🔸Capítulo 5 🔸
Luke Ribeiro
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Ficar ao lado da Mel por todos esses anos, nos momentos bons e ruins, só me fez amá-la por quem ela realmente é, doce, meiga, inocente e alguém que só queria ser amada pela sua família. Fiz de tudo para poder incluí-la e fazê-la se sentir parte da nossa família. Eu sempre tive tudo de bom e fui muito bem amado por todos. Apesar dos meus pais, terem me tido ainda quando jovens, eu tive todo o amor do mundo e apoio deles; nada me faltava.
E ver a Mel sem ninguém, com medo de todos e sem saber se poderia ter o amor de alguém de verdade, me fez querer acolhê-la e lhe dar tudo aquilo que eu também tinha. Embora eu a dividisse com a Stella, por ser a sua irmã; sempre estávamos juntos. A Mel sabia que poderia ser ela mesma comigo; sem medo e amarras de que eu pudesse abandoná-la algum dia. Criamos um elo forte. Contudo, eu não sabia mais se aquilo estava me fazendo tão bem assim.
A cada dia que se passava, eu começava a ter os sentimentos que antes, eram dela. O medo de perdê-la e ela não mais me querer, eram ainda mais imensos. Tudo parecia reverso. Tudo estava confuso na minha mente. Eu não poderia nutrir e nem alimentar mais, essa necessidade que eu tinha de lhe ter ao meu lado.
Ela era minha prima, minha meio irmã de consideração; uma hora ela iria crescer e criar as suas próprias raízes e relacionamentos. Ela não iria mais precisar de mim, para poder lhe ajudar. Embora hoje, ela ainda tenha precisado; talvez por costume ou instinto, não sei; ela logo não iria mais recorrer a mim para isso. Eu tinha que começar a me desapegar.
Mas porque isso doía tanto?
Parecia que se eu não tivesse a Mel, tudo iria ficar vazio e sem cor na minha vida. Ela me irritava e me obrigava a fazer piadas sem graças, só para poder vê-la sorrir e me xingar novamente. Era tão fácil esquecer dos problemas e dos casos complicados que apareciam no meu trabalho, que está com ela, era como se fosse uma válvula de escape para tudo. Acho que no fundo, eu também me acostumei em ter alguém ao meu lado sem julgamentos.
A vida era feita desses pequenos momentos, onde tínhamos pessoas certas, em lugares certos. Mas naquela fase da minha vida, ter a Mel, era um medo constante no meu coração. Talvez fosse melhor eu me afastar dela; porém, sei também, que não conseguiria fazer isso. Assim, só me restaria aproveitar o momento, enquanto eu ainda a tinha; essa era a minha única opção.
Logo, fui preparar alguma comida rápida, para a gente comer. A Mel deveria está exausta do trabalho; assim como eu. Nada de comida muito pesada ou complicada para fazer. Um miojo para nós dois, acho que já seria o suficiente. Com um pouquinho de caldinho em pó, para poder temperar um pouco mais a nossa comida e já estava feito. Delicioso! Logo, pego as nossas duas tigelas e despejo a pequena sopa no prato, levando-as agora para sala, para poder esfriá-las, enquanto a Melyssa ainda termina o seu banho.
- Hum!!!! Não acredito que você fez realmente a nossa sopa de miojo. - Ela diz se aproximando devagarinho atrás de mim e inspirando fundo, enquanto prendia uma toalha branca no seu cabelo. - Ai, Luke... Você sabe que eu adoro um miojo de carne. - Ela segura nas minhas duas bochechas e deposita um beijo estralado, em um dos lados do meu rosto.
Se eu não soubesse que ela jamais beijaria a minha boca, eu teria morrido com aquele seu ato. Ela chegou tão perto de fazer aquilo, que o meu coração quase que errou uma batida, sem saber o que fazer.
"Mas que porr*, que estava acontecendo comigo?"
Pisco os olhos rapidamente, tentando me localizar, mas eu já estava mais perdido que tudo, quando vi a Mel sentada no meu sofá, com as pernas cruzadas e usando uma cueca minha, com uma blusa folgada. "Eu sei que fui eu quem lhe dei, mas não pensei que fosse ficar tão... tão sexy e atraente. Não sei. Merda. Que porr*! Eu não deveria estar pensando nisso."
Jogo o meu cabelo para frente e para trás, e me sento igualmente a ela, só que com as pernas abertas e apoiadas na mesinha do centro.
Ela sorrir timidamente para mim e pergunta:
- E então... Vamos comer? - Ela morde os lábios ansiosamente e depois pega a tigela na sua frente, enfiando um gafo no macarrão e o enrolando com desejo, enquanto fazia um pequeno biquinho, para assoprar a quentura para longe da sua comida. Porém, ela logo para, ao perceber que eu não estava fazendo o mesmo que ela. - O quê? Você não vai comer...? - Ela me olha incrédula.
E eu, meio que ainda me despertando dos meus próprios desvaneios, que sabe lá Deus, onde eles estavam, eu balanço a cabeça em negativo e inspiro profundamente, pegando a outra tigela ao seu lado e a elevando até a altura do meu rosto.
- Só se for para te ver perder... após ter te dado alguns segundos a mais, para poder ganhar de mim. - Taco uma bela garfada na boca e vejo ela fazer um "o" com os lábios, ao perceber que já estávamos competindo, sobre quem comeria mais rápido aquela sopa.
- Luke!!!!!! - Ela exclama com um sorriso no rosto e começa a atacar a sua comida também. Sempre fazíamos isso, quando éramos pequenos.
Após alguns curtos minutos, depois de ter queimado uma boa parte dos meus lábios com aquele caldo quente da sopa, eu encosto as minhas costas no sofá e vejo a Mel bem lentamente, tomando os últimos resquícios do seu caldo, com a boca colada na borda da tigela.
- O que foi?? - Ela me olhar de soslaio novamente, ao me ver sorrindo para o seu ato. - Eu já perdi mesmo... O que adianta ter bons modos e não aproveitar a melhor parte da minha sopa?
- Nenhuma. - Sorrio balançando a mão na minha frente e pedindo para ela continuar o que estava fazendo. - Fique à vontade, para saborear o gostinho de perder para mim novamente... - Brinco com ela mais uma vez, não perdendo a oportunidade de irritá-la um pouco mais.
- Se-u... Argh!!!- Ela solta a tigela rapidamente na mesa da frente e começa a me atacar com o pequeno travesseiro do sofá. - Você, é, muito, pre-sun-ço-so, seu Luke!!! - Ela praticamente monta em cima de mim e começa a me bater pausadamente.
Eu rapidamente começo a fazer cosquinhas na sua cintura e ela se contorce toda, tentando escapar das minhas ágeis e habilidosas mãos. Porém, ela não se intimida e ainda continua a me bater e a gargalhar sem parar.
- Se-u.... ai!! - Ela cai de costas de uma vez no sofá e para de falar, quando se ver imobilizada pelos meus braços e o meu corpo ofegante em cima dela.
- E agora!! Quem está ganhando de você novamente, hein?? - Brinco com ela semicerrando os dentes e com a respiração entrecortada. Ela então olha para mim com um sorriso meio morto e paralisado no ar.
Não sei se era de pavor ou de alguma outra coisa que eu não saberia dizer; mas eu não gostei nada, de ver aquela sua expressão no rosto.
- Mel, me desculpe... - Solto-a imediatamente e me lembro que a poucas horas atrás, alguém havia lhe agarrado brutamente e lhe imobilizado, lhe impossibilitando de reagir e se movimentar diante disso. - E-u... Eu não queria ter feito isso... Eu, eu só estava brincando. - Tento me desculpar e me levantar rapidamente, para logo poder afastar aquela minha imagem da sua cabeça.
Que merda!!
Ando para um lado e para o outro, bagunçando o meu cabelo impacientemente. Eu não sabia o que pensar.
- Eu sinto muito, tá bem? Não fique com medo de mim... - Paro na sua frente novamente e me sento ao seu lado, juntando as minhas mãos nas suas e lhe suplicando para que acreditasse em mim. Eu não suportaria, se ela começasse a me temer por causa daquilo.
Ela assente lentamente, balançando a cabeça em afirmativo e olha para baixo, como se estivesse com vergonha de mim. Merda! Mil vezes merda.
- Mel... - A chamo pelo apelido com a voz arrastada e erguendo o seu rosto.
O seu olhar se iguala ao meu e vejo dúvidas perpassando por ele. Eu precisava concertar aquilo, precisava que ela soubesse que eu não era capaz de lhe machucar.
- Me perdoe. Eu não levei em consideração o que você passou. Jamais quis te prender e te tornar impotente... Eu jamais a machucaria. Você sabe disso, não é? Sou eu, o Luke. O mesmo de sempre, que nunca faria nenhum mal a você. - Toco de leve no seu rosto e a vejo assentir.
Eu estava desesperado.
- Eu sei... Luke. - A sua voz também sai arrastada e ela parece pensar no que vai realmente falar. - Eu não fiquei com medo de você, só assustada com a sua força e o seu poder sobre mim... - Ela diz essas últimas palavras, abaixando o seu olhar.
- C-omo assim... Isso é ruim? - Fico sem entender nada, com o que ela quis falar com aquilo.
- Sim... Quis dizer que não lutaria contra você... que confio demais em você, para não me opor. - Ela se levanta rapidamente e vai até a vidraça da varanda, para poder olhar para a rua com os braços cruzados.
Logo, eu me levanto novamente e vou até ela. Eu iria insistir.
- Mas Mel... Se você sabe que eu não faria nenhum mal contra você, porque isso seria algo tão ruim assim? - Fico confuso e toco de leve nos seus ombros.
E quando ela se vira para mim, eu vejo pequenas lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
- Porque confiar demais em alguém, também pode ser a ruina da própria pessoa. - Ela me abraça fortemente e começa a chorar.
Logo, eu simplesmente a abraço novamente e afago o seu cabelo. Não sabia o que estava acontecendo com a Mel e nem o que havia a levado a pensar daquele jeito, mas também não iria insistir naquele momento. O seu bem estar e o seu controle emocional, vinham em primeiro lugar. Assim, depois resolveríamos isso.
- Ei... psiu... Olha para mim. - A chamo novamente e ergo o seu rosto. - O que acha de irmos para debaixo da mesa, feito uma cabana, e ouvirmos "The Beathes - Here Comes The Sun", enquanto pegamos no sono e acordamos no raiar do dia, para irmos surfar? Uma ótima forma de relaxar, não acha? - Ela sorri lindamente para mim, com os olhos ainda banhados em lágrimas, mas assente. - Estamos precisando disso...
Olho para o horizonte, além da escuridão e do brilho da noite.
- Eu acho uma ótima ideia. - Escuto a sua voz abaixo de mim e sinto o meu coração mais leve.
🔸🔸🔸🔸
Feliz Natal meu povo.. atrasado, mas dado kk... 🎄😁🤭❤️👐🏼✨
E aí, como todos estão? Sei que está a conta gota, os capítulos, mas eu prometo dar uma melhorar nisso.. e para recompensar, eu vou posta mais um capítulo hj... Quem está cmg? 😅🙋🏻♀️👁️👁️
°---°
E o Luke.. começando a enxergar a Mel com outros olhos? Sei que eles parecem íntimos demais, para primos.. mas tbm vejam por outro lado, eles cresceram juntos desde pequeno, as brincadeiras eram inocentes; isso, até agr né ? Kk.. 🤭🤭😏 vamos ver até vai essa inocência toda..
Não está longe kk aguentem firme.. 💋🫂
Vamos para mais um capítulo? Tô boazinha demais nessa história kk nenhum conflito 💣😈🥸
Aah... Se atentem a Mel, ela tem um passado não muito bom. Aos poucos, eu tô soltando algumas dicas. 😉😁
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