Capítulo 7
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- Esse vinho é muito bom - Falo ao degustar a taça que estava preenchida até a metade.
- Sim, e a comida está muito boa também, não é? - Roger me olhava, seus olhos brincavam com os meus.
- Foi mal, eu fiz desoito anos a bem, bem pouco tempo, não costumo beber ou sair para restaurantes assim - Ele parecia compreender minhas palavras, e se divertir com elas.
- Tá tudo bem, você vai se sair bem. E me surpreenda no trabalho viu - Ele bebe um bom gole da taça, virando a garrafa e enchendo mais um pouco.
- Eu vou - Dou um sorriso.
- E como vai sua vida, vida amorosa - Travo nessa hora, na verdade ainda sou virgem, nunca namorei e beijei alguém apenas uma vez naquela boate.
- Eu, não sei.. Eu nunca - Ele ergue as duas sobrancelhas.
- Não precisa responder, acho que estou sendo um intruso. Nos conhecemos hoje e já estou perguntando uma coisa dessas - Ele ri, me fazendo rir também.
- Bom, na verdade, eu nunca fiz nada exatamente. Beijei alguém apenas uma vez - Roger pareceu se surpreender.
- Eu com dezesseis já havia feito, quase tudo - Bebo um gole grande da bebida.
- Você parece ter uma boa vida, divertida - Roger fica com um sorriso bobo nos lábios.
- Eu tenho, gosto de me divertir, por isso tô no jornal, mas é coisa de família sabe, tô seguindo. Mas é muito divertido - Se passou um bom tempo e eu já estava me sentindo um pouco tonto, ou talvez enjoado.
- Eu acho que quero ir, já está tarde, e eu tenho que fazer umas coisas amanhã - Roger percebeu minhas palavras moles se levanta, se senta ao meu lado e coloca o braço em torno dos meus ombros.
- Tudo bem, eu te levo de volta - Nos levantamos e vejo Roger dar uma boa quantia para a garçonete e fala para ela ficar com o troco.
- Estou cansado - Rio e Roger me coloca no banco do seu carro. Ele dá a volta e vai para o banco do motorista. Dá partida no carro e sinto o carro começar a dirigir, encosto minha cabeça no vidro do carro, vendo as placas brilhantes das lojas.
Noto a faixada do hotel "Vixon Hotel" saímos do carro e Roger entra comigo, o porteiro me conheceu e me deixou eu passar, subimos o elevador e seguimos o corredor. Ao chegar na porta do meu apartamento, viro meu rosto para porta da frente, encarando com raiva. Destranquei a porta e entramos.
- Tudo bem, chegamos - Roger fala me sentando no sofá.
- Obrigado, por tudo, pelo trabalho, o jantar - Me levanto ficando de frente para ele. Estávamos perto um do outro e nossas respirações estavam rápidas.
- Ao que parece, vamos nos dar bem, não é? - Sinto sua mão na minha cintura.
- Vamos nos dar bem! - Sorrio e vejo seu rosto se aproximando e seus olhos se fechando.
Antes de colar nossos lábios, ouvimos um trovão, que nos fez assustar e nos separamos. Olhamos um para o outro envergonhado.
- Já vou indo, obrigado pela companhia - Ele para na porta para me olhar.
- Foi um prazer, chefe - Trocamos sorrisos calorosos e Roger sai fechando a porta. Me sento no sofá ouvindo a chuva que ficava cada vez mais forte ao lado de fora.
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Já se passou um mês que fiz desoito anos, e tenho que dizer que minha vida está mesmo mudada, como Vivian me disse que mudaria. Meu emprego está indo bem e as manchetes tão vendendo muito, fui até elogiado pela minha escrita e o jeito que falo dos casos, eu realmente me importava com o que acontecia na cidade e no mundo.
O idiota do Zack está irritado todo tempo agora. Tivemos uma troca de olhares de ódio no elevador semana passada, e eu o empurrei ao sairmos do elevador, nada que ele não merecia, não é mesmo? Mas tirando Zack, minha vida está ótima, e finalmente Luna e Chris vão morar juntos no Queens, onde eles sempre quiseram, e eu estou muito feliz por eles.
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Fico ainda sentado no chão, com a cabeça abaixada entre os joelhos. Tudo que Carolina disse, minha mãe, o seu ex namorado psicopata. Ele matou minha mãe, mesmo ela merecendo, eu sinto um vazio se transformar em um buraco negro, ele está me devorando a cada segundo que se passa.
Eu tenho um sobrinho, ele parecia tão inocente, tendo uma mãe dessas, eu não posso perdoá-la pelo que fez, eu não posso, perdoar minha mãe por aquilo, eu sinto esse ódio, não era mais como antes. Seria inútil agora eu guardar esse ódio.
- Zack!! Está tudo bem - Vejo Neo se aproximar de mim, com o semblante de preocupação.
- Minha irmã veio aqui - Ergo a cabeça para ele, eu estava chorando.
- O que? O que ela queria? - Ele se agacha na minha frente tampando a boca, com certeza estava surpreendido com o que acabo de dizer.
- O ex dela matou minha mãe, e tacou fogo casa dela e da minha mãe - Neo parecia triste por mim.
- Cara, eu sinto muito, eu não posso nem imaginar, como deve ser - Ele me abraça, e pela primeira vez eu deixo ele me abraçar.
- Ela tem um filho pequeno, eles precisam de moradia - Falo baixo.
- Se quiser, eu posso te dar um dinheiro, não se preocupe, eu quero ajudar, você já me ajudou muito - Limpo as lágrimas.
- Eu os mandei embora, eu estava com raiva, não pensei direito - Neo me olha incrédulo.
- Eu sei o que ela fez, e que deve estar magoado, mas eles precisam de você, ela não tem mais ninguém além de você - Ele parecia querer dar uma lição de vida, coisa que não preciso.
- Eu, não consigo nem olhar pra ela sem pensar naquilo Neo, eu não consigo - Ele me abraça novamente.
- Pense bem tá, não pense no passado - Nos separamos e ele se levanta, fica me olhando por um tempo e depois sai.
Após muito tempo pensando sobre isso, e tudo do passado que ainda me atormentava. Me sento na cadeira em frente a mesa com as mãos em cima dela, fico encarando a minhas mãos com as luvas, encarando com ódio, pensando naquele dia. Desabotoo os lados de cada um uma, alargando, tiro minhas mão, deixando a mostra.
As queimaduras deixavam minhas mãos horríveis, me lembro perfeitamente daquele dia, os ovos queimados, os gritos da minha mãe, suas mãos levando as minhas até a panela com óleo quente. Ainda sinto aquela dor, meu gritos gritavam na minha mente ao pensar naquilo. Coloco as luvas novamente fechando os olhos.
Quando a noite chegou, eu peguei meu carro e ia na direção de casa, hoje decidi adiantar algumas coisas, então estava voltando tarde para casa. Ao sair da garagem, a grande chuva caia, relâmpagos e trovões a todo momento. Quando fui passar na frente de uma praça, vi um ponto de ônibus, e apenas duas pessoas nele, Jacob, meu sobrinho, e minha irmã Carolina.
Fico parado com o carro, enquanto ela encarava o mesmo com certo medo, abaixo o vidro e ela ergue mais o olhar.
- Entrem! - Anúncio e ela rapidamente pega seu filho, que parece ter uns nove anos, entram no carro, ela vai no banco ao meu lado depois de colocar seu filho no banco de trás, que se deitou.
- Obrigado, obrigado Zack, não sei como agradecer - Dou de ombros e vou em direção ao prédio.
Chegamos no meu apartamento, e logo Carolina vem me dando um abraço, fico sem reação e afasto ela. O garoto parecia olhar tudo.
- Eu não abraço - Falo - Tem um quarto no fim do corredor, podem ficar lá por um tempo.
- Obrigado, é... Tem alguma coisa pra comer? - Jacob se junta com ela me olhando com aqueles olhos grandes melancólicos.
- Sim, podem, comer o que quiserem, vou pro meu quarto, não batem, não baguncem, não tire nada do lugar a não ser que coloquem exatamente onde estava! - Eu realmente falava sério.
- Continua com extrema organização, parece que você não mudou muito - Ela fala.
- Sim - Vou para meu quarto e me jogo nele, ouvindo todo o barulho que faziam, o que estava me deixando louco.
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Já se passou um mês daquele dia da boate, Neo me ajudou comprar um casa, não muito longe do prédio onde moro. Compramos para minha irmã e seu filho Jacob, imobiliamos a casa, com um sócio de imobiliária que temos. Conseguimos um trabalho para ela como assistente de financiamento junto com Chris e o superior deles, claro que ele não sabe que Carolina não é minha irmã.
Jacob agora está em uma escola, e tudo estava muito bem. Tirando o fato de que o vizinho ficou me encarando no corredor, e ainda por cima me empurrou quando fui sair do elevador. Aquele idiota.
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