🔸Capítulo 24🔸
Melyssa Collins
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As aparições do meu suposto padrasto, estavam se tornando cada vez mais frequente. Eu não sabia mais como pará-lo e diminuir a sua vinda. O que também me parecia bem estranho, ele querer vir aqui todos os dias trazer o meu almoço no trabalho. O seu olhar me incomodava bastante e quando falávamos a respeito da minha mãe, ele sempre parecia recluso e querer mudar rapidamente do assunto.
Antes, eu pensei que a perda dela na sua vida ainda o machucasse, porém, ele descrevia muito bem os seus dias seguintes, como se não sentisse nada após a morte da minha mãe. A sua recusa em falar dela me incomodava. Se o que nos uníamos era ela, o que estaríamos fazendo agora, sentados na minha sala e almoçando? Eu não entendia. Eu precisar esclarecer aquilo.
- Senhor Waldemir, o que você realmente quer? - deixo o meu baguete de lado e o olho com curiosidade; os meus ombros queriam relaxar, mas eu nunca conseguia fazer isso na sua presença. Eu só aceitava aqueles encontros, por considerar a memória da minha mãe; mas nada daquilo me parecia certo.
Ele me olha intensamente e lambe os lábios, tirando um pouco do molho que estava no seu bigode. Ele parece estar ponderando e analisando a minha pergunta.
- Como assim, Melzinha? Eu não posso mais trazer um pão recheado para a minha afilhada. - Ele tenta desviar a minha atenção para o nosso parentesco.
- Não. Sim! Quer dizer... tudo isso. - Me enrolo um pouco nas palavras, mas me indireto e retomo mais uma vez o controle da minha fala. - Estou me referindo a esses encontros. O que você quer com tudo isso? Falar da minha mãe, você não quer..., mas ainda insiste em quere vim me ver e trazer almoços para falar de coisas aleatórias e de como estou. Eu nem me recordo de você direito. Não sei se deveríamos continuar com isso. - Decido ser sincera de uma vez. - Acho melhor você seguir com a sua vida e eu com a minha. Como o senhor bem ver, já consigo me virar sozinha. Não precisa se preocupar comigo, pode tirar esse peso de você.
Ele me encara mais um pouco e não falar nada. Ele está estranhamente calmo e controlado. O que estranho, ele sempre me retruca, quando tento o por limites. Espero pela sua resposta, mas ele nada diz.
- O senhor me ouviu? - Indago, erguendo uma sobrancelha e duvidando que ele possa ter perdido a audição.
Logo, ele sorrir balançando a cabeça e a ergue, para me olhar.
- Ouvi, mocinha. - Ele passa a mão na barba e bate no chapéu, tirando os pequenos farelos de pão que haviam caído nele. Amassando o papel da comida, ele se ergue, me deixando confusa com as suas recentes ações.
- E então, tudo bem por você? - Pergunto receosa sobre ele ter entendido realmente o que falei. - Olha, não quero parecer ingrata, nem nada, mas acho que é melhor assim. Não temos muitas coisas para nos unir agora. Você está bem, eu estou bem e está tudo certo agora, não acha?
- Se você diz. - Ele bota o chapéu na cabeça e me olha mais uma vez, como se estivesse pensando no que falar. - O passado ficou incerto, garotinha; não tem como deixá-lo para trás. - O seu olhar meio que semicerra para mim e parece ter ficado ainda mais sombrio. - Quem sabe a gente ainda não se esbarra por aí. Se cuida, Melzinha. - Ele assente com a aba do chapéu e se vai pela porta, sem me deixar tempo para indaga-lo.
Merda! O que ele quis dizer com tudo isso?
- É uma droga, não lembrar do meu passado. - Fico com raiva de mim mesma, por não me recordar de nada daquele tempo.
Porque eu não conseguia ser amiga dele? Eu não era tão má assim. Era só um padrasto querendo manter o contato afilhada. Ele em nenhum momento veio me pedir dinheiro ou algo do tipo; embora ele sempre ficasse impressionado com o tanto de grana que a minha mais nova família tinha. Porém, ele só me parecia curioso com toda a minha vida; sobre o que eu fazia ou não dela. Nada demais, não é?
Merda. Eu sempre ficava confusa com tudo isso. Assim, decidir logo jogar o resto do meu baguete fora e ir comprar alguma outra coisa nas barraquinhas da frente. Iria me dá tempo para pensar e espairecer.
Nada como um bom pastel, com caldo de cana. O dia estava escaldante, mas com um vento maravilhoso. Vejo um pequeno banco perto da praça e me caminho até ele, para poder relaxar na sombra e comer. Os meus dias tem sido tão sozinha, que aprendi até apreciar melhor a minha própria companhia. Porém, isso não quer dizer que eu não quisesse ter o Luke agora do meu lado.
A Ravena até que tentava me animar e me chamava para fazer as coisas com ela, mas eu acho que eu iria acabar tirando o sorriso e dela e fazendo-a chorar juntamente comigo. Assim, preferir sofre o meu luto romântico, sozinha. Estranho falar dessa forma, porque eu ainda continuava amando inegavelmente o Luke. As suas fotos constantemente rolavam pelo visor da minha galeria e eu só conseguia pensar nas baboseiras que ele me falava só para me ver feliz, assim, como nos seus beijos e sorrisos fáceis, quando queria se enroscar no meu pescoço e ficar de conchinha comigo em uma noite fria. Ele sempre soube como me fazer se sentir bem e agora, ele saberia como fazer me sentir feliz; sendo como o meu namorado ou como alguém da minha família. E eu precisava dele agora.
E decidindo naquele momento que eu precisava dele, eu o liguei novamente, tentando mais uma vez falar com ele. A cada chamada que tocava no celular, o meu coração se acelerava ainda mais, na esperança dele ainda poder me atender. Vamos Luke, me atenda!
- Tummmmmmmm... - chamando.
- Tummmmmmmm... - chamando.
- Tummmmmmmm... - chamando.
- Tummmmm... - A ligação fica muda, mas logo depois consigo ouvir uma voz.
- Alô? Quem é? - Escuto a voz de quem eu tanto queria ouvir há dias. Por alguns segundos, eu fiquei em silêncio, absorvendo aquele delicioso timbre da sua voz, que conseguia ser aveludada quanto penetrante ao mesmo tempo. - Quem está aí? Eu posso ouvir a sua respiração daqui. - Ele fica meio que enraivecido e logo descido por falar de uma vez.
-Hum... Oi, Luke. - Sussurro, na altura da coragem que eu estava para falar com ele naquele momento.
- Mel?? - Ele pergunta meio surpreso e expectante.
- Sim... É... me desculpa por eu estar te ligando de um número privado, mas essa foi a única forma que eu conseguir de chegar até você. - Respiro fundo, para continuar falando. - Você disse que eu ainda poderia falar com você, caso eu precisasse de ajuda... E bem, eu acho que estou.
- O que aconteceu, Mel??? Voc-ê, você está bem? Onde você está? - Ele rapidamente me pareceu mais preocupado e mais atento ao som da minha voz.
- Eu, eu estou bem, Luke. Eu só... - Suspiro e digo logo de uma vez onde estou, para que ele não se preocupasse com antecedência. - Eu estou em uma praça, que fica bem próxima do meu trabalho. Vim aqui fora, para poder comer alguma coisa.
- Bem... e qual é o problema nisso? - Ele ainda não conseguia entender.
- É que acabei de ter um encontro péssimo lá dentro e decidir sair, para tomar um ar fresco e pensar melhor.
- Sim. E você me ligar agora para falar dos seus encontros, dona Melyssa??? Faça-me o favor, você quer o quê? Me estraçalhar ainda mais? Já não me humilhou o bastante, não? Tem que me fazer de palhaço também? - Ele esbraveja irritado, preste a desligar o telefone na minha cara. Porém, eu tento ser mais rápida do que a sua ação.
- FOI O MEU PADRASTO, LUKE!! MEU PADRASTRO! Você me ouviu? Foi o meu padrasto... - começo a diminuir o tom da minha voz, ao notar que ele ainda estava na linha. - Ele decidiu por fim, aparece do nada no meu trabalho... já faz uma semana que ele vem vindo me visitar.
- Seu padrasto? E como foi que ele conseguiu te encontrar? - A sua voz agora estava mais mansa e indagatória. - Como ele sabe onde você trabalhar? Muito estranho isso...
- Eu... Eu não sei. De acordo com ele, foi com as minhas fotos nos jornais, após o desfile da Victória Prado. Uma pesquisinha ou outra na internet e ele me achou. - Digo sem saber ao certo a respeito de tudo isso.
- E o que ele queria com você? Ele te pediu dinheiro? Ele te ameaçou? Por Deus, Melyssa! Por que você não me ligou antes... Nem sabemos quem esse cara é? Você era uma criança, quando a sua mãe morreu e ele nem te procurou antes... porque isso agora? - Ele parecia ainda mais confuso que eu, porém com as mesmas questões. "Porque agora?"
- Eu... eu não sei, Luke. Eu também estou confusa com tudo isso. Ele na hora me parecia ser uma pessoa confiável. Não me pediu dinheiro... E quando eu pensei que poderia ter mais pistas e memórias do meu passado, eu aceitei a sua visita e almoçar todos os dias com ele. Porém, algo me fazia ficar com o pé atrás com ele. - Suspiro fundo, buscando algum motivo plausível para tudo aquilo. - Eu tinha medo dele, eu lembro que sempre me sentia insegura na sua presença.
O Luke fica em silêncio e eu continuo.
- Eu juro que tentei me lembrar de alguma coisa daquele tempo, Luke, mas quase nada me vem à memória. Pequenos flashes dele na minha casa e eu me escondendo dele, são claras, mas elas nunca duravam por muito tempo, para eu saber realmente a verdade. Não sei te dizer se estávamos brincando ou, se eu estava fugindo dele. - Sinto-me esgotada com tudo aquilo. - Eu juro que queria me lembrar... Será que eu sou uma má pessoa por duvidar dele e não querer o ver mais? E se ele só for um bom padrasto arrependido e está querendo reatar uma amizade ou a nossa antiga relação? Eu não sei o que pensar, Luke... você ainda está aí? - Indago preocupada com o seu silêncio. "Será que ele desligou e eu estava falando sozinha?"
Passam-se alguns segundos, até que finalmente ele fala alguma coisa e me responde.
- Sim, estou.
Ele pausa por mais algum tempo e diz:
- Droga, eu não deveria voltar a me envolver com você..., mas, mas isso é diferente. Eu iria ser apenas o seu primo, que só fala cordialmente e te ajuda em algumas encrencas da vida; porém, isto está além de uma ajuda qualquer, Mel... Você pode estar realmente em perigo. - Ele fala sério e me deixa ainda mais preocupada.
- C-omo assim, Luke? - Fico em alerta com o que ele me disse no final.
- Ok, pensa comigo. O seu suposto padrasto some, quando a sua mãe morre e te deixa ao léu, na hora que você mais precisa. Você era uma criança, precisava de abrigo, amor e carinho. Se ele fosse realmente um bom pai ou pelo menos uma boa pessoa, iria ao menos ter se preocupado de achar um bom lugar pra você; o que nem isso ele fez. E agora, do nada, ele volta. Sem falar, que quem garante que ele nunca teve envolvido com alguma merda, para ter fugido por tanto tempo assim? Isso não está certo, Mel. Esse cara não me cheira a coisa boa e você também senti isso. - Ele me adverte e faz eu ter a plena certeza de confiar nos meus instintos.
Eu sabia que tudo aquilo com o meu padrasto não estava certo e que deveria ter ligado para o Luke. E acertei nisso também. O Luke me entendia e sabia me dizer as coisas certas na hora certa; ele era a minha âncora na hora da verdade e uma brisa fria, para me refrescar. Sabia que sempre poderia confiar nele.
- Você está certo, Luke...você sempre está. - As minhas palavras saem aveludas e com todo o peso que elas têm. Um silêncio se faz presente e fico com medo de que ele ainda possa desistir de me ajudar. - Crum!! E então, o que devo faze agora? Eu já o dispensei e disse que não daria mais para nós nos vermos. Você acha que ele ainda vai me procurar?
- Eu... Eu não sei, Mel; mas acho que você deveria tomar cuidado. Não sai de casa sozinha e não fica andando em ruas esquisitas a noite. O seu... o seu carro ainda está pegando bem? - Ele parece estar com dificuldades de me perguntar aquilo, pois, provavelmente ele estava se recordando dos dias que teve que me trazer de casa para o trabalho, só para ficarmos mais um tempinho juntos.
Sei que se falasse que não para ele agora, ele passaria a me levar, só para ter certeza que eu estava segura. Porém, eu não iria mentir e jogar com ele assim, só para o ter mais perto de mim. Ele não merecia ter mais uma decepção comigo.
Então:
- Sim... ele está pegando. Não se preocupe, eu irei com os vidros fechados e pedirei para o segurança, o senhor Charles lá do hotel, guardar o meu carro. Tomarei cuidado. - Suspiro, para não parecer tão desanimada e triste, por ter um carro funcionando perfeitamente bem. - E eu pensando que estava conseguindo progredir alguma coisa com as descobertas do meu passado, pensei que ele realmente pudesse me ajudar...
- Mas você progrediu, Mel. - A sua voz sai doce, como se estivesse ficando tão melancólica quanto eu. - De alguma forma a aparição dele te trouxe algumas memórias, porém, parece que as vezes você as bloqueia, como se não quisesse lembrar algo. Você já pensou em procurar um terapeuta para te ajudar com as memórias? Possa ser que isso te ajude... já que você quer tanto, saber quem era a sua mãe e a sua vida antes da gente... digo, antes de... você sabe, do seu pai, da tia Kat e da Nella.
Ele parece ter ficado nervoso, mas eu o entendo e ele tem razão, nunca tinha pensado nisso. Uma terapia seria uma boa, mas eu tenho um certo medo de acabar descobrindo alguma coisa que eu não gostaria de saber.
E como uma forma de nervosismo, eu logo começo a cutucar a minha unha.
- Melyssa Collins... Eu estou ouvindo os seus neurônios funcionando a mil por hora e os seus dedos se enroscando um no outro. - Ele me adverte, sabendo quem realmente eu era. - Olha, eu posso... eu posso ir com você, se você quiser. Eu fico na cadeira, do lado de fora. Irei como apoio, para você se encorajar a ir. Estarei lá para te ajudar, caso precise. - Ele fica meio que em silêncio, como se estive nervoso por ter do nada sugerido isso. - Eu prometi, não foi?
Sorrio internamente pelo seu nervosismo e sinto um pequeno lampejo, por ele está se esforçando muito em me ajudar. Talvez nem tudo esteja perdido entre a gente.
- É claro!! Eu quero muito. - Digo entusiasmada demais e logo me corrijo, diminuindo o tom da minha voz. - Eu... eu quis dizer, seria ótimo que você estivesse comigo nesse momento. Obrigada.
Ficamos em silêncio mais uma vez e agora é ele, quem se pronuncia primeiro.
- Ok. Então quando marcar a consulta com o terapeuta, me avisa. Não precisa mais me ligar de um número desconhecido. Eu irei atender. - Ele dá um leve sorrisinho na ligação e eu também. - Se cuida, Mel. -Sua voz sai pedinte e ao mesmo tempo. carregada de sentimentos.
- Está bem, você também, Luke. - Digo com as mesmas emoções e por fim, encerramos a ligação.
Logo, eu suspiro fundo e tento recapitular tudo aquilo que falamos e os sentimentos que demostramos, em casa palavra dit.
Eu ainda o amava, eram um fato. Mas e o cuidado dele para comigo, ainda significava alguma coisa?
E a Fernanda, será que ele ainda estava com ela? Será que ele já a amava?
Mordo um pedaço do meu pastel com raiva e deixo a minha felicidade em ter o ouvido a sua voz de novo, por um ciúme que sempre me corroía por dentro.
Que se dane, o Luke ainda era meu! Mesmo que não fossemos do jeito que gostarias de ser.
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Olá, meus lermores! Correria por aqui, mas não esqueci de vocês.. só peço desculpas pelo atraso, é que estou organizando o lançamento do meu primeiro livro e está tudo muito puxado. Hehe 😍🙈🙈✨ E claro, assim que ele estiver a venda.. irei divulgar aqui tbm. Assim, como tbm falarei mais lá no insta @islalins.livros.
Voltando a nossa querida Mel... 😚🧡
Quem estava com saudades da interação dela com o Luke? Será que agr vai e eles podem voltar a ter pelo menos alguma amizade?👀
E esse padrasto da Mel... Concordam com o Luke? Ele é um fofo, por ainda se preocupar com a Mel. 🥹
Só para não passar despercebido um tema.. certos traumas, fazem algumas pessoas bloquearem a memória daquele acontecimento.. ainda mais, quando se é criança e não se sabe de muita coisa. O mais indicado, é procurar um especialista, para te ajudar a recuperá-la e superá-la. Os traumas não devem dirigir a sua vida. 😉👐🏼(Se alguém quiser conversar sobre, tbm sou uma boa ouvinte. Responderei todas.)
Até a próxima, amorecos! 🥰
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