2- My Conversation

Politéia

- Por que você veio até aqui? - essa era uma coisa na qual eu precisava saber. Eu sei que ele ainda não me perdoou pelo que fiz com Jimin, e por isso não consigo pensar em um motivo para ele ter vindo.

- Jimin e eu conversamos, ele me disse que já te perdoou totalmente pelo que você fez. Se ele te perdoou, deveria ser ainda mais fácil que eu te perdoasse, e acho que realmente perdoei, mesmo que não tenha certeza. Então, eu vim aqui para que nós dois possamos conversar, quero ouvir seu lado da história, seus motivos, e tudo o que quiser falar - eu me surpreendi com aquilo. Jeongguk estava me dando uma chance de explicar, e eu tentaria usar essa chance a meu favor, e tentaria explicar tudo.

- Mas antes, precisamos saber de suas habilidades - Jimin lembrou, e com isso, eu apenas concordei.

No momento seguinte, eu me vi entrando na água, sabendo que não bastaria mais de alguns segundos para que eu me transformasse.

Como previsto, minha cauda apareceu, de certa forma um tanto cintilante, e como minha maldição ainda estava no início, sua colocação ainda era um tanto clara.

- Você precisa testar sua respiração sob a água primeiro, depois, teste sua visão noturna - Jimin instruiu, e eu hesitei poucos segundos antes de enfim mergulhar.

Ao tentar respirar debaixo d' água, eu percebi que não conseguia, e por isso, precisei voltar para a superfície para recuperar o fôlego.

- Não consigo respirar - eu disse, assim que consegui normalizar minha respiração. - Vou tentar a visão noturna.

- Certo. Gguk, vá com ela, por favor - Jimin pediu.

Sendo assim, agora, nós dois mergulhamos, indo o mais fundo possível. Durante o caminho, ao passar por alguns peixes, eu percebi que não tinha mais a habilidade de conversar com os animais marinhos, e não tenho certeza de que impacto isso teve sobre mim. Conforme íamos avançando, eu pude perceber que continuei com a visão noturna, já que ainda conseguia enxergar, mesmo que estivesse escuro.

Ao olhar para Jeongguk, quando paramos, pude notar seus olhos azuis, cintilantes pela visão noturna.

- Seus olhos estão verdes... - ele comentou, e acho que me lembro o porquê disso. Era por causa de Hiduna. - São tão bonitos.

Eu não pude responder, mas sorri, feliz por ele ter me elogiado, mesmo que não seja por algo verdadeiramente meu.

Depois disso, nós acabamos voltando para a superfície.

- Ainda tenho minha visão noturna, mas não consigo conversar com nenhum animal marinho.

- E a cor de seus olhos?

- Verdes - eu respondi, com base no que Jeongguk disse.

- É a mesma coisa que aconteceu comigo e com o Taehyung. Deve ser um padrão do feitiço da Hiduna - Jimin disse, pensando em algo. - Certo. Agora vocês podem conversar, e depois nós vamos fazer o que eu prometi a você - ele disse, piscando com um olho antes de me deixar sozinha com Jeongguk.

Antes de tudo, a primeira coisa que fiz foi sair da água, me sentando em uma das pedras que haviam ali. Preciso esperar até que minha cauda seque e minhas pernas voltem. Felizmente, não é um processo demorado.

- Eu sei que o que eu fiz não foi legal, de verdade, e não sei como fazer para explicar meu lado. Sim, realmente fiquei enciumada, e agora eu nem consigo lembrar o real motivo.

- Só me diga o que sente - ele instruiu, claramente por minha confusão. Respirei fundo antes de continuar falando. Eu estava nervosa.

O vento morno da praia, juntamente do cheiro de água salgada me acalmaram, e de certa forma, não me senti tão deslocada como normalmente me sentia aqui.

- Eu sempre gostei muito de você - comecei, olhando para o horizonte. - Mas você sempre gostou muito do Jimin, que sempre foi meu melhor amigo. Eu já estava acostumada, claro, e já estava começando a achar que tinha parado de gostar de você. Mas algo aconteceu, não sei explicar, foi como se fosse um surto repentino e passageiro de ciúmes. Mesmo que eu tenha mandado Jimin pelo caminho que eu sabia que Hiduna estaria, o lugar realmente existia, e é realmente muito bonito. Olhando por esse lado, e pensando direito, eu não menti para ele, apenas não disse que ele deveria desviar de onde Hiduna mora, e realmente me arrependo muito disso. Naquele momento, parecia que eu estava fora de mim.

Nós dois ficamos em silêncio, e não sei se quero ouvir o que ele tem a dizer sobre isso agora. Eu havia dito tudo enquanto observava o processo das escamas descolando naturalmente de meu corpo. Talvez ele nunca tenha visto isso antes, mas espero que não seja tão assustador quanto parece ser.

- Eu espero que você realmente me perdoe, e não é só pela maldição. Você é um tritão incrível, Jeongguk, e eu ficaria muito feliz se pudesse continuar sendo sua amiga - eu finalizei, sorrindo minimamente para ele.

Quando eu fiz menção de me levantar, quando minhas pernas enfim voltaram, ele finalmente disse algo, e confesso que realmente me impressionou.

- Eu realmente perdoei você pelo que fez - ele disse, rapidamente, antes que eu realmente me levantasse.

- O quê? - eu estava confusa, havia acontecido rápido demais. - Você realmente...?

- Sim, te perdoei. Eu sei que esse perdão tem que ser verdadeiro, porque envolve mais do que algo simples. Não tem a ver só com o Jimin, no final das contas. Então, eu realmente te perdoo, de verdade - ele completou com um sorriso fraco, de canto. De certa forma, consigo sentir que é verdadeiro.

São nesses pequenos momentos que eu percebo como ele e Jungkook são diferentes, mesmo que sejam gêmeos idênticos. Não sei explicar com exatidão o que tem de diferente neles, são coisas suaves, mas que são perceptíveis. Nesse caso, a forma de ele sorrir assim me mostra que está sendo verdadeiro, porque ele normalmente não sorri em situações tão sérias assim.

Se Gguk me perdoou, e Chim também, sendo o primeiro a fazer isso, significa que o único perdão que falta é o meu próprio, e talvez seja o mais difícil de conseguir.

- Obrigada - eu sorri, porque realmente estava grata por finalmente conseguir o perdão dele.

No fim de tudo, durante a maldição, para conseguir quebrá-la, o mais importante é você mesmo. Jimin e Taehyung só conseguiram quebrar as suas maldições quando decidiram o que realmente queriam, e agora, para quebrar a minha, eu só preciso do meu próprio perdão.

Vou trabalhar nisso, vou tentar ser melhor a cada dia, e vou me esforçar para cada dia mais merecer o perdão que recebi.

Depois de conversar com Jeongguk, eu me despedi dele, planejando voltar até a casa de Yoongi. Entretanto, Jimin estava me esperando não muito longe dali, com Jungkook abraçado a si. Me aproximei quando ele me chamou.

- Como foi? - ele perguntou, parecendo feliz e ansioso ao mesmo tempo.

- Ele disse que me perdoa - eu respondi, sorrindo, e vendo seu sorriso crescer ainda mais.

- Que bom, Poli! Agora só precisamos do seu próprio perdão.

- Sim, e é a parte mais difícil. Ainda não consigo me perdoar - talvez, o fato de eu demorar tanto para me perdoar me mostre que eu realmente estava arrependida.

- Vamos conseguir com o tempo, não se preocupe. Agora venha, precisamos cumprir a minha parte do acordo.

Pintar o cabelo... Nunca pensei que fosse fazer isso um dia, e além disso, nunca imaginei que fosse possível. Mas eu sei que posso voltar com a cor natural se quiser, ou posso ficar até sair sozinho.

Como era muito arriscado ir a um salão de cabeleireiro, Jimin comprou a tinta para pintarmos em casa mesmo. A cor que escolhemos foi de um castanho escuro, quase preto. Tive ajuda para escolher, já que não entendia bem sobre isso, e como nenhum dos meninos entendiam, quem ajudou foi uma amiga deles, que ajudou por uma chamada de vídeo. Ela se chama Soyeon.

Mesmo que Jin pintasse o cabelo com bastante frequência, ele não soube dizer qual cor combinava mais com o meu tom de pele.

Particularmente, Jimin parece não gostar muito de Soyeon, ou parece ter algum tipo de receio. Não era algo que qualquer um conseguiria interpretar, eu percebi por ser sua amiga há muito tempo, e tirando eu, talvez só Jungkook tenha percebido, já que ficou sempre grudado em meu amigo.

Quando a amiga deles enfim encerrou a chamada, nós começamos a coloração em meu cabelo, e confesso, estou ansiosa para saber o resultado final.

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