Capítulo 15
O dia tem sido exaustivo e difícil. Não, não, preciso corrigir essa frase, é a minha vida que tem sido exaustiva e difícil. Isso, agora sim. E nos últimos dias, as reviravoltas que estão rapidamente se sucedendo uma atrás da outra estão acabando comigo. Depois de aguentar que lorde Jamie despejasse toda a raiva que tem de minha família sobre mim, desmoronei com o peso de meu desespero. E como se isso já não fosse o bastante, ainda houve o episódio com Ian.
Ah, senhor Mackenzie, o que está fazendo comigo? A cada vez que estamos a sós, não posso evitar ser atraída pelo magnetismo daquele homem. E, pelo bem da verdade, admito que não quero evitar ser atraída por ele, o que é um tanto quanto perigoso. Não para minha reputação ou minha virtude inexistente, mas para meu coração.
Descarto rapidamente a idéia ao notar o quanto é ridícula. Não estou me apaixonando por ele, não... isso é apenas desejo, carnal e sujo. Há tempos não sou tocada por um homem e é disso que sinto falta. E honestamente quem não se sentiria atraída por esse, como diz Madalena, pedaço de mal caminho?
E ainda depois de tudo isso, sabe-se os deuses porque, lorde Jamie volta atrás na sua decisão e ainda me trás um médico. E ele me pediu desculpas! Desconfio que isso se deva à sua senhora, mas não tenho como ter certeza. E, quando me ofereceram hospedar-me na casa deles, recusei por não me sentir confortável com isso. Apesar de sua mudança de atitude, sei que Jaime ainda não confia em mim. Então, depois que todos se vão com a promessa de nos mandar o jantar, o que espero que seja logo, me vejo sozinha novamente com senhor Mackenzie.
-- Enfim sós. -- ele diz, abrindo um sorriso selvagem.
O efeito daquele sorriso em mim é imediato. Sinto um arrepio delicioso percorrer todo meu corpo com antecipação do que está por vir.
-- Não sorria assim para mim. -- peço, cruzando os braços.
O movimento chama a atenção de Ian para meus seios, que ele observa por alguns segundos sem sequer disfarçar, quase salivando.
-- Ei, meu rosto é aqui em cima, Mackenzie!
Ian volta seus olhos para mim, levemente envergonhado.
-- Me desculpe. -- ele passa a mão pelos cabelos já desordenados -- Eu geralmente não sou tão descarado, mas é que…
Ele para, talvez pensando se valeria a pena me dizer o que está em sua mente.
-- É que? -- pergunto, o incentivando.
-- É que depois do que aconteceu entre nós em meu quarto não consigo mais me conter perto de você, Missy.
-- Esqueça aquilo, Ian. Estávamos ambos abalados, não foi nada de mais. -- digo soando desinteressada, apenas para provocá-lo.
E funciona surpreendentemente bem, pois ele logo avança sobre mim, segurando meus braços, e quando percebo estou pressionada entre a parede da sala e o corpo grande e másculo de dele.
-- Nada de mais? -- ele repete indignado -- Não pode estar sendo sincera, sei que gostou tanto quanto eu, Missy, eu vi em seus olhos.
-- Acho que está sendo confiante demais, senhor. Ou então talvez esteja apenas se iludindo.
Vejo suas sobrancelhas se franzirem e não consigo segurar meu riso.
-- Ora, sua mulher travessa, está me provocando! Gosta de me ver perturbado, não é? Aposto que sim, e aposto que lhe agrada ainda mais saber que é a senhorita quem me deixa dessa forma.
Ian se aproxima ainda mais, colando seu corpo ao meu e, que os deuses me ajudem, sinto cada centímetro daquele homem musculoso, forte e rijo. Sinto um frio na barriga e sinto minhas partes íntimas despertarem com a excitação que me toma. Meu corpo me trai e ele percebe o que está acontecendo, logo abre um grande sorriso satisfeito.
-- Assuma. -- ele pede rouco me abraçando, e apoio minhas mãos em seu peito -- Assuma que sente o mesmo que eu, que o desejo queima em sua pele assim como está queimando sob a minha.
-- E se estiver? Isso que cogitamos fazer não é nada prudente, Ian. -- o alerto.
-- Para o inferno com a prudência. Eu me enganei por semanas dizendo a mim mesmo que meu interesse na senhorita era puramente motivado pelo meu senso de dever em ajudá-la. E sabe que o farei, mas quero muito mais do que isso, Missy. Eu não quero ser prudente, eu quero você.
Ele diz isso sem um pingo de dúvidas, mantendo os olhos fixos no meu, com aquele mar azul carregado de lascívia. Sua confissão me trás alívio, pois estive nessa mesma situação nas últimas semanas. Tentei manter esse homem afastado de meus pensamentos, mas ele insistia em fazer morada ali dia após dia. Suspiro e subo minhas mãos lentamente até cruzá-las atrás de seu pescoço.
-- Eu assumo, Mackenzie, está feliz? Você chegou na minha casa com aquela pose de bom moço, todo cavalheiro e prestativo. Mas você não me engana, Ian, eu sei o que você realmente é.
-- Sabe? Então me diga.
-- Você é passional, é um conquistador cafajeste e devasso.
-- Ah, querida, eu sou bem mais do que isso. -- ele abre aquele sorriso que promete luxúria.
-- Pode até ser, mas é essa parte sua que eu quero. E eu quero agora, senhor Mackenzie.
Agora sou eu que desisto de ser prudente e o beijo, o que ele corresponde imediatamente e logo nossas línguas se entrelaçam numa dança sensual. Passo as mãos por seu cabelo macio, o puxando mais para perto. Ian se abaixa um pouco sem separar nossos lábios, e logo sou levantada e ele encaixa a cintura entre minhas pernas. Ah, esse homem sabe o que fazer com uma mulher e eu estou apreciando demais sua atenção. As mãos dele seguram meu quadril, e dou uma suave rebolada, roçando conscientemente em seu membro enrijecido.
-- Missy… -- ele geme meu nome entre um beijo e outro.
-- Sim, Mackenzie? -- respondo, inocente.
-- Eu aguento a provocação até certo limite, apenas.
-- E eu estou próxima de fazer com que perca o controle? -- pergunto sorrindo e rebolo novamente.
-- Ah, sua... Está, querida! -- ele me beija selvagemente -- Você é tão despudorada quanto eu, Missy, e a senhorita não tem noção do quanto isso me agrada.
Ian agora faz um caminho de beijos, desde minha orelha até o pescoço e quando está chegando em meus seios somos surpreendidos.
-- O jantar chegou! -- uma voz de mulher se faz ouvir da entrada.
-- Ah, de novo não! -- ele murmura, desanimado, emoção essa que compartilho nesse momento.
Ian me solta delicadamente, porém depressa e eu me apresso a arrumar as saias do vestido.
-- Hã… seu decote está torto. -- ele me avisa.
-- E parece que há um ninho de ave em seu cabelo. -- digo divertida.
-- Está rindo de mim, senhorita? -- ele me abraça pela cintura novamente.
-- Ian! Há alguém na casa, me solte.
-- Vamos terminar isso mais tarde. -- ele avisa e me dá um beijinho rápido antes de me soltar.
Ah, quero muito que esse mais tarde chegue bem rápido.
-- Estamos indo, mãe! -- ele grita enquanto terminamos de nos arrumar
Depois que nos recompomos, seguimos até a cozinha onde encontramos uma senhora vigorosa, que parece estar se aproximando de sua quinta década, terminando de montar a mesa para a refeição. E também há um homem alto e magro, alguns anos mais jovem que ela, que está trazendo as travessas com o jantar.
-- Mãe, venha, quero que conheça uma pessoa. -- ele a chama.
A mulher logo termina a tarefa e vem até mim, limpando as mãos num avental puído, mas noto que a roupa por baixo é de boa qualidade. Ela para à minha frente e parece me avaliar com seus olhos que, percebo, são idênticos aos de Ian.
-- Mãe, essa é a senhorita Missy Kedard. Missy, essa é minha mãe, Nita Abby. E aquele é o marido dela, Klan Abby.
O homem, Klan, me dá um aceno e se retina para buscar outra travessa de comida.
-- É um grande prazer conhecê-la, senhora Abby. -- digo, fazendo uma pequena reverência.
-- Senhora Abby -- ela ri -- Nunca fui chamada assim, nesses quase quatro anos de casada. Me chame de Nita, menina. E eu fico muito feliz em finalmente conhecer a jovem que enfiou meu filho em toda essa confusão com o irmão.
-- Eu… não quis causar a discórdia entre eles, senhora, eu sinto muito se… -- começo a me desculpar envergonhada, mas ela me interrompe.
-- Discórdia? Não, imagine, aquela discussão foi pequena se comparada à outras que esses dois já tiveram.
-- A senhora ouviu? -- pergunto.
-- Se eu ouvi? Menina, os cavalos devem ter ouvido também. Me surpreende que Ian não tenha perdido a voz depois de seus gritos. -- ela olha para o filho, com um olhar de compreensão -- Agora que a conheço entendo o entusiasmo dele.
-- Mãe... -- ele a chama.
-- O que? Eu não disse nada de mais, não me olhe assim, moleque. -- o homem retorna com o último prato de comida -- Agora, vão comer vocês dois, devem estar famintos.
Quando ela se vira Ian me dá uma piscadela e segue para se sentar na mesa, o que eu também faço logo depois, achando divertido o comportamento irreverente da mulher. Nos servimos e, céus, que refeição deliciosa.
-- Por favor, mandem meus cumprimentos à cozinheira. Esse pato é de longe o melhor que já comi. -- digo, à ninguém em particular.
-- Fico feliz que tenha gostado, menina. -- Nita responde.
-- Minha mãe tem dedos de fada na cozinha, não é?
-- Sim, realmente tem. A senhora me daria a receita? -- peço.
-- Darei quando parar de me chamar assim. Estou poucas luas de completar cinquenta anos, e me sinto ainda mais velha quando me chamam de senhora.
-- Desculpe. Me daria a receita, Nita? -- pergunto novamente, sorrindo.
-- Primeiro, você precisa de um pato bem gordo, e daí…
Assim, passamos quase uma hora falando sobre os temperos de Nita.
Depois do jantar, ajudei Nita a limpar e arrumar tudo na cozinha e, ao terminarmos, ela me preparou um banho na banheira que havia no quarto de Ian. Fiquei constrangida por me limpar ali, ainda mais com a mãe dele presente. Principalmente porque as vezes eu a pegava me olhando contemplativa, com uma expressão que dizia: "eu sei muito bem o que vocês dois andaram aprontando!"
Banhei-me aproveitando a água morna mas sem me demorar demais, pois sabia que Nita não iria embora enquanto eu não terminasse aqui. Pois imagine só o perigo de uma jovem se banhando no quarto do filho solteiro sem a supervisão de alguém para zelar por ela? Sorrio, pensando nisso enquanto me seco. Visto um vestido limpo, amarelo claro, arrumo meus cachos os penteando com meus dedos molhados e estou pronta. Chamo Nita para que eu possa ajudá-la a limpar a bagunça do quarto e ela me expulsa de lá, dizendo que de nada adiantaria ter tomado um banho se eu me sujasse novamente.
Aguardo então na sala de visitas, sozinha, já que Ian tomou um chá de sumisso. Logo Nita volta e chama o marido para irem embora, e os acompanho até a porta, agradecendo no caminho toda a gentileza que tiveram comigo.
-- Não foi nada, menina. Parece ser uma moça ajuizada, então tome cuidado com esse menino. -- ela aponta Ian que aparece secando os cabelos com um pano, vindo de trás da casa -- Ele é muito bom de lábia. E você, se comporte como um cavalheiro, ouviu garoto?
Ele chega até nós, sorridente, e da um beijo estalado na bochecha da mãe, que ri feliz com o carinho que recebe.
-- Não farei nada que a senhorita não queira mãe, eu prometo. -- ele diz, jocoso, com a mão no coração.
-- Ian! -- digo encabulada.
Nita bufa revirando os olhos e segue até a carroça onde Klan a espera e logo eles se vão. Ian se aproxima de mim, abracando-me e sussurra ao meu ouvido.
-- Minha mãe tem razão, sou muito bom usando a língua, sabia?
Deito a cabeça em seu peito e o abraço também.
-- Eu tenho certeza que é. -- dou risada -- Onde se banhou?
-- Há um poço a alguns metros de casa. A noite está agradável, nem passei tanto frio.
Ian faz longas carícias em minhas costas e graças à isso e ao banho quente e relaxante, sinto finalmente o cansaço do dia tenso que tive me dominar. Não aguento e solto um bocejo.
-- Está cansada, não é?
-- Estou exausta, Mackenzie.
-- Venha, vamos dormir.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top