Capítulo 9

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Após algumas sessões de raio X, descobrimos que Bryan havia quebrado os ossos Calcâneo do pé. Ele teria que colocar uma placa de aço, fiquei do lado de fora, já que ele gritava para colocar no lugar. Depois que tudo acabou, eu entrei no quarto para vê-lo, ele estava dormindo, com o pé à mostra com a placa brilhando.

Me aproximei dele observando seu sono pesado, ele respirava fundo antes de soltar o ar. Seu rosto estava inchado e estava com a roupa do hospital. A camiseta estava um pouco pra cima deixando à mostra sua barriga lisa. Fiquei observando cada detalhe de seu rosto, nem parece o garoto que derrubou um enorme copo de bebida na minha cabeça.

Estiquei minha mão até seu rosto, dois dos meus dedos tocaram seus rosto, o inchado embaixo dos olhos, ele parece tão indefeso, como alguém faria aquilo com ele. Vejo ele abrir lentamente os olhos, ele se assustou ao me ver, dei um sobressalto para trás e virei meu rosto para o lado, impedindo o contato visual.

- O que tá fazendo aqui? - Ele fala em um tom alto.

- Eu te trouxe aqui, esqueceu? - Meu semblante fica sério.

- Eu me lembro agora. Agora pode ir! - Ele bufa.

- Não vai me dizer obrigado? - Olho para ele e arqueio a sobrancelha.

- Não vai me dizer desculpas? - Ele consegue ser chato.

- Não foi minha culpa! - Falo.

- Cadê meu celular? - Ele procura com as mãos aos seus lados.

- Os bandidos devem ter levado né - Me sento na cadeira ali.

- Aqueles idiotas - Bate a cabeça com força no travesseiro.

- Como está o pé? - Pergunto.

- Como você acha? Tá quebrado né. E o que tá fazendo aqui ainda? - Merda, agora tem que ficar me explicando.

- Não posso? Você que bateu na minha porta e desmaiou - Me levanto caminhado até a maca.

- Eu não sabia que era o seu, seu eu soubesse não ia lá - Bufa.

- Eu mereço um obrigado, se não você tava jogado no corredor desmaiado - Cruzo os braços.

- Merecer até merece, mas não vou te dar esse gosto até minhas desculpas - Desta vez, eu bufo.

- Você é insuportável garoto - Me sento novamente com um pouco de raiva e impaciência.

- Por que usa luvas? - Ele não se lembra que eu estava sem luvas na hora que eu atendi a porta?

- Não interessa! - Ficamos em um silêncio por quase um minuto.

- Depois você fala que eu sou insuportável! - Me levanto nervoso.

- E você é mesmo, sabe porque? - Seguro seus pulsos contra a maca.

- Por que? - Pergunta com seu ego enorme.

- Porque você me odeia sem motivo, eu já disse que esbarrei em você sem querer naquela merda de boate!!! - Eu estava com muita raiva naquela hora, e seus olhos estavam me olhando bem no fundo, ele estava assustado.

- Eu não te odeio - Ele disse com a respiração rápida.

- Eu também não te odeio - Aproximo meu corpo ao dele, nossos rostos estavam tão pertos.

- Me desculpe por jogar a bebida e te segurar, e a polícia prender a gente - Nossos narizes se tocam.

- Me desculpe por esbarrar em você, garoto - Sua mão vai até meu maxilar, apertando um pouco. Mas eu não podia fazer aquilo que estava prestes a fazer.

Me afasto o deixando confuso, fico em pé ao seu lado. Ele estava segurando minha mão. Olho para baixo observando sua mão junto a minha, separo nossas mãos tirando as luvas com cuidado, ele viu e deu um susto. Como eu esperava.

- Mas, o que? O que aconteceu? O que houve com suas mãos - Vejo ele me olhar sério, não havia deboche ou coisa do tipo.

- Um dia, minha irmã queimou um ovo, e eu fui lá pra ver o que tinha acontecido. Quando eu cheguei perto, minha irmã saiu, e minha mãe se aproximou. Tinha uma panela cheia de óleo, com o ovo torrando lá - Sinto uma lágrima cair do meu olho.

- O que, aconteceu depois? - Ele pergunta com cautela.

- Ela, ela pegou minhas mãos, e colocou e minhas mãos no óleo, minha irmã.... Ficou rindo enquanto eu gritava - Pego as luvas e as coloco novamente.

- Eu sinto muito - Suas palavras eram sinceras, eu dei um sorriso de canto pra ele. Bryan de algum jeito me fazer sentir, bem.

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Eu realmente estou arrependido sobre o que eu disse sobre o Zack, ele realmente não merece meu ódio sem motivos. Quando estávamos nos olhando, tão perto e de repente ele saiu, ele se encolheu entre os ombros. Eu queria beijá-lo naquele momento, estávamos quase, até ele sair.

Agora eu sei o porquê das luvas, mas não imaginava que fosse algo tão traumatizante.

||Duas semanas depois||

Meu pé está cada vez melhor, e toda marca do meu rosto foi embora, eu estou trabalhando em casa por enquanto, Roger entendeu minha situação e me ajudou nas questões de trabalho, ele disse que vai ligar qualquer dia para voltar para o trabalho presencial. Zack e eu não conversamos mais, ele apenas me levou para casa um dia depois, mas ficou ali comigo o tempo todo no hospital, ele não falava comigo, mas sua presença estava boa.

Chris e Luna vieram me visitar quando Zack não estava, não falei sobre Zack ter me ajudado, ele me pediu para não contar, então inventei algumas partes do que aconteceu.

Eu estou andando bem, claro que estou mancando, até que bastante na verdade, mas estou melhorando cada vez mais. Não tenho saído então sempre peço algo pelo telefone do apartamento, já que não tenho celular, e o meu pagamento foi embora. Mas ainda tenho o dinheiro da minha mãe, e dá pra me virar por bastante tempo, mas tô trabalhando, e tentei o dinheiro guardado. Então, tento não usar tanto dinheiro.

Ouço alguém bater na porta, caminho até ela com a muleta, abro a mesma e vejo Zack, pela primeira vez desde o hospital. Ele estava com duas sacolas um pouco cheias nas mãos com suas luvas de couro pretas.

- Vai me deixar aqui plantado ou vai me deixar entrar? - Me olhava atentamente.

- Claro, não repara a bagunça, eu não tenho limpado muito - Vejo ele entrar, fecho a porta.

- A cozinha? - Arqueia a sobrancelha e eu vou guiando ele até a cozinha. Ele ficava reparando em tudo, cada detalhe.

- Já falei pra não reparar a bagunça - Repito um pouco nervoso.

- Quem disse que tô reparando? - Coloca as coisas na mesa de madeira.

- Eu tô percebendo tá! Não sou burro - Dá de ombros e tira as coisas das sacolas. Eram apenas verduras e legumes.

- O que gosta de comer? - Pergunta.

- Ué, pizza...? Bolo, lanche...? - Dou um sorriso forçado.

- Vamos pro meu apartamento! - Ele começa a colocar as coisas de volta nas sacolas.

- Por que? O que pode fazer lá que não pode fazer aqui? - Cruzo os braços.

- Digamos que não estou acostumado com casas alheias - Vai em direção a porta.

- Casas alheias - Debocho o seguindo. Fecho a porta do meu apartamento e vou em direção ao seu. Entro e vejo tudo bem organizado, era com cores escuras e havia um ar mais gelado.

- Por que está frio? - Ele se vira se aproximando.

- Eu não gosto muito de calor - Zack tinha o tom de voz calmo e rouco.

- Dá pra ver - Sigo ele que ia até a cozinha.

- Eu vou preparar algo, saudável - Olho para ele indignado.

- O que? Acha que eu quero algo saudável? Eu quero uma pizza ou sei lá, um Big-Mac - Me sento em uma das cadeiras do balcão com um pouco de dificuldade. Mas sempre o encarando.

- Eu não como esse tipo de coisa! - Caminha até mim.

- Mas agora vai, anda, pede uma pizza - Aponto para seu celular em cima da mesa ao lado das sacolas. Ele para por um momento e fica pensativo.

- E se eu pedir? Você pode assistir um filme comigo? - Fico pensando um pouco.

- Desde que seja de terror - Ele dá um sorriso de canto.

- São os meus preferidos - Pega o telefone e começa a pedir.

- De queijo hein, bastante queijo! - Sussurro enquanto ele me olhava e pedia.

- Daqui a meia hora. Vamos começar a assistir? - Concordo e fomos para o sofá, era enorme e cinza, na frente havia uma enorme televisão na parede num painel cinza.

- Que tal a gente assistir pânico - Falo animado.

- Pensei em outro! Que tal Sexta-Feira 13? - Ele diz com um tom convencido.

- Só se for o seis! - Agora eu falo convencido.

- Tudo bem, vamos começar - Ele procura o filme e logo o filme começa.

- Espera? - Ele para rapidamente o filme, que não tinha passado nem dois três minutos ainda.

- Fala - Revira os olhos.

- Eu... Você - Arqueia a sobrancelha.

- O que foi? - Fico confuso na hora, bem confuso na verdade.

- Nada, vamos só continuar - Ele espera um pouco e despausa o filme. As luzes estavam desligadas e não havia nenhum som a não ser a televisão.

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