6- My Last Day.
Penúltimo capítulo.
Hiduna
De novo, eu digo que toda a situação na qual estou vivendo é estranha. Muitas coisas aconteceram, mas nenhuma me garante que vou conseguir quebrar minha maldição.
Eu passei mais um mês com Namjoon, e dentro de tudo que já fizemos juntos, ele nunca me disse nada sobre começar a gostar de mim ou não. Isso me faz pensar que, talvez, não goste. Claro, ele deve gostar como uma amiga, já que parece não me odiar mais. Mas não da forma que preciso que ele goste.
Na verdade, essa certeza eu tenho. Ele não me odeia mais, e posso arriscar dizer que ele até gosta da minha companhia. Apesar de tudo que aconteceu, nós nos damos bem.
E como se eu estivesse o chamando por pensamentos, Namjoon apareceu, parecendo preocupado com alguma coisa.
— Está tudo bem? — eu perguntei, vendo ele andar rápido de um cômodo ao outro.
— Eu lembrei que amanhã terá lua cheia. Nós precisamos te esconder dessa vez, as três últimas foram horríveis para você.
É, foram, e eu não saberia dizer qual delas foi a pior. Se na primeira eu perdi totalmente o controle sobre meus poderes, que não eram exatamente meus, na segunda eu acabei desenvolvendo respiração cutânea, e na terceira a água tentou me atacar. Eu não sei exatamente o porquê de a lua ter feito o que fez na terceira vez, mas talvez fosse para me aproximar ainda mais de Namjoon, já que ele tentou me proteger.
A propósito, a maldição acabou me dando uma lua a mais, e não entendo o porquê disso, afinal, é um mês a mais. Talvez ela não fosse tão mal quanto parecia, e talvez tenha percebido que eu precisaria de mais uma. Enfim algo que eu não saberia que iria acontecer, além dos efeitos sob a lua.
Porém, mesmo que isso tenha acontecido e a outra lua esteja próxima, coisa pior do que o efeito dela irá acontecer. Dessa vez, é claro que não terá mais chances.
— Namjoon... Eu não sofro o efeito dela na quarta vez — eu disse, vendo ele parar e me olhar, um tanto confuso.
— Como assim?
— É a quarta lua, o que significa que é o fim do meu tempo. Eu vou voltar para o mar. Já deveria ter acabado, mas não sei o que aconteceu — eu disse, em um tom baixo, pesaroso.
— O quê?! — ele parecia assustado, e claramente não havia se atentado a esse detalhe.
Sem dizer mais nada, ele apenas saiu pela porta da frente da casa, e eu sabia que não deveria ir atrás. Eu percebi que ele faz isso quando está nervoso e quando precisa respirar um pouco.
Porém, ao contrário do que eu havia imaginado, ele abriu a porta mais uma vez, me impressionando com sua atitude.
— Você vem? — ele chamou, o que fez com que eu não demorasse sequer um minuto para pensar.
Eu me levantei do sofá, onde estava assistindo televisão, e fui até ele, saindo pela porta. Claro que, talvez fosse muito mais fácil sair se ele não tivesse ficado ali, e como seu porte corporal é grande, da mesma forma em que ele é alto, eu acabei passando muito perto de si, o que me fez sentir o cheiro de seu perfume — que é muito bom —. Ele não tirou seus olhos dos meus.
Ao sair, me sentindo bambear levemente, tentei disfarçar o efeito que ele tem em mim, enquanto o via fechar a porta. Em seguida, nós começamos a caminhar na praia, não perto demais do mar para molhar, mas perto o suficiente para simplesmente estarmos perto.
— Você tem certeza de que não tem como adiar isso? — ele perguntou, sem olhar para mim.
— Se eu estivesse no comando, teria. Eu normalmente adio o fim da maldição para que tenham mais tempo, mas como eu simplesmente joguei a maldição em mim e a deixei por conta própria, não consigo adiar, mesmo que já tenha tido um adiamento.
— "Por conta própria"? — dessa vez ele olhou para mim, com as sobrancelhas unidas em uma interrogação.
— Ah, sim. Ela tem vontade própria quando não está sob meu comando. Ela sabe o que fazer amanhã, além de saber que precisa me transformar de volta. Mas independente do que aconteça, ela sabe o que fazer.
— É estranho pensar assim — ele disse, e não estava errado. Realmente é estranho.
Depois de andar por mais um tempo, nós voltamos para a sua casa, nos arrumando para dormir, já que já estava tarde. Mesmo que estivesse cansada, que tivesse uma cama confortável e que estivesse tudo tranquilo naquele momento, eu não conseguia dormir, pensando em tudo que vai acontecer amanhã.
Eu não consegui refrear uma lágrima silenciosa que escorreu pela lateral do meu rosto. Eu só conseguia pensar em como falhei na coisa mais importante da minha vida.
Todas as lembranças que construí aqui, assim como todas as coisas que aconteceram comigo nesse tempo, vão continuar comigo em minha memória e meu coração.
As lembranças de quando eu saí com Namjoon, desde caminhar na praia até passearmos na cidade. Todas as vezes em que rimos juntos... Não vou esquecer. Tudo que aconteceu um dia me fez pensar que talvez eu fosse conseguir, porque tudo me dava esperanças.
Depois de um tempo pensando e lembrando de tudo, eu enfim consegui dormir, mesmo que já desse para ouvir o som dos pássaros do lado de fora. Acredito que não será uma boa noite de sono, mas acho que será o suficiente para me manter em pé durante o dia.
Horas depois, eu acordei com vozes na sala. Não sei exatamente que horas são, mas aparentemente, é mais tarde do que eu costumo acordar.
Antes de sair e ver quem está ali, eu me arrumei, tirando a roupa de dormir e colocando outra mais apresentável. Em silêncio, saí para ir até o banheiro, sem chamar muita atenção. Como os quartos e o banheiro ficavam em um corredor, eu não conseguia ver quem era, assim como me possibilitou passar ali sem que a pessoa me visse.
Quando já estava totalmente pronta, eu enfim sai, vendo que eu já deveria ter desconfiado quem seria. Jimin e Jungkook estavam ali, e pareciam estar esperando para conversar comigo.
— Hiduna, é bom ver você — Jimin disse, se levantando para me dar uma abraço. Eu também estava feliz em vê-lo, e lhe disse isso. Fazia um tempo que eles não vinham aqui. — Nós lembramos que hoje é o último dia.
— Bom, é. Mas eu não sei o que vai acontecer — eu deixei claro, porque dessa vez, eu realmente não sabia como seria o fim de uma maldição.
Nós conversamos por um tempo. Jimin e Jungkook decidiram ficar ali comigo durante todo o dia, e me disseram que quando a lua aparecer, vão estar ao meu lado, assim como os outros garotos.
Eu acho que isso acabou virando realmente um certo tipo de tradição, e confesso, nunca estive tão feliz por ter tantas pessoas ao meu redor.
Eu só espero que nada de tão ruim aconteça, assim como espero que todos saiam bem de tudo. Não consigo saber o que poderia acontecer.
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