Capítulo Único
A noite chega na ausência da lua.
Um frio solene desfila pela estrada que cospe uma grande quantidade de poeira que é capaz de sufocar alguém, mas nem sempre há um fenômeno igual. Há um grupo que acredita que o frio que faz naquela via trata-se de um frio causado por fantasmas de pessoas que morreram de um modo indescritível. Destroços de carros fortes e importantes jazem na superfície que a cada soprar do ar parece dar razão ao grupo crente do sobrenatural.
Não muito longe vem um carro preto que perde a velocidade gradualmente para depois de supetão parar. Quase que as duas mulheres a frente se machucam com o para-brisa.
Rapidamente sai um homem do carro diretamente para a frente do veículo. Em seguida, todos saem, exceto uma mulher no volante.
— Parece que não é nada grave, Bryan. — diz o homem abrindo o capô que de imediato cospe fumaça na sua face.
O vitz preto está parado e libertando fumaça que passeia na escuridão da estrada maldita.
— Rute não vai voltar ao carro descansar? — pergunta outro homem que veste uma camisa azul de mangas compridas.
Rute está grávida e a sua barriga lhe pesa, os dias para o parto se aproximam.
— Vou sim amor. — depois tenta espreitar na origem da fumaça, mas não consegue — Vou voltar.
— Amiga senta aqui. — diz a jovem mulher que está no volante.
A estrada de terra batida é temida por muitos, por ser a culpada por várias mortes que ocorrem frequentemente. Então, o grupo que agora ainda está no mesmo sítio sabe sobre esse assunto e isso já constitui uma preocupação para o mesmo.
— Opps, parece grave sim, meu amigo Jonathan. — diz Bryan.
Bryan tem uma camisola cor de rosa e anéis em todos os seus dedos.
— Então, há como consertar isso? — pergunta o homem que tem um cigarro na mão direita.
Infelizmente a situação é grave sim, uma explosão é axioma, no entanto não se sabe o que aconteceu com o motor para estar desse jeito.
— Receio que… já não há jeito brother. — diz Jonathan fechando o capô.
— Esperem, vou ligar pra o meu primo pra nos dar uma carona. — diz a mulher no volante.
— É isso, Rosa, chama. — diz Rute.
O azar aterra na mesma terra onde o grupo se encontra, pois não há sinal nenhum de rede e a noite amadurece a cada minuto que os 5 permanecem na maldita estrada.
— Caralho, não há sinal. — diz Rosa irritada.
— Não podemos ficar aqui parados. Vamos a pé. — diz o homem com cigarro.
— Oswaldo, cê tá louco por acaso? — diz Jonathan examinando a lataria do carro.
— Daqui até o nosso bairro são por aí, 7 horas de tempo a pé. Não vamos conseguir. — diz Bryan.
— Ele tem razão. — diz Rosa apontando para Bryan — não vamos conseguir e também não esqueçamos da Rute que está grávida.
— Então vocês preferem ficar aqui sem nada fazer. Estar aqui não parece seguro, ainda mais pelas histórias estranhas que por aqui circulam. — diz Oswaldo após cuspir fumaça que passeia pelos ares como se estivesse dançando.
— É verdade, se as histórias que são contadas sobre esta estrada forem reais estamos ferrados pessoal. É melhor pensarmos mais rápido antes do pior acontecer. — diz Jonathan dobrando as mangas da sua camisa azul.
— Johnathan, falou e disse se todas essas histórias forem verdade estamos é fudidos. — diz Rosa depois ingerindo algo através das narinas.
— Assim qual é a ideia, pessoal? — pergunta Oswaldo apreciando o seu cigarro que parece delicioso.
De repente Rute começa a reclamar segurando a sua enorme barriga. Todos membros do grupo entreolham-se.
— Rute você realmente não quer beber água? — Pergunta Bryan já se dirigindo para dentro do carro.
— Não precisa, obrigada. É que estou sentindo gosto de sangue na minha boca.
— Ana Luísa nasce quando? — Pergunta Rosa, passando a mão na barriga da amiga.
— O médico acha que... No máximo, mais quarenta dias. — Jonathan deixa de olhar na direção do radiador, para responder pela esposa.
— Eu sei que vocês devem estar se perguntando, o porquê de ter topado essa viagem, mas precisava desparecer, sair de casa um pouco.
De supetão o ar muda, tudo fica mais frio e rapidamente passa uma sombra, sem nenhum deles o registar pela visão, com um formato indescritível.
— Vocês estão sentindo isso? — Pergunta Jonathan.
— Sim, está bem sinis... — A frase da Rosa é interrompida pela voz do Oswaldo.
— Pessoal... Estou vendo a estrada subindo poeira!
— Graças a Deus. Vamos pedir ajuda. — Rosa já se prepara para estender a mão, quando Oswaldo a puxa de volta.
— Parece que você não ouviu a parte que falei das histórias dessa estrada.
— Querido, você está se apegando a lendas urbanas!
A caminhonete azul clara, com mais ferrugem que a cor na lataria pára ao lado deles.
Um senhor aparentando uns setenta anos, está sozinho ao volante.
Ele usa uns óculos com um grau tão alto que incomoda as cinco pessoas que o esperam dizer algo.
Ele abaixa o vidro do passageiro.
— Boa tarde... Digo, pode ser boa noite também.
— Boa noite, meu nome é Bryan. O nosso carro quebrou e estamos precisando de um socorro mecânico.
— O seu carro não tem seguro? — A pergunta é feita com total insatisfação.
— Tem sim senhor, mas é que o sinal de celular aqui não está pegando.
O velho tira o óculos o limpando na borda da camisa branca, suja de graxa, e fala para eles:
— Minha casa não é muito longe. — Os cinco se olham, mas o que cada um fala para dentro de si, é:
"Que mal pode fazer um velho igual a esse?"
— Eu moro sozinho. — O senhor de idade coloca os óculos de volta no rosto. — E não quero estar aqui, quando os coiotes começarem a caçar.
As mulheres mais um homem entram na camionete cabine dupla. Jonathan e Bryan vão sentados na traseira da camionete.
Eles chegam na rodovia.
Depois de uns vinte minutos eles avistam a casa. Na verdade não propriamente a casa, mas o muro que a cerca, e que está impecavelmente pintado de branco.
A caminhonete sai da estrada principal entrando em nova estrada, também asfaltada e que tem duas mangueiras margeando a entrada.
Embora seja uma época seca, o verde está por todos os lados, ora mudando para as cores amarelas e violetas, talvez mostrando que o outono está chegando.
Rute olha e vê Oswaldo com sua mão direita apoiada sobre a porta do carro.
Ela se assusta ao ver a quantidade de nicotina entre os dedos indicador e maior de todos, que pintam-lhes de amarelo.... Amarelo queimado.
— Eu moro sozinho. Minha esposa morreu de câncer e meu filho Joyky morreu atropelado por um caminhão.
Rute e Rosa nada dizem, e olham para Oswaldo, que só faz balançar a cabeça positivamente.
— Qual o nome do senhor?
O velho suspira pesadamente. Ele demora um pouco para responder.
— Me perdoem, eu pensei que havia esquecido. Não falo com as pessoas, desde a morte do meu filho. Mas eu me chamo Louis.
— Sr. Louis eu sou Oswaldo, Rosa e a gestante é Rute. — As meninas apenas sinalizam com a cabeça. Oswaldo continua: — E lá na boleia estão Bryan e Jonathan.
A caminhonete freia repentinamente na frente do portão, com Oswaldo quase batendo o rosto no para-brisa.
Depois de recuperarem-se do susto, descem do carro.
O Sr. Louis desce com ajuda de uma bengala branca, que tem no apoio onde vai a mão, a figura de uma caveira.
Rute sente uma leve tontura.
— O que foi meu amor? — Pergunta o Jonathan.
— Fiquei tonta, mas já passou. Eu estou bem, só preciso de um banho.
— Vamos entrando. — Grita o ancião.
Os rapazes pegam as poucas malas que trouxeram e entram na casa. Sr Louis sai acendendo todas as luzes e mostra o aparelho telefônico de disco, ao lado de uma bíblia aberta.
— Podem fazer a ligação, mas antes deixem-me mostrar o quarto de vocês, e quando a ceia estiver pronta eu chamo vocês.
Jonathan pega o celular que ainda mostra o sinal da antena indisponível. Ele busca em seus contatos o nome da seguradora e faz a ligação.
— Boa noite em que posso ajudar? Meu nome é Carl.
— É da seguradora Porto Calvo?
— Sim. Em que posso ajudá-lo?
— Nosso carro quebrou na estrada que sai da Rodovia Marginal, logo após a Ponte do Rio Kwat.
— Okay. Anotado.
— Em quanto tempo vocês mandarão um socorro mecânico?
— Só tenho disponibilidade para amanhã logo cedo.
— Só amanhã?
— Estamos com muitas chamadas.
Jonathan não gosta da resposta, mas fazer o quê? Ele pergunta ao Sr. Louis qual o número da linha telefônica, que o responde, e ele passa para o atendente, que agradece e informa que assim que ele ligar amanhã, alguém se dirigirá ao local.
— Pode deixar! Faremos isso sim. — Jonathan desliga e vira-se para os amigos informando o que foi combinado.
— As vinte horas espero todos aqui embaixo, para jantarmos.
O grupo confirma, agradece e Sr. Louis diz quais serão os quartos de cada um, pela sequência das portas.
Pontualmente todos descem. A mesa está posta.
— Podem sentar, vocês devem estar com fome e não tenho a noite toda. Quero dormir. — Sr. Louis fala vindo da cozinha trazendo um guisado.
Eles sentam ao redor da mesa e começam a jantar.
— O guisado está uma delícia. — Fala Rosa.
— Sim! Realmente está. O guisado é de boi? — Pergunta Bryan.
— Não, de cordeiro.
Eles continuam elogiando a comida até ficarem comendo em silêncio. O velho levanta-se da cadeira, diz boa noite e vai para o quarto.
Os cinco continuam sentados.
— Eu fiquei com medo quando ele parou. — Rosa reinicia a conversa.
— Você? Eu não vi isso. O que vi foi Oswaldo te puxando para não pedir ajuda, por causa das histórias de morte e desaparecimentos dessa estrada. — Fala Jonathan colocando mais comida no prato.
— Mortífera Via. — diz Oswaldo.
— O que é isso Oswaldo? — Pergunta Rute.
— O nome do local onde nosso carro quebrou.
— Ave Maria. — Rute se benze, e pega um pouco mais do guisado.
Eles escutam um barulho, e ao olharem para o lado, veem Bryan agarrado a um osso, que parece um joelho, o sugando. Chupando.
— Bryan, até parece que nunca comeu um guisado! — Brinca Jonathan.
— Desse aqui, nunca comi mesmo.
Todos gargalham.
Passados mais de uma hora, eles se despedem e sobem.
Cada um se dirige para o seu quarto.
Rute, na subida da escada sente uma leve e rápida contração.
— O que foi amor? Nova tontura? — pergunta Jonathan.
— Não... foi uma leve contração. — Responde Rute. Ela alisa a barriga e diz: — Vamos minha moça, aguente mais um pouco.
— Está quase. Com certeza que tudo vai correr bem.
Rute entra no quarto, coloca seu sapato vermelho com salto Luis XV de metal ao lado da cama, vai até o banheiro e pelo espelho vê sua forma arredondada.
Ela está se achando mais linda.
Quando sai do banheiro, Jonathan já se encontra dormindo. Ela se deita ao lado dele e logo pega no sono.
Rute está sonhando, mas sente-se molhada. Ela preguiçosamente abre os olhos. Mas escuta um "tac", algo pingando.
Ela apavora-se por não conseguir abrir os olhos. Rapidamente passa as mãos na face e entende que sim, os olhos estão abertos, a questão é que o lugar está diabolicamente escuro.
Rute não está no quarto.
Ela tateia o lugar, e toca num líquido viscoso, com cheiro forte e ferruginoso.
Com cuidado procura uma saída.
— Graças a Deus uma maçaneta. — Ela fala baixinho e ajeita o cabelo. — Abriu. — Rosa comemora.
Uma nova contração. Ela se curva com a dor no pé da barriga.
— Eles estão aonde? — Rute escuta vozes vindo da sala. Ela acelera os passos e chega na sala.
— Quem são vocês?
O velho está na cabeceira da mesa, ao lado dele está um rapaz loiro, com olhos bem azuis.
— Rute você já acordou? Meu nome é Joyky. — Ela sem entender nada, leva à mão direita até a cabeça, sentindo uma leve pontada. Antes de cair, ela é amparada pelo rapaz.
— Vamos sente aqui. — Ele puxa a cadeira, fazendo-a sentar. — Respire fundo.
Ela geme com outra contração.
— Pai acho que vai nascer hoje.
— Sim filho... Deve nascer hoje mesmo.
— Onde está meu esposo? Cadê meus amigos?
Pai e filho se olham para depois gargalharem.
Ela corre até a porta.
Está fechada.
Os dois homens ficam parados, observando a grávida correr de um lado para o outro.
Rute sobe e entra em cada cômodo... Um atrás do outro. Não há ninguém.
Novamente ao descer a escada ela sente uma contração fortíssima.
— Rute, Rute e Rute. Se você sentar eu explico tudo. — Fala Joyky temperando a boca com um pedaço suculento de carne.
— Pai, esse pedaço das costas está uma delicia.
— ONDE ESTÁ MEU MARIDO?
O velho pára com um pedaço de carne próximo à boca, mostra para Rute e diz:
— Vamos Jonathan... Diga "oi".
Os dois gargalham mais alto.
A grávida corre até o telefone, que fica em baixo da escada e faz uma ligação para o número da polícia.
Ela coloca a cabeça saindo da escada para ver se vem alguém e nada. Rute pede em oração que alguém atenda... Já vai na segunda tentativa quando:
— Socorro! Me ajude!
— Calma moça! Calma! — Fala o homem com a voz assustada do outro lado.
— Por favor não quero morrer! — Ela grita aos prantos.
— Eu só posso ajudar a senhora se dizer onde você está.
— Eu não sei onde estou, digo eu sei, só não sei como chegar aqui.
— Não tem problema, continue falando comigo que vamos rastrear a ligação.
— Eles mataram meu marido... Mataram meus amigos. Por favor me ajude!
— Moça mais um pouco e já saberemos sua localização.
Rute olha novamente para trás, sai um pouco de baixo da escada e volta rapidamente ao ver o idoso ainda na mesa sentado.
— Eles estão na mesa! Por favor não me deixe morrer.
— Rute! Nós te localizamos!
Ela sente um calafrio ao escutar o nome dela sendo dito pelo telefone.
— Rute... Você ainda está na linha?
— S-sim...
— Então sai da frente que lá vem o trem! — Ela escuta uma gargalhada gostosa e demoníaca no outro lado da linha.
O líquido quente lhe desce pela perna. A bolsa estourou.
Rute sai com dores, segurando a barriga e com a respiração cortando. Ela vê uma porta vermelha e entra.
Tropeça em algo e cai. Ela escuta passos e entra em baixo de um móvel. E reza para estar bem escondida.
A porta se abre e com a luz acesa, ela vê que os móveis que na verdade são mesas de madeira. E há corpos sobre elas! Muitos corpos.
— Há muito tempo não como carne de criança Rute.
Ela prende o choro, mas a dor não a deixa em paz. Ela segura a barriga, como se pedisse para a criança ainda não vir ao mundo.
Ela o perde de vista, mas com cuidado sai de onde está e vai engatinhando até a porta quando olha para o lado e vê, logo acima dela, o rosto de Rosa sem vida e o sangue escorrendo na superfície imunda, com um cheiro horrível e intenso. Ela coloca a mão no rosto, cobrindo o nariz e a boca.
A face está desfigurada pela dor e sem os olhos e os lábios.
Rapidamente Rute recolhe-se para o lado, e segura a nova onda de dores que lhe chicoteia.
Ela segura forte o pé da mesa, mas não grita, sentindo a presença do homem logo atrás dela em pé.
Ele segue para o lado oposto, contando e rindo sobre como fácil enganar o marido dela, se passando pela seguradora.
Rute vira-se para correr e pega em algo. Ela está segurando uma mão com anéis. O corpo exibe caminhos de lâminas bem afiadas que passaram cortando a carne com precisão de um modo infernal. O sangue ainda fresco desce, escorrendo para o chão.
Depois ela não se contém e grita! Ela grita mais alto que pode.
A dor do parto chega com nefasta brutalidade, juntamente com a dor de ver um homem de camisa azul, sem a cabeça. Ao lado tem um amontoado de membros superiores e inferiores, outros literalmente apodrecendo outros ainda frescos. Um corpo no amontoado ainda se mexe no seu último suspiro.
— Ele vai dar um excelente cozinho!
Rosa sente-se erguida do chão sem dificuldades.
Ela grita de dor, grita pela desesperança, grita pela sua filha que está para nascer num mundo emprenhado de maldade. A dor continua muito forte e ela caminha com passos vacilantes até que cai.
— POR FAVOR… NÃO AGORA. — o grito dela ecoa pela inteira casa.
O velho aparece com dois machados, um entrega ao seu filho e o outro fica nas suas mãos. Rute não consegue mais correr, apenas fica parada ofegando.
— Chegou a hora de aplicar o truque que te ensinei meu filho.
Joyky olha para o seu velho pai com felicidade misturada com gargalhadas. Este avança na direção da Rute que já perde as forças, no entanto empurra a pequena criatura das suas entranhas. Ela fica toda rosada, fazendo esforço.
— Meu Deus me ajude, por favor, pelo menos salvar a minha filhinha. Por favor, por favor…
Num movimento preciso o braço da Rute é arrancada com o machado de Joyky. O sangue jorra diretamente na face do executor do movimento. Rute não consegue deixar a sua voz percorrer os caminhos da garganta para depois soar.
De imediato a bebê sai com tamanha força que quase o cordão umbilical se rompe.
O outro golpe vai no joelho da mulher. Banhados em sangue eles gargalham. Rute já não sente dor. Por ser tanta, acaba por se anular por completo, a única preocupação dela agora é ter certeza que aconteça um milagre com a sua filha e esta não seja o prato especial da dupla.
— Pai?
— Fala meu filho.
— Posso fazer o que eu pedi?
O velho leva uns segundos para responder, depois responde.
— Sim, meu filho a vontade e arrasa, ok?
— Deixa comigo.
A bebê está no chão gelado chorando ainda conectada a mãe pelo cordão umbilical. A mãe da pequena jaz na superfície sem mais nenhuma esperança e quase imóvel. Já não pensa em suplicar pela sua vida, mas sim da filha.
Joyky se ausenta. O velho fica ouvindo a bebê poluindo os ares com os seus choros. Com a sua bengala branca, caminha até a pequena inocente criatura, faz a separação de mãe filha cortando o cordão. Leva a bebê e a coloca na mesa.
Joyky volta com um martelo bem grande. Rute olha para o homem sem nenhuma expressão pela última vez antes de sentir o objeto esmagar desfigurando a sua face por completo. Não há suspiro, apenas morte súbita.
Joyky ergue o martelo na direção da pequena, mas o Sr. Louis diz:
— ESPERE. Esta não. Tenho planos pra ela.
Joyky interrompe a ação e diz:
— Está pensando no que estou pensando?
Sr. Louis meneia a cabeça e diz:
— Uma ajudante.
Ambos gargalham como se fossem loucos.
Repentinamente as luzes começam a oscilar e não demoram muito para se apagarem, assim tudo fica no escuro e em seguida um riso demoníaco ecoa pela casa. O que é preocupante é que o som não sai de nenhum da dupla dos caçadores da carne humana, mas sim da bebê.
Um arrepio passa pela espinha de pai e filho.
— DIABOS!! — Sr. Louis diz aos gritos soltando a bebê prematura imediatamente após sentir uma mordida bem forte, ele pode jurar que foi uma mordida de uma tonelada. — MERDA, ELA ME MORDEU!!
"Sim, ela tem dentes, diabo?" A frase se traça na mente do Sr. Louis.
— O que é isso? — diz Joyky com medo presente na sua voz.
Os dois navegam na escuridão, um silêncio rigoroso circula pela casa. O susto deixa sinais no coração dos dois. Com uma aceleração de batimentos cardíacos assolando às vítimas, agora eles experimentam a mesma sensação.
— Cadê o vosso gargalhar, meninos? — Uma voz infantil e em simultâneo demoníaca pergunta, com um tom de calma.
— DIABOS, ALÉM DE MORDER ELA FALA? — diz o velho com a voz afundada no medo.
— Ha, ha, ha, me chame de qualquer coisa que queira, mas gostei muito desse nome, Diabo. — diz a voz. — Meu nome é Jandira, lembram-se de mim?
A luz de imediato volta, como se a ação fosse para ver os caçadores da carne humana se borrando de medo.
— Não é possível. Nós te comemos. — diz Joyky girando a maçaneta por várias vezes sem sucesso.
— Eu disse que ia voltar. Vocês comeram a pessoa errada.
— NOS PERDOA. — Em simultâneo a dupla diz.
— Claro que vos perdôo. — diz com uma voz dramática.
Os machados usados no corpo da Rute são erguidos do chão e começam a flutuar mirando a dupla.
— MERDA. VAI PRO INFERNO. — diz Joyky ao ver os instrumentos no ar.
— Esse é o vosso presente. Ha, ha, ha.
Ordenados os instrumentos vão até os seus donos realizar cortes precisos e sofridos de modo diabólico. Os gritos demorados dos dois escoam pelo lugar.
Depois o silêncio se instala. Um segundo depois, apenas o choro da bebê soa.
Desmembrados os dois, pai e filho, os seus membros jazem espalhados no chão banhados em sangue. Uma cabeça está perto da porta, outra está perto do corpo da Rute, com os olhos abertos.
Fim
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