2. Um Encontro Inesperado!
Oii leitores, sejam bem-vindos a mais um capítulo. Espero que gostem! 😉
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Entrei no avião e sentei do lado direito, perto da janela.
É a primeira vez que viajo para fora do país. O meu pai foi o único de nós que já tinha passado uma temporada na Argentina quando era mais jovem, depois disso ele voltou para o Brasil, onde fez faculdade de direito e conheceu a minha mãe.
Pude enfim finalmente me dar conta que estava indo embora, talvez para sempre do lugar onde nasci e me criei, estava deixando para trás as minhas raízes, meu melhor amigo e as mais doces lembranças que eu poderia ter.
Não consegui dormir direito. Durante o voo ocorreu um pouco de turbulência, eu ficava apavorada, mas logo me acalmava e cochilava de novo.
A viagem foi um pouco longa, não é nada fácil ficar cinco horas e meia sentada em uma cadeira que está a metros do chão. Nas primeiras duas horas de viagem até que eu estava meio triste, mas agora faltando apenas dez minutos para chegarmos estou ficando bem ansiosa.
Desembarcamos e o aeroporto estava bem lotado. Ao descermos à escada rolante vi minha avó com uma plaquinha, onde estava escrito a seguinte frase: "Sejam Bem-Vindos!".
Marianna Miller tinha vindo nos buscar. Eu amo a minha avó mais que tudo e estava com muitas saudades, mas odeio o fato dela ser famosa. Ela não poderia ser apenas a minha avó Marianna?
É por conta disso que, às vezes, as pessoas se aproximam de mim, apenas por interesse, o mesmo acontece com o Nick, mas ele nunca se dá conta e sempre acha que eu estou errada em me sentir dessa forma. Ele pode até está certo, mas eu nunca vou admitir isso.
Minha avó me olhava com um enorme sorriso em seu rosto, parece que ela nunca envelhece sempre que a vemos nada muda. Talvez seja isso, as avós são eternas aos nossos olhos.
-- Vovó! -- digo correndo para um abraço. -- Senti tanta saudade. -- me aconcheguei em seus braços.
-- Minha querida, eu também estava morrendo de saudades dos meus netinhos! -- ela diz ao abraçar Nick e eu ao mesmo tempo. -- Como vocês cresceram, onde estão os bebês que eu pegava no colo?
-- Acho que se perderam no tempo, dona Mari. -- respondeu minha mãe ao abraçá-la.
-- Não Helena, eles continuam aqui só que estão presos na pior fase que existe para os adultos. -- o meu pai rio ao responder -- A adolescência!
Minha avó gargalhou.
-- Ainda bem que o meu Alex já passou dessa fase, embora ainda teste a minha paciência um pouquinho. -- ela tocou no meu cabelo -- Ele agora resolveu ir para a Austrália, acreditam?
Alexander é meu tio e irmão mais novo do meu pai, o qual ele tem mais de vinte anos de diferença.
É isso mesmo, Vinte e três anos para ser mais exata.
Minha avó pensava que estava entrando na menopausa quando soube que estava grávida. O tio Alex tem três anos a mais que eu, parece até ridículo chamá-lo de tio sendo que temos quase a mesma idade.
-- Ué, mas ele não estava na Tailândia? -- Nick pergunta segurando a mala.
-- Estava, mas sabe como o tio de vocês é, ele está trabalhando na ONG e isso dura muito tempo, sempre estão indo de um lugar para o outro.
-- Entendo.
Minha avó mora há anos em Buenos Aíres, ela nasceu e cresceu aqui, mas teve que ir para o Brasil e lá construiu uma família. Para falar a verdade é uma história bonita, mas ao mesmo tempo um pouco triste.
Quando a minha avó tinha mais ou menos a minha idade, ela se apaixonou pelo seu vizinho. Era um pianista chamado Olavo García, mas a mãe dela era contra esse relacionamento, pois ele não tinha uma boa condição financeira, acreditava que ele só queria dá o "golpe do baú", mas mal ela sabia que o meu avô iria virar um dos mais renomados pianistas do país. Nisso após muitas confusões, os dois fugiram para o Brasil. Depois de alguns anos quando os filhos já estavam crescidos eles resolveram voltar para cá, porém no dia deles embarcarem, por conta da emoção meu avô infartou e infelizmente não resistiu. Como as melhores lembranças da minha avó ao lado dele tinha sido aqui na Argentina, ela se mudou para cá e vive aqui há mais de dez anos.
E quanto a família da vovó que ficou aqui. Bom, a briga entre mãe e filha foi muito feia. Augustina Miller a deserdou, mas como ela era a sua única herdeira... bem, ela colocou a porcaria de uma cláusula no testamento onde diz que: só quem herdará a "fortuna dos Miller", será a primeira neta, bisneta ou tataraneta que se tornar uma bailarina formada na universidade que a minha bisavó queria que a vovó fosse no dia em que ela fugiu. Minha bisavó era muito ardilosa e nunca se arrependeu das coisas que fez, nem quando estava a beira da morte. Dona Augustina era fogo!
Eu não cheguei a conhecê-la, só o meu pai. Também não tenho muitas lembranças do meu avô, até porque eu era muito pequena, só sei que fiquei muito abalada na época.
-- Finalmente chegamos! -- meu pai diz.
Ainda dentro do carro pude conhecer um pouco da cidade e realmente é muito bonita, assim como eu tinha visto pelas fotos.
Meu pai parou o carro no meio fio, o muro era feito de grades antigas, o jardim era rodeado por flores e algumas cerejeiras - minha árvore e flores favorita -, tinha uma piscina nos fundos e uma casa na árvore, provavelmente era onde o meu tio ficava já que ele era uma criança quando minha avó se mudou. A casa não era uma mansão, mas também não era tão pequena. Era a casa antiga da minha avó, de quando ela ainda era adolescente. Ela ficava na esquina de um quarteirão, onde ao lado tinha uma casa que parecia ser de boneca por conta das varandas na entrada e da cor esbranquiçada das paredes.
-- Sejam bem-vindos a nova casa de vocês! -- diz vovó empolgada com à nossa mudança. -- Venham comigo crianças, eu vou mostrar os quartos. -- ela nos chama ao subir na escada.
Nós a acompanhamos e reparei nos retratos que estavam nas paredes e nos móveis. Uma delas era do meu pai ainda criancinha mostrando uma bola, a outra era do Alex perto de uma árvore de natal. Outra era do casamento dos meus avós, ele estava com um sorriso de orelha a orelha e ela com um vestido deslumbrante, que era rodado e com mangas de ombro a ombro, na sua cabeça tinha uma tiara com pequenas flores amarelas e um buquê de rosas da mesma cor em suas mãos.
Se algum dia me casar, tenho certeza de que ia querer um vestido parecido com este.
-- Aqui está o seu, Nick. Espero que goste. -- ela diz dando um sorriso amigável.
-- Nossa vovó, ele é muito maneiro! É maior que o meu quarto antigo. -- ele diz impressionado.
-- Que bom que gostou, meu bem. Agora vou mostrar o da sua irmã. Venha comigo, May. -- ela me guia por um corredor -- Aqui está May, espero que goste. Eu sei que você não gosta muito de mudanças, então tentei ao máximo fazer com que ficasse parecido com o seu antigo. -- ela coloca sua mão em meu rosto e faz um carinho.
Vovó abriu à porta. Foi quando vi que o meu mais novo quarto era praticamente idêntico ao o antigo, a única diferença era uma varanda no lugar onde tinha uma janela.
-- Obrigada vovó. É lindo! -- digo -- Assim me sinto um pouco mais em casa.
-- De nada, minha querida. Agora tenho que ajudar seus pais, aproveite cada minuto aqui. -- ela sorriu -- Fique tranquila, logo as coisas vão se arranjar. -- aconselhou e deu uma piscadinha ao sair do quarto.
Como chegamos já de noite, mandei apenas uma mensagem pro Lucca, arrumei algumas coisas no meu mais novo quarto e fiquei observando à lua cheia pela varanda. O cansaço era tanto que acabei capotando na cama.
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Acordei e tinha finalmente me dado conta que já não estávamos na nossa antiga casa, era estranho pensar que minhas férias passaram tão rápido e que ainda tiveram tantas mudanças. O quanto os meus desejos mudaram. Eu nunca pensei que o que eu mais queria fosse realmente acontecer.
Desci para o café depois de me arrumar, meu pai já tinha ido pro novo escritório e o Nick tava assistindo desenho animado na televisão, claro sofrendo pra entender o que os personagens falavam.
-- Por que você não muda o idioma? -- pergunto fazendo um sanduíche.
-- Porque assim eu vou treinando.
Nicollas nunca se interessou em fazer as aulas de idiomas que davam no nosso antigo colégio. Já eu sou fluente em espanhol, inglês e às vezes me arrisco no italiano.
-- Entendi, você é estranho, Nick! -- impliquei de propósito.
-- Cala boca, Maya!
Sorri e voltei a fazer o meu sanduíche. Amo implicar com o Nick, ele é muito fofo quando fica bravo nem parece aquele aborrecente que se tornou.
As horas se passaram e já tínhamos almoçado. Olhei meu celular umas trezentas vezes e o Lucca não tinha visto a minha mensagem, então liguei para ele, mas depois da ligação cair na caixa postal lembrei que ele ainda devia estar no trabalho.
Estava tão entediada, olhando para o teto. Foi quando avistei minha mãe no corredor levando um cesto de roupas para o quarto dela.
-- Mãe! -- chamo dando um pulo da cama e correndo até a porta -- Posso dá uma volta no bairro de bicicleta? -- pergunto dando um sorrisinho. -- Deixa por favor? -- implorei. -- Prometo que volto logo.
Ela arqueou a sobrancelha esquerda e logo depois sorriu ao dizer:
-- Está bem. Pode ir, mas tenha cuidado, não vá para longe e qualquer coisa me ligue!
-- Obrigada, mamis! -- digo abraçando-a.
Nós rimos.
Peguei minha bolsa e corri a caminho da garagem. Comecei a pedalar e vi que a nossa casa ficava perto de uma praça lindíssima. Quanto mais eu pedalava pelo bairro via lugares divertidos, como uma lanchonete com boliche, a qual passei em frente e tinha o nome de Galaxy. Também fui até a nossa futura escola, que era enorme e tinha um nome estranho e abaixo desse nome estava escrito em números romanos o ano em que ela surgiu. MCMXXVII, ou melhor 1927.
Até que não é para se surpreender, a minha bisavó, minha avó e meu tio estudaram aqui, mesmo que seja no meu último ano, agora chegou a minha vez e provavelmente os meus filhos também vão estudar aqui e os meus netos, isso se eu não voltar para o meu país.
Faltava muito pouco para as aulas começarem e eu já estava com frio na barriga. Será que vou conseguir me enturmar? São pessoas novas, espero que não se aproximem de mim por conta da minha avó como os outros fizeram. Odeio primeiros dia de aula, principalmente em um colégio novo.
Peguei meu celular e vi que pela hora o Lucca já tinha voltado do emprego. Quis voltar para casa, mas me dei conta que havia me perdido. Olhei para um lado e para outro, e comecei a ficar nervosa. Meu Deus, e agora pra qual lado fica a minha casa?
Começou a chuviscar e eu fiquei mais apavorada ainda. Talvez tenha sido sexto sentido ou um aviso divino, então comecei a pedalar por uma rua que por sorte me fez sair em frente a praça. Depois do susto respirei aliviada, os chuviscos começaram a ficar mais fortes então pedalei um pouco mais rápido.
Sério, não posso pegar um resfriado, minha mãe ia me matar.
-- Ei cuidado! -- gritei para um garoto, que passou muito próximo da minha bicicleta e eu quase atropelei.
-- Ei, olha por onde anda garota! -- ele diz um pouco incomodado com o quase acidente.
-- Desculpe, mas foi você quem veio para cima. -- digo chateada com a situação a qual me meti.
-- Tá, foi eu. -- ele diz com ironia -- Acho que foi você quem quis trombar comigo, minha dama. -- ele diz olhando pra mim com um sorriso e pegando suas chaves que tinham caído.
-- O quê?! Primeiro eu não sou sua "dama" e segundo não me interessa trombar com ninguém, muito menos com você. -- digo incomodada e me ajeitando novamente na bicicleta.
-- Certeza? Olha que muitas garotas brigariam para trombarem comigo. -- ele se gaba.
Revirei os olhos.
-- Não essa garota! -- digo ao começar a pedalar.
Mais um garoto convencido que cruza o meu caminho. Urgh, que sorte eu tenho.
-- Pelo menos me fala o seu nome, eu mereço saber depois de ter sido quase atropelado! -- ele diz querendo rir.
-- Não te interessa! -- respondo irritada com o deboche dele.
-- Eu poderia ter morrido.
-- Mas não morreu. E foi culpa sua!
Dessa vez ele revirou os olhos, mas enquanto eu ia embora pude perceber de longe um sorriso em seu rosto.
Assim que cheguei em casa e logo subi para o meu quarto, deitei na cama, peguei o celular e vi que tinha 4 ligações perdidas do Lucca, eu e essa mania de colocar o celular no silencioso. Imediatamente retornei a ligação.
📳 - On
-- Alô
-- Oi May! Como foi sua viagem?
-- Ai que saudade, Lucca! Bom no início a viagem foi um pouco chata, mas depois eu fui ficando ansiosa e devo confessar Buenos Aíres é uma cidade belíssima.
Parei de falar, quando percebi que o Lucca estava um pouco quieto demais, como se não estivesse me escutando.
-- E você como está? -- perguntei.
-- Ah, eu estou bem. E que bom que você está gostando da viagem. Também estou com saudades May, muita saudade. E como foi o seu dia?
-- Bom, eu fui passear pelo bairro de bicicleta, me perdi...
-- Normal, se você não se perdesse não seria a Maya que eu conheço. -- ele deu uma risada.
-- E ainda tem mais, eu quase atropelei um garoto. Você tinha que vê era um metido.
-- Meu Deus, May. Você é louca!
-- Louco era ele que não perdeu tempo e ficou jogando cantada barata pra cima de mim. Logo de mim, Lucca!
-- Ah...-- ele respondeu e percebi que ele ficou distante de novo.
-- Lucca, aconteceu alguma coisa? Você parece tão distante, como se não estivesse me escutando.
-- N-Não, não aconteceu nada Maya, apenas estou com saudades de você. Sabe, conversar por ligação não é a mesma coisa. -- ele gagueja ao responder.
-- Eu sei, também estou com saudades... -- um silêncio de repente me incomodou.
-- Desculpa May, vou ter que desligar. Minha mãe está pedindo ajuda com alguma coisa.
-- Ok
-- Se mais tarde você ainda estiver acordada, eu ligo de novo.
-- Ok, vou ficar esperando. Tchau!
-- Tchau May!
📳 - Off
Fiquei com uma pulga atrás da orelha, tenho certeza que ele mentiu pra mim. Depois de algumas horas esperando ele ligar, acabei dormindo.
(2.490 palavras)
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Qualquer comentário é válido pessoal seja ele bom ou não! 😉
Tchau e até o próximo capítulo! 👋🏻💕
Ass: May 🌸✨
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