VII - Sete
Ian
Eu normalmente não ficaria nervoso se fosse levar alguém na Lótus Paradise, eu simplesmente levaria e depois se a pessoa não gostasse, eu ficaria tranquilo com isso. No entanto, uma coisa totalmente diferente é levar alguém no qual eu me importo e estou apaixonado, é uma experiência nova para mim. E por causa dessa insegurança com o assunto, Angie e eu estamos sentados no sofá, de frente um para o outro, e eu estou enrolando para falar a quase dez minutos.
Fala sério, não deve ser difícil, e além disso, tudo bem se ela não gostar; é apenas uma boate, uma boate especial para mim, mas ainda sim apenas uma boate.
— Ian, fala logo, antes que eu resolva descobrir por mim mesma, e pelo jeito não é isso que você quer que aconteça — ela disse, já sem paciência.
— É só que...
— Que o quê? — ela cruzou os braços, me encarando de forma séria.
— Eu estou com medo de você não gostar, e de certa forma é um lugar especial para mim, era o único lugar onde conseguia ser eu mesmo, sabe? Principalmente em relação aos meus fetiches.
— O que exatamente é a Lótus Paradise? Não me esconda nada, por favor.
— Bom, a princípio é apenas uma boate — comecei simples. — Mas não uma boate comum; ela é voltada para fetichistas e praticantes de BDSM. Claro, não é nada demais já que nós praticamos, mas te garanto que se você for lá vai entender o porquê do meu receio.
— O que tem lá? — ela perguntou, curiosa.
— De tudo, de simples praticantes comuns à sadomasoquistas incontestáveis. Você realmente teria que ir para entender.
— É difícil ouvir você dizer que está com medo de algo, deve ser realmente muito importante. Nós vamos, eu quero conhecer esse lugar — ela disse, sendo compreensiva do jeito que sempre foi.
— Está falando sério? — eu pergunto, sem entender direito sua reação, já que pensei que ela não fosse gostar. Ela apenas assentiu em resposta à minha pergunta. — Acho que dá para irmos hoje então, você quer?
— Claro, só preciso saber que tipo de roupa devo usar — ela estava claramente animada, parecia excitada com a ideia de conhecer a Lótus (não excitada de uma forma sexual, ainda).
— Bom, você tem alguma calça de couro?
— Eu não, mas tenho certeza que katalinna tem, ela sempre tem tudo — Angie disse, já pegando seu celular, provavelmente para ligar para a amiga. Depois de um tempo falando ao telefone, ela finalmente desliga. — Ótimo, ela tem! E disse que tem uma blusa que combina perfeitamente com a calça.
— Quanto a isso, talvez eu tenha uma ideia melhor — me referi a tal blusa. — Tem algo que você sempre quis usar, mas não podia por não ter onde usar? Ou que pensasse que as pessoas fossem julgar?
— Na verdade, sim. Não é nada muito escandaloso, é só uma blusinha que eu comprei e fiquei com vergonha de usar — ela respondeu, depois de pensar um pouco.
Sendo assim, depois de dizer que Angie poderia usar essa peça que acabamos de falar, eu me arrumei primeiro, sendo que estávamos em meu apartamento e as roupas dela não estavam ali.
Minhas roupas consistiam em uma calça preta de couro, acompanhada de uma camisa branca e um harness¹ por cima. Nos pés decidi colocar um sapato social mesmo, também da cor preta. O cabelo eu reparti ao meio e penteei um lado para trás, como normalmente faço para ir trabalhar. Sei que posso dizer que o resultado ficou muito bom. Então, depois de pronto, eu saí do quarto, descendo as escadas e encontrando Angie me esperando, sentada no sofá da sala. Ao me ver, ela literalmente ficou de boca aberta, me observando dos pés à cabeça.
— Meu Deus! Uau, nossa — aparentemente, era a única coisa que ela conseguia dizer no momento. — Se não fôssemos sair, a primeira coisa que eu faria seria dar para você.
— Não seja por isso, a gente faz isso lá — ela me olhou assustada, com os olhos arregalados, talvez pensando que eu estivesse doido. — Eu estou falando sério. Não se preocupe, lá tem quartos para quem quiser.
Sem que ela contestasse isso, nós saímos do apartamento, indo em direção ao estacionamento, entrando em meu carro em seguida. No caminho até o apartamento de Angie, nós fomos em silêncio, mas não foi nada desconfortável. Estávamos apenas aproveitando a presença um do outro.
— Tente ser rápida, nós ainda temos que fazer seu cadastro — eu disse ao que entramos no elevador.
— Cadastro?
— Sim, ninguém entra sem um.
Então, ciente disso, assim que as portas do elevador se abriram, ela foi a primeira a sair, caminhando rapidamente até a porta já conhecida por mim. Ao abri-la, ela gritou um cumprimento para sua amiga e seu primo, me mandou entrar e caminhou apressadamente até seu quarto. Ao entrar e fechar a porta, encontrei Katalinna e Carter sentados juntos no sofá.
— Boa noite — os cumprimentei, me sentando no sofá ao lado deles.
— Nossa! — Kata exclamou, me olhando da mesma forma que Angie havia me olhado minutos atrás. Vi Carter olhar para ela, indignado por ela agir assim, principalmente por agir assim perto dele, que era seu namorado.
— Ian, bom te ver. Fiquei feliz em saber que você e Angie se resolveram — Carter disse, enfim me cumprimentando.
Nós permanecemos conversando sobre nada em específico, estávamos apenas matando o tempo enquanto eu esperava.
— Bae² — ouvi a voz de Angie, sabia que estava me chamando, e não apenas por já ter sido chamado assim antes.
Ao me virar para encará-la, tive uma surpresa enorme, e dessa vez quem ficou de boca aberta fui eu, totalmente hipnotizado com sua beleza. Ela estava vestindo uma calça de couro preta de cós baixo — como havia dito que vestiria — que marcava muito bem suas coxas grossas, e mesmo sem a ver de costas eu sabia perfeitamente que marcava sua bunda também. A blusa que ela vestia era basicamente um cropped de manguinha e gola um pouco alta, na barra da tal blusa tem algumas tiras, que faziam caminhos em forma de X, que também era preta. Nos pés ela vestia uma sandália de salto preto estilo gladiadora, os glitters do sapato só a deixavam mais linda (ela e a sandália). Ela preferiu deixar seus cabelos soltos.
— Você... uau — eu disse, parecendo um bobo, ela apenas sorriu. — Você está incrível.
— Por que é que você nunca me emprestou essa blusa? — sua amiga perguntou, aparentemente indignada.
— Ah, não pensei que você fosse querer — ela respondeu.
— Pois eu vou querer sim, senhora.
— Já disse para não me chamar assim — Angie disse, na defensiva. Apenas sorri de leve.
— Ah, claro, porque o único "senhor" aqui é o Ian, certo? — ela disse, me deixando confuso. Olhei para sua amiga, voltando para si em seguida.
— Katalinna! — ela exclamou, nervosa.
— O que eu perdi? — perguntei, ainda confuso.
— Também quero saber — Carter também se pronunciou. Então, Katalinna pareceu perceber o que havia dito.
— Não é nada, apenas uma piada interna — ela disse, tentando disfarçar, Angie não desmentiu a história.
— Tá, certo. Bom, não podemos nos atrasar — digo me levantando. — E você, mocinha — apontei para Angie. — Vamos conversar melhor sobre isso.
— Sim...
— Vamos — eu não deixei que ela terminasse de falar, já que não estávamos sozinhos, e ela me chamar de "senhor" ali nos traria apenas mais "problemas".
Nós nos despedimos dos outros presentes na sala, saindo do apartamento em seguida. Em pouco tempo já estávamos no carro, finalmente livres para conversar sobre o assunto.
— Okay, pode começar a falar — eu lhe disse, ligando o carro e começando a dirigir. — Fique tranquila, temos um bom tempo até chegarmos na Lótus.
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1 — Para quem não sabe o que é harness, deixei uma foto de exemplo na mídia.
2 — Bae é uma gíria em inglês para before anyone else, que significa antes de qualquer pessoa. Ou também uma gíria para se referir ao namorado, namorada ou qualquer pessoa pela qual você tenha um certo interesse amoroso. Além disso, também pode ser usado como amorzinho, coração ou meu bem.
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