Capítulo IX

CAMILLE

- Antes de Lizzie -

- Jasmy, vamos ver um amigo meu cantar hoje a noite! - digo para Jasmyne no telefone enquanto olho para o meu guarda roupa aberto, procurando alguma roupa para usar e parecendo que nada seria bom o suficiente.

- Cami, você mal chega e já tem um... - ela dá uma pausa e já sei o tom de voz que virá em seguida - a-mi-go?

- Sim. E é apenas um amigo mesmo. Ele está substituindo o jardineiro aqui de casa! - respondi a ela, começando a jogar peça por peça de meu guarda roupa em cima da cama.

- Mas, você não acabou de dizer que ele vai cantar? Mas ele é jardineiro? Aí amiga, onde é que você está nos enfiando? - ela pergunta sarcasticamente.

Jasmyne é minha única amiga, apesar de saber que ela tende a gostar da vida luxuosa, e quando não é assim, dá o seus gritinhos irritantes e mimados. Mas é a única que encontrei mais próximo de uma amizade sincera.

- Jasmy, apenas confie em mim! - disse enquanto encarava a montanha que havia se formado em minha cama.

- Eu confio! E sei que deve realmente ser um simples amigo! - ela respondeu começando a rir do outro lado da linha.

- Te vejo as oito! Passo aí! Se minha mãe me liberar o carro - respondi.

- O que duvido muito, mas te espero! - ela disse e em seguida desliguei o telefone.

Nada que havia jogado em cima da cama me chamava a atenção para usar para aquela noite. Mas precisa encontrar algo, os minutos já estavam passando, além disso, era necessário um discurso para convencer minha mãe a deixar usar o carro, o que certamente não seria nada fácil depois de tudo que havia feito.

Olhando para a montanha de roupas, me repreendo mentalmente por não ter perguntando qual estilo de música ele toca, seria mais fácil imaginar o lugar e certamente escolheria a roupa com um pouco mais de segurança.

Depois de alguns minutos brigando comigo mesma, decido optar pelo básico e sem erro. O bom e velho jeans e uma blusa básica e preta qualquer em meio às peças amontoadas.

Quando olho em meu relógio, me dou conta de que já são 19h30. Corro as escadas para encontrar minha mãe e quando a vejo ela está na sala com um drink em mãos. Um pouco alcoolizada, penso que facilitará as coisas.

- Preciso usar o carro. Onde estão as chaves? - pergunto sem rodeios e sua expressão muda em segundos.

- Acha mesmo que vou liberar o seu carro?

- Você mesmo falou. MEU carro, sendo assim... - respondo esperando que essa conversa não vá tão longe.

- Pode esquecer Camille. Se quiser sair, será a pé. Quem sabe assim, dará valor a essa maravilhosa vida que venho a lhe proporcionar - ela diz firmemente e como a conheço muito bem, sei que nada a fará mudar de ideia.

Decido me retirar e vou até a cozinha onde encontro Marie, nossa cozinheira de anos. Praticamente me viu nascer e acabou se tornando muito mais minha mãe, do que minha própria mãe.

- Por que ela tem que ser assim? - esbravejo jogando minha bolsa em cima da mesa.

- Ei pequena - Marie passa a dizer, sempre carinhosa e com seu jeito doce, jogando o pano em seu ombro e se aproximando de mim - o que houve dessa vez?

- Ah Marie, não tem jeito. Ela sabe que medicina não é o que quero, mas ela insiste. E agora que abandonei, ela vai querer me punir até conseguir me fazer me arrepender até o último fio de cabelo. Tenho carro e não posso usar, estou vendo que ela vai querer me isolar aqui nessa casa.

- Ia sair com Jasmy?

- Sim.

- E ela não tem carro também? - Marie perguntou, sempre procurando soluções para qualquer problema que eu desabafasse  com ela.

- Não. Jasmy aprontou uma e ainda falta um ano para poder dirigir e então ganhará de volta o seu carro. - respondi e em seguida procuro meu celular.

- E vocês iam onde hoje?

- Ryan vai tocar em um lugar hoje e havia me convidado. Por falar nisso, ele deve estar ... - antes de terminar, Marie me interrompe.

- Ryan? O jardineiro substituto? - ela questionou.

- Sim. Algum problema? - perguntei curiosa.

Antes que Marie respondesse, minha mãe entra na cozinha.

- Por que o jardineiro está aqui, querendo falar com você? - ela questiona e não disfarça nem um pouco o seu desprezo.

Sem nem mesmo responder, saio e vou encontrar Ryan, que ainda está no portão. Pois era certo que minha mãe não o deixaria entrar.

- Oi! - digo ao vê-lo, com seu capacete em mãos e noto sua moto estacionada. Uma pequena scooter, o que fez o meu eu interior soltar uma risada, imaginando ele pilotar essa pequena scooter.

- Oi. E... - ele aponta para a moto - é de minha irmã. É o que eu tenho no momento - e então ele solta uma leve risada.

- O importante é que pode se locomover. Eu tenho um carro, mas não posso usar, então, me desculpe, mas não poderei ir - respondi cabisbaixa.

- Entendo. Bom, eu tenho outro capacete, se desejar - ele passa a dizer, me olhando fixamente em meus olhos, o que me deixa desconcertada e sem saber o que responder - Mas, se não, não tem problema...

- Claro! Pode ser. Só preciso dar um telefonema antes. Tudo bem? - respondo por fim.

- Claro! - Ryan diz com um sorriso encantador surgindo em seu rosto.

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