Capítulo único

Créditos:

Co-autor: PurpleGalaxy_Project
Escrito por: @etionsyde (No Spirit Fanfic)
Avaliação por: ScorpiJupiter
Betagem por: spwceshuttle
Design por: @blurxvenom (No Spirit Fanfic)


Eu sabia que estava pronto, afinal, passei minha vida inteira de demônio me preparando para o tal momento que é a reencarnação

O momento esperado por todo anjo, demônio e incubus, segundo algum deus supremo que disse que todos temos que ter uma segunda chance.

— Está preparado? — Perguntou Klaus

Ele era um amigo, porém não tão próximo, pois, como ele era um anjo, era difícil manter contato. Cada um ficava no seu lugar.

— Acho que sim!

— Espero que nos encontramos em outra vida

— Também espero! — Logo que terminei de falar, o abracei. Irei sentir falta dele, eu queria muito que nossa convivência tivesse sido outra.

Mas, espera, aqui não é o lugar que você deveria estar para saber da minha história. Você deveria estar na minha infância, então vamos para lá!

Ei, e não se preocupe, eu vou estar lá narrando toda minha vida para vocês!

[ Jungkook criança ]

Foi uma época ótima, onde eu só sabia brincar, comer e dormir, mas eu me recordo muito pouco dessa época da minha vida. Entretanto, o pouco que me recordo, são ótimas lembranças e momentos.

— Mamãe, quando vamos brincar novamente juntos? — Eu estava sentado na mesa, pintando.

— Quando eu tiver tempo, meu amor. — A mulher mais velha disse, lavando a louça que tinha daquela tarde.

— E o papai? Onde ele está?

Eu não tive muito do meu pai na infância, eu nunca soube onde ele trabalhava. Resumindo, eu nunca soube nada dele; minha mãe ocultou muita parte daquele homem na minha vida e, hoje em dia, eu agradeço bastante.

— Ele viajou ao trabalho, meu amor, mas ele logo volta!

Minha mãe só estava tentando me proteger e cuidar de mim da melhor forma possível que podia, e ela conseguiu até chegar minha adolescência; nunca me faltou nada de material, nem sentimental.

— Kook, você pode fazer amizade com os vizinhos, o que você acha?

— Acho que eles não vão gostar de mim, eu sou estranho!

— Quem te disse isso?

— Os coleguinhas da escola.

— Não acredite neles, meu amor, você não é estranho. Na verdade, você é inteligente e muito especial! — A mulher parou de lavar a louça, veio até mim e me abraçou com todo o carinho do mundo. — Que desenho lindo!

Por sorte, minha mãe trabalhava na mesma escola em que eu estudava, mas algumas pessoas achavam isso horrível, pois não podiam aprontar, nem nada. Todavia, isso não me fez tanto problema assim, afinal, eu era apenas uma criança.

No meu aniversário de 7 anos, foi uma festa surpresa e eu havia convidado todos os meus colegas da escola. Na época, eu tinha certeza que todo mundo iria aparecer quando eu convidei, mas na hora da festa, não havia ninguém.

Por isso, o bullying me acompanhou durante minha infância toda, porém, como eu era criança, não importei muito pois achava que eram apenas brincadeiras. Quando eu cresci, descobri que não era brincadeira e que isso poderia tirar a vida de muitas pessoas vítimas dessa violência física, e emocional.

— Calma, meu amor, quem sabe alguém ainda aparece. — Minha mãe até tentava me consolar nesse dia, mas ela sabia que ninguém mais viria. Tinha se passado já uma hora desde da hora marcada.

— Mamãe, — Minhas lágrimas saíam desesperadas, minha voz e minhas pequenas mãozinhas já estavam trêmulas. — eu posso ir pro meu quarto?

— Pode sim, meu filho.

Minha mãe sempre quis me passar uma imagem dela forte, batalhadora e persistente, porém eu sempre soube que ela chorava toda noite. Ela sempre sorria quando eu tava na frente dela, mas toda noite, as lágrimas caíam pelo seu lindo rosto.

Longos minutos depois, eu escutei batidas na minha porta.

— Mãe, eu não quero falar agora! — Eu estava deitado, já tinha parado de chorar.

— Olha quem veio pra sua festinha de aniversário. — A voz da minha mãe soou atrás da porta.

Eu, meio atrapalhado, levantei depressa da cama, fui até a porta e abri; dei de cara com minha mãe e o meu novo vizinho, Min Yoongi.

— Oiie, desculpe a demora. —Ele estendeu uma caixa de presente na minha frente. — Eu demorei para escolher um presente muito legal para você.

Nem me importei com o presente, apenas andei em sua direção para abraçá-lo; eu comecei a chorar de felicidade. Naquele dia eu me senti especial e amado por ele. Depois dos meus 13 anos, eu não via mais o Yoongi pois ele havia se mudado.

Infância, na maioria das vezes, é uma época boa e feliz da sua vida, mas tudo piora quando chega a adolescência. É uma fase da sua vida onde começa a fase mais conturbada da sua vida; onde vem todas as doenças psicológicas e traumas que vão ser difíceis de serem superados, ou nunca se superam. Na adolescência, a nossa personalidade é toda moldada ou inventada para agradar a todos. Parece que todas suas tristezas e traumas do passado trazem tudo à tona nessa época da vida.

Eu iria para um colégio novo e estava animado. Eu havia mudado de cidade com a minha mãe, morávamos em Busan e nós mudamos para Nova York. Minha mãe achava que era uma ótima oportunidade para nós dois recomeçarmos uma nova vida, com novos hábitos, porém eu tinha perdido tudo do dia para a noite, meus amigos, meu quarto, minha escola com pessoas legais e minha antiga nova. Eu não poderia questionar pois, na época, parecia uma coisa tão vaga.

Na cidade nova, eu tive que terminar o ensino médio, entrar em uma faculdade e trabalhar meio período para ajudar minha mãe. Então, em questão financeira, nossa situação andava muito bem e a questão emocional também. A minha relação se tornou a melhor possível, então, quando eu tinha 17 anos, decidi me assumir para minha mãe falando que eu era gay e, vamos dizer que ela aceitou muito bem, pois tivemos que conversar sobre algumas coisas como segurança na hora do sexo, essas coisas. 

Em uma tarde ensolarada, eu e minha mãe estávamos sentados na varanda da nossa nova casa, ambos estávamos lendo um livro. Esse era o momento que usávamos para conversar sobre coisas habituais do dia a dia, como trabalhar essas coisas, e minha mãe estava trabalhando em uma empresa que conseguiu entrar dois meses depois de chegarmos aqui

— Mãe, hoje eu vou para uma balada.

— Resolveu liberar sua fase rebelde? — falou a mais velha em tom brincalhão. — Já estava mais que na hora. — Soltou uma risada alta.

— Então, eu realmente irei liberar meu espírito rebelde. — Fui na cozinha buscar um gole de chá, botei na xícara, enchi a mesma e voltei para a varanda.

— Filho, cuidado! — Ela se virou pra mim e me olhou nos fundos dos olhos como se pudessem ler até a minha alma. — Volte tarde, e leve a chave!

Eu e minha mãe ficamos a tarde inteira na varanda da casa, conversamos mais um pouco, porém, quando deu 18:30, eu fui me arrumar. Vesti o básico: uma calça folgada, blusa branca e alguns acessórios, afinal não tinha muita expectativa que eu iria ficar mais de duas horas.

Fui em uma boate não muito longe da minha casa, não era um bar ruim, até que era ótimo. Tinha uma temática bem futurista, com luzes neon, essas coisas. Caminhei até o bar, com dificuldade pela quantidade de pessoas, me sentei em um dos banquinhos e pedi uma caipirinha. Enquanto esperava, uma banda subiu no palco e começou a tocar, até que as músicas eram legais com uma batida forte. Todavia, não me interessei muito, então só foquei em esperar minha bebida. Pedi pro barman um cigarro, que foi servido na hora e minha caipirinha foi servida em seguida.

Bebi devagar a bebida, para apreciar, e foquei na banda que estava agora tocando a terceira música da noite. A banda parou de tocar alguns minutos depois, entrou um DJ tocando músicas conhecidas. Terminei minha bebida e peguei uma carteira, paguei na hora e saí da boate.

Fui pra praça da cidade, me sentei no paralelo mesmo e comecei a fumar novamente; eu amo essa sensação de jovem adulto rebelde, que fuma, que sai. Quando eu era adolescente, desejava fazer isso, mas não tinha poder, e era "controlado" pela minha mãe, querendo ou não.

Poucos minutos se passaram, havia fumado uns cinco cigarros e estava imaginando meu futuro. Daqui a uns 3 ou 4 anos, eu estaria formado na faculdade de dança, era uma paixão pra mim. Mas o que eu iria fazer depois? Eu não tinha planos, não tinha muita coisa. Enquanto refletia sobre isso, um homem se sentou ao meu lado.

— Oiie, prazer, — Estendeu a mão, e eu apertei com apreensão — eu ia falar com você na boate, porém você saiu nem me dando a oportunidade. Eu sou Yoongi, o guitarrista da banda.

Parece que a conexão foi instantânea, nos conectamos e a conversa fluiu super leve.

— Você acredita em vidas passadas? — Agora, eu e Yoongi estávamos fumando juntos.

— Acredito sim, não surgimos do nada. Tivemos alguma vida que ainda não descobrimos, e nem vamos, e provavelmente nossos medos foi como morremos. E você? Acredita?

— Interessante, acho que sim. É uma coisa muito complexa e difícil de entender. — Ele umedeceu os lábios lentamente, então eu comecei a reparar na sua boca. Era tão volumosa e vermelhinha.

— Você gosta do universo? — Perguntei, me aproximei um pouco mais dele, nossas pernas estavam se encostando.

— Gosto, é extraordinário. Eu fazia faculdade de astrologia.

— Sério? Você deveria amar! — Talvez um impulso dele ou eu mesmo, botei minha mão no seu rosto e comecei a acariciar seu rosto. Ele pareceu gostar do carinho tanto que até fechou os olhos para aproveitar, e botou a cabeça no meu ombro.

— Sim, porém eu abandonei pra focar em minha carreira musical

Seus olhos não estavam focados nos meus, porém quando eu parei de acariciar seu rosto ele olhou e disse quase num sussurro:

— Seu carinho é gostoso.

Dessa vez, minha mão foi para o seu queixo, o levantei fazendo ele olhar para mim. Fiquei esperando uma confirmação, ele acenou a cabeça positivamente, então eu o beijei com delicadeza.

Seus lábios eram macios e deliciosos, eu queria explorar sua cintura, então botei rapidamente minhas mãos no local desejado; ele também queria explorar meu corpo já que ele sentou no meu colo e botou suas mãos em minhas costas.

Continuamos assim por minutos até ele quebrar o ósculo, fazendo um barulho delicioso e falou:

— Tenho que ir, acha que podemos nos ver novamente?

— Vamos nos ver, gato

Faziam dois meses desde que havia me encontrado com o guitarrista da banda, e desde de então nunca mais o vi, talvez porque eu estava muito ocupado, ou até ele também, e também estava ocupado demais com a faculdade. Faltava quase um mês para acabar e eu estava surtando. Muitas crises de ansiedade e insônia me acompanhavam toda noite desde que começou. Eu sabia que minha saúde mental só iria piorar e eu estava certo, porém eu não percebia.

Quando eu terminei a faculdade, me afoguei na tristeza profunda, eu fiquei sem rumo e, sinceramente, eu queria tanto sair dessa fase, mas era tão difícil e perturbador. Um jovem adulto de 23 anos sem saber o que fazer, era o meu fundo do poço.

[.....]

Três anos haviam passado, eu estava com 26 anos e eu estava piorando, todavia não era 100%, era tipo uns 120%. Eu estava brigando com a minha mãe quase todo dia, chorava toda noite e não dormia pois eu ainda não fazia nada da vida. Eu não tinha força de vontade pra fazer nada.

Eu não estava aguentando mais, decidi dar um ponto final, quando minha mãe não estava em casa, fui ao banheiro e tomei uns dez remédios de tarja preta.


[ Atualmente ]


Talvez minha vida tenha sido horrível e até um pouco entediante, porém eu sofri tanta pressão psicológica minha e da minha mãe. A vida me fez desistir de tudo.

Enfim, sinto muito se não atingirem suas expectativas sobre minha vida, mas agora você conhece essa merda de vida.


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