11
— Felix, precisamos conversar - ele falou - É assunto de vida ou morte.
— E o que seria? - perguntei interessado.
— Você precisa se ligar emocionalmente com o Hyunjin - ele respondeu e eu apenas ri, esse lobo tá engraçado.
— Sonha que eu vou fazer isso - falei a ele.
— Você vai sim, agora que as almas finalmente se encontraram, elas precisam ficar juntas, ou vocês vão começar sentir dores até não aguentarem mais.
Eu não quero que ele morra, mas como o lobo tem tanta certeza que o hwang é minha alma gêmea.
— Não se faça de sonso, quem mais seria? Tem outra pessoa que você anda pensando? É outra pessoa que está fazendo seu coração bater mais rápido? - ele fez perguntas retóricas.
— Mas e se só eu estiver apaixonado? - finalmente admiti em voz alta.
— Duvido muito - ele respondeu.
— Como pode ter tanta certeza? Afinal ele não demonstrou nenhum interesse - perguntei.
— Tu que é muito lerdo.
Ele se aquietou depois disso. Eu admiti que gosto do Hyunjin, estou feliz, porém ao mesmo tempo preocupado, admitir isso é também ter a certeza da minha sexualidade.
Eu sou gay!
— Finjam surpresa pra não magoar os sentimentos dele - Cleberson fala.
— Calado, assombração.
[...]
Estou aproveitando o conforto do meu quarto enquanto ainda posso, sou péssimo em mentir, em breve meus pais saberão da minha sexualidade.
Minha mãe sempre pergunta o que está havendo para mim estar tão distante.
Ela também me encheu de perguntas sobre a mão, perguntou se alguém tinha feito aquilo comigo, e eu respondi que fui eu mesmo que causei o estrago.
O filho do pastor é gay! Isso com certeza vai se espalhar rápido pela igreja, vai ser a notícia do ano, tenho que me preparar para ser atacado.
Vão dizer que eu sou sujo, pecador, filho do diabo, que mereço morrer, se possível vão querer me apedrejar.
Mas essa nem é a parte que mais vai doer, e sim a rejeição dos meus pais, saber que eles podem simplesmente virar as costas pra mim, dói no fundo da minha alma.
Eu sinto que estou decepcionando eles, e eu só estou tentando ser eu mesmo, por que eu ser assim pode causar tantos problemas?
Será que eu sou um erro?
Como sempre eu acabo chorando por pensar nessas coisas, virei meu corpo na cama ficando de frente para a escrivaninha, onde minha bíblia estava em cima.
Faz muito tempo que eu não falo com Deus, isso me acalmava antes, na atual situação parece uma ótima ideia.
— Deus? - falei sentindo o nó na garganta se formando, não tenho controle das lágrimas - Sei que faz muito tempo que eu não falo contigo, e eu nem sei o motivo, apenas me afastei por me sentir falho - eu tentava não fazer muito barulho, afinal o quarto da minha mãe é ao lado - Deus se o Senhor está me ouvindo, pode por favor fazer meus pais me aceitarem, eu não sei como vou contar, e nem sei pra onde irei se eles me rejeitarem, então por favor faz eles continuarem me amando, eu só quero ser amado sendo eu mesmo!
Autora on
Felix sentia seu peito arder, sua cabeça doía mais do que poderia suportar, sua garganta ardia por segurar os soluços, e seus olhos denunciavam o que ele estava sentindo.
Medo!
Medo de não ser amado, ele só queria o amor dos pais, qual era o problema dele ser gay? Essa era a pergunta que não saia da cabeça do ômega.
[...]
Na porta do quarto do ômega uma mãe estava de joelhos chorando por ouvir o pedido do filho, seu pequeno estava com medo!
Enfim entendeu o porquê dele estar daquela forma, mesmo que a mais velha já desconfiasse, na verdade ela sempre soube, mas quis esperar o tempo certo pra ele se aceitar.
O marido chegou e viu a esposa naquele estado ficou sem entender nada, ela apenas levantou e o guiou para o quarto, dizendo que outro dia explicaria o que estava acontecendo.
[...] Felix on
Minha cabeça doeu assim que abri os olhos, esse é o resultado de chorar até dormir, nunca mais faço isso!
Meu coração está mais leve, sinto que tem coisas boas chegando, quem sabe eu finalmente irei namorar.
— Só se for o Hyunjin, caso contrário esquece - o lobo fuxiqueiro comentou.
— Por que tem que ser ele?
— Vocês são almas gêmeas, não importa em qual planeta, galáxia, país, vocês sempre pertenceram um ao outro - ele respondeu - É o destino.
— E se a gente se odiar?
— Ódio pode se tornar amor - respondeu sincero.
— E se eu não confiar nele?
— Confiança é ganha com o tempo - respondeu.
— E se eu tiver duas personalidades e uma delas morrer, sobrando apenas a que mataria ele?
— Isso é quase impossível de acontecer, mas ele sempre vai conseguir o seu amor - rebateu.
— E se a gente for hétero? - fiz a última pergunta.
— Você e Hwang hétero? Piada, como eu disse antes não importa a situação o destino sempre vai unir vocês, tá escrito nas estrelas - ele respondeu e aquietou.
Com essa conversa em minha cabeça fui tomar banho, bem quente pra aliviar a dor que eu sentia. Enquanto tomava banho aproveitei e escovei os dentes.
Depois do banho fui até o closet para me vestir, vesti a cueca em seguida a calça preta, coloquei uma blusa vermelha com listras pretas de manga comprida e gola alta, nos pés calcei uma bota preta.
Não estava querendo pentear meu cabelo, então coloquei um boné, como não escondeu o suficiente vesti um casaco preto com touca, agora sim.
— Parece os idols tentando esconder a cor do cabelo - o incherido comentou.
Com muito sacrifício saí do meu quarto com minha bolsa, desci as escadas, encontrei minha mãe sentada tomando sua xícara de café.
— Bom dia, pequeno - ela falou sorrindo, eu estranhei, fazia muito tempo que ela não me chamava de "pequeno".
— Bom dia, mãe - respondi.
— Seu pai trouxe as balas que tanto gosta, estão na primeira porta do armário - ela falou, peguei as balas colocando na bolsa, eu já ia saindo da cozinha quando ela falou algo que realmente me surpreendeu - Eu te amo muito, meu pequeno!
— Também te amo muito, mãe - respondi, o que está acontecendo aqui?
Saí de casa entranhando tudo aquilo, caminhei rápido para a escola, estava um pouco atrasado.
Como sempre entrei pelo estacionamento, não vi aqueles lindos olhos que parecem duas jabuticabas, já entrei na escola triste.
As duas escandalosas não estavam no lugar de sempre, estranhei, depois de pegar o livro caminhei até minha sala sentando na cadeira.
Fiquei de cabeça baixa até ouvir duas pessoas brigando do meu lado, adivinha quem é?
— Eu garanto que o Felix concorda comigo - Shuhua falou brava, levantei a cabeça não entendendo nada.
— Que? - as duas olharam pra mim e fizeram uma cara estranha.
— Por que está todo escondido nesse casaco? - Soojin foi a primeira a perguntar.
— Não estou escondido, eu só não queria pentear o cabelo - respondi não dando importância, as duas só murmuram um "sei".
[...] No intervalo (corredor da escola)
— Eu sei que seu cheiro tem hortelã, mas seu hálito também tem? - Shuhua perguntou.
— São balas que meu pai comprou pra mim - respondi.
— Ótimo, assim não vai fica com bafo quando falar com Hyunjin - Soojin falou.
— Por que eu falaria com ele?
— Porque ele tá vindo até nós - Shuhua respondeu.
— Posso roubar ele um pouquinho? - ele perguntou quando parou do meu lado.
— Claro, ele é todinho seu - Soojin me entregou de bandeja para ele.
— Felix, me acompanha? - agora ele pergunta para mim?
Eu só fui porque sou curioso, e não pelo fato de não conseguir dizer "não" pra ele.
Seguimos até o segundo andar da escola, ele me levou para uma sala vazia, a última do corredor.
Entrei na sala depois dele abrir a porta, eu não estava entendendo o que ele pretendia fazer.
Fiquei olhando a janela, vendo adolescentes se beijando perto das árvores, e outros fazendo guerra e bola de neve.
Ele pediu para mim virar, estava relutante, mas acabei virando, encarar ele não é tão fácil como no início.
— Pode tirar a touca e o boné? - é, eu ainda estava com os dois, mesmo que shuhua tenha penteado meu cabelo na primeira aula.
— Por que? - perguntei desconfiado.
— Quero ver seu rosto - sua voz estava trêmula.
É fica bem difícil ver meu rosto com tudo isso.
Levei as mãos até a touca abaixei a mesma, em seguida tirei o boné, ajeitei os fios com os dedos e olhei novamente para ele.
Ele ficou um bom tempo apenas me olhando, eu já tinha ficado vermelho faz é tempo, não consigo ser encarado sem ficar com vergonha.
— Por que me trouxe aqui? - perguntei querendo sair o mais rápido possível.
— Meu lobo tem me mostrado você, mas é uma versão loiro - ele começou falar, com certeza era o Felix da vida passada - Também vi você cantando, uma música muito bonita, o mais estranho é que estávamos em um altar - nessa hora eu não fiquei vermelho, foi azul de tanta vergonha - Você sabe o que está acontecendo?
— Não acredito que o lerdo do lobo ainda não contou, isso vai atrasar meu plano - meu lobo falou indignado - Responda sem contar que você são almas gêmeas, você achou a resposta por conta própria, ele também vai conseguir.
— A música seria assim "i modeun geon uyeoni anya
geunyang geunyang naye neukkimeuro
on sesangi eojewan dalla
geunyang geunyang neoye gippeumeuro
niga nal bulleosseul ttae
naneun neoye kkocheuro
gidaryeotteon geotcheoreom
urin shiridorok pieo
eojjeomyeon ujuye seobri
geunyang geuraetteon geoya
You know I know
neoneun na naneun neo - cantei apenas o começo da música, essa música ela realmente tem um significado muito importante.
— Como sabe que é essa? - ele perguntou assustado.
— Tem no livro da biblioteca, você deveria ler, todas as suas dúvidas serão respondidas - falei a ele.
— Você tem uma voz linda - ele elogiou.
— Obrigado - agradeci com vergonha - Posso ir?
— Pode - ele me deu permissão, antes de sair coloquei o boné e a touca de novo - Por que está usando tudo isso?
— Cabelo desarrumado - respondi, dei um tchauzinho e sumi de lá.
Deus obrigado eu ainda estou vivo depois de toda essa emoção.
— Felix...............
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