Capítulo 10
No caminho de volta para casa, eu estava atordoada. Porquê além do acontecido no apartamento de Adriel, vozes começaram a gritar na minha cabeça. Eu não podia acreditar que eram apenas os meus pensamentos, porquê a mistura dos timbres de voz era muito aleatória.
Helena!
Socorra-me!
Ajuda-me!
Helena!
Você precisa nos ajudar!
Helena!
--- Não, para, por favor. - choraminguei desesperada.
O que são essas vozes? Homens, mulheres, crianças. Todos gritando na minha cabeça; gritos aterrorizantes.
Eu sinto que posso surtar a qualquer momento. É como se o meu cérebro fosse explodir, tamanha dor, devido a tanta informação. A minha respiração desregula instantaneamente, e eu não consigo segurar por muito tempo as lágrimas, que descem como cachoeiras sob a minha face.
Crise de ansiedade no meio da rua não é legal.
E eu não sei o que é pior: ter a crise atacada nessas condições, ou passar pelas pessoas e elas olharem para mim e continuarem andando como se nada tivesse acontecendo. Sinto-me invisível.
Helena!
Por favor!
Precisamos de você!
Joguei o bolo no chão e tampei os ouvidos com as duas mãos.
--- Não, não, não, não. Parem com isso, saiam da minha cabeça.
Ele vai nos matar!
Liberte-nos!
Fica cada vez mais intenso. Por que simplesmente não param? Eu não consigo aguentar por muito tempo, é demais pra mim.
As minhas pernas fraquejam e eu caio de joelhos, ainda com as mãos nos ouvidos, e apertando os olhos.
Helena!
Parem.
Por favor!
Parem!
Precisamos de vo...
--- PAAREEEMM!
O grito saiu do fundo da minha alma, e eu percebi que as vozes me obedeceram. Elas sumiram, deixando uma Helena sorridente e ofegante. O tamanho do alívio que senti é indescritível.
Abaixei as mãos e abri os olhos.
O que vejo é assustador. Sinto-me em um filme pausado, no qual só eu consigo me mexer. Todas as pessoas estão completamente paralisadas. Os pássaros parados no ar. As folhas das árvores parecem estar congeladas. Não consigo nem ouvir o barulho do vento. Até mesmo os carros estão parados.
Levanto lentamente e olho tudo ao redor.
Eu fiz isso? Mas como é possível? Que tipo de pesadelo é esse o qual não consigo acordar?
--- Olá, Helena.
Viro-me assustada.
Aquele homem, com um machado na mão.
--- Quem é você? - sussurrei.
Ele me lança um sorriso malicioso, que me causa um forte arrepio, fazendo com que todos os meus sentidos entrem em alerta.
--- Logo saberá. Por enquanto sou apenas visões.
--- O que?
--- Em breve... Nos veremos face a face. E eu tomarei aquilo que é meu por direito.
--- Do que você está falando?
--- Prepare-se Helena. A guerra está próxima.
--- O que? Eu não...
--- Helena!
Viro-me novamente.
--- Frans? - pergunto confusa.
Ver o meu irmão vindo correndo me deixa atribulada. Que confusão. É muita loucura.
--- Helena, você está bem? - ele pergunta tocando todo o meu corpo.
--- Estou, mas...
Olho para trás e não o vejo. Aquele homem estranho.
--- Você está louca?! - perguntou bravo, após a sua análise por todo o meu corpo.
--- O que?
--- Olha o que você fez.
Faço o que ele pediu. Está tudo paralisado ainda.
--- Eu fiz isso?
--- Sim, você fez. Agora desfaça. - ordenou.
--- Mas como?
--- Da mesma forma como você fez, oras .
--- Eu não sei como fiz isso.
Frans suspirou, impaciente.
--- Use a sua mente.
--- Como?
Ele suspirou novamente.
--- O que houve, consegue se lembrar?
--- Tinham vozes e eu ordenei que parassem.
--- Agora ordene que voltem a se movimentar.
--- E as vozes vão voltar? - perguntei receosa.
--- Não se você não quiser.
--- Eu não sei se consigo, Frans.
--- Ao menos tente.
--- Tudo bem.
Fechei os olhos e tentei me concentrar ao máximo. Eu não sei como fazer isso. Quando fiz foi sem querer. Nem sabia que era possível.
Só tente, Helena.
Ouvi a voz de Frans na minha cabeça e abri os olhos imediatamente.
--- É, eu falei na sua cabeça. Agora desfaça essa bagunça.
--- Com você falando assim, não tem como.
--- Anda logo.
Revirei os olhos e voltei a me concentrar.
Por favor, voltem ao normal.
Tentei. Abri um olho e nada.
--- Não peça, ordene. - disse o meu irmão.
Eu ordeno que voltem ao normal!
Nem precisei abrir os olhos para ver que eu consegui. O barulho da cidade preencheu os meus ouvidos - até mesmo o cheiro, que não percebi que tinha sumido, voltou.
--- Eu consegui! - vibrei.
--- Ótimo, agora vamos pra casa.
Frans não esperou eu dizer nada. Ele simplesmente saiu andando. E eu não pensei duas vezes antes de segui-lo.
[...]
Em casa, os meus irmãos e eu estamos sentados na grande mesa da sala de reunião dos nossos pais.
O silêncio é esmagador, mas não pior do que ser encarada por dois pares de olhos azuis e um par de olhos negros.
--- Vão ficar me olhando assim o dia todo? - perguntei.
--- Quando descobriu os seus poderes? - Priscilla foi a primeira.
--- Eu tenho poderes?
Frans bufou.
--- Ela não descobriu nada, simplesmente aconteceu. - disse ele, e eu concordo.
--- Ela deveria participar da reunião. Estar passando por isso sozinha deve estar sendo horrível. - disse Natanael.
--- Ela fugiu como um cachorrinho assustado. - Frans rebateu.
--- Por que será? - questionei.
--- Por que você é fraca e não aguenta ouvir umas verdades?
Eu abri a boca pra falar, mas Priscilla foi mais rápida.
--- Vamos discutir sobre o que realmente interessa, por favor?
Priscilla é minha irmã adotada. O meu nascimento foi a felicidade dela, pois ela era a única menina dos irmãos. Éramos quase inseparáveis na infância, mas com o tempo fomos nos afastando. O que sempre admirei nela é a sua sensatez, nunca a vi perdendo a paciência ou tomando alguma atitude precipitada.
As vezes, ela me lembra Luciano.
--- Helena tem poderes, ainda desconhecidos. - Natanael falou --- Precisamos entender do que ela é capaz.
--- Ela nos será muito útil. - disse Priscilla.
--- Ainda acho irresponsabilidade enfiar ela nisso. - Frans.
É estranho. Estou na reunião, mas não me sinto parte dela. Os meus irmãos falam de mim como se eu não estivesse presente.
--- Eu vi um homem! - interrompi a conversa --- Ele tinha um grande machado nas mãos. E ele me disse... Que a guerra está próxima.
E assim, ganhei a total atenção deles.
[...]
19 · 02 · 22
[...]
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