49. O Garoto Problema!

Oii leitores! Sejam bem-vindos a mais um capítulo! 🤗
Espero que gostem! 😉
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•°• Maya •°•

Quando o assunto é amor eu sou péssima em lidar com os meus sentimentos, sempre acabo complicando tudo e quando tento reverter a situação elas acabam piorando mais ainda.

Eu não sei mais o que pensar ou fazer. Daqui alguns dias Gustavo vai viajar e passará um ano fora, e eu não posso fazer nada que evite isso.
Nina até que me aconselha dizendo que eu deveria me declarar para ele, mas eu não consigo dizer o que sinto. Há dias tento falar com ele sobre isso, mas parece que o mauricinho está fugindo de mim, não tenho tempo nem ao menos de dizer um simples "Oi". Que complicação, eu não aguento mais!

-- Então filhinha faz tempo que não temos um momento pai e filha -- assenti -- O que você anda fazendo de bom?

-- Por acaso, serve um estresse básico de adolescente causado por hormônios?

Ele franziu o cenho e começou a rir.

-- Maya, você é jovem demais para saber o que realmente é se estressar.

-- E você é velho demais para admitir que eu estou com os nervos a flor da pele.

Nos olhamos e começamos a rir, enquanto ele parava no semáforo.

-- Você está passando muito tempo com a sua avó, já começou até falar como ela.

-- Mas eu nunca vi a vovó falar assim.

-- É porque você não é filha dela.

-- É, faz sentido. -- nós rimos de novo e ele dobrou em uma esquina.

-- A propósito, eu tinha esquecido de lhe dizer. -- olhei para ele -- O Alexander me ligou e disse que chega amanhã.

-- Sério?! -- fico empolgada -- Mas pai, e o trabalho dele na ONG?

-- Sim. Ele disse que tirou algumas férias e quer passar uma temporada com a gente.

-- Que legal, eu já estava morrendo de saudades dele!

-- Eu também. Será que você pode ajudar sua avó a arrumar o quarto dele, só para tirar a poeira?

-- Claro, que horas ele chega?

-- Eu não lembro direito, a ligação estava um pouco ruim, mas acho que é de tarde.

-- Tá bom.

Ele para em frente ao hospital.

-- Filha eu não vou poder te deixar em casa. -- saio do carro.

-- Tudo bem, eu volto de ônibus ou então de Uber.

-- Tá certo, mas tenha cuidado e quando chegar em casa me avise.

-- Ok, tchau papai.

-- Tchau filha. -- ele acena para mim.

Ajeitando a alça da bolsa, entro no hospital e vejo minha mãe me esperando na recepção e vou ao seu encontro.

-- Obrigada querida, eu tinha esquecido do plantão de hoje. -- ela diz pegando a bolsa.

-- Eu percebi -- digo com um sorriso.

-- Você está com fome? -- ela pergunta envolvendo as mãos em meus ombros.

-- Um pouco.

-- Ok, então vamos lá para cima, é onde fica o refeitório.

-- Está bem.

-- May, entra no elevador, ficar no terceiro andar. Eu tenho que levar essa bolsa lá pra dentro, te encontro lá em cima.

Assenti entrando no elevador onde não tinha mais ninguém além de mim, até que alguém grita faltando pouco para a porta se fechar.

-- Por favor, segura para mim! -- apertei no botão -- Obriga... Maya?!

-- Rubén?! -- digo em um grito e me encosto no espelho de dentro do elevador -- Não se aproxime de mim.

Ele sorriu com malícia.

-- Isso é um pouco difícil, já que estamos dentro dessa lata de metal -- ele se aproximou e senti calafrios.

-- Rubén nós já estamos em um hospital, basta apenas um grito meu para você parar dentro de algum daqueles quartos.

-- Pode ficar tranquila eu não vou fazer nada com você, a não ser que me peça.

-- Eu quero que você faça uma coisa -- digo e ele dá outro sorriso malicioso que me faz revirar o estômago -- Eu quero que você vá embora!

-- Eu não posso. Esse hospital é do meu pai, então praticamente sou o dono desse lugar -- o olho com surpresa -- Quem deveria ir embora era você, já que não está doente.

Franzi o cenho, como eu queria lhe dar um chute como o daquele dia do jogo.
A porta se abriu no terceiro andar e minha mãe estava minha espera como havia dito. Saí do elevador e Rubén me acompanhou como uma pedra no meu sapato.

-- Filha, eu pedi um sanduíche natural e um suco de laranja para você.

-- Tá certo mãe.

-- Mãe?

-- Sim sr. Cavalcante, essa é a minha filha.

-- Sr. Cavalcante? Querida Helena eu já disse que não precisa me chamar assim.

-- Não chame a minha mãe de querida.

-- Calma Mayazinha. -- revirei os olhos.

-- Vocês se conhecem?

-- Infelizmente. -- balbuciei e minha mãe franziu o cenho um pouco confusa.

-- Sim, nós somos colegas do Galaxy.

Abri a boca para desmenti-los, mas a minha mãe me interrompeu.

-- Ótimo então, o Rubén é um bom garoto. -- ele sorriu.

-- O quê?!

-- É May, eu sou um bom garoto.

Eu o olhei com desaprovação.

-- Mãe a minha fome passou, acho que vou voltar para casa.

-- Tem certeza filha? -- ela passou a mas a mão em meu cabelo -- E como você vai voltar?

-- De ônibus.

-- Não Maya, é tudo contra mão e você vai demorar muito para chegar em casa.

-- Então eu vou de Uber.

-- Maya, eu estou ficando velha e não louca. Você não vai sozinha dentro de um Uber. -- revirei os olhos.

-- Eu posso dar uma carona pra ela. -- disse Rubén com aquele mesmo sorriso idiota estampado em seu rosto.

-- Não!

-- Sim, ela aceita carona.

-- O quê?!

-- O Rubén é confiável e além do mais é só um adolescente de dezessete anos, que mal ele pode fazer? -- arregalei os olhos.

-- É Maya, eu sou confiável e só tenho dezessete anos.

-- Pois é, então vão logo antes que o horário de pico comece. -- ela nos empurra de volta para o elevador -- Tchau querida me liga quando chegar em casa e obrigada Rubén, leve-a em segurança.

-- Eu prometo dona Helena. -- ela assentiu.

Quando a porta do elevador se fechou, fiquei desesperada senti a minha alma sair do corpo várias vezes. Se minha mãe soubesse o que aquele garoto que aparenta ser bom tinha feito comigo, ela iria preferir mil vezes ter me deixado de ir embora de ônibus.

-- Eu não vou com você! -- afirmei.

-- A sua mãe disse que era para você ir.

-- Mas eu não vou.

-- Maya isso não é coisa que uma boa menina faça, não desobedeça a sua mamãe. -- ele diz com sarcasmo.

-- Eu já disse que não vou com você! -- saio do elevador e ele veio atrás de mim.

-- Façamos o seguinte, eu te dou a carona e não faço nada com você -- ele mostra as mãos -- Estou levantando a bandeira branca -- cantarola e balança a mão como se tivesse realmente uma bandeira.

O encarei com desconfiança.

-- Lá vem você com esse papo furado.

-- Eu prometi a sua mãe que te deixaria em segurança em casa e eu nunca quebro uma promessa!

-- Falou o cara que tentou me agarrar duas vezes a força.

-- Isso é coisa do passado, esquece isso.

-- Rubén, nunca peça para uma mulher esquecer um assédio! -- digo sério -- Ouviu? Nunca mais peça isso, nem pra mim e nem pra ninguém.

Ele me lançou um olhar de culpa e estremeceu.

-- Tudo bem, desculpa eu não vou fazer mais isso. -- ele diz com sinceridade -- Agora você pode ir comigo? Eu prometi pra sua mãe.

Mesmo estando um pouco assustada eu concordei.

-- Espero não me arrepender. -- ele sorriu e fomos para o estacionamento onde a moto dele estava.

O moreno me entregou um capacete e acendeu um cigarro.

-- Desde quando você tem idade para dirigir?

-- Desde que eu tenho essa belezinha. -- ele mostra uma carteira de motorista onde diz que ele tem mais de 18 anos e libera a fumaça no ar fazendo com que queimasse a ponta do meu nariz como aquele cheiro.

-- Você está com uma habilitação falsa?! Meu Deus, garoto.

-- É só por enquanto, agora sobe na moto.

-- Primeiro apaga essa porcaria. -- aponto para o cigarro ele revirou os olhos, mas me obedeceu mesmo assim jogando objeto no chão e pisando em cima.

-- Satisfeita?

-- Sim. -- ele sobe na moto e coloca o capacete.

Subo e seguro em um lugar na traseira, mas que não me sinto muito confortável. Ele dá partida e vai em direção a rua.

-- Você está indo rápido demais, não acha?

-- Eu dirijo assim.

-- Você é louco! A polícia pode te pegar por excesso de velocidade e eu não quero ir presa por sua causa.

-- Para de ser exagerada e se segura em mim.

-- Eu não vou me segurar em você, seu babaca! Dirige direito Rubén!

-- Se segura em mim Maya. -- ele foi mais rápido e por medo de cair, envolvi os meus braços em sua barriga -- Assim tá bem melhor.

-- Vai devagar seu babaca! -- ele me obedeceu mais ou menos e entrou em uma avenida -- Ei, a minha casa fica para o outro lado!

-- Eu sei, mas preciso passar em um lugar antes.

-- Não, você disse que ia me levar diretamente para casa.

-- E eu vou, mas eu tenho que ir nesse lugar antes. É rapidinho, não vai durar nem dez minutos da sua vida.

-- Com você dirigindo desse jeito não vai acabar durando nem cinco. Você não está em algum filme do Velozes e Furiosos!

-- Eu amo Velozes e Furiosos. -- revirei os olhos pela décima vez só hoje e todas as vezes foram causadas pelo Rubén -- Eu vi que você revirou os olhos -- ele riu -- Não vai me dizer que você prefere aqueles filmes de vampiro.

-- Não, eu prefiro a saga do Jogos Vorazes, mas a saga Crepúsculo também é boa.

-- Mas sem dúvidas, a melhor de todas é Harry Potter. Esses livros foram a maior conquista literária do século.

-- Pelo menos existe alguma coisa de interessante em você.

-- Ha ha, muito engraçado. -- ele debocha -- Mas qual é a sua casa?

-- Grifinória, mas às vezes me considero Corvinal. E você deve ser Sonserina.

-- Na verdade não, eu também sou Grifinória.

-- Sério?! Você fez o teste das casas direito?

-- Nossa, fiquei ofendido com a sua reação.

-- Problema seu. -- digo com hostilidade.

-- Grossa. -- revirei os olhos mais uma vez.

Ele entra em uma rua e para em frente a uma loja com o nome: "Records Stars".

-- Vem, a gente vai entrar, eu tenho que comprar uma coisa.

-- Não é nada ilegal não, né?

-- O que você pensa que eu sou?

-- Um doido que precisa fazer uma carteira de motorista, dessa vez de verdade. -- ele sorriu com superioridade.

-- Vamos logo -- ele puxou o meu braço e abriu a porta fazendo com que um sininho tocasse.

Era uma locadora de discos de vinil e CDs. Era bem grande e nostálgica, mas fedia a mofo como se o dono não a limpasse há muito tempo. Espirrei algumas vezes antes que um homem idoso percebesse a nossa presença.

-- Rubén você demorou, por sorte ninguém comprou. -- ele mostra um CD da Céline Dion, onde tinha como fundo o navio Titanic.

-- Obrigado senhor Valdéz, é que tive que falar com meu pai pra pegar o dinheiro.

O homem balançou a cabeça e Rubén lhe entregou algumas notas. Ele as contou e entregou o CD para Rubén.

-- Quem é ela? -- apontou para mim.

-- É a namorada de um amigo. -- Rubén responde e o olhei um pouco de surpresa com a sua resposta.

Eu não sou namorada de ninguém ainda, então por que ele mentiria para o homem? Assenti.

-- Eu posso testar?

-- Claro, fiquem à vontade.

-- Vem -- Rubén sussurra e segura na minha mão me levando para perto de algumas estantes com aparelhos.

Larguei a sua mão, ele colocou o cd e "My Will Heart Go On" começou a tocar.

-- Desde quando o bad-boy do Galaxy gosta de Céline Dion?

-- Não é para mim, é para minha mãe. -- ele fica olhando alguns discos, enquanto a música toca e eu assenti fazendo o mesmo -- Ela era fã da Céline Dion, antes de morrer.

Um clima pesado caí sobre nós e o lancei um olhar de pena.

-- E-Eu sinto muito. -- gaguejei.

-- Tá tudo bem, já faz muito tempo. -- ele retirou o CD.

-- Vamos o CD está prestando, pelo menos a música mais importante.

Enquanto o acompanhava, esbarrei em uma caixa e alguns CDs que caíram no chão, por sorte nenhum deles estragou, mas o meu coração deu um pulo quando vi que entre aquela porção tinha o primeiro CD do RBD e ainda na versão em espanhol.

-- Ai meu deus, é o RBD! -- Rubén me olha -- Quanto custa? -- pergunto para o dono do estabelecimento.

-- 5.732 pesos.

-- Que roubo! -- sussurrei para mim mesma.

Quase 150 reais, assim não dá.
Coloquei o CD de volta no lugar um pouco tristonha, há anos que eu procuro e não encontro.

Nós saímos do estabelecimento e peguei o capacete da moto.

-- Espera -- Rubén volta para dentro eu fica olhando a rua enquanto ele não voltava, mas com o passar de alguns minutos ele retornou -- Pega, eu já testei e ele está funcionando.

-- O quê? -- pergunto abrindo a sacola e era o CD do RBD que estava dentro. -- Você comprou pra mim?

-- Sim. -- ele sobe na moto.

-- Mas eu não tenho dinheiro suficiente para te devolver.

-- Mas eu tinha e comprei, você não precisa me devolver.

-- Por quê? -- pergunto impressionada.

-- Considere um presente de aniversário atrasado -- franzi o cenho -- E um pedido de desculpas pela situação a qual eu submeti você, eu sei que isso não vai fazer com que você esqueça, mas espero que algum dia me perdoe. -- ele me olhou nos olhos e pela primeira vez notei que eles eram um azul bem intenso.

-- Obrigada. -- digo um pouco sem ação.

Era estranho ver Rubén arrependido e ainda mais me escutar dizer "obrigada" para ele.
Rubén sorriu mais uma vez e eu subi na moto me segurando novamente nele, já que não confio na forma como ele dirige.
Durante o tempo de volta para minha casa, ele não foi mais rápido demais e também não nos falamos até pararmos em um semáforo.

-- Qual é a sua música favorita? -- perguntou.

-- O quê? -- pergunto por não escutar direito.

-- Qual é a sua música favorita? -- ele repetiu.

-- Assim do nada?

-- Ué, por que você queria que eu te levasse para jantar antes de perguntar?

Revirei os olhos mais uma vez. Como ele podia ser tão babaca?

-- Eu tenho várias, não dá para escolher apenas uma.

-- Mas sempre tem aquela que toca o seu coração, qual é?

-- Não sei, eu acho que Car's Outside - James Arthur. Por quê?

-- Por nada, era só para quebrar o gelo. Odeio dirigir em completo silêncio, sei lá dá uma agonia. -- ele se contorceu e eu ri do jeito dele.

-- E qual é a sua? -- perguntei e ele voltou a dirigir.

-- O quê?

-- Qual é a sua música favorita?

-- Hum, deixa eu pensar. -- ele ficou exatamente um minuto em silêncio -- Angels Like You.

-- Miley Cyrus?

-- Sim.

-- E por quê?

-- Porque é uma música que mais resume a minha vida. Tipo naquele trecho "Amor, anjos como você não podem ir até o inferno comigo", sem contar que essa música ficou muito foda na voz dela.

Me arrepiei.

-- Verdade.

-- E por que você gosta daquela música do tal James?

-- Porque é lindo o quanto ele demonstra o seu amor pela mulher a qual é citada na canção. Ele propõe que ela vá embora com ele e diz que as luzes das cidades nem se comparam com o brilho do seu olhar. É simplesmente maravilhosa e romântica.

-- Caralho, você falou com tanta emoção que chega e me deu um negócio. -- ele se contorceu novamente e eu ri mais uma vez, enquanto chegávamos na rua da minha casa.

-- Meu Deus, como você é sentimental.

-- E você também. -- assenti -- Pronto, entregue em segurança.

Ele para a moto em frente ao portão da minha casa, eu desço e devolvo o capacete e ele tirou o dele.

-- Eu nunca pensei que você ia dizer isso de novo, mas, obrigada Rubén. -- ele sorriu. Dei-lhe as costas para abrir o portão.

-- Maya! -- ele me chamou e virei para olha-lo -- Eu sei que já disse isso, mas perdão por tudo que te fiz.

Ele falava com tanta sinceridade e arrependimento que dava para notar pelo seu olhar, mas algo dentro de mim não conseguia perdoá-la, não naquele momento e tinha medo de que aquele arrependimento e a sinceridade não fosse verdadeira.
Então apenas balancei a cabeça, não em negação ou afirmação, apenas a balancei em um único gesto e disse com um aceno.

-- Tchau Rubén. -- abri o portão e ele apenas assentiu colocando o capacete novamente.

-- Tchau Maya. -- ele ligou a moto novamente e foi embora.

Observei ele dirigir enquanto a minha avó vinha ao meu encontro.

-- Quem era ele? -- ela apontou com a cabeça para Rubén.

-- Apenas um "Garoto Problema".

Ela sorriu.

-- Maya, nem todos os "garotos problemas" são maus. -- ela me olhou -- O seu avô também era quando eu o conheci.

Franzi o cenho.

-- O que a senhora quis dizer com isso? -- pergunto e ela olha para o céu que mesmo sendo final de tarde já dava para se notar a lua e algumas estrelas.

-- Algo que você ainda é muito jovem para entender. -- ela me deu as costas e foi se sentar debaixo da cerejeira me deixando pensar sozinha.

Notei de longe que Gustavo estava nos olhando pela janela, e provavelmente tinha me visto chegar com o Rubén. Desviei o olhar um pouco nervosa.

-- E aliás -- minha avó gritou de longe -- A lua está linda essa noite!

Imediatamente olhei para o céu e era a esperada lua cheia, que me encheria de dúvidas sobre o meu destino que nunca esteve apenas nas minhas mãos.

(2.944 palavras)
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Qualquer comentário é válido pessoal, seja ele bom ou não! 😉

Tchau e até o próximo capítulo! 👋🏻💕

Ass: May ✨🌸

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