merece descansar. Por que não tira férias? Podemos passar bastante tempo juntas até que surja algo para mim, posso te fazer descansar melhor não acha?"

A cadeira afasta tomando o espaço sobre minhas coxas, seus braços me envolvem e, mais um a vez quebra as regras como nada. De tantas mulheres no mundo, a primeira com quem me envolvi é a que mais me persegue nessa vida, e talvez a que menos sinto o arder em meu peito. Em suas lentes que refletem a infinidade de um céu de tom celeste, encaro não apenas sua familiar presença, mas algo que nem mesmo existe mais entre nós duas.
O gosto amargo se espalha por eles, o sabor nem mesmo é intenso comparado ao gesto que ontem ela teve, não era doce, mas tinha tantas emoções que nem mesmo sei dizer o que senti em meu peito naquele instante onde o mundo pareceu congelar.

Era o que meus desejos pediam ou apenas curiosidade...

Ponho minha mão sob seus ombros, afastando seus lábios de mim, e o encontro de nossos olhares, a dúvida: quando foi que começamos a ficar assim? Tão descuidadas, melhor. Quando foi que comecei a me sentir mal assim quando estou com você ao meu lado?

Busco a distância pelo gesto, e no levante sua presença some de minha visão, que agora se volta a cidade de Seul em seu entardecer mais belo. O no em minha gravata desfaço afrouxando a camisa branca e, de dois dos botões me desfaço sentindo o vento frio do ar flertar com minha pele exposta. Para ela me volto, seus olhos agora se focam na foto que tiramos ainda na adolescência e, foi justamente nesse dia onde descobri meu gosto particular.

"Lembra desse almoço?"

"E como poderia me esquecer disso, foi a primeira vez que beijei alguém e, a primeira em que bem..." engulo em seco, notando seu sorriso. Ela definitivamente lembra do que fez comigo quando estávamos sozinhas em casa."Será que mudamos por que crescemos? Digo, mesmo você parece tão distante hoje comparada às semanas passadas."

"Sendo honesta? Eu não sei a resposta, mas já que tocou nesse assunto... Precisamos conversar sobre aquilo."

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