XIII - Treze
Ian
Depois de tanto tempo sem ver Angie, a saudade sempre acaba falando mais alto, então decidi planejar uma tarde só nossa, para passarmos um tempo juntos. Os dias andam corridos, tanto para mim quanto para ela, então não tem como cobrar que seja diferente.
Combinei de ir buscar Angie logo cedo em seu apartamento. Então, eu saio rapidamente após terminar de me arrumar, indo até meu carro rapidamente. E claro, estou totalmente ansioso para revê-la.
Já dentro do carro, eu o ligo e dou partida, saindo do estacionamento do prédio onde moro, dirigindo tranquilamente pelas ruas pouco movimentadas de Miami a essa hora da manhã.
Normalmente não consigo ser calmo enquanto dirijo, isso por não ter paciência para o trânsito. Entretanto, sempre que estou com Angie mal vejo o tempo passar, e ignoro totalmente o transtorno do trânsito.
No entanto, uma coisa que está me tirando a tranquilidade não é a quantidade de carros e pessoas passando pela rua, e sim o fato de Vitor não ter tentado se aproximar de Angie novamente até o momento. Sim, isso é bom, em partes.
O que me preocupa é que ele esteja pensando em fazer alguma coisa contra nós, porque não duvido que ele seja doido o suficiente para pensar em algo. Mas enquanto ele não faz nada, eu vou aproveitar todo o tempo que tenho disponível com Angie.
Meu relacionamento com ela não tem exatamente um rótulo, mas nós nos respeitamos da mesma forma. O que nós temos é forte, e é possível notar isso, além de o sentimento ser realmente verdadeiro. Nós nos amamos, e confiamos um no outro, e é por isso que eu quero selar tudo isso, porque ela merece.
Eu pretendo lhe dar uma coleira no próximo fim de semana, e mesmo que para muitos isso pareça estranho ou sem sentido, ela entende bem o significado. Além disso, é óbvio que não é só isso que vou lhe entregar no dia, não posso esquecer que até pouco tempo atrás ela também não sabia muito sobre BDSM. Dessa forma, eu vou lhe dar todo o meu amor, vou dar meu tudo, e vou a convidar para morar comigo, e se ela aceitar vai me fazer uma pessoa extremamente feliz.
Não posso negar que Angie me fez mudar muito durante esses meses que estamos juntos, na verdade, acho que a mudança começou no dia em que a vi pela primeira vez, quando a contratei como designer de interiores, e é óbvio que mudei para melhor. Mas naquela época eu não imaginava que daria nisso tudo, e não me arrependo de nada, porque até as coisas ruins serviram para ensinar, e de certa forma foram boas, e sim, me ensinaram muito, principalmente a confiar.
E mesmo que eu tenha mudado tanto, ela ainda continua a mesma mulher pelo qual me apaixonei. Continua a mesma pessoa adorável de sempre, mesmo que eu já tenha sido um babaca consigo.
Então, eu saio de meus pensamentos ao ouvir meu celular tocando, e ao ver quem é, percebo ser a dona de meus pensamentos me ligando. Não tardei em atender o telefone.
— Bom dia, Sunshine — eu digo, assim que atendo, sorrindo instantaneamente.
— Bom dia! Por que essa animação toda? — ela pergunta, sorrindo do outro lado da linha.
— Porque vou te ver, não é óbvio? — respondo, de forma descontraída. Nós dois rimos. — A que devo o prazer da ligação?
— Eu queria saber quando você vai chegar, quero ver se dá tempo de fazer uma coisa.
— Talvez eu demore um pouco, anjo. Estou preso em um engarrafamento, o que é impressionante já que é de manhã e é fim de semana.
— Todos querem aproveitar para sair, é normal.
Nós continuamos conversando por um tempo, até que eu precisei desligar por finalmente poder voltar a dirigir. E é como eu disse; mal notei o tempo passar.
Depois disso, não demorou muito para que eu chegasse em seu apartamento. Como eu não queria demorar mais, apenas estacionei em frente a entrada e saí do carro, indo para o outro lado e me encostando ali, logo mandando uma mensagem avisando que já havia chegado e que estava esperando.
No entanto, quem eu vi saindo de dentro do prédio não era Angie, e sim a pessoa menos provável de aparecer por ali: Vitor Moura.
— Olha só quem vemos aqui — ele disse, me encarando. Permaneci com a expressão séria. — Veio ver Angie, não é?
— Isso não diz respeito a você — respondi, ríspido.
— Ah, okay. Ela não vai demorar para descer, provavelmente irá apenas terminar o banho — ele respondeu, com um sorriso sínico, piscando um dos olhos em seguida.
Ele é bom em contar mentiras, e eu sei que isso provavelmente seja apenas uma invenção de sua parte, mas ele disse com tanta naturalidade que eu poderia jurar que a insinuação era real...
Não. Eu não vou cair nessa de novo, eu prometi a Angie que confiaria nela e que conversaríamos se algo do tipo voltasse a acontecer, e é isso que eu vou fazer, deixando bem claro que confio em tudo que ela disser.
Devo ter ficado tempo demais pensando nisso, já que quase não percebi quando ela saiu. No entanto, consegui perceber a tempo de ver ela se aproximando, não esperando nem um segundo a mais para me puxar pelo pescoço e me dar um abraço, me beijando logo em seguida.
Eu correspondi seu abraço e seu beijo, sorrindo para si, sem deixar que o que Vitor disse me incomodasse. Eu conversaria com ela assim que entrássemos no carro, para que não restassem mais dúvidas, mesmo que elas fossem quase inexistentes.
— Vem, vamos entrar, quero conversar com você um instante — eu disse, com a voz suave. Percebi ela ficar meio tensa.
— É sobre o Vitor, não é? — ela perguntou, com uma entonação preocupada. Apenas assenti. — Não sei o que ele te disse, mas não é verdade.
— Eu sei, vem.
Sendo assim, eu abri a porta do passageiro para que ela pudesse entrar, sem demorar em dar a volta no carro e também entrar.
Os primeiros minutos dentro do carro enquanto eu dirijo foram em silêncio, mas não desconfortáveis.
— O que é isso que você trouxe? — percebendo que ela havia trazido uma cesta de piquenique consigo, eu perguntei para tentar dissipar um pouco do silêncio e do clima incômodo que começou a se formar.
— Ah, eu pensei em fazermos um piquenique de tarde, então fiz alguns lanches antes de sair.
— Eu adoraria.
Mais alguns segundos de silêncio, que mais uma vez foi quebrado por mim.
— Eu quero que você saiba que eu entendo e sei que o que Vitor me disse não é verdade.
— Se você sabe, por que quer falar disso? — ela perguntou, talvez pensando que eu não confiava em si verdadeiramente e estava falando só da boca para fora.
— Porque eu te prometi que conversaria com você caso algo parecido com aquela vez acontecesse de novo, então estou aqui para ouvir o que aconteceu.
— Está falando sério? — ela perguntou, surpresa.
— Claro. Eu não vou mais cometer o mesmo erro — consegui ver de relance o sorriso que ela deixou escapar.
— Ele foi me procurar, tentando me convencer de que deveria ficar com ele, mas ele nem subiu até meu apartamento, falei com ele pelo telefone da recepção. Quando o porteiro interfonou dizendo que Vitor queria falar comigo, eu disse que não era para deixar ele subir, então ele se revoltou e pegou o telefone do porteiro, disparando de uma vez tudo o que queria falar. Depois eu desliguei. Em momento algum eu o vi.
— Acredito em você, e mesmo que eu não precisasse saber de toda a história, isso me deixou um tanto mais leve, confesso.
— O que ele te disse?
— Nada demais. Ele perguntou se eu tinha ido ver você, quando eu disse que isso não dizia respeito a ele, ele disse que você estava vindo e que estava, provavelmente, terminando o banho.
— Ian... — ela tentou dizer alguma coisa, angustiada. Logo foi interrompida por mim.
— Relaxa, Angie. Ele não vai me afastar de você de novo — eu me inclinei para lhe dar um beijo, aproveitando que o sinal tinha fechado e o carro estava parado. — Agora esquece isso e vamos aproveitar nosso dia, eu estou morrendo de saudades.
— Ótimo, onde vamos primeiro? — ela perguntou, finalmente mostrando o sorriso que eu tanto amo.
— Pensei em irmos ao cinema, o que acha? Depois podemos andar pelo shopping.
— Acho perfeito.
Dessa forma, nós fomos o restante do caminho conversando animadamente. Eu a ouvi dizendo como estava o relacionamento do primo com a melhor amiga, e rimos bastante das brigas que eles tinham.
Rimos por ser engraçado, até porque ninguém briga pela outra pessoa ter simplesmente pego o último bolinho do prato. Katalinna ficou de greve o resto daquela semana.
Em um momento da conversa, ela me contou sobre sua amiga Kelly, que infelizmente está desempregada, o que me deu a ideia de contratá-la.
Angie me contou que antes ela trabalhava como secretária de Robert, chefe dela, mas os dois acabaram se apaixonando e ela pediu demissão para que pudessem ficar juntos. Ela havia conseguido outro emprego, mas acabou sendo demitida porque a empresa precisava cortar gastos. Robert está ajudando Kelly com as despesas necessárias, mesmo contra a vontade dela.
Então, o que eu fiz foi pedir para Angie dizer para a amiga que ela tinha uma entrevista de emprego diretamente comigo logo cedo na segunda-feira, e também pedi para Angie enviar o endereço da empresa para Kelly. Angie fez tudo o que eu pedi ali na hora, tendo uma resposta poucos minutos depois. Kelly iria até a empresa segunda-feira e estava nervosa, com medo de não conseguir.
Eu já a conhecia, sabia que era uma pessoa confiável, e sei que ficaria satisfeito se a contratasse.
Mas agora, a única coisa em que eu quero pensar é em Angie e no nosso dia, que eu tenho certeza que será totalmente agradável.
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