26° Um presente
Depois de deixar a casa de Alessandro, ela apressou o passo até chegar em casa. Assim que entrou, pegou o telefone e discou para sua mãe Julia. Após alguns toques, sua mãe atendeu.
— Mamma!
— Oi, querida... está tudo bem? — a voz calorosa da mãe trouxe um pouco de alívio.—
— Sim, está tudo ótimo, Mamma! ... Eu acabei de chegar em casa.
— Então, hoje você não vai voltar para o hospital?
— Não, estou de folga. — respondeu com calma, tentando manter o tom sereno enquanto caminhava até o seu quarto. — Mamma, você e o papà têm algum compromisso para hoje à noite?
— Não que eu saiba, querida. Por quê?
— Eu estava na casa do Alessandro mais cedo, e o senhor e a senhora Panagazzi nos convidaram para jantar na casa deles hoje a noite. Está tudo bem para a senhora e o papai?
— Claro, querida. Tenho certeza de que seu pai não vai se importar, pode confirmar nossa presença... — Falou Julia com um amplo sorriso no rosto.— Que horas devemos estar lá?
Alice deu os detalhes do jantar e encerrou a ligação com um sorriso leve, embora ainda estivesse inquieta. Não era qualquer jantar. Era um jantar na casa dos pais de Alessandro. Do homem que ela amava... E ainda tinha o fato da gravidez... Ela não sabia como iria contar para a sua família. Não sabia se aquele seria o melhor momento... Mas ela não podia esconder a gravidez por muito tempo.
Com muitos pensamentos na cabeça, ela entrou no quarto e abriu o guarda roupa, a procura de uma roupa confortável, mas que destacasse a sua beleza... Afinal, ela queria estar linda, não só para a sua família, mas para Alessandro também.
Ela estava feliz, mas ao mesmo tempo, sentia um nó na barriga, uma mistura de excitação e apreensão. A gravidez, que deveria ser algo maravilhoso, trazia com ela uma sombra de dúvida. Como ela contaria? Quando seria o melhor momento?
Enquanto tentava se distrair desses pensamentos, começou a escolher o que vestir.
Depois de um tempo em frente ao guarda-roupa, Alice pegou um vestido de tecido leve e fluido, de um tom suave de azul que contrastava lindamente com seus cabelos loiros. O corte era simples, mas delicado, destacando suas formas de maneira sutil, e o decote discreto transmitia uma sensação de sofisticação sem exagero. Ela se sentia confortável e bonita, o que a deixava mais tranquila, como se tivesse encontrado um equilíbrio perfeito para a noite.
As horas que se seguiram, passaram voando, e enquanto vestia o vestido, Alice pensava em Alessandro. Ele a fazia se sentir especial, e ela queria que ele a visse com os mesmos olhos que a tinham cativado desde o primeiro dia. Queria que ele notasse, não só a beleza que ela tentava expressar, mas também a força e a vulnerabilidade que estavam em seu interior.
Ela se olhou mais uma vez no espelho, sorrindo para si mesma, tentando afastar as inseguranças.
Está tudo bem Alice! Você consegue garota! — ela pensou. O jantar seria uma boa oportunidade para se abrir, para ser honesta com todos e com ela mesma. Não havia mais volta, e talvez, só talvez, era hora de dar o próximo passo, de confiar.
Quando a buzina ecoou em frente à casa da loira, Alice pegou sua bolsa de mão e se apressou. Descendo os degraus da varanda, avistou o pai dentro da caminhonete, conversando animadamente com sua mãe. Ela sorriu ao ver os dois e entrou no veículo, inclinando-se para beijar ambos no rosto.
— Buona sera! — disse con un sorriso.—
— Você está muito linda, querida... — disse o pai, lançando um olhar curioso enquanto ligava o motor. — Devo preoccuparmi?
Alice riu, tentando esconder o leve rubor que subiu às bochechas.
— Sto bene, papà... Nada demais.
— Nada demais? — A mãe virou-se no banco do passageiro, estudando a filha com olhos brilhantes. — Você está querendo impressionar alguém? Talvez... Alessandro?
— Mamma! — Alice protestou, arregalando os olhos.
— Disse alguma mentira por acaso? — A mãe deu de ombros com um sorriso travesso. — Todo mundo sabe que ele sempre foi apaixonado por você...
Alice suspirou, sentindo o calor no rosto aumentar.
— Vocês estão me deixando constrangida. Podemos, por favor, ir logo?
O pai riu, acelerando pela avenida movimentada de Gênova.
— Va bene, va bene. Mas só vou dizer isso uma vez... Alessandro seria um bom partido. Ele é inteligente, um bom médico, e claramente gosta de você...
Alice balançou a cabeça, cruzando os braços em uma tentativa de encerrar o assunto, mas o sorriso que insistia em surgir nos lábios a denunciava. Eles chegaram à imponente casa dos Panagazzi em poucos minutos.
***
Alessandro estava deitado na cama do seu antigo quarto, na casa da família Panagazzi, um lugar que sempre lhe trouxe uma sensação de aconchego e pertencimento. A enorme propriedade, adquirida por seu pai quando ele e sua mãe se casaram, tinha sido o cenário da maior parte de sua infância e juventude. Mesmo já adulto, havia algo de reconfortante em estar ali, rodeado de memórias e histórias familiares.
Enquanto ele se perdia em pensamentos, imerso nas lembranças, a porta do quarto se abriu suavemente. Sua mãe entrou, com um sorriso gentil, mas com algo de sério em seus olhos.
— Querido, você tem um minuto? — Ela perguntou com suavidade.
Alessandro virou-se para olhar a mãe, acenando com a cabeça enquanto se sentava na cama.
— Claro, mãe. O que é? — perguntou ele, percebendo o tom pensativo da mãe.
Ela caminhou até a cama e se acomodou ao seu lado, o olhar cheio de carinho, mas também de uma leve preocupação.
— O seu pai e eu estávamos conversando... — ela começou, sua voz embargada de uma emoção difícil de esconder. — Você é o nosso bem mais precioso, filho. E a gente ficou tão preocupado...
Alessandro sentiu uma ponta de apreensão, mas, ao mesmo tempo, um impulso de acalmar sua mãe. Ele a olhou com um sorriso suave, colocando uma mão sobre a dela.
— Ei, eu estou aqui, estou bem — ele disse, com ternura, acariciando o rosto de sua mãe com carinho, tentando tranquilizá-la.
Ela sorriu, mas seus olhos ainda estavam cheios de algo profundo, como se algo importante estivesse prestes a ser dito.
— É por isso que eu gostaria de te dar algo... — ela falou, revelando uma pequena caixinha de veludo verde-água, cuidadosamente guardada entre as mãos. Alessandro a observou com atenção, a curiosidade crescendo dentro dele. Ela abriu a caixinha lentamente, revelando um par de alianças finas e delicadas, e elegantes. A aliança diante de Alessandro era uma joia antiga, um verdadeiro legado familiar, que parecia carregar séculos de histórias e tradições. Quando sua mãe abriu a caixinha de veludo verde-água, a aliança brilhou com uma sofisticação e elegância que instantaneamente capturaram sua atenção. O metal da aliança era de um ouro envelhecido, com um brilho suave e quente, já imbuído com o toque do tempo, mas ainda assim, perfeitamente preservado. Havia desenhos de folhas entrelaçadas e arabescos que cobriam toda a circunferência, criando uma textura rica e refinada. Cada curva parecia se fundir com a próxima de forma quase etérea, como uma obra de arte que resistia ao teste do tempo. Além das alianças, tinha um anel. No centro da anel, brilhava uma pedra azul Tiffany, de uma cor hipnotizante e única. O tom azul era profundo e intenso, como o mar calmo em um dia claro, mas com nuances tão ricas que pareciam mudar de acordo com a luz que a tocava. A pedra, cuidadosamente lapidada, era oval e resplandecia com um brilho interno, como se algo mágico e misterioso estivesse guardado dentro dela. Era evidente que a pedra não era apenas preciosa, mas possuía uma aura que a tornava especial, quase realçada pela sua herança e história. O tamanho da pedra era impressionante, mas não ostentava exagero. Ela ocupava o centro da anel com uma presença silenciosa, como se fosse a alma da joia, exalando uma serenidade real, quase régia. A pedra parecia ser a peça-chave que conectava o passado ao presente, o vínculo entre gerações. — Eu tenho isso há muito tempo... — ela continuou, a voz tremendo levemente. — Eu ganhei de presente da sua avó Sofia. A mãe do seu pai nos deu essas joias quando ficamos noivos... Elas pertenciam ao seu bisavô, depois ao seu avô, e por último, ao seu pai. Nós as usamos apenas nos primeiros anos de casamento.
O sexto sentido de Alessandro imediatamente se alertou, a consciência de que aquela conversa era mais significativa do que ele imaginava. Ele se sentiu tocado, mas também cauteloso.
— Mãe... — começou ele, mas ela colocou um dedo suavemente sobre os lábios dele, pedindo que aguardasse.
— Quieto, eu ainda não terminei... — disse ela, olhando-o com um olhar sereno, mas cheio de emoção. — Hoje, vendo você e a Alice juntos, nós percebemos que o amor de vocês é puro e verdadeiro... Que o amor de vocês é especial. Por isso, seu pai e eu resolvemos presentear você com essas alianças.
Alessandro a olhou surpreso, o coração apertado. Ele sabia que aquilo significava algo muito importante, mais do que um simples presente. Era uma bênção, uma tradição da família, passada de geração em geração.
— Mãe... — disse ele novamente, a voz mais baixa, enquanto segurava as alianças com cuidado. — Você... você quer que eu dê isso a Alice?
Ela assentiu, os olhos brilhando.
— Sim, querido... Se você realmente a ama Você deve dar a ela... Essas alianças são para você colocar na mão da sua esposa. Na mulher que você ama. — Ela sorriu, um sorriso cheio de esperança e amor, como se o mundo estivesse esperando por esse momento.
Alessandro ficou em silêncio por um momento, absorvendo a profundidade daquilo tudo. Ele sabia que estava à beira de um passo importante, que aquilo não era apenas sobre o presente, mas sobre o futuro, sobre a família e os laços que se formavam.
Ele olhou para a mãe, tocando suavemente a caixinha e sentindo o peso da responsabilidade que agora recai sobre ele. Era um símbolo de confiança, de amor, e ele sabia exatamente o que precisava fazer.
— Eu vou dar para ela, mãe... No momento certo... — disse ele finalmente, com a voz firme, mas com a emoção à flor da pele. — Eu vou cuidar dela. E vou fazer o que for preciso para fazer nosso amor durar, assim como essas alianças.
Sua mãe sorriu, satisfeita, e abraçou-o com força, como se ele fosse o único tesouro que ela sempre quis proteger.
— Eu sei, querido. Eu sei que você vai. E a Alice será muito feliz ao seu lado.
Eles ficaram em silêncio por um momento, ambos sentindo a magnitude daquele momento. Quando Alessandro finalmente se levantou da cama, ele sentiu uma sensação de renovado compromisso, pronto para enfrentar o próximo passo de sua vida ao lado de Alice, com o peso da tradição e a leveza do amor verdadeiro.
****
P.S:. Não deixem de curtir e comentar... beijos e até o próximo.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top