29

— Mafioso Hyunjin? - perguntei-lhe.

— Irra! Briga, briga, briga.

— Não entendi - sonso.

— Vista uma roupa, nós vamos conversar - desliguei o celular dele e coloquei na escrivaninha.

Ele entrou no banheiro para se vestir.

Eu poderia tranquilamente fazer um escândalo, mas minha mãe não me criou para isso.

Continuei pensando em tudo que eu iria falar, preciso estar ciente que após essa conversa ele será oficialmente o que sempre suspeitei.

Ele saiu do banheiro e sentou de frente para mim, eu estou sentado no meio da cama com perna de índio.

— O que quer conversar príncipe? - perguntou.

— No dia que jantamos naquele restaurante você disse que quando eu confiasse 100% em você, tudo que eu quisesse saber você me contaria - minha memória é excelente - Eu já confiava em você, mas não quis te pressionar contar nada, qual o motivo de não ter me contado até agora? - falei tudo bem calmo, preciso continuar assim.

— Eu iria te contar, mas eu vi que você já estava desconfiando - e tem como não desconfiar? - Só não pensei que fosse demorar tanto.

— Não posso simplesmente apontar o dedo na sua cara e falar de algo que eu não tenho certeza - falei - Você realmente está na máfia?

— Sim, eu estou na máfia - ele viu que eu precisava ouvir da boca dele cada palavra.

Máfia? Eu já desconfiava, mas agora é sério.

O que eu faço?

Terminar o namoro é uma boa opção, nunca namorei e quando vou namorar é com um mafioso.

O azar é meu amigo do peito.

— Da máfia, meu Deus do céu - resmunguei, estava com a unha entre os dentes, me segurando para não comer todas.

— Príncipe? - me chamou.

Namorado de mafioso, onde eu fui me meter?

— Conte tudo, como entrou nisso? Por quê? O que faz? Já matou alguém? - perguntei tudo de uma vez.

Se não me contar pego o primeiro vôo para Quebec hoje mesmo.

— Seu lobo já contou sobre a reencarnação? - confirmei - Em todas as vidas passadas Hwang Hyunjin foi um mafioso, não seria diferente nessa, você nem nota quando vê já está dentro.

O que os outros Lee Felix foram?

Ele me explicou o que fazia, teve coisas que eu não entendi por não ser da máfia.

Nem pretendo ser.

— Sim, eu já matei - além de mafioso é assassino, só melhora o currículo do meu namorado - Mas não eram inocentes.

— Foi mais de um? - confirmou - O que eles fizeram?

— De tudo um pouco, se trair a máfia, morre - nunca vou trair você - Só vou contar esse, os outros é melhor você continuar sem saber.

Como se eu fosse deixar, fiz ele contar tudo, escondeu por muito tempo já.

Ele contou tanta coisa que eu sinceramente estou de boca aberta.

— Então príncipe - eu deixei que ele contasse tudo, sem falar nada.

— Preciso pensar, é muita coisa - falei, saí da cama.

Escovei os dentes e voltei, ele estava respondendo às mensagens que eu vi.

Puxei o edredom, com dois travesseiros fiz uma barreira no meio da cama.

Deitei do meu lado, nem cobri, não estava fazendo frio em Nova York.

— Sério príncipe? - falou olhando a barreira.

— Seríssimo, deite do seu lado da barreira - apontei para o outro lado - Preciso ficar sem tocar em você para pensar.

Ele deitou, ficamos os dois olhando o teto.

Como é ser namorado de um mafioso? Como eu devo agir? Eu termino ou não?

Adormeci pensando nisso.

[...]

Era madrugada quando Felix despertou, não completamente.

Estava acordado o suficiente para tirar os travesseiros e abraçar o corpo do alfa.

— Príncipe, você disse que ficaria sem tocar em mim - Hyunjin resmungou.

— Calado - foi a única coisa que o ômega falou antes de adormecer novamente.

[...]

Hyunjin foi o primeiro a acordar, sentia uma mão gelada em seu peito, Felix dormia tranquilamente com a cabeça e a mão repousada em seu peito.

Para não acordar o ômega, ficou imóvel.

Mexia no celular com apenas uma mão, até que recebeu uma ligação.

— Alô - falou em voz baixa.

— Por que está falando baixo? - o outro alfa perguntou.

— Felix está dormindo, agora fale logo o que é - continuou sussurrando.

O alfa do outro lado da linha sabia quem Felix era, todos sabiam quem era Felix, Hyunjin fez todos saberem.

— Conseguimos fechar o negócio, vão começar a fabricação no próximo mês - o alfa falou.

— Ótimo, até domingo eu estou de volta, se Felix quiser ficar mais eu avisarei - Hyunjin falou.

Felix ouvia tudo, seu lobo o fez acordar para ouvir a conversa.

— Um dos maiores mafiosos fazendo as vontades do ômega, é lindo de ver - o alfa zombou do chefe.

— Muito engraçado você - fez uma ameaça praticamente codificada para Felix, o ômega não entendeu o que seu alfa falou para o outro - Vou desligar.

Feliz continuou quieto, de olhos fechados, praticamente dormindo.

— Tão pequeno - Hwang falou passando a mão pelos fios roxos do ômega.

— Não sou pequeno - Felix se defendeu sem levantar a cabeça, continuou recebendo carícias no cabelo.

— Vamos descer para tomar café ou quer tomar aqui? - Hyunjin perguntou para o ômega.

— Descer - respondeu, mas não moveu um músculo.

— Príncipe, precisamos levantar - Felix se grudou mais nele - Tudo bem, eu te dou banho.

Felix levantou na hora.

— Chato - resmungou indo até à mala, pegou a roupa que vestiria e foi para o banheiro.

[...]

Descemos de mãos dadas para tomar café, um dos funcionários do hotel nos levou até o salão de mesas.

A mesa onde estava tudo que você poderia comer deveria ter uns dez metros, quanta comida.

Eu e Hyunjin estávamos nos servindo quando ouvi meu nome ser gritado.

— Quem é o louco? - Hyunjin perguntou.

— Quem você acha? - ele já entendeu.

Virei na direção da voz, encontrei Minho acenando sorrindo, estava sentado com os dois alfas, me chamou para sentar lá.

Virei novamente para mesa.

— Deveria ter escolhido ficar no quarto - resmunguei, eu estava só com um café simples e três torradas, não estou acostumado comer muito pela manhã.

— Por que príncipe? - Hyunjin esperava seu café especial ser feito pelo ômega que nos atendeu.

— Minho ainda deve estar brigado com Jeongin, o clima que está naquela mesa é maravilhoso, e eu tenho medo dos alfas dele - contei para Hyunjin.

— Um ótimo café da manhã para vocês - o ômega falou entregando o café de Hyunjin - Vocês formam um lindo casal.

— Obrigado - agradeci sorrindo.

— Ainda podemos ir para o quarto - Hyunjin andava devagar me dando tempo para desistir.

— Minho vai saber que eu estou o evitando, vamos logo - fomos até a mesa do trisal.

Não estou evitando o Minho, só não quero ficar no meio da briga deles.

— Bom dia pombinhos - Minho falou quando sentamos.

— Bom dia briguentos - acabei soltando, mas é verdade.

— Não sou briguento - Minho se defendeu.

— Imagina se fosse - resmunguei.

Minha estava falando algo com Jisung, Jeongin estava quieto, como eu não concordo com as atitudes do meu querido amigo resolvi vencer o medo e puxar assunto com ele.

— Quando começou na dança, Jeongin? - perguntei antes de beber um gole de café, ele estranhou eu falar com ele do nada, mas respondeu.

— Eu era adolescente, foi em uma apresentação da escola que fiz minha primeira coreografia - ele contou.

— Como é ser coreógrafo de tantos grupos famosos? - ele já fez coreografia até para fora do k-pop.

— Cansativo, mas conheci muita gente legal fazendo isso, foi assim que conheci Jisung - engatamos em assuntos que eu nem imaginava que poderia conversar com ele.

Finalmente perdi o medo que tinha dele, agora falta Jisung.

— O que vocês vão fazer hoje? - Minho perguntou, não pretendo continuar no meio dessa tensão.

Por isso cutuquei a perna de Hyunjin por debaixo da mesa, para ele arrumar uma desculpa, como um alfa maravilhoso ele entendeu.

— Vou levar Felix em um lugar - é por isso que eu amo ele.

— Tudo bem, ainda temos tempo para sair juntos - essa madrugada eu vou embora, me recuso enfrentar esse climão de novo.

Minho precisa entender que evitar jeongin, ou colocar ele fora das conversas não vai mudar o que aconteceu.

— Vamos príncipe? - despedi dos que estavam à mesa, quando estávamos no elevador Hyunjin resolveu falar - Foi muito legal ver você vencendo seu medo para conversar com jeongin.

— Eu sei, sou top - me gabei - Apenas não concordo com o que minho está fazendo, pretendo falar isso com ele.

— Deveria, não pretendo ficar com eles enquanto estiverem assim, você pode ir se quiser - ele falou, entramos no nosso quarto, sentei na ponta da cama.

— Vou nada, fico todos os dias dentro desse quarto fingindo ter saído, mas não fico com eles - me desculpa minho, mas eu detesto ficar no meio de briga.

Peguei meu celular que ficou carregando, várias notificações no Instagram, é a foto que Joshua postou.

Ele colocou na legenda "reencontrei um velho amigo" e me marcou, o primeiro comentário que me chamou atenção estava fixado, nem sabia que dava para fazer isso.

"É o Felix mesmo?"

O dono da conta era "Seo_____cb", entrei na conta, era changbin.

Olhei algumas fotos, e pelo que parece ele conseguiu realizar o sonho de ser um Idol.

Voltei para a publicação, respondi o comentário dele.

"Sim, sou eu mesmo"

Acredito que ele estava esperando eu responder, não deu dois minutos ele passou me seguir.

Talvez se pergunte por que eles não te procuraram no Instagram antes?

Porque eu não tinha, shuhua que me fez fazer tem uns três meses, ou menos.

Chegou a mensagem na minha DM.

Changbin - Olá Felix, se lembra de mim?

Olá changbin, eu me lembro de você.

Eu estudei com ele todo o fundamental, como eu iria esquecer?

Changbin - Você sumiu, o que aconteceu?

Tive meu corpo exposto para escola inteira.

Respondi o óbvio.

Changbin - Isso eu sei, eu estava lá, quero saber por que sumiu sem deixar rastro?

Estava com vergonha de mim mesmo, e queria recomeçar minha vida deixando tudo para trás.

Changbin - Inclusive eu.

Sim, inclusive você.

Me arrependo de ter feito isso, mas eu não queria nada que envolvesse a escola comigo, naquela época para mim foi o certo a se fazer.

Changbin - Você está em Nova York né?

Sim, por quê?

Changbin - Eu vim para assistir ao show do Jisung, e dos nossos amigos, podemos nos encontrar?

Qual dia?

Changbin - Pode ser hoje.

— Hyunjin? - levantei a cabeça para procurar ele, mas ele estava bem do meu lado deitado.

— Fale - abriu os olhos para me encarar.

— Você vai me levar em algum lugar? - perguntei.

— Não!? - nem ele sabe - Por quê?

— Um amigo está me chamando para encontrar com ele hoje, se vamos sair eu falo que estarei ocupado - expliquei.

— Que amigo? Qual o nome do seu amigo? Ele namora? Ele sabe que você namora? - levantou perguntando.

— Para de ser ciumento, é um ex amigo de escola, vai me levar em algum lugar? - tornei perguntar.

— Não sou ciumento, pode sair com seu amigo - voltou se deitar, mas de costas para mim, birrento!

Pode ser hoje, me fale o lugar.

Changbin - K Rico Steakhouse, às 12:30, não se atrase felix.

Ele não se esqueceu do meu problema com pontualidade, sempre sou o atrasado.

Changbin - Se seu namorado veio, pode levar ele.

Não irei me atrasar, se ele quiser ir eu levo.

— Hyunjin, meu amigo disse para levar você, quer ir? - perguntei, mandei mensagem para minha mãe avisando o provável dia que voltaria.

— Já que insiste - cínico, ele estava doido para ir, só para ver quem é meu amigo.

— Como não tomou banho cedo, já pode ir agora - falei, ele levantou e foi para o banheiro.

Quando voltarmos do almoço conversarei novamente com ele, preciso esclarecer as coisas.

[...]

Entramos no restaurante, o garçom nos levou até a mesa que Changbin estava.

Eu estava levemente nervoso, e se ele soltar qualquer coisa do meu passado para Hyunjin?

— Aqui senhores - o garçom se retirou.

Changbin ficou em pé e me abraçou, demorei uns três segundos para retribuir.

— Este é Hwang Hyunjin, meu namorado, Hyunjin este é um velho amigo de escola Seo Changbin- apresentei os dois, que apertaram as mãos.

Hyunjin sempre com a cara de poucos amigos, como um cara assim se apaixonou por um doido como eu?

Sentamos, eu ao lado de Hyunjin e Jisung em nossa frente, fizemos nossos pedidos para outro garçom.

— Sempre suspeitei que era gay - incrível como todo mundo sabia menos eu, por que não me avisou, iria ser bem mais fácil.

— Já percebi que todo mundo sabia menos eu - comentei - Você ainda mantém contato com San e Miyeon?

— Com San sim, ele já assumiu a empresa do avô - Changbin contou - Miyeon não, nunca mais falei com ela.

— Por quê? - perguntei, Hyunjin estava concentrado em algo no celular.

— Não gostava dela - respondeu simples - Aquela melação com você "Felix oppa olha isso" "Oppa faz isso" - imitou ela - Só de lembrar me dá gastura.

— Quem é Miyeon? - Hyunjin perguntou, agora ele largou o celular.

Vai ser ciumento assim lá na China.

— Uma ômega completamente apaixonada pelo Felix - changbin respondeu.

— Quem disse que ela era apaixonada? - perguntei.

— Só você não via, ela faltava babar enquanto você falava - isso, agora hwang vai a caçar e matar ela.

— Miyeon - Hyunjin resmungou anotando no celular.

— Você fez terapia quando se mudou? - Hyunjin voltou prestar atenção em nossa conversa.

— Não - respondi, antes que ele perguntasse algo fui mais rápido - E como está sendo a vida de famoso?

Consegui tira o foco de mim.

Nossos pedidos chegaram, eu e Hyunjin pedimos carne, Changbin pediu salada com frango.

Às vezes Hyunjin prestava atenção em nossa conversa, e às vezes olhava o celular, estava conversando com alguém, via ele digitando.

— Como vocês se conheceram? - perguntou.

— Ele era meu professor de Literatura - respondi.

O que um mafioso foi fazer em uma escola? Outra pergunta que irei fazer.

— Pegando o professor felix, lindo isso - se eu tiver filhos vou contar outra história, essa de professor e aluno é péssima - Quem se apaixonou primeiro?

— Eu - respondemos juntos.

— Fui eu Hyunjin, nem vem de história - falei a ele.

— História não, fui eu sim, desde o momento que eu olhei você no estacionamento já me apaixonei - ele contestou.

— Você é um Lúpus, não vale, foi eu changbin - falei para o meu amigo que ria da nossa pequena discussão romântica.

— Quem se declarou primeiro? - perguntou.

— Nem pense em falar que foi você - ameacei o lúpus - Fui eu, passei vergonha, mas valeu a pena.

— Vamos pedir nossa sobremesa e você conta a vergonha que passou - chamou o garçom, vieram dois, um para retirar nossos pratos e outro para anotar a sobremesa.

Eu pedi torta de chocolate, e Changbin pediu um doce com morangos que eu não sei falar o nome, Hyunjin não é fã de doce como ele mesmo já disse.

Contei para Changbin o que aconteceu quando me declarei para Hyunjin, sinto vergonha até hoje.

O garçom trouxe nossas sobremesas.

— Quer? - perguntei ao Hyunjin, ele olhou a torta e negou com cara de nojo, esse realmente detesta doce.

— O fã número um de doce namora com o cara que detesta doces, realmente os opostos se atraem - Changbin falou vendo Hyunjin negar.

— Eu acho ótimo, posso comer tudo sozinho - falei antes de comer um pouco da torta.

A mulher da mesa ao lado se levantou e veio para nossa mesa.

— Changbin, temos que ir - e saiu.

— Quem é ela? - perguntei.

— Uma das staffs que me acompanham quando viajo, vou ter que sair primeiro que vocês - se levantou - Foi bom rever você Felix, não suma de novo.

Abracei ele para me despedir.

— Foi bom te conhecer, Hyunjin - apertou a mão do meu alfa - Tchau! - acenou com a mão livre, a outra estava o doce.

— Vamos Hyunjin? - levantei com a minha torta.

— Vamos príncipe! - fomos até o caixa para pagar - A conta daquela mesa, e embrulha a torta para viagem - Hyunjin apontou para a mesa que sentamos, entreguei minha torta, foi bem rápido para me devolverem.

— O senhor que estava sentado com os senhores já pagou a conta - a beta falou.

Saímos do restaurante, ainda bem que Hyunjin estacionou bem na frente, ele abriu a porta para mim, mas quando eu fui entrar algo me parou.

— Você é Lee Felix, certo? - eram cinco adolescentes, Hyunjin não estava entendendo nada, como eles sabiam meu nome?

— Sou eu - respondi.

— Pode tirar uma foto com a gente? - uma das ômegas perguntou.

Eram três ômegas, e dois alfas.

— Tudo bem - por que eles querem tirar uma foto comigo? Eu não sou famoso!

Coloquei a torta no banco do carro, e novamente sobrou para Hyunjin tirar a foto.

Enquanto ele tirava a foto surgiu mais cinco adolescentes, mais fotos, Hyunjin estava pulando de alegria.

— Nem acredito que tirei foto com ele - saíram falando.

— Legal, o que aconteceu aqui? - perguntei para Hyunjin.

— Você deve ter ficado famoso enquanto dormia - respondeu.

Peguei meu pedaço de torta e entrei no carro, continuei comendo esperando Hyunjin entrar.

Eu sinto que Minho tem a ver com isso, certeza que ele fez algo.

Estávamos aproximando do hotel quando vejo umas trinta pessoas na frente do hotel, com placas "Lee Felix 💜" sou eu merda.

— Hyunjin, vai pelo estacionamento - me abaixei no assoalho do carro para não me verem.

— Ser namorado de famoso dá nisso - Hyunjin resmungou.

Pelo estacionamento conseguimos entrar, joguei a embalagem da torta no lixo.

— Qual quarto Han Jisung está? - perguntei na recepção.

Primeiro ela ligou no quarto perguntando se podia passar essa informação.

— Seu nome? - me perguntou.

— Lee Felix - respondi, lógico que ele liberou.

— Décimo andar, quarto A8 - me informou.

— Vamos, Hyunjin - puxei para o elevador.

— Abre essa porta, Lee Know. - bati na porta do quarto.

— Oi Felix - Jeongin abriu a porta - Minho saiu, só está eu e o Hannie.

— Como assim aquela coisa perfeita saiu? - estou tentando ficar calmo, eu tenho certeza que ele me envolveu nessa merda.

— Ele saiu, faz umas duas horas - jisung apareceu na porta - Para onde ele foi, Hannie?

Jisung deve saber o lugar pelo fato do Minho ainda não estar falando com jeongin.

— Você não sabe? - perguntou para mim, neguei - Mas ele disse que se encontraria com você.

Eu falei que foi ele.

— Eu estava almoçando com outro amigo, não vi nem rastro do Minho - eu vou vender meu amigo.

— Ele está passando dos limites, Hannie - Jeongin falou.

— Eu vou achar ele - Hyunjin se pronunciou pela primeira vez.

Digitou algumas palavras no celular para outra pessoa.

— O celular dele é esse? - mostrou o nome do modelo.

— É esse - Jeongin respondeu.

— Isso é estranho - Hyunjin resmungou.

— O quê? - perguntei.

— Tudo indica que ele não saiu do hotel - Hyunjin falou - Vamos até onde ele está.

Jisung e Jeongin trancaram o quarto e nos seguiram, subimos até o andar do nosso quarto, a setinha apontava para a nossa porta.

A porta estava encostada, Hyunjin buscou por algo no cós da calça nas costas, apertei o braço dele o impedindo de fazer aquilo.

Ótimo, ele anda armado, como eu não percebi isso?

— Tão lerdo, tadinho.

Entramos no quarto e Minho estava dormindo na nossa cama.

— O quarto de vocês não têm cama? - perguntei para os dois.

— Tem - Jisung respondeu.

— Então qual o motivo dele estar dormindo aqui? - apontei para a madame dorminhoca.

— Não sei, mas essa graça já acabou - Jeongin falou.

Pegou Minho no colo e saiu.

— Devo analisar minhas amizades, eu só tenho amigo doido - resmunguei.

— Realmente, seus amigos não batem bem da cabeça - Hyunjin concordou.

— Não é para concordar - dei um tapa nele.

— Batendo em mafioso, cuidado, ele pode te matar.

— Vamos conversar? - perguntei.

O quarto tem um sofá de dois lugares perto da janela, sentamos lá.

— Como eu devo agir sendo namorado de um mafioso? - perguntei.

— Do mesmo que estava agindo antes de saber, quando estou com você, sou apenas Hwang Hyunjin o alfa apaixonado - para que eu sou emotivo - Continue me vendo da mesma forma de antes, veja eu ser da máfia como apenas mais uma informação sobre mim.

— Você ser da máfia não é como descobrir seu vinho favorito - ele pensa que é fácil simplesmente colocar a informação que ele é da máfia como outra qualquer.

— Eu sei que você vai conseguir, se continuar pensando nisso como algo ruim vai enlouquecer e querer terminar comigo - ele falou - E você não quer isso ou quer?

— Lógico que não, Hyunjin - o trabalho que deu para namorar ele, vou terminar só porque ele é mafioso.

Apenas um mafioso, só isso.

Se eu continuar pensando isso em breve eu esqueço.

— Eu não vou ter que fazer nada para ser aceito como seu companheiro na máfia né? - se ele falar que sim, aí eu termino, me recuso fazer um pacto, sou muito de Deus para isso.

— Não príncipe, eles sabem quem você é, só você não sabia deles - respondeu.

— Muita gente já sabe que eu sou seu namorado? - perguntei.

— Sim, desde o momento que começamos namorar foi anunciado que eu estava namorando você - ele falou.

— Por quê?

— Para quê não tentassem fechar acordo comigo com algum casamento arranjado, que era o que estavam tentando fazer quando fui para sua escola - essa parte eu estou detestando.

— Foi por isso que decidiu dar aula? - perguntei.

— Sim, a beta que foi dada em casamento estudava lá, eu fui lá para procurar um documento que me livrasse dela - realmente não gosto dessa história - Mas a segurança da escola é excelente, só consegui entrar como professor, no final não precisei de documento.

— O que aconteceu?

— Você, você fez com que eu acabasse com todo contrato - ele me ama, ele me ama, ele me ama.

— Mas quebra de contrato acontece o quê? - sempre tem a parte ruim disso.

— Eles não quiseram acabar com o contrato, então eu dei meu jeito - respondeu - A família inteira foi morta.

— Mentira né? - fala que é mentira.

— Sim, só matei o pai e a mãe, a beta está viva - eu queria ela morta? Jamais.

— Que bom né? - falei sem animação.

— É impressão minha ou você queria ela morta? - perguntou achando graça.

— Hyunjin, eu jamais iria querer isso, eu sou de gospel caso você não saiba - falei sendo sonso.

— Agora é sua vez de falar - não entendi - O que aconteceu para você sumir da Coréia?

— Certeza que quer saber? - perguntei.

— Sim, não quero mais segredos entre nós - respondeu.

— Tudo bem, eu estava no último ano do fundamental quando uma menina se fez de louca apaixonada, ela era a alfa mais desejada da escola - comecei contar - Como eu rejeitei o pedido de namoro, ela fez da minha vida um inferno, e faltando um mês para acabar o ano ela colou uma foto minha em todos os armários da escola.

— O que tinha na foto? - perguntou.

— Era eu apenas de cueca, eu era bem gordinho naquela época, fizeram muitos comentários maldosos sobre meu corpo, e aquilo ficava martelando na minha cabeça - não olho para ele, apenas para minhas pernas - Changbin tomou as fotos do povo que estava no corredor, e eu corri para casa, terminei aquele ano em casa, não coloquei o pé para fora de casa, estava vivendo a base de gelatina e água, raramente comia outra coisa que não fosse isso.

— Por isso sua mãe se preocupa com sua alimentação?

— Sim, como eu queria voltar para escola sugeri fazer intercâmbio no Canadá, mas meus pais decidiram vir junto - falei uma parte - Minha mãe decidiu parar de trabalhar, falou que iria descansar, e a preocupação com comida, eu tive recaídas depois que mudei, passar dias sem comer, faz uns cinco meses que não tive recaída.

— Meu príncipe - abraçou meu corpo, retribui na hora - Queria ter conhecido o Felix gordinho, iria acabar com todos que falassem algo sobre você.

Namorar um mafioso tem suas vantagens.

Ele literalmente mataria por mim.

— Realmente não fez terapia? - perguntou.

— Não, meus pais sempre sugerem que eu faça, mas eu não quero - falei.

Para quem pensou que por meus pais serem pastores iriam falar "isso é frescura" ou "é falta de Deus" está enganado, eles disseram que se eu quisesse iriam procurar o melhor psicólogo.

Mas eu não queria, nunca senti vontade de ir.

— O que aconteceu no baile que você foi da escola? Ouvi você comentando com suas amigas - ele realmente não quer segredos, nem eu lembrava disso.

— Era o baile de "boas-vindas" as meninas me convenceram participar, estava ótimo até o final, apareceu a mesma foto no telão, a sorte é que as luzes coloridas e a iluminação ruim não deixou que alguém visse - contei - E foi assim que as meninas souberam o que aconteceu.

— Como fez para tirar a foto de lá? - perguntou.

— A Soojin tirou, ela é praticamente um hacker - respondi - Os pais dela serem os maiores fabricantes de tecnologia ajudou nisso, ela é um gênio do computador.

Meus amigos são prodígios.

Tenho amigo modelo, cantor, dançarino, gênio, e uma futura cirurgiã.

— Sem segredos, promete? - colocou o mindinho na visão dos meus olhos.

Juntei o meu com o dele.

— Prometo - falei.

— Olha o tamanho do seu mindinho - segurou minha mão para observar melhor - É pequeno e gordinho.

— Minha mão é assim Hyunjin, pequena e gordinha - ele beijou minha mão e a soltou.

[...] Dois dias depois

Minho resolveu não atender o celular, e Jeongin me disse que ele mudou de hotel, queria pensar.

No que ele vai pensar? Eu que sou o "adolescente" e ele que faz pirraça.

Preciso o encontrar para ter uma conversa séria com ele, já está virando circo isso aqui, e eu não serei o palhaço.

Eu fui ao show dos meninos, eles mandam muito bem, após ouvir algumas músicas percebi que conhecia, só não sabia o nome dos cantores.

Minha mania de ouvir playlist aleatória dá nisso, não sei o nome de metade dos cantores que escuto.

O resto dos participantes são legais, tem uma coreana, na verdade, tem de tudo um pouco, nunca vi tantos países juntos.

No momento estou no quarto deitado, Hyunjin está tomando banho, acabamos de voltar do almoço.

Amanhã voltaremos para Quebec, ou depois, se surgir algo ficaremos mais.

Meu celular tocou, era Shuhua, atendi ela estava desesperada.

— A Soojin foi presa, Felix.........................

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top