Capítulo 13 - Minha prima não tão legal

Patrícia está no meu quarto, e parece tão angelical quanto um lobo em pele de cordeiro.

Seu cabelo está impecavelmente liso, loiro e cumprido. Suas unhas estão bem feitas e pintadas e ela está muito arrumada e maquiada, como sempre foi.

— Sei que nós tivemos nossas desavenças no passado, mas eu quero que saiba que eu amadureci. Você é a prima mais próxima que eu tenho, e me ocorreu que eu não devo perder isso... — Ela faz uma cara de cachorro que caiu da mudança.

Estou cética quanto ao seu discurso, pois mesmo que a sua expressão facial me mostre uma sinceridade muito grande, ainda acho que isso é uma armadilha.

— Você nunca teve a minha amizade para perder. — Cruzo os braços, com medo de que Patrícia tente me abraçar.

— Queria que nós fôssemos próximas de verdade. Eu vim aqui justamente para que a gente consiga se aproximar. — Solto um suspiro resignado.

— Tudo bem, então. Vamos nos aproximar. — Continuo com o ceticismo praticamente transbordando em meu tom de voz, mas Patrícia me abre um sorriso iluminado e totalmente alheio ao meu modo cético.

Por mais que eu sinta sinceridade nela, preciso me recordar de que Patrícia sempre fez questão de demonstrar o quanto não gostava de mim. Não dá para acreditar nessa repentina mudança de comportamento tão fácil.

Patrícia sai do meu quarto e eu me sinto aliviada em lembrar do dia maravilhoso que eu tive. Além de ter dançado de uma forma única, ainda tive um encontro incrível com Henrique.

E por falar nele, me deparo com uma mensagem sua no Whatsapp me dando boa noite e avisando que chegou em casa. Estou tão feliz que sinto que posso até flutuar.

Tomo um banho, como uma pizza junto com meus pais e minha prima e conversamos sobre vários assuntos antes que eu volte para meu quarto, caia no sono e sonhe com Henrique.

[...]

— Ouvi dizer que você vai começar a faculdade de dança no próximo semestre. — comenta Patrícia casualmente, enquanto me assiste esfregar o balcão para tirar a sujeira do milk shake que ela derrubou na mesa sem querer.

Driquinha não foi trabalhar na lanchonete hoje, então sobrou para mim a tarefa de dar atenção para a minha querida prima enquanto trabalho.

— Vou sim.

— Nossa, vai ser difícil fazer duas faculdades ao mesmo tempo. Admiro a sua coragem. — Sinto que ela está me analisando, mas tento ignorar enquanto me foco para tirar toda a sujeira antes que meus pais vejam.

— Estou preparada para esse desafio. — respondo assim que termino de limpar o balcão. Henrique chega com Leo e mais alguns amigos na lanchonete e eu corro para abraçá-lo.

— Oi, linda. — Sinto o sorriso em sua voz quando ele me envolve em seus braços. — Vim te ver rapidinho antes de voltar ao trabalho. Hoje você tem aula de dança?

— Tenho sim, só saio de lá umas oito da noite.

— Vou tentar te ver hoje depois da aula. — Meu coração acelera e minhas bochechas assumem uma tonalidade de vermelho quando ele me dá um selinho.

— Não acredito que você não vai me apresentar seu namorado! — Patrícia exclama, aparecendo ao meu lado como se fosse um foguete. — Oi, sou Patrícia, a prima da Julia.

Fico totalmente constrangida com Patrícia, porque eu e Henrique não definimos status de relacionamento, mas ele parece não ligar, pois abre um sorriso e me abraça de lado.

— Prazer, me chamo Henrique.

Vejo que uma mesa me chama e me volto para Henrique.

— Preciso ir, mas vamos nos falando. — Ele me dá outro selinho e eu me despeço dos seus amigos antes que eles se afastem e eu me volte para os clientes que estão me esperando.

Atendo a mesa e volto para trás do balcão para enviar os pedidos até a cozinha. Patrícia me segue como se eu fosse seu próprio imã.

— Muito legal que você tem um namorado. Achei que isso não fosse acontecer nunca. — provocou ela, com uma sutileza que me irritou.

— Ainda não somos namorados. — Me arrependo do que digo assim que as palavras saem da minha boca.

— Não? Pois acho melhor você incentiva-lo a fazer o pedido logo. — alerta, me olhando de forma cuidadosa. — Ele é muito bonito. Com todo respeito, é claro.

— Nós começamos a ficar há pouco tempo. Não quero apressar as coisas, estamos muito bem assim.

— Se você diz... — Ela encolhe os ombros e se cala. Pego os pedidos da mesa que eu havia atendido e levo tudo até lá.

No final do expediente, digo a Patrícia para ir para casa, pois eu vou para as aulas de dança. Por um momento, penso que ela vai dar um jeito de ir comigo até lá, mas minha prima acata o que eu digo sem dizer uma palavra. Talvez o fato de que eu tenha dito que meu professor não está aceitando acompanhantes que não sejam mães de crianças pequenas durante as aulas tenha lhe encorajado a não querer ir comigo.

De qualquer forma, me ver livre do olhar inquisidor de minha prima e da possibilidade de ficar a sós com Henrique já me anima o suficiente.

Não quero que ela atrapalhe meu romance e muito menos a minha dança.

Vou de bicicleta até a Motirô e Driquinha já está lá conversando com as outras meninas. Me aproximo delas também.

O contemporâneo e o ballet são tão bons que eu saio de lá querendo mais. A dança tem o poder de me fazer querer ficar ali para sempre.

Quando saio, recebo uma mensagem de Henrique.

Henrique:

Deixe a sua janela destrancada.

A princípio, não entendo bem onde ele quer chegar com essa mensagem, mas quando chego em casa, eu faço o que ele me pede.

Tomo banho, janto e percebo que a minha prima está trancada no quarto de hóspedes e que meus pais saíram.

Aproveito que Patrícia me deu uma folga mais longa do que o esperado para me trancar no quarto.

Estou prestes a ligar a TV para assistir uma série quando ouço um barulho na direção do telhado. Olho para a janela e vejo Henrique passar uma de suas pernas cumpridas por cima do batente da janela e depois a outra.

— Por um momento eu pensei que você esqueceria de deixar a janela aberta. — Ele abre um sorriso, passa a mão pelos fios negros de seu cabelo e caminha até mim com um sorriso lindo e charmoso.

Quase tenho uma síncope quando me lembro de que meu cabelo cacheado está embolado e preso de qualquer jeito em um rabo de cavalo mal-feito e que estou usando uma camisola ridícula dos Ursinhos Carinhosos.

Não imaginei que ele iria simplesmente invadir meu quarto de forma clandestina. Apesar de ter amado a ideia, não estar preparada para isso fez com que eu tivesse medo de que Henrique me achasse feia.

Porém, quando paro de prestar atenção em mim, percebo que não sou a única que está me analisando. Henrique me olha de cima a baixo e seu sorriso parece quase brilhar em minha direção.

— Gostei do pijama. — Abro um sorriso tímido e me aproximo o suficiente para conseguir ver algumas pintinhas em seu rosto.

Henrique me beija de um jeito avassalador, que definitivamente abala todas as minhas estruturas físicas e emocionais. Ele me segura com firmeza, e é como se soubesse exatamente como me beijar e em que lugares tocar. As suas mãos estão pela minha cintura, e sobem e descem pela minha coluna, deixando meu peito inflamado e minhas mãos trêmulas.

Ele me guia até a minha cama, onde sinto minhas costas entrarem em contato com o colchão macio. O corpo de Henrique está sobre o meu, e sua boca no meu pescoço, explorando lugares que nem eu mesma sabia que podia sentir prazer.

Agarro seus cabelos com uma das minhas mãos, enquanto a outra se enfia por debaixo de sua camisa e dedilha suas costas com as pontas dos dedos. É tão bom senti-lo tão próximo de mim que preciso conter meus próprios gemidos.

— Prima, você tem um condicionador para me emprestar? — Fico em silêncio, tentando ignorar a voz de taquara rachada de Patrícia do outro lado da porta. É quase como se ela soubesse que eu estou com alguém dentro do quarto. — Eu sei que você está acordada porque a luz do seu quarto está acesa.

— Não, eu não tenho. — Minto, lembrando que comprei os meus no início da semana. — E mesmo se eu tivesse, não serviria, pois meu cabelo é cacheado e você alisa o seu.

Não tenho nada contra quem alisa o cabelo, mas todo o mundo sabe que produtos para cabelo cacheado não tem eficácia nenhuma para cabelos quimicamente tratados e vice-versa.

Henrique me silencia com um beijo de tirar o fôlego e eu aperto minhas coxas em seu quadril, torcendo para que a minha prima vá embora logo.

— Mas eu queria lavar o cabelo... — A voz inconveniente dela soa novamente através da porta e a minha vontade é de jogar ela para fora da minha casa.

— Pede na farmácia, ou vê se a minha mãe tem algum.

— Tá bom, obrigada.

Solto um suspiro aliviado quando ela se afasta. Henrique dá uma risada baixa contra a minha boca e beija a minha testa.

Ele se deita ao meu lado na cama e eu deito a cabeça em seu peito.

— Eu gostei da visita inusitada. — digo, sentindo seu coração acelerado.

— Que bom que gostou, porque pretendo fazer isso outras vezes. — Henrique beija o topo da minha cabeça.

Nós ficamos ali conversando e nos beijando por um bom tempo. Eu não sentia o cansaço do dia me dominar, estar com Henrique era tão reconfortante que era como se eu tivesse recarregado as minhas energias.

Nada e nem ninguém seria capaz de estragar isso, muito menos a minha prima.

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