22° Menino ou menina?


A manhã estava fresca e clara, com os primeiros raios de sol iluminando suavemente a paisagem ao redor. A caminhada até a cachoeira foi tranquila, e o som da natureza parecia acolher cada passo. O ar, fresco e revigorante, tinha o cheiro de terra molhada e de flores silvestres, e a vegetação ao redor da trilha era exuberante, com árvores altas que se entrelaçavam acima, formando um teto natural de folhas verdes. À medida que se aproximavam da cachoeira, o som das águas caindo suavemente no fundo começava a se intensificar, criando uma melodia serena que se misturava ao canto dos pássaros.

A cachoeira privada da família De Luca, situada no coração da propriedade, era um segredo bem guardado, um refúgio escondido da agitação do mundo. A água caía de uma altura considerável, criando uma cortina prateada que refletia a luz do sol de maneira mágica. O terreno ao redor da queda d'água era coberto por uma vegetação densa, com musgos e plantas rasteiras que davam um toque misterioso e intocado ao ambiente.

Quando chegaram à beira da cachoeira, o grupo foi envolvido pela energia tranquila do local. O som da água batendo nas pedras criava uma sensação de paz profunda, quase como um convite a deixar de lado as preocupações e simplesmente se entregar ao momento.

Milena, sempre com seu jeito alegre, se aproximou da borda da água, tirando os sapatos e mergulhando os pés no riacho que corria rapidamente em direção à queda. Enrico observava com um sorriso discreto enquanto, ao fundo, Alice estendia uma manta no chão, começando a arrumar o piquenique com a ajuda de Alessandro. A cesta de piquenique estava repleta de delícias caseiras — pães frescos, queijos variados, frutas sazonais e uma garrafa de vinho tinto, que Alice havia escolhido especialmente para a ocasião.

Alessandro observou a cena com uma sensação de tranquilidade que ele não sentia há muito tempo. O lugar era encantador, e, mesmo com a sua mente ainda tumultuada, havia algo no ritmo suave das águas, na paz daquele refúgio, que o fazia se sentir mais presente, mais em sintonia com o que o rodeava. Ele olhou para Alice, que agora o observava com um sorriso suave, e, por um momento, todas as suas inseguranças e medos se dissolveram na serenidade daquele ambiente.

— Este lugar... — ele começou, a voz baixa, quase reverente. — É como se o tempo parasse aqui.

Alice assentiu, seu olhar perdido por um instante nas águas cristalinas que se espraiavam ao redor das pedras, criando pequenos redemoinhos que dançavam à luz do sol.

— A cachoeira tem esse efeito em todo mundo — ela disse, sua voz suave, como se não quisesse perturbar a tranquilidade do lugar. — Sempre foi um refúgio da família. Eu venho aqui desde que era criança, e sempre que o mundo lá fora parece demais, volto aqui para me reencontrar.

Enrico e Milena se aproximaram, trazendo algumas almofadas para se sentarem à beira da água. Milena estava rindo de algo que Enrico dissera, e os dois pareciam relaxados, como se a tensão dos dias anteriores tivesse se dissipado naquele espaço.

— O que acha, Alessandro? — perguntou Milena, lançando-lhe um olhar curioso enquanto se acomodava na manta. — Já teve algum lugar assim, que te fizesse sentir... em casa?

Ele pensou por um momento, os olhos fixos na água que fluía em direção à pequena lagoa formada logo abaixo da cachoeira. A luz refletia nas pedras, criando pequenos brilhos que saltitavam sobre a superfície.

— Acho que... não até agora. Este lugar... é especial. Não sei explicar, mas me sinto mais em paz aqui. Como se houvesse algo de familiar.

Alice se aproximou dele, tocando-lhe gentilmente o braço, como se quisesse tranquilizá-lo. Alessandro olhou para ela e, por um momento, tudo o que sentia era uma sensação de conexão e gratidão, como se ela fosse a chave que o ajudaria a reencontrar a parte perdida de si mesmo.

O grupo passou a tarde ali, compartilhando risos, conversas e, ocasionalmente, um silêncio confortável, onde o som da cachoeira e o canto dos pássaros dominavam. A água da cachoeira formava uma cortina vívida que caía com força sobre as pedras, criando uma névoa suave ao redor, enquanto pequenas gotas se espalhavam pelo ar, deixando tudo com um frescor quase mágico. As sombras das árvores se alongavam, marcando o início de uma noite serena, enquanto o sol começava a se pôr no horizonte.

Enquanto o sol se escondia lentamente atrás das montanhas ao longe, a sensação de estar ali, naquele momento e naquele lugar, preenchia Alessandro com uma calma que ele não conseguia entender totalmente, mas que sabia ser exatamente o que ele precisava. No fundo, ele sabia que, por mais que sua memória ainda estivesse quebrada, aquele lugar, e as pessoas ao seu redor, estavam começando a formar novas memórias. E talvez, com o tempo, ele pudesse reconstruir a história que lhe faltava, pedacinho por pedacinho, assim como as águas da cachoeira, que, com paciência, modelavam as pedras ao longo do tempo.

Quando Milena e Enrico se afastaram para entrar na água, Alice e Alessandro permaneceram no local em absoluto silencio.

— Então... — Ele começou olhando para o horizonte.—  Quando você pretende falar para os seus pais, sobre a gravidez? Acho que não vai demorar para a sua barriga crescer...

— Eu vou esperar mais um pouco... Vou falar depois que fizer a ultrassom...

— Eu quero ir junto... Quero acompanhar cada momento da sua gestação.

Alice ficou em silêncio por um instante, os olhos fixos nas águas tranquilas que refletiam o céu, antes de olhar para Alessandro. A serenidade daquele lugar parecia torná-la mais aberta, mais disposta a compartilhar suas emoções, mas a dúvida ainda pairava no ar. Ela sabia que a revelação para sua família não seria fácil, mas ao mesmo tempo, sentia uma força crescente em si mesma, como se o momento certo fosse algo que ela só saberia quando chegasse.

— Eu... eu também quero que você esteja ao meu lado, Alessandro — ela respondeu, com a voz suave, mas firme. — Eu só... quero ter certeza de tudo primeiro. Saber que está tudo bem, que a gravidez está seguindo normalmente, antes de contar para os meus pais. Eu não sei como eles vão reagir, e preciso estar preparada para isso... E também tem os seus pais... Eles estão viajando num cruzeiro pela Grécia... Vão ficar chocados quando descobrir que o filho sofreu um acidente, e que vai ser pai.

Ele a observou atentamente, percebendo o conflito em seus olhos. Alessandro sabia que esse era um momento decisivo para Alice, e ele queria estar lá para apoiá-la, mas, ao mesmo tempo, ele também sentia a pressão de não saber como seria seu futuro, não apenas com ela, mas com todos ao seu redor. Ainda havia tantas dúvidas em sua própria vida.

— Eu entendo — disse ele, tentando transmitir um pouco de conforto, embora sua própria incerteza estivesse ainda muito presente. — Mas, você sabe que... eu estarei aqui para tudo. Não importa o que aconteça. Eu quero viver cada momento ao seu lado. 

Alice lhe lançou um olhar caloroso, seus olhos brilhando com um misto de carinho e gratidão. Ela não sabia como as coisas se desenrolariam, mas sabia, de alguma forma, que aquele momento com Alessandro era crucial. Ela não estava sozinha. E isso, por si só, trazia uma sensação de alívio que ela não sabia que precisava tanto.

— Eu sei. Eu sei que você vai estar comigo. E isso significa mais do que qualquer coisa para mim. — Ela sorriu, ainda com uma leve tristeza em seus olhos, mas também com um toque de esperança. — No fundo, tenho medo da reação deles. Eles sempre foram tão protetores comigo.

Alessandro deu um passo mais próximo dela, o som suave da cachoeira preenchendo o silêncio entre eles.

— Seus pais te amam, Alice. Eu tenho certeza de que, no final, eles vão entender. E, se não entenderem logo de início, você vai dar a eles o tempo que precisarem. A gente vai passar por isso juntos. Não se preocupa.

Ela suspirou, mais calma agora, e olhou para ele com um sorriso gentil, embora uma sombra de preocupação ainda pairasse sobre ela.

— Eu quero acreditar nisso. Mas... é difícil... Meu irmão vai surtar, quando descobrir que a irmãzinha dele está gravida...  A gente sempre pensa que tudo vai ser perfeito, e, quando a realidade bate, às vezes parece que o mundo todo vira de cabeça para baixo... Eu estou com medo de não ser boa para o nosso filho.

Alessandro tocou sua mão, um gesto simples, mas carregado de significado. Ele sentiu a necessidade de tranquilizá-la, de ser seu ponto de apoio, mesmo quando suas próprias emoções estavam à flor da pele.

— Eu sei que você tem medo, Alice. Eu também tenho. A gente nunca sabe exatamente o que esperar. Mas, no fim das contas, tudo vai acabar bem... Você será uma ótima mãe, e eu vou me esforçar para ser o melhor pai do mundo... Eu prometo cuidar de você e do nosso filho.

Eles ficaram em silêncio por um momento, as palavras se dissipando como se o simples fato de estarem ali, juntos, fosse o suficiente para preencher as lacunas de todos os medos e incertezas. A água da cachoeira continuava a cair, imperturbável, como se o mundo ao redor deles estivesse em paz, apenas esperando que eles encontrassem o caminho para se curar.

Alessandro se permitiu um sorriso, sentindo uma conexão mais profunda com Alice do que nunca antes. Ele sabia que as coisas não seriam fáceis, mas, naquele momento, ele também sabia que não precisava ter todas as respostas. O que importava era que, ao lado dela, ele estava disposto a seguir cada passo da jornada, mesmo sem saber o que o futuro traria.

—você prefere menino, ou menina? —ele perguntou casualmente para a loira ao seu lado.— 

Alice olhou para ele, um sorriso suave tocando seus lábios enquanto ela ponderava sobre a pergunta. A cachoeira atrás deles continuava a murmurar calmamente, criando um ambiente sereno e tranquilo, como se o mundo inteiro tivesse desacelerado. O som das águas caindo sobre as pedras parecia preenchê-los com uma sensação de atemporalidade, onde cada momento parecia eterno e, ao mesmo tempo, fugaz.

Alice olhou para ele, um sorriso suave tocando seus lábios enquanto ela ponderava sobre a pergunta. A cachoeira atrás deles continuava a murmurar calmamente, criando um ambiente sereno e tranquilo, como se o mundo inteiro tivesse desacelerado. O som das águas caindo sobre as pedras parecia preenchê-los com uma sensação de atemporalidade, onde cada momento parecia eterno e, ao mesmo tempo, fugaz.O ChatGPT disse:ChatGPT

Ela deu um leve suspiro, olhando para o horizonte, onde o sol começava a se esconder atrás das montanhas, tingindo o céu com tons dourados e laranja. A tranquilidade do lugar fazia com que até as perguntas mais simples parecessem ganhar uma profundidade inesperada.

— Não sei, Alessandro... — respondeu ela com um tom suave, mas sincero. — Eu sempre pensei que gostaria de ter uma menina, talvez porque minha relação com minha mãe foi sempre muito especial. Eu me imagino ensinando uma filha a ser forte, a ter confiança e, ao mesmo tempo, ser sensível ao mundo ao redor. Acho que isso me atrai, sabe? A ideia de passar adiante tudo o que aprendi com ela.

Ela olhou para ele, os olhos azuis refletindo a luz suave do final da tarde, e viu que ele estava ouvindo atentamente, como se estivesse absorvendo cada palavra. Alice se sentiu à vontade para continuar, sem pressa.

— Mas também penso que, se for um menino, será igualmente maravilhoso. Eu cresci cercada de homens na minha família, e a ideia de ter um filho, de poder compartilhar todas as minhas experiências, é tão única... Eu acho que vou amar de qualquer jeito, porque, no fundo, o que importa... E isso já me faz feliz. E você?

Alessandro a observava, o rosto sério mas com um brilho nos olhos, como se ele estivesse absorvendo algo muito mais profundo do que ela imaginava. O silêncio entre eles foi confortável, sem pressa de se preencher com palavras vazias. A água da cachoeira ainda ecoava, um som constante que trazia uma sensação de continuidade, como a vida que se desenrolava naquelas palavras, naquelas revelações.

— Eu não sei... — ele disse finalmente, a voz baixa, como se estivesse pensando em cada frase. — Sempre imaginei que gostaria de ter um menino, talvez para poder ensiná-lo a ser... Como eu. Mas, honestamente, eu só quero que ele, ou ela, seja saudável. Não importa se será menino ou menina. O que importa é que vou amar ele, ou ela... 

***

Mais um capitulo concluído... Não deixem de curtir e comentar... Beijos da Brígida Nara...

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top