Das piores, eu sou a melhor que tem!
Errado. Eu estava totalmente errada quando ousei pensar que Jennifer e Pricila ficariam bem distantes uma da outra. Afinal, o que eu estava pensando? Jennifer é a anfitriã da turma, e ela sempre quer saber da vida de todo mundo/ zombar de todo mundo, especificamente dos novatos. Só espero que ela faça uma brincadeira com a otária e depois deixe ela bem longe.
- A cobra já tá tentando levar mais uma pro lado errado - Alice diz ao meu lado, enrolando as pontas rosas do cabelo indiscutivelmente liso. Estamos num intervalo da segunda aula pra terceira, na verdade , esperando a professora de artes, então decidimos formar nossa roda e falar mal de Jennifer.
- A gente devia trazer ela pro nosso lado - diz Lorena , ela , assim como eu, sempre quer vencer Jennifer, e obter mais um integrante é vencer ela, mas pela primeira vez, eu não estou de acordo. Pior que Jennifer e Pricila juntas seria Pricila e eu juntas!
- Ela tem cara de cobra, Lol - encaro a garota de cabelos curtos -, melhor ela ficar longe.
- Talvez ela seja legal - dá de ombros.
- Eu não acho - Roberta começa, ela tem o dom de sentir o cheiro de coisa ruim de longe, então quase sempre todo mundo acredita nela. Lhe dou um olhar significativo, agradecendo.
- Se tu diz, vou nem duvidar - Leticia brinca, então nós rimos e começamos a falar sobre assuntos aleatórios, eu particularmente estou mais preocupada em tentar descobrir sobre o que Jennifer e Pricila conversam.
- Lá vem teu gato , Jô - Lorena anuncia quando vê Oliver passando pela porta, ele tinha ido a diretoria na metade da segunda aula porque a coordenadora o convocou. Vejo Roberta revirar os olhos.
- Ele não é meu gato - embora não seria nada mal se fosse, mas teria que ficar de boca fechada -, inclusive vocês podem falar dele que eu sei que tão loucas pra falar.
- E bote loucas nisso - Leticia sussurra, respirando fundo e observando o garoto de baixo a cima quando ele está vindo. Oliver não nota , ou talvez saiba fingir muito bem. Ele pede licença à Roberta e senta em sua mesa que fica a meio metro de distância da minha, mas agora está a quase dois metros de distância de nós por estarmos na mesa de Alice. Ele pega seu celular de capa preta - eu tive que notar isso - e conecta fones de ouvido antes de se concentrar na tela e nem sequer perceber que todas, exatamente todas - exceto eu que tenho preocupações maiores - as garotas observam ele. Desde Roberta "a irritada" até Pricila "a falsa que não perderia por esperar caso entrasse no meu caminho". Com essa observação, concluo que ela não namora ele ou ao menos conhece, caso contrário, estaria agarrada nele como um bicho preguiça num pau, se tem uma coisa que Pricila era e provavelmente ainda é, é exibida.
- Já que tu diz - Alice fala -, então preciso ressaltar o quão ele é gato e o quanto aquela cicatriz é charmosa.
Observo a cicatriz que atravessa seu olho cinza ficando um centímetro abaixo e fazendo um corte na sobrancelha negra - a sobrancelha dele é, para a minha inveja, bem desenhada e sem falhas, com exceção do corte/cicatriz.
- Ele não é linnndo - Leticia discorda - , mas é bem gostoso, e aquela cara de mau...
- Nem me fale - diz Alice -, só não vou interrogar Jô de novo pra não sentir mais inveja.
Solto uma risada.
- Tu queria fazer um oral nele? Eu prefiro receber - Lorena diz, arqueando uma sobrancelha com malícia.
- Quem sabe na próxima, Jô e ele invertem os papéis - Roberta zomba.
- É uma boa ideia - a olho e ela quase não consegue acreditar o quão longe eu posso ir com uma mentira .
- Bom dia , crianças! - Carla entra, com suas bolsas nas mãos e um sorriso.
Eu não gosto dos professores, mas não posso negar que ela tem uma vibe boa.
Todos voltam para os seus lugares, e eu também volto exatamente para o meu em frente a Oliver , quando me aproximo ele tira os olhos que se concentravam no celular que o mesmo guardava e ponhe as pupilas nas minhas. Eu viro rápido, mas a tempo de vê - lo dar um pequeno sorriso.
Quando me sento, me deparo com o olhar fulminante de Jennifer para cá , provavelmente presenciou a cena anterior, especificamente o sorriso, e eu poderia dar pulos agora se eu não sentisse que o meu show me traria consequências logo logo. Mas o que eu fiz? Bom, eu gostaria de dizer que eu planejava ficar na minha enquanto observava mais um olhar sob mim - o de Pricila -, que não ia cutucar o diabo com vara curta, que ia me aquietar - como diz minha vó - no entanto, eu me viro rapidamente para Oliver e falo qualquer coisa para que elas achem que temos algo ou que teremos.
- Será que vai chover? - qualquer coisa mesmo. Ele parece confuso antes de rir fraco.
- Acho que não.
Eu também sorrio e então só assim fico na minha. Observo Jennifer levar sua cadeira até Pricila - podíamos fazer qualquer coisa na aula de Carla desde que em silêncio e que prestassemos atenção quando ela começasse a falar, esse seria o momento em que eu ia dormir - , as duas começam a conversa e logo algumas piranhas se juntam. Minha língua queima só de pensar que eu possa ser o assunto da conversa, e eu nunca me importo se sou o assunto, até gosto, mas Pricila está ali e é como se ela carregasse todos os meus segredos e fosse espalhar a qualquer momento, até por que, ela realmente carrega alguns, ela me conheceu antes disso tudo.
-... Hoje vamos falar sobre o barroco.
Quando paro pra ouvir Carla, percebo que chegou a hora de dormir, e de repente até Pricila e Jennifer parecem desinteresantes comparadas a um cochilo na aula, então meu cérebro rapidamente as manda pra puta que pariu e eu caio no sono. Quer dizer, a puta que pariu deve ser meus sonhos, porque as duas cobras aparecem neles querendo me atacar.
~|||~
- Ei - escuto alguém falar enquanto sinto um dedo cutucar meu ombro.
- Que desgraça...- murmuro e então olho pra uma loira de batom vermelho escuro - O que tu quer?
- Só saber se tu ouvisse mesmo o que a professora falou - diz Leticia.
- E o que ela falou?
- Falou os nomes dos grupos de trabalhos durante o ano - Roberta se intromete.
- Ah - faço pouco caso e volto a abaixar a cabeça.
- E tu ficasse no grupo da novata.
- O quê? - levanto a cabeça rapidamente com a testa vincada. - Por quê? - encaro Roberta ,friamente.
- Tu nunca faz os trabalhos, prefere ficar na recuperação - ok, isso é verdade - , e como a gente já tem um grupo certo, continuamos com o mesmo grupo - Leticia fala.
- E tu disse que não se importava em fazer com André - Roberta continua - , ele já tava com Oliver, então ficariam vocês três.
- Aí de última hora, a tal Pricila disse que não tinha grupo - Leticia usa a sua voz desdenhosa, pelo visto ela já a odeia.
- E por que tu tá falando desse jeito? - esqueço da minha real preocupação do momento.
- Porque ela teve todo o tempo pra dizer que precisava de um grupo, mas resolveu falar isso quando a professora já tava saindo, quando percebeu que no grupo de Oliver faltava alguém.
- Vamos fingir que ela realmente só não pediu pra entrar em nenhum grupo porque é tímida - Roberta também desdenha.
- Como minha vó diz : os calados são os piores - falo.
- Mas ela não deve ser tão ruim assim, Jô, e só tem um trabalho por bimestre, tu vai sobreviver.
Encaro Leticia, tentando abstrair o que ela acabou de dizer.
- É, eu vou - ou melhor, eu quero.
As aulas seguintes seguiram como eu já estava acostumada, barulho no início, Jennifer cacarejando as respostas de todas as perguntas dos professores pra se exibir e entre uma aula e outra algumas garotas e Jennifer vinham interrogar Oliver que respondida tudo secamente.
- Até que enfim! - vibro quando toca o sinal para o almoço.
- Tu vai murchar rapidinho quando ver o que os chefes vão servir hoje - Lorena ironiza , pronta pra se mandar da sala. E não, não é frescura nossa, a comida daqui é horrível.
- Aqui é literalmente uma zona de sobrevivência - bufo.
Lorena , Alice e Leticia estão passando pela porta quando Roberta e eu ainda estamos conversando e sendo deixadas para trás.
- Mas nos próximos grupos, a gente te encaixa - ouço a voz de Jennifer perto da porta. Eu odeio a maneira como ela puxa o "s" nas palavras. No mesmo instante , levanto a mão para Roberta e peço silêncio , ela me encara confusa até ouvir a voz irritante também - , não vai ser tão fácil aguentar aquela ridícula, mas pelo menos tem o gatinho novato no teu grupo - a cara de Jennifer oferecer o que na verdade a mesma quer.
- Ela parece bem insuportável - a voz dela me pega de surpresa, tanto que eu quase deixo passar que ela fala de mim como se não me conhecesse. Meus pés colam no chão e eu fico paralisada. Ouvir a voz de Pricila de perto depois de tanto tempo, me traz várias lembranças, umas que eu preferia ter esquecido. É como se eu tivesse treze anos de novo.
- Ela é uma vadia - e é isso que me acorda do transe, agora que ouço Jennifer tenho vontade de desferir vários socos nela, estou tão irritada que não percebo que dou um passo, Roberta me segura pelo pulso. - Nesse momento deve tá querendo agarrar Oliver.
- Acho que ele não daria bola pra ela.
O que essa idiota tá dizendo mesmo? Roberta e eu nos olhamos com a mesma cara de indignação com uma pitada de deboche.
- Ouvi dizer que ela fez um... - e limpa a garganta para sussurrar bem baixo - um oral nele, mas provavelmente foi mentira - eu seguro o riso. Não sei se rio de Jennifer com receio de falar de sexo ou da mesma amenizando um boato meu só porque lhe é conveniente.
- Ela fez o quê ? Quando foi isso?
- Ontem, mas aquela ali é assim mesmo, vadia. Não duvido que tenha sido verdade - Peraí, minha filha, você tá meio confusa, não acha?
- Pior que eu tenho a impressão de já conhecer ela - espera, ela realmente não me conhece? Roberta me olha confusa. - Só que não, não pode ser a Josy que eu conheci. Ela tinha um cabelo horrível, não que essa tenha um cabelo legal porque meu Deus, que cabelo feio ! - ela ri e eu quero estourar sua cabeça no chão. Roberta sugere irmos embora , com o olhar, mas eu quero continuar ouvindo.
- Eu também acho, mulher! Mas se ela quer continuar andando pra cima e pra baixo com aquela vassoura, então problema é dela - a galinha ri -, que continue pagando de ridícula.
- Qualquer dia vou emprestar minha chapinha pra ela ver se ajeita aquela juba.
- Tua chapinha quebra , mas não alisa aquele cabelo.
Roberta me puxa de novo quando ouvimos mais risadas , mas eu insisto em ficar. Palavras como essas não me afetam, não mais.
- Iguazinho o cabelo da menina que eu conheci, só que ela tinha mais juízo e deixava o cabelo preso, mas ainda não adiantava. Se tu visse... ficava cheio de friz na frente e sem contar nas roupas bregas que ela usava, os óculos de armação feia e os dentes! Tudo torto. Ela usava aparelho mais não fazia diferença nenhuma.
Porque isso leva tempo, sua burra! Quero gritar.
- Queria ver essa coitada aí.
- Ela deve tá pior que antes - e a bruxa gargalha. Ah querida, você ainda não sabe das voltas que o mundo dá. - Mas eu tenho certeza que essa Josy não é a mesma que eu conheci.
Não mesmo, meu bem.
- De qualquer forma, tu não se preocupa, a gente vai deixar ela bem longe do teu Oliver.
Do Oliver de quem?
- Ele não é meu, louca - ela ri, provavelmente tímida. Eu ainda lembro como ela agia, e parece que continua a mesma. A mesma escrota.
- Mas tu disse que vocês tiveram uma conversa quando tavam vindo pra sala e que tu achou ele um gato, o que eu não discordo. A gente tava até achando que vocês namoravam.
- Sério? - se eu bem conheço essa cobra, ela deve estar super feliz com o comentário. É, Jennifer sabe jogar com ela. - Bem, eu quis dizer que ele não é meu, ainda .
Por um momento ouvimos apenas o silêncio, e quando alguém gira a maçaneta da porta ao nosso lado, eu possa jurar que são as cobras.
Roberta me olha, apreensiva.
- Tô falando ,boy, aquela mina é doida - é a voz de André , o garoto de dreads entra eufórico, como sempre está, seguido por Oliver que apenas escuta calado. Sério. Seus olhos nos encontram ao mesmo tempo que os de André, esse se aproxima e nos cumprimenta.
- Roberta - ele pega sua mão e a beija, reviramos os olhos, rindo -, minha Deusa - e faz o mesmo com minha mão, só que me encara por mais tempo para dizer : - Quando é que vai me dar uma chance?
- Quando tu desistir de me querer - rebato, com um olhar desafiador.
- Tô fodido!
- Por quê? - puxo minha mão e Roberta até a porta.
- Jamais irei parar de desejá -la - André atua, como sempre.
- Então jamais terá uma chance - digo, sorrindo antes de passar pela porta.
André... ele pode ter esquecido, mas eu lembro claramente de quando ele fazia bulliyng comigo nos primeiros dias de aula no primeiro ano, que se seguiu durante uns meses ( nada comparado ao bulliyng do ensino fundamental, mas enfim. ) , até minha aparência se tornar quase irreconhecível, creio que o meu modo de agir influenciou bastante. Ele é meio que amigo de Jennifer, então não se pode esperar muito.
- Aquelas vadias desgraçadas! - Roberta esbraveja, eu pensava em dizer o mesmo.
- Nem fala - é como se a raiva apenas tivesse dando uma voltinha antes de realmente voltar. - Tu ouvisse todas as merdas que aquela bruxa falou? Se alguma vez eu me arrependi do que fiz, eu acabei de voltar atrás!
- O destino realmente tá de sacanagem com a tua cara! Quase não acreditei quando vi a bruxa ruiva entrando na nossa turma.
- Talvez ele esteja me dando mais uma chance de me vingar, dessa vez de verdade, cara a cara, comigo de camarote rindo do tombo da minha amiguinha.
- Ou ele quer te dar as consequências dos teus atos do passado.
- Quando foi que tu ficou tão pessimista? - a encaro. Roberta está com uma cara que me diz "vai dar merda".
- Só tô falando, Jô. Cuidado.
- Eu vou ter, vou ter cuidado com Pricila, deixando ela bem longe do meu alvo. É engraçado porque eu lembro que ela se gabava por ter um cara como Oliver a fim dela, como ela vai reagir quando um cara como ele correr atrás de uma garota como eu? Tu sabe né, uma garota do cabelo de vassoura - debocho.
- Eu não duvido que ele vá correr - Roberta ri fraco, após me olhar de baixo a cima com malícia.
Eu também rio, batendo em seu ombro e a fazendo voltar a caminhar.
- E o melhor de tudo vai ser quando aquela anta se tocar que eu sou eu! - meus olhos devem estar brilhando de tão satisfeita que eu estou só de pensar que vou acabar com aquela garota.
- Sério, como é que ela não percebeu ?- Roberta bate na testa. - Devia tá preocupada olhando o Oliver dela - debocha.
- O Oliver dela? - levanto as sobrancelhas.
- Tu não ouviu o que ela disse? Ele não é dela ainda.
- Ah, claro - rio -, eu devia ficar com pena de Pricila porque ela acabou de entrar no meu campo de batalha , mas eu não tô não. Eu quero mais é ver ela caindo e se ralando toda no chão!
- Tu é bem má né , peste? - Roberta ri.
- Como diz Frederico Evandro - nós nos olhamos e repetimos ao mesmo tempo uma fala de um dos nossos filmes favoritos - " dos piores eu sou o melhor que tem! "
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