Capítulo 4

▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️

Depois de muito tempo encarando Bryan dormindo tranquilamente, como se estivesse em sua própria cama. Acabo encostando na parede, fechando os olhos lentamente até apagar de vez. Era o que eu não queria, já que meu plano era ficar até de manhã acordado, mas não deu muito certo.

Acordo com um assobio ardente nos meus ouvidos, abro os olhos lentamente, ainda deitado, notando Bryan assobiando alguma música que desconheço. Me sento rapidamente esfregando os olhos, o encarando e suspirando fundo.

- Não viu que eu estava dormindo? - Resmungo e o ouço parar de assobiar para me encarar

- Desculpa, nem notei - Debocha dando um sorriso.

- Não notou - Respiro fundo revirando os olhos.

- Ei, já é de manhã, vai nos soltar? - Ele se levanta batendo na porta.

- Devem ter uma hora exata para isso? - Ele se vira para mim.

- O sol já raiou inteligência, já é hora - Me levanto respirando fundo e chego perto dele com os olhos semicerrados.

- Tá querendo levar um soco garoto, agora já é adulto não? - Arqueio a sobrancelha.

- Não vai fazer isso - Me olha com dúvida.

- Quer ver - Fecho as mãos já sem paciência.

- Rapazes! - Olhamos pela fresta da porta vendo o guarda, ele destranca a porta e então saímos.

Seguimos pelo corredor vendo algumas celas sendo abertas, com certeza de todos que festejavam em bares sem licença, pegamos nossos documentos e chaves e saímos. Ao sairmos, notamos que não estávamos tão longe do bar. Andamos juntos até o bar, claro que não nos falamos, apenas ficamos nos encarando, por todo percurso.

O vejo entrar em um carro preto e dourado, bem antigo. Não entendo de carros mas sabia que aquele era um camaro dos anos oitenta. Entro no meu carro, Civic, também preto.

Começo a dirigir em direção ao prédio em que moro, era um prédio de luxo com apenas doze andares. Antes eu morava apenas em uma casa no subúrbio, antes da promoção como COO. Depois que mudei para esse apartamento, eu tive uma vida de paz.

Fico vendo pelo retrovisor, os carros, mas um em particular, um camaro preto, o camaro de Bryan me seguia. Virei duas direitas para ver se o mesmo me seguia, e isso era verdade, aquele garoto me seguia. Começo a ficar nervoso e segurava forte o volante olhando sempre pelo retrovisor a todo momento.

Ao chegar na garagem do prédio, o vejo também estacionar o carro. Paro o carro na minha garagem, saio batendo a porta e indo atrás dele que estava com a porta aberta procurando por algo. Olho para ele que parou de mexer nas coisas para me encarar.

- O que está olhando idiota - Ele fala com um ar de riso. Puxo ele pela gola e tiro fora do carro, bato as costas dele na porta do outro carro que estava ao lado.

- Por que está me seguindo? - Pergunto enfurecido, ele parecia confuso agora.

- Porque que eu iria seguir alguém como você? - Ele arqueia a sobrancelha. Começo a afrouxar as minhas mãos no seu pescoço, o encarava bem nos olhos.

- O que faz aqui, seguiu meu carro esse tempo todo - Largo ele, e vejo ele se indiretar.

- Eu moro nesse prédio, otário! - Ele não tinha medo de mim, nem pelo meu pior e ameaçador jeito.

- Eu, e-eu moro nesse prédio! - Falo, terminei e abria ainda a boca, pensando em falar algo a mais, mas algo que não saia do meu pensamento.

- Que merda, estragou meu dia - O garoto fala, o que faz eu arquear a sobrancelha.

- Fique longe de mim - Saio dali e vou para o elevador, e o vejo me seguindo, o que faz eu suspirar mais uma vez.

▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️

Mas que cara insuportável, e ainda me pega pela gola, me ameaçando. Vou na direção do elevador, ao ver ele também mas um pouco à frente. Vejo ele apertando o botão e o elevador abrindo, corro para entrar, porque eu não ia ficar esperando o elevador. Zack respirava fundo dentro do elevador, estávamos distantes, cada um pro seu lado, mas sua presença me irritava.

- Ótimo, agora tenho que aguentar você no mesmo prédio - resmunga sem me olhar.

- Eu não sabia que sua pessoa estaria morando aqui né - Falo irritado.

- Tem razão, com certeza não deve ter pagado tudo de uma vez. Sua chance de ir embora para eu não te infernizar - Ele fala convencido.

- Pra sua informação, eu herdei esse apartamento do meu pai - Ele se cala e fica pensativo.

- Pai? Perdeu a muito tempo? - Ele parecia baixar o tom de voz.

- Não te interessa, tô sendo interrogado agora? - Debocho.

- Perguntei seguindo de um assunto que você mesmo surgiu e deu informação! - Ele se encosta na parede metálica.

- Ótimo, guarde pra você essa informação grátis - A porta do elevador se abre. Ele me olha e sai do elevador seguindo caminho pelo longo corredor.

Por muita coincidência, vou para a mesma direção, já que tinha outro corredor. Ele para em uma porta larga e cinza azulada, como todas do prédio. Paro em uma porta em frente a dele, destrancamos as mesmas e por fim nos olhamos. Acho que pensávamos a mesma coisa "Não acredito que esse idiota é meu vizinho de porta"

- Não pode ser verdade - Falo indignado.

- Não acredito - Ele me olhava incrédulo.

- Somos vizinhos de porta! - Falamos juntos com tamanha desaprovação.

- Você que vai se mudar, porque eu vou infernizar você - Agora falo eu convencido. Zack olha para cima soltando ar de sua boca.

- Tem certeza? - Vejo ele me jogando contra a parede tampando minha boca com sua mão - Foi sua culpa eu passar a noite na cadeia seu idiota, meu nome esta lá agora por sua causa - Seu olhar furioso o tornava assustador. Ele tirou a mão da minha boca lentamente, ainda me prensava contra a parede.

- Você não me pediu desculpas - Ele me olha estranho naquela hora, e eu o olhava no fundo dos seus olhos castanhos intensos.

- Não foi minha culpa Bryan - Ele fala com uma voz rala.

- Foi sim, foi de propósito - Falo.

- Não foi, acredite no que quiser - Ele coloca uma de suas mãos no meu ombro.

- É..... Eu.... Eu - Não saia mais nada da minha boca, meus olhos agora estavam focados nos seus lábios, seu jeito de mexer a boca sem falar uma palavra.

- Não chegue perto de mim - Sai de seus lábios, o que fez eu perder todo o encanto e clima que estava se formando.

Ele se afasta de mim e se encosta na porta de seu apartamento, fico ali, o observando por alguns segundos, até vê-lo abrindo a porta e entrando rapidamente. Fico ali pensando, até entrar e me jogar no sofá. Ouço meu celular começar a vibrar, por conta de finalmente estar conectado ao Wi-Fi do meu apartamento, já que eu normalmente não ligo a Internet do celular quando saio. Chris me ligava, revirei os olhos e atendi o celular.

Chris- Cara, eu te liguei várias vezes, porque não me atendeu seu Zé mané!

Eu- Eu, eu foi pra cadeia, por causa daquele bar sem licença que você me levou.

Chris- Eu não te vi na correria quando os policiais chegaram, porque só não correu pra fora.

Eu- Eu estava meio que brigando com um dos seus chefes.

Chris- O que? Eles me viram com você, se for o Zack, ele pode me demitir só de raiva.

Eu- Eu não tive culpa, ele jogou bebida em mim, só retribui.

Chris- Aí aí, ele não pediu desculpas né, só foi por isso. Você é muito explosivo, já te falei isso né.

Eu- Eu sei, mas ele que começou, se fosse eu esbarrando em alguém, eu pediria desculpas.

Chris- Ata, como se eu não te conhecesse.

Eu- Então, eu vou arrumar um emprego esse mês, se eu der sorte.

Chris- Soube que tem vagar aqui!

Eu- Não, imagina ter que ver a cara desse idiota do seu chefe todo dia.

Chris- Eu já tô acostumado com ele.

Eu-Vou ir no Queen, nos jornais de lá, lembre que tenho jornal online né?

Chris- Sim, lembro, então, vai lá, boa sorte cara.

Eu- Tá bom, até mais.

Chris- Se não conseguir nada, pode vir aqui comigo.

Eu- Vou pensar bem sobre isso, seria minha última opção tentar um emprego aí, mas meu currículo é excelente.

Chris- Pensa bem, eu vou indo, tenho que trabalhar.

Eu-Tá bom, vou entregar uns currículos, que não dá pra ficar parado escrevendo pela Internet. Quero algo mais real

Chris- Isso sempre foi seu sonho, boa sorte de novo.

Eu- Até mais.

Desligo o telefone e logo sobo as escadas pronto para um bom banho quente.

▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️▫️▪️

Obrigado pelo seu tempo.
Votem e comentem.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top