5. Segredos de Família!
Oii leitores, sejam bem-vindos a mais um capítulo. Espero que gostem! 😉
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Depois que as aulas acabaram e chegou a hora de irmos embora, acompanhei as meninas para encontrar meu irmão no portão.
Giulia e Flora estavam animadas com os seus novos passos de dança. Nina e eu nos despedimos delas e fomos conversando enquanto procurava meu irmão. Percebi que Gustavo me observava de longe com Gabriel. Chiara estava perto deles com as amigas, talvez esperando alguém que fosse buscá-la. Então notei que ela também estava me observando, só que me fuzilava com os olhos.
Um tempo passou e uma mulher loira se aproximou de nós.
-- Carolina, hoje eu vim te buscar.
-- Ah Maya, essa é a minha mãe Raquel.
-- Prazer.
-- Prazer, que bom que a Nina fez uma amiga. -- ela diz dando um belo sorriso que eu também retribui.
Nos despedimos.
Avistei meu irmão me procurando, acenei com a mão e ele veio correndo ao meu encontro.
-- E aí, como foi seu primeiro dia? -- perguntei o abraçando.
-- Até que foi legal. E o seu?
-- Também. Vamos para casa que eu tô morrendo de fome.
-- Eu também.
Nós rimos e fomos a pé.
Depois de almoçarmos pensei em ir no Galaxy. Olhei para o relógio e eram 15:30.
Nina me mandou uma mensagem dizendo que estava no Galaxy, com a Giulia e Flora. Chamei meu irmão, mas ele disse que estava com preguiça, então peguei minha bicicleta vermelha e fui.
Quando entrei Giulia acenou para mim empolgada.
-- Oi, meninas!
-- Oi, Maya! -- disseram em coro.
-- Cadê a Nina? -- perguntei me sentando ao lado delas.
-- Ela foi pegar umas coisas na biblioteca. -- respondeu Flora.
-- Ok. O que vocês estão fazendo? -- perguntei ao vê-las com um monte de roupas.
-- Tentando fazer figurinos. Sabe, amanhã vai ter um concurso de karaokê aqui e o Samuel tá se achando um cantor de renome. -- diz Giulia um pouco cabisbaixa.
-- Ah Giu, você sabe como ele é, vai nos encher até subirmos naquele palco e esfregar o nosso talento na cara dele.
-- Olha meninas, tenho certeza que a apresentação de vocês vai ser a melhor. Vocês são incríveis! -- elogiei e peguei em suas mãos.
Meu gesto de amizade fez com que elas ficassem mais animadas.
Sabe, às vezes, é bom apoiar os sonhos dos outros.
-- Oi Maya, faz tempo que você chegou? -- perguntou Nina descendo às escadas e sentando-se conosco.
-- Oi Nina, não, cheguei quase agora. -- respondi enquanto ela pedia uns milk shakes.
-- E aí, você vai participar do teste de dança amanhã? -- ela me pergunta.
Chiara estava passando proxima a nos e escutou.
-- Então Maya, você quer fazer parte da seleção? -- ela perguntou com aquele sorriso falso.
-- Eu ainda não sei. -- respondi um pouco desconfortável.
-- Ah, mas para você está tão em dúvida deve ser porque não dança tão bem. -- ela disparou e eu engoli em seco.
-- Quer saber, agora me animei para fazer o teste. Está decidido, eu vou! -- digo e vejo o sorriso falso dela sumir.
Essa Barbie oxigenada não sabe com quem está lidando. Eu não sei dançar? Só se for nos sonhos dela. Eu sou uma Miller, esse dom está no meu sangue e eu vou dá o meu melhor naquele teste, se eu não passar pelo meu talento... apelo para o que eu mais odeio. O sobrenome da minha avó.
-- Boa sorte, você vai precisar! -- ela diz de uma forma um pouco arrogante.
-- Obrigada. -- digo e lhe lanço um sorriso.
Chiara foi embora com fogo nos olhos ao lado de suas amigas.
-- Uau, isso vai ser demais! -- diz Giulia novamente empolgada.
-- Boa sorte Maya, de verdade, esperamos que você passe. -- diz Flora sendo amigável.
-- Muito obrigada, meninas. -- agradeço.
Nina mesmo contente por mim ficou um pouco preocupada com a reação da Chiara. Será que ela vai aprontar alguma? Espero que não.
-- Meninas, vocês conhecem algum guitarrista? -- perguntou um garoto ruivo que acho que vi na última vez em que estive aqui.
-- Não. -- dizemos em coro.
-- Obrigado, meninas. Ah, e prazer Maya, não fomos apresentados pessoalmente, eu sou o Juan, seja bem-vinda. -- ele diz estendendo a mão.
-- Obrigada Juan, prazer em conhecê-lo. -- digo ao cumprimentá- lo. -- Mas, por que estão procurando um guitarrista? -- perguntei.
-- Para o Galaxy Show de amanhã. -- Martí respondeu.
-- Entendi.
Eles assentiram e saíram perguntando a mesma coisa nas outras mesas.
-- Meninas, eu vou no banheiro, já volto.
-- Eu vou com você . -- diz Nina me acompanhando.
Estávamos indo em direção ao banheiro, quando avistei Gustavo jogando boliche com Gabriel. Chiara estava perto então desviei o olhar, só que o mauricinho me viu e derrubou a bola sem querer no chão, fazendo um barulho bem alto. Nina e eu não resistimos e acabamos rindo baixinho, mas Chiara nos avistou com aquele olhar aterrorizante.
Depois de um tempo fui embora e o Lucca não me mandou mais nenhuma mensagem, porém sei que ele só está ocupado.
Eu espero que amanhã dê tudo certo no teste. Não sei porque invento de me meter nessas coisas.
Antes de dormir vasculhei dentro de algumas caixas que levei e achei as minhas antigas sapatilhas de ballet. E por um instante, vi minhas lembranças de quando eu era mais nova se passarem sob meus olhos.
Sinto saudades daquele tempo onde a minha maior diversão era apenas dançar.
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Levantei cedo para guardar minhas coisas, até porque hoje é o dia do teste. Estou tão nervosa, parece que meu coração vai sair pela a boca, faz tanto tempo que não danço.
Será que ainda me lembro de algo? Deixa de ser doida Maya, não tem como esquecer os passos de dança que você passou a infância fazendo.
Ao descer às escadas...
-- Maya! -- minha avó me chama.
Vou ao seu encontro no escritório do meu pai e ela me lança um sorriso.
-- Querida, pegue isto. -- ela diz ao me entregar uma pequena caixa de veludo preta.
Ao abri-la vi que era um colar. Era lindo. Tinha um pingente em forma de flor de cerejeira, nele havia muitas pedrinhas. Fiquei encantada e toquei em seus detalhes.
Eu sabia que aquele colar existia, mas não fazia ideia de que ele era tão encantador assim.
O colar da família Miller, era da minha avó quando tinha a minha idade, mas pensei que tivesse se perdido com o passar dos anos.
-- Obrigada vovó, mas só uma dúvida. Por que o presente?
-- Bom, eu já estava querendo lhe dar algo e com essa mudança percebi que você estava um pouco tristonha por conta do seu amigo. -- ela toca em meu ombro -- Então pesquisei e descobri que essa linda flor, significa: a beleza, o amor, a renovação e a esperança. Tudo que percebi em você. E também porque já estava na hora da minha única neta ganhar esse presente.
Lhe lancei um sorriso.
-- Obrigada vovó, ele é muito lindo! Eu gostei bastante e não é só pela a beleza, mas também por conta do significado.
Coloquei o colar e me olhei no espelho. Ele era muito lindo. Minha avó acertou no presente, principalmente na escolha da flor. Flores de cerejeiras são as minhas favoritas desde que eu era criança.
-- Maya, venha só falta você! -- gritou minha mãe.
-- Tchau vovó, eu tenho que ir.
-- Espere só mais um minutinho, querida. Preciso lhe dar um conselho.
-- E qual é, vovó?
-- Fique tranquila. O Lucca só deve estar ocupado.
-- Também acho vovó, mas, às vezes, penso que ele me esqueceu. -- digo abaixando o meu rosto -- Eu não queria pensar dessa forma, mas é um pouco inevitável. -- senti as lágrimas de saudade brotarem em meus olhos.
Marianna o levantou ao tocar no meu queixo.
-- Não pense assim, tenho certeza de que ele nunca irá esquecer você. -- ela afirmou -- E nem essa distância, ou qualquer outra coisa poderá romper esse elo de vocês. May, ele será para sempre o seu melhor amigo!
Apenas assenti passando a mão no meu rosto.
-- Maya vamos! -- minha mãe chama novamente.
-- Já tô indo! -- gritei de volta.
-- Acho que tenho que ir agora vovó.
-- Tudo bem, depois conversamos melhor, mas só mais uma coisinha. Boa sorte no seu teste! Eu a vi procurando as sapatilhas.
-- Obrigada, vovó! -- digo ao lhe dar um forte abraço e sair correndo para o carro.
Ela me viu, então foi por isso que me deu o colar. É claro como eu sou tola, eles nunca desistiram da ideia de eu me tornar a bailarina que a minha avó desistiu de ser, mas eu vou fazer esse teste e vou passar. Ou eu não me chamo Maya Bianchi Miller Garcia.
-- Ah, finalmente filha! -- diz meu pai se preparando para dar partida.
-- Desculpe, eu estava conversando com a vovó.
-- Tudo bem, agora vamos. -- ele diz começando a dirigir.
Não pude deixar de notar, que meu irmão parecia um pouco desanimado. Talvez por não ter feito nenhum amigo ainda.
-- Tchau mãe, tchau pai. -- Nick e eu dizemos em coro ao chegarmos no colégio.
-- Tchau meus amores! -- mamãe falou acenando. E meu pai assentiu.
-- Tchau May, no final da aula nos vemos.
-- Tchau, Nick. -- acenei e sorri para ele.
Um pouquinho distante, Flora e Giulia estavam sentadas em um banquinho, arrumando alguns assessórios.
Fui ao encontro delas.
-- Bom dia, meninas! -- digo sendo simpática.
-- Buenos días, Maya! -- elas dizem em coro.
-- E aí, como estão os preparativos para hoje no Galaxy?
-- A mil amiga, mas o concurso não será mais hoje. Só vai ser daqui dois dias. -- Giulia responde colando umas pedrinhas em um broche. -- Eles tiveram que adiar por conta dos meninos, que ainda não conseguiram um guitarrista e eles são o futuro sucesso do Galaxy, então temos que aguardar.
-- Entendi, espero que eles consigam um a tempo.
Elas concordaram.
-- Pois é, e de quebra ainda tem o Samuel enchendo a nossa paciência e me deixando cada vez mais nervosa. -- diz Flora com um olhar triste.
-- Calma meninas, tenho certeza de que vai dar tudo certo. -- digo sentando-me ao lado delas -- Eu também estava um pouco nervosa e preocupada com algumas coisas, então a minha avó me acalmou. O importante é se divertir!
-- Nós agradecemos o apoio, Maya. -- diz Giulia tocando em minha mão.
-- E boa sorte no teste. -- completou Flora -- Estamos torcendo por você!
-- Eu também agradeço. -- digo retribuindo o sorriso o qual elas me lançavam -- E a Nina já chegou?
-- Eu acho que a vi entrar. -- respondeu Giulia. -- Talvez ela esteja na sala de jornalismo.
-- Ok, eu vou guardar as minhas coisas e procurar ela. Até daqui a pouco, meninas! -- digo ao me afastar.
-- Ok, Maya.
-- Flora coloca mais brilho. -- escutei Giulia importunar a amiga.
-- Não Gi, já tá bom. Daqui a pouco a gente vai parecer uma bola de balada com todo esse brilho. Lembra menos é mais e mais é menos.
-- Ok, mas coloca só mais um pouquinho.
Após escutá-las, segui em direção aos armários para guardar as sapatilhas.
Enquanto fui procurar a Nina na sala de jornalismo, acabei me deparando com uma enorme estante que ficava no final do corredor. Fui até ela. Tinha vários troféus e fotos antigas.
Numa delas era da turma 1975, a minha avó estava naquela foto em preto e branco, ela estava sentada ao lado de várias garotas enquanto alguns rapazes estavam em pé atrás delas. O meu avô estava atrás dela.
Em outra foto, a minha avó estava com vestido de baile clássico da época ao lado de um rapaz muito bonito mais que não era o meu avô. Abaixo estava escrito em letras pequenas: "O Casal do Ano, Marianna Miller e Antônio M. Bittencourt".
Se eles eram um casal, então por que a vovó nunca disse? Ela sempre se referiu a sua adolescência como espetacular e realmente foi, disse que o seu único namorado foi o meu avô, mas nunca disse que teve outro. Isso está bem esquisito.
Continuei concentrada analisando aquelas fotos, vendo as turmas que vieram antes e depois deles, eram adolescentes cheios de sonhos como nós.
-- Hoje a maioria deles são um bando de coroas, daqui alguns anos seremos nós. -- Gustavo diz ao se aproximar de mim.
-- Concordo. -- sorri.
-- Aquele ali é o meu pai. -- ele aponta para um homem loiro e com roupa de jogador de basquete.
-- Ele era capitão?
-- Sim. E suponho que essa seja a sua avó, não é? -- ele apontou para a foto do casal que eu encarava.
-- Como sabe, se eu não contei para ninguém?
-- Não sou idiota, soube no momento em que você chegou nessa escola. Você é a cara dela.
-- Então, você só está se aproximando de mim por que sou neta dela? -- digo um pouco triste.
-- Claro que não, as minhas amizades nunca são por interesse até porque ninguém nessa escola precisa.
Eu assenti, sem saber o que responder.
-- Quem mais sabe?
-- Apenas eu. -- assenti novamente -- Por que não quer que ninguém saiba?
-- Porque as pessoas só se aproximavam de mim por interesse e é por isso que sempre omiti quem eu era.
Até porque de qualquer forma eu sempre acabava ficando sozinha.
Ele fixou os olhos em mim. E que olhos lindos, eram verdes e brilhavam muito.
-- Fique tranquila, as pessoas não são assim aqui. Pelo menos, não as pessoas que você já conheceu. -- voltei a olhar para as fotos.
-- Você sabe quem é esse rapaz que está ao lado da minha avó nessa foto? -- apontei.
-- Hum, "Casal do Ano Marianna Miller e Antônio M. Bittencourt". -- ele leu -- Ele é o avô da Chiara... e o meu padrinho.
-- O quê, é sério isso?! -- pergunto surpresa.
-- Sim. Não tenho dúvidas, esse rapaz é o avô da Chiara.
Meu Deus, a minha avó namorou o avô da garota que acredito que me odeie. Meu Deus, meu Deus, meu Deus! #estouchocada.
(2.292 palavras)
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Qualquer comentário é válido pessoal, seja ele bom ou não! 😉
Tchau e até o próximo capítulo! 👋🏻💕
Ass: May ✨🌸
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