28° Acontecimentos
Todos à mesa se calaram instantaneamente, o som da taça sendo colocada sobre a mesa ecoando por um momento. O tom de voz de Alessandro, sério e afetuoso, chamou a atenção de todos. Alice olhou para ele, sentindo um turbilhão de emoções dentro de si. Ela sabia o que estava prestes a ser dito, mas não sabia como os outros iriam reagir. Era um momento delicado, mas, ao mesmo tempo, necessário.
Vitorio, sempre atento e protetor, inclinou-se para frente, seu olhar curioso.
— O que está acontecendo, filho? — Ele perguntou com um sorriso tranquilo, mas havia uma pitada de preocupação e curiosidade em sua voz. — O que vocês querem nos contar?
Alessandro olhou para Alice mais uma vez, como se estivesse buscando um pouco de conforto nos olhos dela, antes de continuar.
— Bem, o que eu e Alice queremos dizer é... que estamos esperando um filho. — Ele falou devagar, de forma clara, para que todos entendessem a gravidade e a importância do momento. — Alice está grávida. E, embora nossa relação seja baseada em amizade e respeito, sentimos que é o momento certo para dividir isso com vocês.
O silêncio pairou por um instante. Alice, que estava com as mãos entrelaçadas sob a mesa, sentiu uma mistura de nervosismo e alívio. Ela sabia que a situação não era simples — afinal, ela e Alessandro não estavam namorando de forma tradicional, mas tinham uma relação sólida e uma amizade que os unia. E agora, com a gravidez, tudo seria diferente. Eles teriam que lidar com isso juntos, como uma família, de uma maneira que se sentissem confortáveis.
— Gravida! — a voz de Leonel pairou no ar olhando de Alessandro para Alice.— Minha filha está gravida?
— Pai, deixa eu explicar ok.
— Sim, por favor... Acho que merecemos uma boa explicação... Nós viemos aqui achando que finalmente Alessandro iria se declarar, e pedir sua mão em casamento... E eu descubro quer vou ser avô.
— Pai, as coisas nem sempre acontecem da maneira que queremos... — disse Alice um tanto nervosa — Alessandro e eu nos conhecemos a muitos anos... E somos bem mais que amigos.
— Vamos pular essa parte e ir ao que interessa querida. — falou Leonel, não querendo ouvir sobre a intimidade de sua filha.—
— Algumas semanas atrás, Alessandro havia se declarado para mim, e falou que me daria um tempo para pensar... Ele queria algo serio... Ele queria algo mais... Mas logo depois ele sofreu o acidente de carro, e se esqueceu de algumas coisas importantes que aconteceu... E então eu descobri que estava gravida. — Alice falou com a voz meio embargada, tentando não chorar. Ela não queria estragar o jantar, nem a noite maravilhosa na casa da família Panagazzi.—
— Eu me declarei para você? — Alessandro perguntou para Alice, tão surpreso quanto os outros, e ela apenas assentiu com a cabeça antes de continuar falando.—
— Pai, eu amo ele, sempre amei... Mas nunca tive coragem de admitir... Eu não entendo por que está bravo, o senhor mesmo falou que ele era um bom partido e tal.
— Eu não estou bravo... Só estou chocado por saber que serei avô... Eu amo você filha, e quero a sua felicidade...E eu quero um homem bom ao seu lado... Só achei que você teria um filho logo depois do casamento, e não o contrario....
Enquanto Alice tentava esclarecer as coisas para o Pai, Alessandro sentiu um aperto no peito, e o mundo girar. De repente, flashes e memórias começaram a invadir a mente de Alessandro, como se o tempo tivesse decidido se dobrar e revelar o que estava oculto. Imagens confusas e distorcidas tomaram conta de sua visão, lembranças de momentos passados com Alessandro, de olhares trocados, de palavras não ditas. O mundo ao seu redor pareceu parar por um instante, um silêncio profundo preenchendo o espaço, como se tudo ao seu redor tivesse sido suspenso, congelado na tensão do momento.
Ele tentou se concentrar, mas as memórias eram intensas e fragmentadas. O toque de Alice, seu sorriso, a proximidade que sempre sentira, mas nunca soubera como interpretar... Tudo se misturava em uma dança de sentimentos e sensações que a deixava atordoada. Por um breve momento, parecia que ele havia perdido a noção do presente. O que estava acontecendo com ele?
E então, como se as lembranças tivessem se tornado algo tangível, ele viu se levantou abruptamente da cadeira, um movimento brusco que fez seu coração acelerar. Ele levou a mão à cabeça, os olhos fechados com força, como se estivesse lutando contra uma dor invisível. Seu peito subia e descia com respirações profundas, mas não havia alívio, só uma sensação crescente de angústia. Ele estava em conflito, perdido em algo que nem ele conseguia entender.
—Eu estou cansado de fugir, Alice. Cansado de fingir que não sinto nada... Você não sai da minha cabeça, nem por um segundo... Eu estou cansado dessa amizade colorida... Você não tem ideia do quanto eu gosto de você... Eu sou louco por você... Mas, eu não significo nada para você... E eu não quero mais isso pra mim... eu quero algo serio... Eu quero sossegar... Mas, você me empurra para longe. Por que você me empurra para longe, por que não pode aceitar o meu amor...
— Porque eu tenho medo... De te machucar. De não ser o suficiente.
— Então pare de fugir, Alice. Apenas... Pare. Aceite o meu amor...
— Eu não sei o que dizer...
— Alice, eu gosto de você... Gosto muito.. Mas não posso mais me perder em algo que eu sei que não posso ter... Hoje... Hoje você será minha mulher, Alice. Nem que seja por uma última vez. Depois disso... Se você não quiser nada comigo... Eu vou te deixar em paz. Não vou te cobrar, nem exigir nada que você não queira. Você está livre para fazer o que quiser. Para viver a sua vida... para ser feliz... mas, eu também vou seguir a minha...
— Do que você está falando?
— Não diga nada, Alice... Por favor. Só me deixe mostrar o quanto você significa para mim... O quanto eu te amo...
Antes que ele pudesse reagir, o ambiente ao seu redor ficou turvo, como se a realidade estivesse se desfazendo em pedaços. O som do seu próprio coração batendo era o único que preenchia seus ouvidos, e então, tudo ficou escuro.
Por um momento, Alessandro não sabia se havia desmaiado, se estava sonhando, ou se o tempo tinha simplesmente parado. A escuridão que o envolvia era espessa e impenetrável, como um vazio absoluto, um abismo sem fim. Sua mente, desorientada, tentava se encontrar, procurando um ponto de ancoragem, algo familiar para reconectar-se com a realidade. Mas, em vez disso, tudo o que ele sentia era um peso crescente em seu peito, um aperto que não sabia de onde vinha, seria medo? Dúvida? Ou seria algo ainda mais profundo, a sensação de perda iminente?
Quando a escuridão começou a se dissipar lentamente, Alessandro se viu em um lugar familiar, mas ao mesmo tempo estranho. Estava deitado na cama do seu quarto, rodeado por uma aura de calma, mas também por uma sensação de inquietação. Ele não se lembrava de como havia chegado ali, mas as memórias dos últimos acontecimentos estavam vívidas em sua mente. A confusão, a revelação sobre a gravidez de Alice, o medo, e a intensidade do que ele sentira... tudo isso ainda estava claro em sua mente.
Foi quando uma voz suave, mas cheia de preocupação, cortou o silêncio.
— Querido, você finalmente acordou. — Era a voz de sua mãe, Laura, que estava sentada ao seu lado, seu rosto carregado de um misto de alívio e apreensão. — Você nos deu um grande susto, mocinho.
Alessandro piscou, tentando focar sua visão e entender o que estava acontecendo. Sua cabeça ainda girava, mas havia algo nele que o forçava a perguntar.
— Mãe... onde... onde está ela? Alice... eu... — sua voz saiu fraca, quebrada pela preocupação, e seus olhos buscavam desesperadamente a presença dela.
Laura se inclinou para frente, colocando uma mão suave sobre a de Alessandro. Seus olhos mostravam uma tristeza contida, mas também uma grande paciência.
— Calma, querido. Alice está no seu quarto descansando. Ela passou mal logo depois que você desmaiou. Fiquei muito preocupada, mas não se preocupe, Vitorio levou ela para o quarto dela. Ela se assustou muito com tudo, e Julia... Bem, a Julia também ficou bastante preocupada com a filha dela, é claro. Uma grávida não pode passar por sustos assim.
As palavras de sua mãe chegaram até ele, mas o nó em seu estômago não desapareceu.
— Ela... está bem? — perguntou ele, finalmente encontrando forças para se sentar na cama. Sua cabeça ainda estava pesada, mas ele não conseguia esperar mais. Ele precisava ver Alice, precisava ter certeza de que ela estava bem.
— Ela está bem, Alessandro. Mas, depois de tudo o que aconteceu, eu acho que ambos precisam de um momento para digerir tudo. Você precisa descansar também, querido. Acho que tudo isso foi muito para o seu corpo.
Alessandro olhou para ela, sua mãe tentando ser o pilar de força que ele precisava naquele momento. Mas ele sabia que não poderia descansar até ter a certeza de que Alice estava bem, de que tudo ficaria bem.
— Mãe, eu preciso ver ela...
Ele se levantou com esforço, quase tropeçando enquanto caminhava até a porta. Seu corpo estava fraco, mas sua mente estava completamente focada no que importava agora. Alice. Ele precisava vê-la, falar com ela. Havia tantas coisas não ditas entre eles, mas ele não queria mais se esconder. Ele não queria mais fugir do que sentia.
Assim que Alessandro entrou no quarto, um silêncio suave envolveu o ambiente. A luz fraca da noite, filtrada pelas cortinas, banhava a sala com uma tonalidade dourada e serena. Ele caminhou lentamente até a cama, seus passos silenciosos no chão de madeira. No centro da cama, Alice estava deitada, completamente relaxada. Sua respiração era calma e tranquila, a suavidade de seus suspiros preenchendo o espaço como uma melodia suave.
Seu rosto estava iluminado de uma maneira quase etérea, como se a luz da noite dançasse delicadamente sobre ela. Seus cabelos estavam espalhados sobre o travesseiro, alguns fios caindo sobre seu rosto, mas ainda assim, ela parecia mais serena do que nunca. As linhas de sua face, perfeitamente esculpidas, pareciam suavizar o estresse e a preocupação que ele sabia que ela estava carregando, pelo menos por aquele momento. Seus lábios, ligeiramente entreabertos, davam uma impressão de paz, como se, naquele instante, nada no mundo fosse mais importante do que o silêncio que os envolvia.
Alessandro ficou parado por um momento, observando-a. Ele se perdeu na beleza dela, como se o tempo tivesse parado e ele fosse o único espectador dessa cena perfeita. Sentiu uma onda de emoções misturadas, um turbilhão de carinho, admiração e, ao mesmo tempo, um profundo desejo de protegê-la. Ela parecia tão vulnerável, tão pura naquele sono, e ele sabia que a vida que eles estavam prestes a construir não seria fácil, mas ver Alice assim, tranquila e sem preocupações, fez com que seu coração se aquecesse.
Ele se aproximou com cautela, como se temesse quebrar aquele momento de paz. Quando chegou perto, olhou para seu rosto por mais alguns segundos, sentindo uma necessidade crescente de tocá-la, de estar mais perto. Com um gesto suave, ele afastou um fio de cabelo que caía sobre os olhos dela, seu toque delicado, quase como se estivesse tocando algo precioso demais para ser danificado.
Alice se mexeu ligeiramente, como se estivesse sentindo a presença dele, e um sorriso suave formou-se em seus lábios enquanto ainda dormia, talvez um reflexo do amor que estava crescendo entre eles. Alessandro, com o coração apertado, se inclinou para a frente, colocando uma mão na beirada da cama, e olhou para ela com um sentimento de dor e carinho ao mesmo tempo.
Ele não queria acordá-la, não queria interromper o momento em que ela estava tranquila e sem preocupações. Mas, ao vê-la ali, deitada, tão vulnerável, ele sentiu a urgência de falar com ela, de explicar tudo o que estava em seu coração. Ele sabia que não poderia mais se esconder.
Com um suspiro profundo, ele se sentou ao lado da cama, os olhos fixos nela, e, em voz baixa, sussurrou, quase como se falasse consigo mesmo:
— Eu prometo, Alice... eu vou fazer de tudo para que você seja feliz. Eu vou estar aqui, ao seu lado, para tudo o que vier... Porque eu te amo...
Continua...
Não deixem de curtir e comentar... Mil beijos da Brígida Nara.
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