🔸 Capítulo 6🔸
Melyssa Collins
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Que surto foi aquele ontem à noite? Eu não sei. O Luke parecia tão em paz comigo, que logo depois da nossa brincadeira no sofá, eu vi o quanto ele tinha o poder sobre mim. Mesmo depois de tudo que passei, ao ser agarrada a força no jardim do hotel, eu não conseguia ter medo do Luke ao me pressionar daquele jeito. Na verdade, eu acho até que desejei aquilo; e foi então, que tudo me paralisou ao constatar isso.
Que sentimento era esse, dentro de mim? Eu não deveria confiar em alguém daquele jeito. A vida me ensinou isso, no orfanato e nas circunstâncias do dia a dia. Eu era reservada e tinha um motivo. Algo me dizia que já fui machucada por isso, mas não me lembrava. Logo, assim preferia não insistir para saber.
À noite, deitada com a cabeça embaixo da mesa e ouvindo "The Beathes", com o Luke, me fez relaxar e imaginar um mundo totalmente diferente; sem maldades e violências. Acredito que o Luke pensava nas mesmas coisas que eu, em relação aos casos revoltantes que ele defendia no tribunal; querendo no fundo, um mundo melhor. Ele sempre teve raiva, de quem usava o seu poder em cima do outro. Ele odiava injustiça.
Talvez venha daí, da força do seu nome, em ser um verdadeiro guerreiro Jedi. Os seus pais amavam Star Wars. Acho que acredito nisso, nesse lance de significados de nomes, que as pessoas dão para os seus filhos; eles têm um poder muito grande. Não sei muito sobre a minha vida, digo, antes do orfanato, mas acredito que o meu nome também diz muito sobre mim; e, que a minha mãe, a quem me pôs no mundo, tenha realmente me amado e pensado com carinho na hora de escolhê-lo.
Logo, fico sozinha com os meus próprios pensamentos loucos e viajados, sentindo a brisa do mar bater contra o meu rosto e pensando em como poderia ter sido a minha vida, se eu tivesse conhecido os meus pais biológicos. A única coisa que eu sabia, era que a minha mãe havia morrido e que o meu padrasto havia fugido; me deixando sem nenhum rastro ou lembrança, de quem eu poderia ter sido antes disso. Com apenas 4 anos, não tem muito do que se lembrar, não é? Mas os Collins supriram muito bem, aquilo que eu não tive.
- E aí, pequena abelhinha!!! Não vai entrar no mar, não? - O Marcelo chega por trás de mim, cutucando as minhas costelas e sacudindo o seu cabelo molhado, que era platinado, ao sentar ao meu lado.
Ele era todo metido a um surfista Big Rider*¹; brincadeira, ele era sim. Na verdade, ele é um ótimo surfista brasileiro. Eu e o Luke, é quem gostávamos mais do windsurfe, em vez da pranchinha normal sem uma única vela por cima. Porém, ultimamente, como nós não estávamos tendo muito tempo para isso, para ficarmos esperando as grandes rajadas de ventos; estávamos optando pelo surf clássico mesmo.
Big Rider*¹ (Surfista de boa qualidade que gosta de ondas grandes.)
- Ai, Celo!!! Você está me molhando toda... - Digo tampando o meu rosto, ao sentir os respingos de águas que caíam do seu cabelo, ao serem sacudidos em mim.
- Ih..., perdeu a essência de ser praieira, é? Com medo de aguinha do mar? - Ele brinca comigo, querendo me provocar e me fazer ceder a sua pequena provocação.
- Nada disso... eu só estou com frio, por ter vindo tão cedo em busca desse swell*². - Me encolho tentando me proteger um pouco do vento gelado, no qual a maré soprava na nossa frente.
Swell*² (Um conjunto de ondas marinhas lisas e uniformes).
- Hum... sei bem!! - Ele me olha de soslaio e faz uma cara de quem está prestes a aprontar alguma coisa.
- Nem pense nisso, seu Marcelo Botelho. Eu juro que.... - Nem me dá tempo de terminar, quando ele rapidamente enlaça a minha cintura e encaixa a sua outra mão, em baixo das minhas pernas e me ergue, dizendo que vai me jogar de uma forma ou de outra no mar. Ele dizia que depois do primeiro mergulho, o frio iria passar.
"Até parece! A água estava um gelo, a essa hora da manhã; sendo mais específica, às 05:30."
- Marcelo!!!!- Exclamo, tentando me soltar dos seus grandes braços.
Talvez ele seja o único amigo meu e do Luke, de infância, que não tinha nenhuma frescura comigo. Ele realmente parecia não se importar por eu ser adotada e vinda de uma classe mais baixa que a deles, eu acho. O Antoni, aquele pirralho que me empurrou no esconde-esconde, quando éramos crianças, era o único que até hoje ainda me tratava com indiferença. Idiota. Ele nem valia o chão que pisava; tão esnobe, que a quilômetros de distância eu ainda conseguia ver a sua soberba.
E saltitando sobre as pequenas ondas do mar, o Marcelo me joga com tudo dentro da água. Submersa agora, sob o mar, eu tento me reerguer em busca de ar. Argh!!
- Seu... seu... - Corro atrás do Marcelo, que também estava na água e tento afoga-lo do mesmo jeito. - Venha cá, sua maria-farinha!! Você me paga por isso, está me ouvindo? - Ameaço sorrindo e nado a todo vapor atrás dele.
Ficamos naquela brincadeira por um tempo, até que já não sinto mais frio e o meu corpo está todo aquecido pelo esforço físico.
- Seu palhaço; está vendo o que você fez? Molhei toda a minha blusa... - Digo espremendo-a na minha frente e depois decidindo tirá-la de uma vez, para só ficar com o maiô por cima.
Eu estava morrendo de rir, no final. E enquanto eu caminhava para fora do mar, ao lado do Marcelo, eu vejo o Luke conversando com uma morena alta e magra, dos cabelos pretos esvoaçantes no vento. Ela estava com um minúsculo biquíni e uma saída de banho rendada, que não cobria nada do seu corpo; assim, não deixando nada para imaginação.
Revirando os olhos, para aquele jeito descarado que ela conversava com ele, eu via que o Luke também dava bola, sorrindo feito um bobo para ela. Com certeza eles já tinham transado.
Me aproximo forçando o meu melhor sorriso para eles e espremo o meu cabelo, o jogando para o lado e depois para trás, o sacudindo, como se estivesse encenando para algum comercial conhecido de cerveja.
Não sei porque estava fazendo aquilo, mas de alguma maneira, eu não queria ficar para trás daquela mulher.
- E então, não vai me apresentar a sua namorada, não, Luke? - Me aproximo, sabendo que estava sendo uma idiota, em insinuar aquilo sem saber realmente o que eles tinham juntos.
Os dois imediatamente se viram para mim e param de sorrir, tentando entender o que eu quis dizer com aquilo.
- Ah... Oi, Mel!! Essa aqui é a Fernanda; uma amiga minha que eu conheci lá na faculdade, quando ela foi dar uma palestra sobre Direito Civil e nos convidou, para conhecer a sua delegacia. - O Luke logo tratou de me esclarecer quem ela era, entortando meio que a sua cara para mim. -Ela é uma antiga amiga, Melyssa. Ela é a delegada.
Não sei se aquilo tudo fazia algum sentido para mim, mas, também não sei porque ele me explicou isso tudo sobre ela. Dane-se se ela é a delegada, eu sou a Melyssa Collins e não estou nem aí para ela.
- Hum... Oi. - Sorrio meio que sem saber muito bem o que fazer.
Penso em começar algum outro assunto; como chamar o Luke para sair dali e irmos surfar; mas a tal delegada, resolve falar alguma coisa novamente e atrair a atenção do Luke para si.
- Ah, essa aí é a tal Melyssa... a quem você falou tanto, em querer investigar um caso antigo sobre ela? - Ela gesticula com as mãos e sorrir como se eu tivesse ciência de tudo aquilo que ela estava falando.
- Sobre que caso? - Indago, me sentindo mais perdida do que cego em tiroteio. O Luke falou sobre mim para ela?
Nós duas o encaramos, sem entender muito bem o porquê daquilo não está subentendido entre a gente. O mesmo, de quem falávamos agora pouco, parece sorrir diante daquele desconforto e enfim, decidir se pronunciar.
- Ah, é sim. - Ele fala para a tal Fernanda e depois se vira para mim, para poder se explicar. - Eu comentei com ela a uns dois dias atrás, sobre o caso da sua mãe, para ver se ela conseguia descobrir alguma coisa a respeito da morte dela. Lembro-me que uma vez você conversou comigo, sobre ter alguma curiosidade a respeito do real desfecho dos seus pais...- Ele diz pausadamente, se atentando a não deixar nenhuma ponta solta, para que eu não ficasse enraivecida com o que ele fez.
Aquele era um assunto nosso, não era para ele sair expandindo por aí a fora. Vai que alguém descobre e acaba caindo nos ouvidos errados; Os Collins rapidamente iriam ficar decepcionados comigo.
- Luke! Esse era um assunto nosso. Não era para você contar para outras pessoas. - Sou curta e grossa, sem nem ao menos me importar com a presença daquelazinha lá, na nossa frente.
Ele logo parece ficar nervoso com aquela minha acusação e muda de posição, para voltar a falar.
- E-u, eu sei, Mel. Eu não contei para ninguém... Eu só falei com a Drª. Fernanda, para poder ver se ela tinha como resgatar o caso e me passar o que foi dito, no boletim de ocorrência policial. Eu não contei para mais ninguém a respeito disso. - Ele se aproxima de mim, para que eu pudesse olhar bem firme nos seus olhos.
- É, queridinha! Não se preocupe. - Ela se apoia no ombro do Luke e sorrir para mim, elevando os seus óculos para cima dos cabelos e continuando a falar que nem uma rainha. - O que se fala na minha sala, não se sai espalhando por aí. - Ela dá uma piscadinha de olho para ele e continua. - Eu e o Luke, temos uma bela amizade, enxerguei o seu potencial de longe. Já disse para ele prestar logo, o concurso para a minha delegacia. Formaríamos uma equipe entanto. - Ela lambe os lábios sensualmente e o provoca, ao olhar lascivamente para os seus.
Ficando enojada, ao ver aquele flerte tão nítido na minha frente, eu reviro os olhos mais uma vez e bufo, perdendo a paciência para ficar mais um segundo sê quer por ali.
- Arhg! Equipe... Sei bem o que vocês se formariam. Estão mais para dois coelhos beijoqueiros no cio, do que uma equipe profissionalmente formada... - Digo essas últimas palavras baixinho e me viro, indo embora daquela patética situação.
Idiotas.
O Luke me chama mais uma vez, ao me ver sair, mas eu não estou com nenhum pingo de paciência para lhe ouvir.
- Agora não, Luke. Estou com raiva de você. - Saio a passos largos e me encontro com Marcelo no meio do caminho, decidindo por pegar a prancha das suas mãos e alisa o seu rosto, em agradecimento. - Obrigada, Celo! Daqui a pouco eu te devolvo.
Eu precisava urgentemente me desestressar. O Luke não tinha o direito de falar da minha vida, para uma estranha.
"O que ele queria com isso? Uma desculpa qualquer, para poder se jogar direto na vagina dela? Acredito que ele não precisaria de muito, para fazer isso; ela já me parecia bem interessada nele, para tal esforço."
Remo com todas as minhas forças para dentro do mar, furando logo as ondas espumosas e entrando cada vez mais fundo no oceano. - Queria soltar toda a minha adrenalina naquele momento; nem o frio, estava mais me abatendo.
Não sei o que estava acontecendo comigo naquelas últimas 24 horas, mas eu precisava urgentemente voltar a ser quem eu era antes; calma, tranquila e zero estresse.
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E chegamos com mais um capítulo kkk. Como vcs tem passado? Estão ainda em 2021 ou já chegaram a ler no 2022...? 😆🤭😝👐🏼👐🏼✨🥂
Antes de tudo... Já lhes desejo um ótimo romper de ano e que em 2022, seja um ano de muitas leituras e conquistas. Tá difícil escrever? Está.. mas eu não vou abandonar vcs. Vou até o fim com a série Collins. Conto com vcs! 😚😍💋💐
No mais, vamos voltar a história...
👁️👁️😆🤭 Notaram alguma coisa na Mel? Um ciúmes, uma mudança no humor.. a curiosidade sobre os pais...tudo junto e misturado; os sentimentos? Perceberam? É meu povo.. bombinhas vem por aí! Kk 💣💣🥸 adoro elas kkk cadê as detetives de plantão kkk?
Como será que a mãe dela morreu? Pq ninguém sabe da verdadeira história? Vcs teriam curiosidade de saber sobre o seu passado, mesmo tendo os COLLINS com pais? 😬😳🤡
Gostaram o Marcelo Botelho? 😏🔥 E da Fernanda delegada? 💦🙀💃🏻... Esse elenco tá demais... Já quero filme kk..
Bora ver enquanto tempo vai essa ladainha... 🙈😝😁😁
(Tá pertinho hein.. 🙊)
Beijinhooos.. até mais. 😚❤️❤️
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