IX - Nove
Angie
Sinceramente, eu nunca fui de frequentar lugares muito movimentados, menos ainda boates. No entanto, eu não pensei duas vezes quando Ian falou da Lótus Paradise.
A forma como ele falou da tal boate fetichista me instigou. Talvez movida pela curiosidade, eu aceitei ir, e até agora não me arrependo.
Então, no meio do caminho, eu cometi um deslize: falei mal sobre um fetiche. O fato de eu ter feito desfeita de um fetiche que eu não entendo fez com que Ian ficasse irritado, e o que eu senti ao descobrir que ele também havia ficado magoado não foi um sentimento muito bom.
Eu sei, passei dos limites, e admito isso.
Então, eu aceito totalmente a punição que irei receber, e entendo que mereço ela.
Eu sei que Ian não vai me obrigar a praticar voyeurismo, menos ainda exibicionismo, mas confesso que realmente fiquei curiosa sobre o assunto.
E agora, talvez eu queira assistir a algo do tipo. Mas claro, não vou dizer isso a Ian agora, não sei se isso seria o certo, já que a poucos minutos atrás eu disse que não queria.
Agora, depois de sair do escritório de Adam — coisa que eu realmente me surpreendi —, eu caminhei ao lado de Ian até a outra porta que tinha na recepção de tamanho até que mediano, mostrando meu cartão de registro provisório.
Como eu acabei de entrar para a comunidade da Lótus, eu ainda não tenho um cartão fixo, então tenho que usar o provisório. O cartão de registro é como se fosse uma identificação, um documento, e você só entra nessa parte da boate com ele.
Ao passar pelas portas duplas com os dizeres "Lótus Paradise" em néon na parte de cima, eu pude ter uma vista muito boa do lugar amplo. A pista de dança estava lotada, a música alta fazia o chão vibrar. E não que o local fosse tão grande, já que dividia espaço com a parte comum da boate, mas ainda sim cabia muita gente.
Mais adiante, algumas portas estavam fechadas, outras abertas, e continham placas em cima de cada uma. Em um dos cantos havia outra porta dupla, e acima dela tinha os dizeres "quartos" na placa.
Em um canto mais afastado, dava para notar claramente que as portas de lá eram banheiros.
Então, uma das muitas portas me chamou a atenção, e nessa, pelo que a placa dizia, é a sala de exibicionismo.
Eu demorei meu olhar no local específico, observando os detalhes visíveis. A curiosidade para saber o que acontece lá dentro é enorme, a vontade de entrar lá também. E talvez Ian tenha percebido isso, pois logo tratou de chamar minha atenção.
— O que tanto olha? Não deveria ser o único lugar onde você evitaria a todo custo? — ele perguntou, debochado.
— Ian, eu... E-eu queria... — eu não conseguia completar a frase, estava receosa pelo que ele diria.
— Quer entrar e ver como é? — ele perguntou, certeiro. Eu apenas assenti.
Nós estamos basicamente gritando, já que o som alto não permite uma conversa em tom normal.
— Certo. Tem certeza do que quer? Eu posso te levar lá.
— Está falando sério? Pensei que você não deixaria pelo que eu havia dito.
— Eu sei, e por isso estou receoso com isso. Mas se você for entrar, não vai poder dizer nada ruim sobre o que ver, e se caso você se sentir desconfortável apenas saia da sala, entendeu?
— Sim, entendi, senhor — minha resposta saiu automática, minha submissão ainda mais desperta, simplesmente pelo seu tom de voz. Eu vi um sorriso de canto surgir em seus lábios.
— Certo, vamos ver se tem alguma cessão passando.
E assim, nós caminhamos lado a lado até a porta da sala, parando assim que nos aproximamos. Ian começou a ler algumas coisas que estavam em uma pequena tela embutida na parede.
— Temos que esperar essa cessão acabar, daí entramos da próxima. Enfim, acho que você não iria gostar muito dessa, de qualquer forma.
— Por que não? — eu perguntei, confusa e curiosa.
— É de sadomasoquismo.
Sem dizer mais uma palavra, ele apoiou sua mão na base de minha coluna, me levando até o bar que tinha ali perto. Nós nos sentamos nas banquetas, em silêncio, mas obviamente, ele não durou muito tempo.
— Então, enquanto esperamos, vou explicar o que eu pretendia fazer com você.
— Pretendia? — não pretende mais?
— Sim, pretendia. Bom, pelo que você disse no carro, sobre os fetiches, eu iria punir você com a falta de um fetiche que você gosta muito, e eu sei o quanto você gosta de tapas. Ou seja, eu iria te privar disso. Mas agora, como você quer assistir a prática de exibicionismo, eu tive outra ideia.
Ele deu um tempo, sorrindo. Antes de continuar, ele pediu uma dose de alguma coisa alcoólica, coisa essa que eu não consegui identificar.
— Eu também posso? — perguntei, me referindo à bebida.
— Infelizmente não, a regra é de que novatos não podem beber nada que seja alcoólico, nos primeiros dias. E também, como uma regra do BDSM, nós não podemos fazer prática alguma bêbados, então não podemos tomar mais que duas doses aqui.
Depois de responder com um simples murmúrio, nós voltamos a ficar em silêncio, ao menos até ele terminar de beber.
— Eu não vou te contar qual a ideia que tive, mas você vai saber quando a hora chegar.
Sendo assim, nós ficamos ali por mais alguns minutos. Eu fiquei observando as pessoas à minha volta, prestei atenção nas roupas e nos acessórios, e um em especial me chamou a atenção. Muitas pessoas que estavam ali usavam algo no pescoço, tipo uma coleira, e eu não sei dizer para que aquilo servia, mas vou me lembrar de perguntar ao Ian depois.
Então, depois de uma pequena fração de tempo, algumas pessoas começaram a sair da tal sala de exibicionismo, e quando outras entraram, nós dois também entramos.
Lá dentro não era tão espaçoso quanto o lado de fora, mas era bem aconchegante. Algumas mesas estavam espalhadas pelo local, e bem mais a frente tinha um tipo de palco, suponho, já que as cortinas estavam fechadas. Com as portas da sala fechadas, o som ficava mais abafado, e imagino que será possível ouvir tudo o que os praticantes dirão durante a cessão. Ian e eu nos sentamos em uma das mesas do meio, nem tão na frente e nem tão no fundo. Tudo me lembrava uma sala VIP.
— Lembre-se, caso se sinta desconfortável, saia da sala sem dizer nada. E não se esqueça, é tudo feito com o consentimento do submisso — o tom de voz estava leve, mas eu entendi a seriedade do assunto.
E assim, após mais alguns minutos, as grandes cortinas se abriram, revelando o casal que estava ali.
A cessão começou, nenhum dos dois estavam nus a princípio, mas a garota estava apenas com uma camisa masculina, não consegui ver se estava usando alguma lingerie por baixo. E de novo, o objeto em seu pescoço me chamou a atenção.
Então, conforme o tempo foi passando, tudo ia ficando cada vez mais quente, mais excitante. E sim, eu estou gostando do que estou assistindo, e confesso já estar começando a ficar excitada.
Em algum momento, eu cruzei minhas pernas, já sentindo minha excitação começar a escorrer. Então, Ian coloco sua mão em meu joelho, deixando ali um momento. Quando eu comecei a achar que seria apenas um carinho, ele começou a subir a mão, até estar em minha coxa, próxima de minha virilha.
— Seu castigo, anjo, é ficar excitada e não ser satisfeita — ele sussurrou em meu ouvido, com a voz um pouco rouca.
Nesse momento, eu quase chorei, porque sei que ele não vai me foder até perceber que eu aprendi a lição, mesmo que eu implore muito. Eu já estou excitada, e os dois exibicionistas ali presentes nem estão transando ainda.
Ao decorrer da cessão, minha excitação aumenta. O casal no palco finalmente está transando, eu consigo ouvir os gemidos excitados de ambos. A garota implorando para que ele a deixe gozar, implorando para que ele vá mais rápido e mais fundo.
Ela está com as mãos presas a um tipo de crus, as pernas estão ao redor da cintura do parceiro. Ela continua com a camisa, mas agora é nítido que ela não está usando nada por baixo.
E ao fim da sessão, eu já estou quase subindo no colo de Ian, querendo que ele me satisfassa ali mesmo. Mas sei que isso não vai acontecer, nem agora e nem depois.
— Ian — eu chamei, manhosa, tentando chamar sua atenção.
— Você já sabe seu castigo, amor, aguente.
Então, nós saímos da sala, e Ian insistiu para que fossemos dançar um pouco, mas é um pouco difícil dançar estando totalmente excitada, porque eu só consigo pensar em Ian me fodendo. Para piorar, Ian fazia questão de esfregar sua ereção em mim.
— Vem, vamos para casa — ele disse, e não foi com o tom que me dava certeza de que ele iria me satisfazer quando chegássemos.
Então, nós saímos da boate fetichista, passando pela pequena recepção, pelo pequeno corredor e enfim saímos para a parte comum da boate.
Nós estávamos caminhando rápido, e com toda a pressa, eu acabei esbarrando em alguém.
Eu me virei, pronta para pedir desculpas por ter esbarrado na pessoa, mas desisti assim que vi quem era.
— Olha só quem vemos aqui, Angie e seu cachorrinho — ele disse, rindo.
— Desculpa acabar com a sua piada, mas é ao contrário; eu sou a cachorrinha do Ian — respondi, vendo seu riso morrer.
— Você é uma vagabunda, isso sim — ele disse.
— Olha, Vitor, eu tenho mais o que fazer agora, então até nunca mais — eu respondi, antes que Ian acabasse discutindo com o babaca ali presente.
Sabendo que mais nada precisava ser dito, Ian apenas me puxou pela mão, deixando meu ex idiota para trás.
E assim, nós fomos até o carro, entrando em seguida. E tenho o dever de dizer que o que aconteceu não diminuiu meu tesão, e que se Ian permitir, eu pretendo dar muito para ele esta noite.
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