Capítulo Cinco - Entre As Cicatrizes do passado (Parte I)
"Fala sobre terminar, não é?" O tom sarcástico, o problema é que seus olhos a traem. "Às vezes me esqueço de que ainda temos esse assunto inacabado para resolver."
"Eun-bi, prometemos fazer isso enquanto ainda podemos dizer que estamos em bons termos," minhas duras palavras, talvez esteja sendo direta com ela. "Ou, por um acaso, já se esqueceu de nossa última troca de farpas?"
"Tem como esquecer?" A astúcia brilha em seu olhar, há algo que nunca mudou. "Se bem me lembro, me expulsou de sua casa sem nem mesmo permitir uma defesa decente de minha parte."
A cadeira gira e, no instante em que se cala, seu sorriso volta aos lábios. Típico de alguém que sempre soube o que responder.
"Também me lembro que, quando a noite chegou, você veio até mim como uma cachorrinha perdida."
"Um detalhe que não vem ao caso."
"Certas verdades só podem ser reveladas quando lhe são úteis, foi você quem me ensinou isso."
"Um ano foi o que pediu, te dei uma turnê nesse tempo e agora que voltou podemos falar disso." Me aproximo da mesa, seus olhos ainda são a mesma menina. " E se disser que acha cedo para conversar, vai estar mentindo, não para mim, mas sim para si mesma."
"Tudo bem, mas se me permite. Ainda tem uma coisa que não contei para você, me permite contar a novidade?"
"Diga. Estou ouvindo."
Antes que sua voz saísse, o telefone sob minha mesa toca, e no terceiro toque vejo a abertura da porta por parte da novata.
Mesmo após um ano inteiro trabalhando comigo, ainda segue entrando de cabeça baixa. Diante da mesa, para e por um instante posso encontrar seus olhos aflitos.
No estender de seus braços, põe o envelope na mesa e assim se afasta, mas sem deixar de olhar para o anel em seu dedo.
Toda vez que olho para ela, me lembro dos dias em que comecei a trabalhar como secretaria, também era assim, reservada e um pouco assustada com as coisas.
Porém, diferentemente dela que está sendo instruída por mim, outra pessoa foi quem me ensinou a crescer e me desenvolver nesse ambiente instável que é o entretenimento.
"O presidente Kwon deseja sua presença na reunião de hoje, ele estará em sala daqui a dez minutos e disse ser um bom momento para apresentar os documentos que havia prometido na última vez em que se encontraram."
"Obrigada por seu trabalho impecável. Ha-na, fez um bom trabalho em separar os papéis como pedi. Como cogito ficar até mais tarde hoje, leve isso com você e pague uma boa refeição para a equipe toda."
Em suas mãos, ponho o cartão corporativo. Essa é uma das lições que aprendi com uma amiga repórter e com meu pai. Se deseja aliados, deve sempre mostrar dois lados.
"Nós agradecemos, diretora Song."
E ver esse sorriso em seu rosto apenas me faz perceber como ele estava certo em seus ensinamentos. Mostrar a face amigável quando se precisa cativar, assim como um lado implacável quando necessitam avançar.
Quando mais nova, pensava nessa frase como uma besteira repetida diversas vezes até ser canonizada como verdade, até ver e provar, hoje, posso dizer pelos olhos de todos os que me cercam que tal ensinamento não é mentira.
"Estão todos dispensados, apenas comam algo gostoso e se divirtam. Farei questão de ir com vocês na próxima vez."
Radiante, deixa a sala, são esses momentos que me fazem ser gratas por cada momento em que posso guiar eles para um lugar diferente.
"Você não muda mesmo, sempre teve um ponto fraco em mulheres de aparência gentil e carinhosa."
"Coisa que você nunca foi e no final tivemos nosso momento."
"É com ela que está dormindo agora? Bem, não acho que ficou esse tempo todo sem chegar perto de outra mulher."
"Ha-na é noiva, não destruiria um possível casamento feliz apenas por julgar que uma pessoa é atraente." Seguro sua mão, mesmo duras palavras, ainda vacilo com você.
"Desculpa," sua voz se cala por um instante, mesmo você ainda vacila comigo e isso me faz questionar o porquê somos o que somos, será que é por medo? Ou temos outro motivo que não sabemos. "Sei que não é esse tipo de pessoa, é só que não entendo esse seu desejo."
"Mais tarde, me encontre no Herah Palace, o lugar de sempre, e aí me conte sobre sua turnê." Acaricio sua pele sentindo o calor de seu corpo, mesmo que meus sentimentos tenham mudado, eu ainda me importo com ela.
Deixo a sala, mas sinto que meu coração continua lá dentro, preso nas infinitas possibilidades de sua fala. Novidades, nosso relacionamento de longa data nunca foi muito receptivo a elas.
E tudo começou quando eu era apenas uma novata em um colégio ríspido feminino.
Dependendo da forma com a qual eu olhe, as coisas também não são muito diferentes daqueles dias de adolescência.
No visor o número dos andares em vermelho, um após o outro em uma subida constante.
Quase como meu trajeto até aqui, entrei como filha de um gerente e após muito esforço me tornei uma das diretoras que compõe a empresa. E estar no décimo primeiro andar mostra o quanto isso me custou.
"Chega de saudosismo." Sussurro, e quanto abro meus olhos testemunho seu abrir.
"Está pronta?" Estridente. Pelo visto, ele se encarou no espelho antes de vir para cá.
"Temos tudo, não? Não há motivo para temer."
"Um mês de pesquisa, muitas pessoas confiam no nosso projeto. Não posso me acovardar agora." Seu corpo, cada centímetro dele, parece carregado como se fosse explodir a qualquer minuto. "Temos não apenas uma ideia, é algo familiar com um sabor inovador."
"Apenas relaxe um pouco, Yoo-han, parece mais agitado do que em seu casamento."
"Sabe tão bem quanto eu que aquela mulher e o demônio são crianças perto de meu pai."
"Relaxe," seu ombro toco, e com um sorriso deixo sob as costas um tapinha gentil. "Fizemos projetos piores que esse e chegamos aqui."
Talvez nem mesmo eu esteja muito confiante sobre essa reunião, mas o que posso fazer além de tentar meu melhor? Nessas horas, vejo o quanto sinto falta dela.
Houve um momento há quatro anos onde aquela juventude toda me fez pensar em como melhorar a vida de todos os idols.
Ver ela sorrir me acendeu o desejo de fazer com que todos pudessem ter pelo menos algo parecido com isso. Entre o show de luzes, as revistas, fofocas da semana.
Desejei que pudessem ter uma vida feliz e, talvez, esse seja meu maior pecado.
"Todos estão presentes." Diretamente, mesmo anos de vivência não podem mudar o discurso do homem que mudou essa indústria. "Tomem seus acentos para darmos início à apresentação."
E com os onze sentados, ouço com atenção as palavras do mais velho entre nós, um homem de muita história, assim como polêmicas.
Kwon In-guk, fundador e criador da Starlight Entertainment.
Ouvi-lo discursar sobre as ideias apresentadas sempre foi muito gratificante, cresci sob seus ensinamentos. E agora posso dizer com confiança que estou um passo mais próxima de sua genialidade.
Projetos são revelados, alguns com boas ideias e outros excluem completamente a realidade em que vivemos nesse meio.
Porém, no segundo em que seus olhos se encontram em mim, tomo minha deixa caminhando em direção ao projetor.
"Quais são os próximos passos que tem planejado? Após os números elevados das vendas com o SecreT." Seus olhos encaram com seriedade o documento. "E sua líder estampando as capas de revista. Espero que tenha algo grande como prometeu."
Quando comecei, havia apenas um conceito, fazer com que uma dupla de estrelas fosse tão crível.
Evocar comoção, conceitos distintos, e acima de tudo um vocal que alcance até o mais distante dos corações.
Depois me veio a ideia de que, não importa o lugar, quero fazê-las serem ouvidas.
Até que, após horas e mais horas de pesquisas incessantes, percebi faltar algo nessa ideia e daí surgiu ele:
"Quero trabalhar em algo maior do que o SecreT, e minha aposta é," no projetor os rostos que compõe o projeto. "Um grupo de sete meninas capazes de cantar algo que consiga tocar seus corações."
Caminho em direção à tela, parando ao seu lado, e como exemplo, o rosto de minha irmã.
"Neste instante em que nos falamos, cerca de dez grupos foram estreados, mas nesse número nenhum alcançou um sucesso suficiente para o segundo comeback."
Troco as imagens revelando conceitos, vestimentas, maquiagem. Aquilo que me esforcei para pesquisar, o esforço de horas e horas mais de trabalho madrugada adentro.
"Esses são apenas alguns dos rostos que foram incapazes de se vender nesse meio, seja por aparência, idade ou até mesmo certa falta de personalidade."
Com a troca de imagem, dez rostos selecionados a dedo por mim, sem passados complicados, amigos problemáticos ou familiares dominantes. Sim, até mesmo a família tem peso quando se trata de trazer um desses rostos para cá.
"Todas as meninas nessas dez fotos são minhas escolhas, trabalho atualmente com uma certeira. Hang Ji-min." Na face do homem, um sorriso surge. "Atualmente ela cursa o ensino médio na escola onde minha irmã está e, apesar de ter contato com a menina, estou a todo custo tentando trazer ela para a Starlight com um contrato assinado."
"O que precisa para trazer ela para nós? Seu rosto, postura, canto, tudo combina com a Starlight e seu treinamento de quatro anos é o suficiente para uma estrela."
"No caso dela, diferente das outras, são seus familiares que não apoiam seu desejo, mas farei do impossível para trazer ela."
"Confio em você. Ha-yoon, não há ninguém nessa empresa competente como você. Um dia foi seu pai quem nos levou à glória, hoje é você quem põe os degraus da glória."
"Agradeço o elogio, presidente Kwon, farei o meu melhor para trazer os planos à realidade."
"Tenho certeza de que irá."
Seus olhos se voltam para o filho, um toque em seu ombro é o que ocorre e, com seu levante, todos os presentes param, se levantando em sequência.
"Na próxima reunião, espero que tenha formado a dupla. Estou intrigado para ver o que irão me entregar e... Yoo-han, ajude-a com mais empenho, seja esforçado e quem sabe um dia possa ser um terço do que sou."
O mais velho se levanta, e não somente ele, todos os outros presentes ficam de pé diante de sua presença. Minha cabeça abaixou, encarando meus anéis e, com sua deixa, me arrisco a encontrar seus olhos. Yoo-han parece diferente, elogios de fato o mudam, e pensar que pouco basta para que suas visões de mundo mudem.
O homem deixa a sala com sua comitiva, e logo os outros onze se vão com ele. Na cadeira, me sento testemunhando a face sorridente de Yoo-han.
"Conseguimos."
O vejo largado-se sob a cadeira com tanta alegria. Nem parece o mesmo homem do começo dessa reunião.
"Depois dessa reunião, eu concordo em sair para beber."
"Chame ela."
"Vou ligar para ela, vai descendo e apanhando suas coisas."
Deixo ele sozinho, indo ao encontro do meu andar, solitário, guardo os documentos na última gaveta. Meu casaco e bolsa apanho, trancando meu escritório.
No saguão da empresa, chego, os últimos funcionários se preparando para sair.
Triste como alguns deles não possuem vida fora daqui, mas não têm muito o que fazer para mudar. E na entrada, meu carro estaciona, entro nele e logo sua figura surge no lado do passageiro.
"Tenho duas notícias para te dar."
"A primeira é que não vai, correto?"
"E a segunda é que ela está passando mal, pediu que eu levasse um remédio para ela."
"Faça isso, quer uma carona? Posso te deixar em casa se quiser."
"Não precisa se preocupar, mas aproveite a noite apesar de estar sozinha."
"Cuide bem dela, nos vemos amanhã."
As ruas de Seul são meu caminho, e na torre mais alta da cidade me encontro. Minha parada final nesta noite é o lugar mais caro da cidade e mais próximo de um palácio grego.
Herah Palace.
Deixo meu carro subindo seus andares através do elevador escuro. Os números sobem, e no final dele a porta se abre, revelando minha presença para aqueles que estão presentes no lounge.
Num dos bancos do bar, me sento, recebendo seu olhar indiscreto, sorrio para ela, deixando o cartão na direção de seus olhos.
"Não perde o costume de estar aqui, não é?", encaro aos olhos sorridentes que diante de mim deixam o copo. "É, sempre soube que você jamais deixaria esse lugar. "
"Sou obrigada a concordar com você, mas hoje eu quero apenas descansar um pouco."
"Semana difícil?"
"Pode-se dizer que sim, foi uma semana complicada com um final arrebatador." Sorrio para ela, que põe diante de mim a bebida. "O que houve hoje? Está mais cheio que o habitual aqui."
"Uma gravação está ocorrendo, uma cervejaria ganhou notoriedade e bem. Seu irmão está gravando um dos anúncios enquanto outra idol grava no terraço."
"Sabe quem é a outra? Não tive tempo de olhar para o cronograma hoje, fiquei a tarde inteira numa reunião para saber sobre quem gravará o que."
"Essa informação vai sair mais cara que o padrão, e então, vai pagar o preço?" O sorriso descarado se espalha por sua face e, com o finalizar de minha bebida, me volto para a figura que atrai os olhares ao fundo. "Vocês Song não sabem quando devem parar, não é? São idênticos, onde passam chamam atenção e dessa atenção destroem os corações."
"Qual coração destruí? Que eu me lembro, todas com quem me envolvi sabiam de meu comportamento e não foram enganadas."
"Será? Nesses quatro anos, realmente não te vi com uma mísera mulher. Agora, antes disso, era curioso ver como você agia, toda noite uma pobre caia em suas mãos."
"Fala como se eu fosse uma devoradora, longe disso, você, melhor do que todas, deveria saber disso, senhorita Min-ju. Nunca caiu para minhas palavras, ou seja, não sou tão habilidosa assim."
"Se caísse tão fácil, seria incapaz de lidar com meus problemas familiares. De qualquer forma, o que planeja fazer hoje à noite?"
"Sobreviver está de bom tamanho, iríamos vir eu, Yoo-han e Soo-young hoje."
"Deixa eu adivinhar, ela passou mal de novo?"
"Exato. Sinto que ela está com aquele problema que disse que jamais teria."
"Nossa amiga vai se casar, seria estranho se não estivesse com aquele problema. No fim, o que importa é que Yoo-han apenas foi fazer seu papel, menos um problema no mundo."
E no erguer de seu copo, viramos um shot, sinto o gosto forte se espalhar em meus lábios. Ao menos em companhia de copo, seria estranho me sentar aqui sem ninguém ao meu lado, logo hoje à noite.
Apanho meu celular encarando a foto de um gato preto, um emoji que gosto peculiar para se iniciar uma conversa. Logo sua mensagem salta à tela. Quando me dou por conta, os olhos de Min-ju me consomem e, rumo à tela, param vislumbrando seu nome.
"Four? Sério? Quem se chama Four, Ha-yoon?"
"Não vamos entrar nesse assunto."
"Tem relação com aquela conversa que tivemos assim que voltou de Jeju? Suas férias, tenho certeza de que houve algo ali."
"Sério?"
"Desde o dia em que voltou, não te vi com nenhuma mulher, óbvio que tem relação, agora quero saber quem foi que te derrubou assim."
Mas antes que eu pudesse dizer algo, sinto o perfume forte, ele não muda, sob meu ombro, o toque e no sentar, o vestido negro cravejado por pedras cristalinas, desperta minha atenção. Persigo sua fenda com o olhar, deparando-me com uma fração de suas coxas expostas. Ela realmente parece se divertir.
Min-ju a serve com uma taça de vinho acompanhada de uma pequena porção de queijos refinados, seus gostos seguem os mesmos desde nossa adolescência.
Sem desviar seus olhos de mim, leva a taça até seus lábios, manchando sua borda com o batom bordo. Ela realmente parece adorar a provocação que causa.
"Eu disse para ir direto, ficar em casa e descansar depois da turnê."
A taça repousa no balcão, e logo seu movimento simbólico. Sob a palma se apoia, deixando visível a coloração de suas unhas, vermelho, a cor que sempre gostei de ver nela.
"Eun-bi, faz tempo. Nós três sentamos aqui, aprenda, faltou Ah-ra para celebrarmos nossa reunião escolar." Min-ju se serve com um copo de água, as bolhas em seu copo, e logo encontro sua face risonha. "Se eu soubesse que seria assim, teria chamado ela para vir."
"Duvido muito que ela iria vir, após casar não dá para dizer que ela é a mesma."
"Acho que suas prioridades mudaram bastante após ter uma filha, e se formos pensar como ela, as nossas mudaram bastante depois da faculdade."
"E vocês duas?" Os olhos penetrantes me invadem, desvio-os deles, mas ao meu lado, a travessura na face de Eun-bi complementam o interrogatório de Min-ju. "Faz um não que estão afastadas, me pergunto se já decidiram quando irão casar, quero ser madrinha."
"Min-ju... Isso não é um assunto interessante para se ter agora." A encaro com descontentamento, e de fato, não é um assunto que eu deseje falar. "Se for para falar de relações, me pergunto quando irá deixar de ser essa trabalhadora e assumir seu papel."
"Ha-yoon, por favor. Não mude os planos da conversa apenas por você não gostar, antes de se separarem, causaram uma confusão desnecessária entre nós... quero saber se já voltaram ou ainda vão continuar nessa eterna angústia."
"Min-ju, você me entende, não é?" Como quem necessita de pena, Eun-bi encara os olhos de Min-ju que, com um sorriso, volta-se para mim, isso me traz péssimas memórias. "Eu quero ela, mas ela me afasta mais do que eu afasto meus remédios para dormir de mim."
"Eun-bi, o que diria se soubesse que nesse meio tempo, digamos que, bem, eu e Ha-yoon tivéssemos tido um tempo junto? Nada tão longo quanto uma semana, mas não tão curto quanto um dia."
"Min-ju, chega."
Ponho o copo sob o bar, as notas deixo ao lado da bebida pela metade. Caminho para longe delas, acho que sempre foi assim, nós três sempre tivemos esse problema complicado de lidar.
Desde o começo de nossa amizade tem sido assim, ambas gostando de mim, mas no final eu apenas tive olhos para Eun-bi. Porém, não posso dizer que fui uma santa, por vezes, e apenas nas vezes em que brigávamos me deitava com Min-ju como uma forma de esquecer e foi dela que desenvolvi um hábito.
A fama de rainha gelada apenas não supera outra, destruidora de corações.
Eun-bi foi minha primeira, mas Min-ju, ela me ensinou a possuir várias. Não é nada do qual me orgulho, mas, depois de tantas noites nas quais me peguei presa naquele sal sem poder sair para respirar. Acho que eu apenas perdi a noção de meus sentidos.
Para fora do prédio, vou adentrando o carro, sob o volante, repouso minha cabeça tão pesada.
Mas é o som dos toques quem me desperta e, dele, a face jovial acompanhada pelo rosto confuso de Eunbi. Não importa o quanto eu tente, você nunca muda sua postura.
Esses olhos são os mesmos de sempre, não sei o motivo ou razão, no fim apenas entraram no carro e sem uma palavra ser dita. As coisas são tão automáticas que num instante paro o carro diante do sinal vermelho.
"Eun-bi, aquilo que Min-ju disse é verdade. E sendo sincera com você."
"Somos amigas desde a infância. Ela sempre olhou para você dessa forma, mas nunca cruzei tanto alinha como dessa vez."
"Uma coisa ela disse e, bem, se tornou uma verdade. Faz quatro anos que não estou com ninguém, e sendo honesta, respeito aquilo que tivemos no passado."
"Mas hoje tem outra pessoa, correto?"
E em meu silêncio, seus olhos repousam sob a embalagem no formato de uma caixa, algo que comprei há quatro anos e que guardei ali para jamais esquecer disso.
Passado (Há quatro anos)
Brilhantes, majestosas, incomuns.
Em cada vidraçaria encontro as joias mais famosas de Busan, joias que meu irmão usou para pedir em casamento sua esposa. Houve uma vez em que vim aqui para comprar um anel, mas era tão jovem e imprudente que aquele anel não se tornou nada como uma memória estranha. Mas agora, tudo que consigo pensar é qual desses anéis Ji-eun vai gostar de usar, não que isso seja um pedido de casamento, mas quero tornar isso que sentimentos algo único.
Certa vez ouvi de meu irmão que a simplicidade é a chave de algo duradouro.
Mas diante de tantas opções, eu realmente me pergunto como posso ser simples, mas, ao mesmo tempo, marcante para ela. Alguém que não foi minha primeira paixão, mas que agora se tornou alguém que posso dizer com todas as letras: amo.
"Bem-vinda aos sonhos da lua, como posso ajudar?" e com um sorriso claro se aproxima de mim, tal marca, lembro de quando ela era apenas um sonho num papel de uma forte personalidade. "Meu nome é May, e a senhorita Lunna me escolheu para te ajudar em sua escolha pessoal."
"May. Existe essa pessoa que é muito importante para mim, mas começamos a sair recentemente e nesse tempo pensei em marcar ela com algo simbólico".
"Há muitas opções, mas pela forma como fala, imagino que seja o começo de um relacionamento. Estou certa?"
"Sim, isso... quero algo especial para dar a ela e minha conclusão foi um anel. Porém, não sei qual ou como escolher ele."
"Pode me dar detalhes sobre essa pessoa em questão, venha, me diga enquanto vamos observando as peças."
E a cada palavra que dizia, seu sorriso se expandia, engraçado, ela realmente parece feliz e empenhada em ajudar.
Ouvi sua escolha e, no final, cheguei à conclusão de que Ji-eun não parece gostar do que reluz em atenção. Na verdade, ela é simples, mas com um toque sofisticado.
Um anel de ouro branco, simples, composto por uma única pedra em seu escopo todo. Como pedra, um diamante cortado em formato de gota, uma pedra cintilante, tão pura que me faz lembrar dela.
As ametistas ornamentadas ao redor do diamante dão um toque único à peça, suas bordas ornamentadas num conceito mais clássico e no interior a frase gravada.
Espero que essa surpresa agrade ela, nunca fui de escolher algo para outras pessoas e nem mesmo de presentes tão simbólicos.
Mas com ela me sinto bem o suficiente para fazer isso, ir além do que antes era capaz.
Acho que posso dizer que isso é amor.
Presente.
"Eun-bi, sabe o que sinto quando olho para vocês atualmente? Nada, não sinto nada."
"O que está nessa caixa pertence a essa pessoa, certo? A mulher que vi ontem naquele jornal é ela, quem você não conseguiu esquecer no passado."
"Sim. Não tenho motivos para mentir."
"Estão saindo? Por isso dos rumores?"
"Ontem foi o dia em que reencontrei ela, mas não, desde o dia de nosso afastamento nunca troquei uma palavra com ela. Porém, não posso me forçar a sentir algo por você ou por Min-ju quando, na verdade, penso em outra pessoa nesse momento."
"E se ela não pensar em você? Vai ficar parada sem fazer nada?"
"Talvez, sim, talvez não, o que sei é que não desejo enganar nem a vocês e nem a mim."
"O clima parece estranho entre nós duas agora, e pensar que antes as coisas eram diferentes."
"O que ela tem de diferente?"
Desvio de seus olhos encontrando a chuva do lado de fora. Acho que não importa agora o que ela possui, ou como me encantei por ela desde o primeiro momento. Mas mesmo que importasse, seria injusto de minha parte dizer.
"Eu nunca passei a amar alguém, vamos apenas dizer isso."
"Amor... essa era a palavra que costumava dizer para mim também."
"Sim, até eu perceber o que realmente significa."
"Entendo agora, pensei que seria diferente, que voltaria e você sorriria para mim. No final, eu estava apenas nutrindo um sentimento ruim por algo que já acabou."
"Me desculpa, Eun-Bi."
E num instante tudo que me sobra é ouvir o som da porta de abrir. No fim, acho que o apelido que me deram naqueles rumores não é mentira na totalidade, acabo quebrando os corações quando não desejo tal.
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