8- Conversa importante
Hoseok
A semana passou tranquila, até o momento. Como queríamos, foi como se nada tivesse acontecido entre Taehyung e eu. Isso era bom, claro, mas eu não podia negar que queria que as coisas não fossem assim. Taehyung é um homem realmente muito lindo, e é o tipo de homem de que eu gostaria de passar mais tempo junto.
E eu gostaria de deixar as coisas da forma que estão, gostaria muito de poder continuar fingindo que nada aconteceu. Porém, há uma coisa que eu quero muito saber e que vai além da minha curiosidade, no fundo me preocupa.
Por isso, eu decidi que talvez não fosse ruim pedir para que ele converse comigo, se eu tiver uma pequena brecha, vou tentar fazer isso hoje.
Hoje, infelizmente, Taehyung não era o primeiro a nos dar aula. Olhando pelo horário das matérias, vi que ele seria o penúltimo a nos dar aula, então viria logo após o intervalo.
Eu passei o começo do dia ansioso para falar com o Professor Kim, assim como ansiei para que o intervalo passasse depressa. Depois, quando finalmente iríamos ter a penúltima aula do dia, eu não conseguia parar quieto, assim como não conseguia não ficar aflito.
Eu realmente precisava conversar com ele, e eu espero que ele não se sinta ofendido por minhas perguntas, mesmo que eu saiba que talvez seja algo pessoal demais para si. E claro, se ele disser que não quer conversar, eu vou respeitar sua decisão.
Eu só deixei esses pensamentos de lado quando ouvi a porta da sala fechando, o que indica que o professor já havia chegado.
Eu ainda não pensei o que vou fazer para dizer a ele que precisamos conversar, mas até o final das aulas eu arrumo uma desculpa.
•°•°•
— Professor Kim, preciso falar com o senhor — eu disse, quando ele já estava quase saindo da sala, depois da aula. Essa é a hora mais apropriada que eu achei.
— Pode dizer — ele respondeu, parando na porta antes de ir embora.
Na verdade, acontece que eu só tive a coragem necessária para lhe dizer sobre a conversa agora, quando ele já estava quase indo embora. Por favor, não me julguem, é um assunto difícil de se criar coragem.
— É que... — eu comecei, sem muita coragem de continuar.
Olhando para o lado de dentro da sala, ainda tentando demonstrar tranquilidade, eu percebi que tinha a atenção de Namjoon. Sendo assim, eu saí mais da sala, conseguindo um pouco da privacidade de que preciso.
— Eu preciso falar com você — eu enfim disse.
— Diga — ele respondeu, meio confuso e sem entender.
— Não aqui, em particular — talvez ele tenha entendido, tendo em conta que olhou disfarçadamente em volta antes de enfim me responder.
— Vamos até a sala dos professores, por favor — ele disse, alto o suficiente para que supostos curiosos possam ouvir.
Não era onde eu queria ter a tal conversa, mas contanto que possamos conversar decentemente, tudo bem. Então, eu o segui por todo o caminho, até enfim chegarmos na ampla sala.
Lá dentro, ele encostou a porta, fazendo com que tenhamos um pouco de privacidade. Mesmo assim, nós sabemos que temos que tomar cuidado com o que dizer aqui dentro.
— Pode dizer, o que você precisa falar? — ele disse, dando a iniciativa da conversa.
— Tem certeza de que não tem ninguém aqui? — eu disse, tão baixo que pensei que ele não tivesse escutado.
Provando o contrário sobre não ter me ouvido, ele fez um sinal para que eu esperasse, em seguida, foi até às portas que haviam ali, verificando cada uma e cada canto, para ver se realmente não havia ninguém por ali.
— Não há ninguém aqui, mas fale baixo mesmo assim, pode passar alguém do lado de fora — ele disse, também com o tom baixo.
— Certo. Vai ser rápido, na verdade. Eu quero poder te encontrar fora daqui, para conversarmos, apenas para isso. Tenho algumas dúvidas, e ficaria feliz se você pudesse saná-las.
— Tudo bem. Me dê seu número de telefone, eu te mando meu endereço e você vai até minha casa depois da aula — ele disse, depois de ponderar por um tempo.
Dessa forma, eu passei meu número, saindo da sala logo em seguida. Não parecia ter ninguém por perto, então fiquei tranquilo em relação à alguém ter ouvido a conversa, mesmo que não tenha sido nada demais.
Depois, eu voltei para a sala como se nada tivesse acontecido. Percebi, então, que a última professora do dia ainda não havia chegado. Sendo assim, eu caminhei até minha carteira, mandando um olhar tranquilizador para Namjoon, o que indicava que eu não havia feito nada de errado.
Ao fim de todas as aulas, eu enfim recebi a mensagem que estava esperando, com o endereço do Senhor Kim.
Depois de avisar Yoongi que precisaria passar em um lugar antes de ir para casa, e explicar para Namjoon o que eu iria fazer, eu pedi um carro pelo aplicativo, indo então até meu destino.
O caminho não era tão demorado, por volta de uns dez minutos eu já estava chegando. O carro parou em frente a uma casa simples, que mesmo sendo pequena, ainda sim era bonita e parecia ser aconchegante.
Depois de pagar o motorista, eu desci do carro. Caminhando até a porta, eu não tinha certeza sobre o que fazer, e creio que o fato de eu estar atrapalhado seja por todo o meu nervosismo.
Contra tudo o que eu estava sentindo que me impedia de fazer o que eu deveria fazer, eu bati na porta, ouvindo movimentações lá dentro.
O barulho de passos no interior da casa aumentou, ficando cada vez mais perto. Ansioso, eu aguardei nervosamente até que a porta fosse aberta, revelando meu professor de literatura ali.
Taehyung vestia uma blusa de gola alta branca, com uma blusa de lã da cor marrom e branco pra cima, com uma calça também marrom. Junto com essa combinação, ele usava um óculos, que parecia ser de grau.
Sem que nenhum de nós disséssemos uma única palavra, ele me deu passagem para entrar, fechando a porta assim que eu já estava para o lado de dentro. A decoração de sua casa era clara, o que deixava um ar de conforto e um pouco de elegância.
— Sobre o que você queria conversar? Eu sei que é algo importante, ou não teria pedido para que fosse em um lugar com mais privacidade. E também, quero deixar claro que só te pedi para vir aqui porque realmente parecia uma conversa importante.
— É bem importante, na verdade — eu disse, já me preparando para começar a fazer minhas perguntas.
No entanto, uma pequena bola de pelos interrompeu meu futuro questionamento, correndo de algum canto da casa.
— Nossa, você tem um cachorro — eu disse, vendo o cãozinho correndo até Taehyung, que rapidamente o pegou no colo. — Posso tirar uma foto de vocês dois juntos assim? — eu pedi, morrendo de tanta fofura, e de vergonha por pedir algo assim. Eu sou apaixonado por cachorros.
— Pode — ele disse, meio sem graça, fazendo uma pose com o cachorro logo em seguida.
— Qual o nome dele? — eu perguntei, depois de ter tirado a foto e ele ter deixado o cãozinho no chão.
— Kim Yeontan — ele respondeu, vendo o bichinho voltar a correr, e sorrindo com isso. — Pode dizer, sobre o que é a conversa? — ele disse, voltando ao assunto inicial.
Ele me acompanhou até a sala, indicando para que eu me sentasse no sofá que há ali. Depois de me oferecer algo para comer e beber — coisa que eu recusei —, ele se sentou ao meu lado, um tanto distante.
— São algumas perguntas que eu tenho que fazer, na verdade. Imagino que você saiba sobre o que é — eu disse, ficando um pouco tenso, o vendo ficar tenso também.
— Sim, eu imagino sobre o que é. Não prometo que vou responder todas as perguntas que você tem para me fazer, mas posso tentar.
— Eu queria saber... Por que você faz aquilo? É porquê você precisa?
— É, na verdade — eu conseguia perceber seu desconforto, mesmo assim, ele continuou o que estava dizendo. — Eu tenho dívidas para pagar, e não consigo pagar só com o salário de professor. Eu precisava de um emprego onde eu ganharia dinheiro fácil, essa foi uma das minhas últimas opções.
— Mas você não poderia pedir ajuda para algum parente?
— Não tenho parentes que se importam comigo, os que me sobraram nem lembram da minha existência — ele disse, com um pouquinho de mágoa na voz.
— E seus pais? — eu perguntei, tentando entender melhor a situação.
— Eu não deveria te contar tanto sobre a minha vida, ao menos não tão rápido, mas você tem algo que eu não consigo explicar — ele então apoiou os cotovelos nos joelhos, escondendo seu rosto em suas mãos.
— Eu não quero te forçar a falar, mas saiba que pode confiar em mim — eu disse, cautelosamente colocando uma mão em seu ombro.
— Meu pais morreram quando eu tinha vinte e dois anos, eu estava terminando minha faculdade de literatura. O pior de tudo, é que eu faço essas coisas para pagar dívidas que nem mesmo são minhas.
— Taehyung... Eu não sei o que dizer — eu estava realmente pasmo com o que ele estava dizendo.
— Eu não estava pronto para tudo isso ainda... — ele balançou a cabeça, esfregando os olhos com as mãos. Fiquei em silêncio por um tempo, esperando que ele tivesse o próprio tempo antes de continuar. — Eu nunca tinha beijado ninguém — ele confessou, cortando o silêncio que havia se formado.
— O quê? — eu perguntei, confuso, porque não é possível que ele realmente não tivesse beijado ninguém.
— Eu comecei com isso muito cedo, nunca tinha tido relações com ninguém, então eu pensei: se não posso manter minha virgindade, vou ao menos manter meu primeiro beijo.
— Mas então por quê decidiu perdê-lo comigo?
— Eu senti confiança em você, e você era tão inexperiente e doce que me deu vontade de tentar.
Nesse momento, as coisas pararam à nossa volta, assim como aconteceu quando eu estava sozinho com ele na sala de aula, semana passada.
Eu vi o momento em que ele olhou para mim, lentamente, focando primeiramente em meus olhos, desviando para meus lábios em seguida.
Ele queria me beijar, era óbvio, e eu também queria beijá-lo, porque seu beijo não saiu de minha cabeça por nem um instante durante todo o tempo que separa aquela noite do dia de hoje.
Eu só espero, sinceramente, que nós não façamos nenhuma besteira aqui hoje, porque está mais do que óbvio o que realmente queremos fazer, e isso não pode nem se tornar uma opção.
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Eu sei que foi maldade acabar o capítulo assim, mas eu prometo que continuo no próximo.
E como vocês estão? Estão se cuidando direitinho?
Espero que estejam todos bem.
No mais, até a próxima ♥️
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