Capítulo 11 - O início do fim.
Victória Walker
Meu corpo demonstrava preguiça, e eu me arrisquei a me aconchegar ainda mais nos braços de Thomas enquanto o mesmo não hesitava em me puxar para si ainda mais. Fazia frio e estávamos enrolados em um cobertor de veludo que contribuía ainda mais para o conforto matinal.
Senti o corpo atrás de mim se remexer um pouco e logo em seguida beijos sendo distribuídos de forma delicada pelas minhas costas nuas. Automaticamente me vi sorrindo com aquele gesto, perdi as contas de quantas vezes imaginei meu professor fazendo aquilo, me tocando daquele jeito, me vendo com outros olhos.
Eu não fazia ideia de como aquilo iria acabar, isso se chegasse a acabar, mas eu tinha que ter total consciência de que meu conto de fadas poderia acabar durando por apenas um fim de semana, o melhor da minha vida.
Pensei em afastar essas maluquices da minha cabeça e tentar focalizar nas coisas boas que podiam ocorrer. Thomas havia me assegurado na noite passada que aquilo só chegaria ao fim se eu quisesse. Contudo, havia uma grande possibilidade para que aquilo fosse apenas uma desculpa boba, um jogo de sedução barata que visava apenas dormir com a aluna gostosinha da faculdade.
No fundo eu sabia que aquilo não era a realidade. O King era um homem, tinha deixado de assumir o papel de bad boy no momento e o substituiu pelo o de uma pessoa madura e que não seria capaz de brincar com o sentimento alheio...certo?!
Certo.
Me encolhi mais em seu abraço e Thomas beijou o topo da minha cabeça acariciando minhas mãos com ternura.
-Bom dia, Doutora. – Falou abafado com meu cabelo.
-Que horas são? – Perguntei de olhos fechados.
-Creio eu que umas sete da manhã. – Suspirou pesadamente.
-Então ainda não considero como dia. – Me virei ficando de frente pra ele. – Ai meu Deus, que dia é hoje?
-Segunda - feira, porque? – Brincou com meus cabelos.
-Eu tenho que trabalhar! – Pulei da cama deixando o cobertor cair.
-Eu não vou permitir que você saia desse apartamento sem roupas. – Me olhou de cima a baixo.
Corei automaticamente.
-Oliver trouxe alguma coisa pra mim? Roupas?! – Peguei sua camisa que estava jogada no chão e a vesti.
-Você fica tão linda desse jeito sabia?! – Lançou-me uma piscadinha.
-Porque você não deixa de ser bobo e me diz se meu amigo deixou alguma coisa pra mim?! – Cruzei os braços de pé ao lado da cama de casal.
-A não ser que você tenha contado para ele que você estava aqui, Oliver não trouxe nada. – Ele deu de ombros despreocupado.
Merda.
Esqueci que não contei nada para ele.
-Não posso ir trabalhar de vestido de festa. – Comecei a andar impacientemente pelo quarto tentando pensar em algum jeito de conseguir roupas para sair de lá.
Thomas parecia se divertir com a situação e eu me limitei a lhe lançar um olhar nada engraçado.
-Eu tenho algumas roupas que devem servir em você. – Levantou-se e caminhou até o guarda roupas.
-Não sei como roupas masculinas ficariam bem em mim, Thomas. – Arqueei as sobrancelhas. – A menos que as roupas sejam femininas... – Observei o vestido social que ele havia acabado de depositar em minhas mãos. – Devo perguntar de quem é?!
-Comprei para você, já havia pensado em te trazer aqui a mais tempo. – Se aproximou depositando sua mão gentilmente em meu rosto.
-Vou fingir que acredito em você. – Me afastei seguindo para o banheiro, onde tomei um banho quente e vesti a roupa.
Devo confessar que o vestido realmente caiu como uma luva em meu corpo, fazendo com que qualquer tipo de desconfiança que eu pudesse sentir em relação a ele desaparecesse. Não me julguem, mas se ponham em meu lugar, que tipo de garota se sentiria bem em vestir uma coisa que aparentemente é de alguma outra mulher que já passou por aquela cama?!
Me olhei no espelho e tentei fazer o melhor sorriso que eu podia, não quero que ele pense que aquilo me incomodou, não temos nada sério...ainda. Abri a porta e dei de cara com ele refestelado na cama assistindo alguma coisa na TV, peguei meus sapatos e o vestido do baile, coloquei-o dentro de uma sacola e calcei meus saltos.
Peguei minha bolsa e passei um batom claro, desbloqueei o celular e disquei os números do tele táxi, pedindo o mesmo para me buscar no bairro nobre que eu me encontrava.
-Pode abrir a porta pra mim? – Pedi no pé da porta, o clima estava desconfortável.
-Sério que você chamou um táxi?! Poderia muito bem te levar ao seu trabalho. – Ele tentou me abraçar mas eu me esquivei. – Eu sei o que parece, mas este vestido é pra você, acredite em mim, Victória.
-Você não me deve explicações de nada, Thomas, está tudo bem, só me leve até a porta. – Sorri fraco e Thomas bufou irritado me acompanhando até a porta.
-Nos vemos na faculdade hoje? – Ele perguntou.
-Claro, temos aula no último horário. – Sorri.
-Não foi desse jeito que perguntei. – Ele parecia culpado.
-Até logo, Sr. King. – Me limitei a seguir para o elevador onde trocamos nosso último olhar naquela manhã.
(...)
-Vocês não sabem da maior. – Oliver se aproximou de mim e de Becky na sala de aula.
-O que? – Perguntei rindo do desespero do meu amigo.
-Viram o Sr. King saindo com uma garota no baile, e ela parecia ser mais nova do que ele. – Oli esfregou as mãos em sinal de agitação.
Oh merda! Será que me viram?!
-E alguém descobriu a identidade da garota secreta? – Ri tentando parecer a vontade com o assunto.
-Não, ela estava de máscara, mas daria tudo para descobrir quem é, sabia que o King era safado mas não podia imaginar a dimensão disso. – Ele ainda estava chocado com a fofoca, e eu preocupada com a mesma. – E falando no diabo...
Thomas King cruzou a porta da sala e trocou um olhar intenso comigo, tratei logo de desviar o mesmo com medo de que algo ou alguém pudesse notar aquilo e tirar suas próprias conclusões.
Ficar ali, com ele tão perto, sabendo que compartilhamos do momento mais intimo que alguém poderia ter me fez sentir uma tremenda vergonha e uma ponta de arrependimento, eu temia isso, mas depois daquele momento no inicio da manhã...eu comecei a me sentir mais tola do que o normal.
A medida que o tempo ia passando, eu comecei a alimentar paranóias sobre, "ótimo, ele já teve o que queria, provavelmente vai ficar com alguma coisa minha para entregar a outra aluna que ele levar pra cama."
Tudo bem, eu estou sendo precipitada, mas eu estou insegura, não consigo pensar em mais nada além da suposta enganação. Eu sei que deveria dar um voto de confiança a ele e que deveria ouvir pelo menos o que ele tinha a dizer.
Talvez isso seja realmente a coisa certa a se fazer.
Esperei que ele dispensasse a turma e demorei um pouquinho mais para guardar o material. Quando vi que estávamos sozinhos me aproximei de sua mesa e estendi a sacola com o vestido.
-Obrigada! – Sorri de forma sincera.
-O vestido é seu. – Ele me encarou ainda sentado na cadeira.
Recuei a mão e respirei fundo.
-Desculpa por ter sido infantil mais cedo, é que isso tudo é novidade para mim, e bem, é estranho. – Abaixei os olhos com medo do seu olhar reprovador.
Mas o que veio foi um toque gentil de suas mãos em meu queixo me obrigando a encará-lo.
-Eu sei como se sente, no seu lugar pensaria as coisas que eu tenho certeza que você pensou, não fique chateada por isso, está bem?! – Ele se levantou e me puxou para si em um abraço com uma certa saudade e necessidade.
-Oliver disse que fomos vistos saindo da festa no sábado, mas ninguém sabe que a garota que estava no seu colo era eu, se vamos fazer isso temos que ter cuidado, não quero te complicar na sua carreira, nunca me perdoaria por isso. – Me desvinculei dos seus braços e o olhei.
Pude sentir Thomas enrijecer um pouco, mas ele tratou logo de suavizar sua tensão, talvez para me fazer sentir que tudo estava bem.
Ele aproximou seu rosto do meu e selou nossos lábios com cumplicidade, amava aquilo com todas as minhas forças mas no fundo eu sentia que aquela pequena fofoquinha traria problemas lá na frente, problemas catastróficos que poderiam me separar de Thomas por tempo indeterminado.
Aquilo era o começo do fim.
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Autora malvada passando para avisar que as coisas ficarão sérias daqui pra frente...não deixem de comentar!
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