33° Bobo apaixonado
A festa continuava animada, um reflexo do amor e da alegria que permeavam aquele dia tão especial. A vinícola estava viva com risos, conversas e o som suave da música que preenchia o ar. A banda tocava ao vivo, fazendo os convidados se moverem ao ritmo das melodias italianas. A música, que era uma mistura de folk e melodias clássicas, dava um tom acolhedor à celebração, enquanto os acordes de violino e acordeão se entrelaçavam com as risadas e o burburinho da festa.
As crianças corriam pelo campo, suas risadas e gritos de alegria se misturando com a melodia, criando uma atmosfera mágica, como se o tempo tivesse parado naquele lugar. Elas brincavam entre as fileiras de videiras, subindo nas árvores e explorando cada canto, enquanto os pais e avós observavam com carinho, atentos às pequenas travessuras.
Os adultos, por sua vez, estavam desfrutando de um momento de confraternização, degustando os vinhos premiados da vinícola. Taças de cristal se enchiam e se erguiam em brindes, enquanto os mais velhos compartilhavam histórias do passado e os mais jovens, como Alice e Alessandro, estavam envolvidos em conversas animadas sobre o futuro.
Alice e Alessandro, que haviam se afastado um pouco da festa para desfrutar da tranquilidade do campo, agora retornavam lentamente para o centro da celebração. O calor da noite estava suavemente presente, trazendo uma sensação de aconchego. A luz suave das velas iluminava o ambiente, criando um cenário encantado, quase como se saído de um sonho.
Ao se aproximarem da mesa principal, Alessandro pegou a mão de Alice, com um sorriso que dizia tudo sem necessidade de palavras. Eles sabiam que aquele momento, aquele lugar e aquelas pessoas estavam marcando algo especial em suas vidas.
Os olhares dos convidados, sorrindo para o casal, confirmavam o que eles já sabiam. Estavam rodeados por amor, e esse amor não era apenas o de um casal, mas o de uma família inteira que celebrava não apenas bodas, mas a continuidade de uma história, a perpetuação de vínculos que atravessavam gerações.
Os risos continuavam a ecoar, a música parecia se intensificar com o passar das horas, e a festa se desenrolava sob um céu estrelado, refletindo a beleza de um amor que havia resistido ao tempo e agora começava a germinar em novos corações.
Enquanto isso, a festa continuava, com todos os presentes imersos no clima de celebração, regado a vinho, histórias, danças e, acima de tudo, a felicidade de estarem juntos, celebrando as bodas de 50 anos de um amor eterno, um amor que agora inspirava os mais jovens, como Alice e Alessandro, a acreditar em seus próprios futuros cheios de possibilidades.
Alice olhou ao redor, absorvendo a atmosfera acolhedora da festa enquanto sentia uma vontade inusitada, um desejo que só as gestantes podem entender: uma vontade incontrolável de saborear algo doce, algo que parecia estar chamando sua atenção desde que chegou à vinícola. Seus olhos brilharam ao avistar uma mesa decorada com delícias típicas da Toscana, onde se alinhavam vários doces artesanais feitos com ingredientes frescos da região. O cheiro do açúcar e das frutas maduras no ar a fazia salivar.
Ela tocou suavemente a barriga, sorrindo com a ideia de que sua gravidez estava trazendo esses pequenos caprichos. E naquele momento, o desejo por um doce típico parecia irresistível.
— Alessandro... — ela disse, com um sorriso travesso, voltando-se para ele. — Acho que vou precisar de algo doce. Um capricho de grávida, sabe?
Alessandro olhou para ela com carinho, já conhecendo os caprichos e desejos que surgem na gravidez. Ele riu suavemente, tocando sua mão.
— O que você tem em mente, carinho?
Alice apontou para uma mesa próxima, onde havia uma variedade de doces tradicionais da Toscana, como cantucci (biscoitos de amêndoa) e castagnaccio (bolo de castanha).
— Aqueles biscoitos de amêndoa, cantucci, e talvez um pedaço daquela torta... Ah, e quem sabe uma fatia de ricciarelli também.
Alessandro sorriu, percebendo a paixão nos olhos dela pela comida. Ele foi até a mesa, trazendo para ela um prato com alguns dos doces que ela mencionara, cuidadosamente escolhidos e preparados, como se soubesse exatamente o que ela precisava para satisfazer o desejo de grávida.
Ela pegou uma fatiado bolode castanha, e os biscoitos de amendoa derretendo na boca, e imediatamente fechou os olhos, sentindo uma onda de prazer. O gosto era absolutamente delicioso. Alessandro observou-a, com um olhar de satisfação, vendo como o momento parecia deixá-la completamente feliz.
—Isso é maravilhoso! — Alice comentou com um sorriso, depois de saborear o doce. — Acho que vou querer mais uma fatia.
Alessandro riu, mas com um gesto atencioso, fez o pedido ao garçom, sabendo que, no fundo, esse era apenas um pequeno prazer que fazia parte da grande aventura que estavam vivendo juntos. Enquanto isso, a festa continuava ao redor deles, mas Alice e Alessandro estavam imersos naquele pequeno momento de prazer simples e doce, compartilhado sob o céu estrelado da Toscana.
A festa na Toscana ganhou um novo ritmo quando, de repente, uma roda começou a se formar no centro do campo. As mulheres, com os rostos iluminados pela luz suave das velas, seguravam lenços azuis nas mãos. O som da música italiana, "Sara Perché Ti Amo", começou a tocar suavemente, preenchendo o ambiente com sua melodia alegre e envolvente.
Os convidados, encantados com a cena, começaram a se aproximar para assistir ao espetáculo espontâneo. As mulheres começaram a dançar, suas saias rodopiando e os lenços azuis se movendo graciosamente no ar, criando uma coreografia improvisada que parecia tão natural quanto o vento suave que soprava das colinas ao fundo.
Alice e Alessandro, tomados pelo momento, trocaram olhares cúmplices. A energia da dança estava no ar, e a alegria daquelas mulheres era contagiante. Não resistindo à energia positiva que tomava conta do ambiente, Laura, a mãe de Alessandro estendeu a mão para Alice com um sorriso encantador.
— Vamos? — ela perguntou, com um brilho nos olhos.
Alice, sem hesitar, aceitou a mão dela, e juntas se juntaram à roda. Ela sentiu seu coração acelerar, não apenas pela dança, mas pela conexão que havia entre eles, aquele momento de pura alegria e leveza.
A música acelerou, e as mulheres começaram a cantar junto, criando uma harmonia entre a música, os passos rápidos e os risos. Os lenços azuis, agora balançando ao ritmo da melodia, adicionavam uma sensação de festa e união. Os homens, que observavam a cena com olhares divertidos e admirados, começaram a se juntar aos pares, criando um círculo maior, com todos dançando e rindo juntos.
O cenário estava perfeito: as colinas verdes da Toscana como pano de fundo, a noite começando a cair suavemente sobre o campo, e as estrelas começando a surgir no céu claro, como se estivessem comemorando aquele momento também.
Alice se sentia radiante. Ela dançava, deixando-se levar pela energia da festa. O calor do seu corpo se misturava com o da música, a alegria da dança se espalhava, e o mundo parecia desaparecer ao redor deles, deixando apenas o som da música e o toque suave das mãos.
O momento foi mágico e sem pressa. As danças seguiram até tarde, com risos, abraços e celebrações. E, no meio de tudo aquilo, Alice sabia que estavam construindo memórias que ficariam com ela para sempre. Algo tão natural quanto aquele baile, um amor leve, com uma dança que, como o próprio amor, nunca precisava de palavras.
— Você parece um bobo apaixonado. — A voz de Eros se fez presente chamando a atenção de Alessandro.—
Alessandro virou-se para Eros, um sorriso suave nos lábios enquanto falava, seu tom cheio de sinceridade.
— Talvez seja porque estou... — ele pausou, os olhos brilhando enquanto olhava para Alice, que dançava ao fundo, imersa na alegria do momento. — Eu nunca cogitei que poderia me apaixonar duas vezes pela mesma mulher, duas vezes na vida.
Eros, que até então observava com uma expressão enigmática, arqueou uma sobrancelha e deu um pequeno sorriso, como se estivesse apreciando o que Alessandro acabara de dizer.
— Isso é algo raro, sabia? Muitas pessoas passam uma vida inteira sem experimentar algo tão profundo e verdadeiro como o que você tem com ela. — Eros respondeu, com uma leveza que só ele possuía. — Eu vi você no começo, no início de tudo... e agora vejo você aqui, completamente transformado. Quem diria que o Alessandro de antes se renderia assim?
Alessandro sorriu, não apenas por causa da provocação de Eros, mas porque ele sabia que as palavras eram verdadeiras. Quando pensava no seu passado, no que ele era antes de Alice entrar em sua vida, ele mal reconhecia aquele homem. Ela havia mudado tudo para ele. A maneira como olhava o mundo, a forma como seus dias agora tinham um propósito mais claro. Ele se sentia como se tivesse recomeçado a viver, e aquele recomeço tinha nome: Alice.
— Talvez eu tenha me tornado um pouco bobo, como você disse. — Alessandro respondeu com um sorriso mais largo, o coração mais leve. — Mas, se ser bobo é o que significa amar a Alice da forma que eu a amo, então não tenho vergonha nenhuma disso.
Eros balançou a cabeça em sinal de aprovação, claramente satisfeito com a resposta do primo.
— O amor tem esse poder, não é? Ele nos faz ver o mundo de outra forma. E, no seu caso, acho que ele te fez ver a Alice não apenas como a mulher com quem você quer passar a vida, mas também como aquela que te fez nascer de novo.
Alessandro não disse nada por um momento, mas apenas observou Alice dançando, sorrindo, livre e feliz. A imagem dela ali, entre as luzes suaves e o ritmo da música, era tudo o que ele precisava. O mundo ao seu redor poderia estar em constante mudança, mas aquilo, aquele momento e aquele amor, era a única certeza que ele precisava.
— Ela é tudo o que eu sempre procurei, mas não sabia que precisava. — Alessandro disse, com uma voz mais baixa, quase um sussurro, mas cheio de significado.
Eros riu suavemente, como se tivesse visto algo que todos poderiam ver, mas nem todos conseguiriam compreender da mesma forma.
— Bem, eu não tenho mais nada a dizer, Alessandro. Só aproveite, e seja feliz... Você merece... — Eros deu-lhe um leve toque no ombro, antes de se afastar, sabendo que as palavras já estavam ditas, e que a caminhada de Alessandro agora seguia um novo caminho, com Alice ao seu lado.
Alessandro, com a alma tranquila e o coração em paz, voltou a olhar para a mulher que amava, com o sorriso mais genuíno. A noite estava apenas começando, e ele sabia que, ao lado de Alice, poderia dançar pela vida inteira.
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