5 - Pain

ANY

Noah é um gângster? Ou será que é mais uma de suas piadinhas? Minha mente está um turbilhão de pensamentos eu não sei mais o que pensar dele.

_Ótima piada Noah, mas falando sério agora, qual é a verdade? -perguntei fazendo o mesmo revirar os olhos-.

_Essa é a verdade Any, eu sou o líder de uma gangue, eu forneço drogas, bebidas e armas para quase todos os estabelecimentos dessa cidade, eu tinha ido receber em uma boate aqui perto e armaram para me pegar, vieram quatro me atacando de uma vez só, a minha sorte foi que eu não vim com o meu carro, vim com o carro de um amigo que é totalmente blindado e consegui me salvar, agora os três devem estar me procurando igual loucos no centro. -Noah disse me fazendo ficar anestesiada com tanta informação-.

_Mas não eram quatro? -eu perguntei-.

_Um eu matei. -ele disse apenas-.

_O que? Você matou um cara? -eu não sabia o que pensar-.

_Eles tentaram me matar, acha mesmo que eu não ia reagir. -Noah disse, fazendo uma careta em seguida quando mexeu a perna-.

_Caralho, é muita informação de uma vez. -eu disse o olhando-, Porra você é um gângster. Você.. você mata pessoas, que merda. -eu disse começando a entrar em desespero-.

_Sou, sim eu mato. -ele disse tranquilo-, E agora que você já sabe disso eu espero que fique calada porque as coisas podem ficar feias pra você. -ele disse em tom ameaçador-.

_E agora está me ameaçando?

_Estou. -Noah disse sem nenhuma reação-.

_Fique tranquilo seu babaca, eu não vou falar sobre isso pra ninguém. -eu disse-, Mas tenho uma dúvida.

_Qual dúvida você tem, Any? -perguntou impaciente-.

_Tipo.. -me enrolei pra falar-, Como isso começou? Como funciona?

_Quer virar uma gângster também? -debochou-.

_Não seu idiota, eu só quero saber. -eu disse-.

_Bom, isso já vem de família. De gerações, o meu pai morreu e eu assumi o lugar dele, simples. -ele começou dizendo enquanto eu voltava a limpar seus machucados-, Eu basicamente abasteço quase todos os estabelecimentos dessa cidade, tenho algumas boates e trafico armas e drogas. -ele dizia aquilo tudo com tanta calma que parecia ser algo super normal-.

_Cara... eu não imaginava. Eu achei que você era vendedor ou algo do tipo. -eu disse-.

_De certa forma eu sou vendedor, de armas e drogas. -Noah disse rindo-.

_Isso não tem graça, então você é perigoso, você matou um cara e... -Noah me interrompeu-.

_Em algum momento eu te coloquei em perigo? Ou tentei algo contra você? -ele perguntou com raiva na voz-.

_Não. -respondi-.

_Então pronto, não é o fim do mundo. -Noah disse ríspido-.

_Eu sei... Me desculpa, é que eu estou meio assustada com tudo isso. -eu disse e Noah se levantou, com dificuldade-, Onde vai?

_Vou pra casa. -ele disse caminhando em direção a porta-.

_Espera.. -fui atrás e segurei seu braço-, Não precisa ir.

_Eu estou te assustando e você está tirando a minha paciência. -Noah disse-.

_Noah, tenta entender o meu lado. Eu não sou acostumada com isso, é lógico que algo assim vai me assustar. -eu disse fazendo ele me olhar-, Você tá machucado, fica aqui. -ele não disse nada, apenas assentiu e caminhou até o sofá se sentando novamente-.

Isso tudo é novo pra mim, cara... o Noah é um gângster, puta merda onde eu me meti? Eu fiquei assustada com a revelação que ele fez mas não é como se eu enxergasse ele com outros olhos agora, somos amigos, porém eu fiquei chocada com tudo que ele faz e com tudo que ele lida, nem de longe eu imaginaria que ele é um gângster se ele não tivesse me contado.

Eu cuidei dos machucados dele e me arrisquei até a fazer uns pontos na perna onde segundo ele, tinha tomado um tiro de raspão.

_Você precisa de um banho. -eu disse me levantando do sofá-.

_Eu não vou conseguir. -ele disse baixo-, Você pode me ajudar? -perguntou, parecia o fim do mundo pra ele pedir a ajuda de alguém-.

_Claro que sim.

O levei para o banheiro e o coloquei sentando no vaso enquanto fui na cozinha pegar uma cadeira. Voltei para o banheiro e coloquei a cadeira embaixo do chuveiro, o ajudei a levantar e ele se esforçou pra tirar a camisa e a calça. É sério que ele tinha que estar ereto?

_Que inferno Noah, você esta.. -ele me interrompeu-.

_Não estou. -ele disse com uma careta de dor-.

Passei a esponja lentamente em seu quadril, ombro e suas costas enquanto ele fazia caretas, fiquei com dó.

_Agora eu já consigo tomar banho sozinho, pode sair. -ele disse pegando a esponja da minha mão e eu apenas assenti saindo dali-.

Que vergonha! Que merda Any, você podia dormir sem dar um mole desses, o que ele não deve estar pensando de mim agora. Noah não demorou muito no banho e eu o ajudei a sair do banheiro e o coloquei sentando na minha cama enrolado na toalha. Fui até meu armário e peguei uma bermuda de pano largo que caberia facilmente nele.

_Toma, veste isso porque suas roupas estão cheias de sangue. -disse entregando a ele a roupa-.

_De quem é isso? -perguntou olhando a bermuda na minha mão-, Não precisa nem falar, deve ser do babaca do seu ex.

_Ou veste ou dorme pelado. -eu disse-.

_Eu preferiria a segunda opção mas não estou na minha casa. -ele disse pegando a bermuda da minha mão-, E eu não vou dormir aqui, vou pra casa.

Eu saí do quarto para que ele se trocasse e não demorou muito ele apareceu na sala, mancando e fazendo caretas de dor.

_Vou pra casa. -ele disse mancando e indo em direção a porta, ele estava sem camisa e só de bermuda, descalço e com o celular e a chaves do carro na mão, seria engraçado se não fosse trágico-.

_Você não está nem se aguentando em pé, pode dormir aqui, quando você estiver melhor você vai. -eu disse tentando convencer o mesmo de ficar-.

_Eu tenho que resolver umas coisas e... -eu o interrompi-.

_Você já está aqui, resolve pelo celular, você não vai embora assim, você não aguenta nem chegar até o elevador. -eu disse fazendo Noah revirar os olhos-.

Ele concordou em dormir aqui, só que dessa vez o deixei no meu quarto e dormi na sala.

Notas Finais:
Querem mais?

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