15° Você está gravida.
"Nós... éramos algo mais, não éramos? O que você significa para mim Dra. Martinez?"
As palavras ainda ecoavam por sua mente, quando ela saiu da sala de Alessandro, logo depois que uma enfermeira entrou lhe chamando com urgência... Ela não tinha conseguido falar... Ela simplesmente travou...
Alice estava com a cabeça cheia. Os últimos dias, haviam sido um turbilhão de emoções, indo do desespero de ver Alessandro sem memória, a dor de sua ausência, e o peso da notícia que ela ainda não sabia como contar. E agora, havia algo mais algo inesperado, que ela ainda tentava processar. A gravidez. Ela estava grávida. De Alessandro.
O hospital parecia mais abafado hoje, como se o ar ao seu redor estivesse pesado, talvez por causa da tensão que ela sentia. Sentada na sala de descanso dos médicos, Alice olhava fixamente para as folhas de papel em suas mãos. Ela deveria ter se sentido feliz, aliviada, talvez até animada, mas o medo do que o futuro reservaria a fazia se sentir só. Como ela poderia contar a Alessandro? Como faria para enfrentar as reações de sua família? E, acima de tudo, como ela lidaria com tudo isso sozinha, já que ele não a reconhecia, e parecia mais distante a cada dia?
De repente, um leve enjoo tomou conta dela. Primeiro, foi uma leve náusea que passou rapidamente, mas logo um mal-estar mais forte a atingiu. Alice colocou a mão na testa e suspirou, tentando afastar a sensação desconfortável. Ela estava exausta, mas não conseguia relaxar. Não agora. Ela precisava resolver tudo.
Ela se levantou da cadeira e tentou caminhar até a porta, mas seus pés pareciam pesados. O corredor do hospital girava ao seu redor, e ela sentiu uma onda de tontura que a fez apoiar-se contra a parede. Sua visão ficou embaçada por um momento, e uma sensação de desmaio iminente a tomou de surpresa.
Antes que pudesse se mover novamente, uma enfermeira passou pelo corredor e percebeu seu estado.
— Doutora Alice, você está bem? — perguntou a enfermeira, visivelmente preocupada.
Alice tentou sorrir, mas não conseguiu. Sua garganta estava apertada, e ela sentia um calafrio. A enfermeira, com o olhar atento, não hesitou em pegá-la pelo braço e guiá-la até uma sala de atendimento.
— Vamos verificar sua pressão, você parece um pouco pálida — disse a enfermeira, ajudando Alice a se deitar em uma maca.
Alice respirou fundo, tentando relaxar enquanto a enfermeira verificava seus sinais vitais. Ela sabia que estava ficando fora de controle. Seu corpo estava dando sinais de que não estava bem, e ela não conseguia entender se isso era apenas o estresse acumulado ou algo mais.
Matteo entrou logo depois o olhar preocupado, mas calmo.
— Como você está se sentindo agora? — perguntou, tocando a testa dela com a parte de trás da mão.
— Tonta... Enjoada... Não sei o que está acontecendo, doutor. — Ela tentou disfarçar, mas a sensação de desconforto não passava. Seus olhos se fecharam por um momento, e quando os abriu novamente, percebeu que a enfermeira estava preparando os equipamentos para medir sua pressão e fazer uma série de exames rápidos.
O moreno a observou com mais atenção, fazendo uma rápida avaliação.
— Vou pedir alguns exames de sangue. Mas, Alice... você já pensou em fazer um teste de gravidez? — perguntou ele para a prima, com cautela. — Seus sintomas podem ser resultado de um estresse intenso, mas também podem estar relacionados a uma gravidez. Vou ser honesto com você.
Alice o olhou atônita, seu coração disparando. A menção da palavra "gravidez" parecia surreal. Ela não havia feito o teste até agora, apesar de perceber os sinais sutis nas últimas semanas, e sua menstruação estava atrasada. Cansaço extremo, enjoos frequentes e uma sensação de mudança em seu corpo, mas ela havia ignorado tudo. Agora, parecia que o primo estava sugerindo o óbvio.
A enfermeira, percebendo o desconforto de Alice, ofereceu-lhe um copo d'água.
— Se você quiser, podemos realizar o teste agora, Alice. Não se preocupe, vamos acompanhar você em cada passo. — A enfermeira sorriu gentilmente, mas a expressão de Alice mostrava que ela estava longe de estar tranquila.
— Pode fazer o teste. — Alice respondeu, tentando manter a voz firme, mas a ansiedade tomava conta dela. Ela sabia que a resposta poderia mudar sua vida para sempre. Ela fechou os olhos e, por um momento, imaginou como seria viver com aquela notícia. E, claro, como ela lidaria com Alessandro quando descobrisse.
O teste foi feito rapidamente. Alice permaneceu quieta na maca, olhando para o teto enquanto o médico e a enfermeira aguardavam os resultados. Ela não sabia o que esperar, mas a tensão era palpável.
Quando o médico retornou com o resultado, seus olhos não escondiam a seriedade.
— Alice... — ele começou, sua voz calma, mas com um peso que fez o coração de Alice disparar. — O teste deu positivo. Você está grávida.
Alice ficou completamente imóvel. Não conseguia entender as palavras que acabara de ouvir. Grávida. Ela olhou para Matteo, depois para a enfermeira, e então sentiu uma onda de emoções intensas a invadir. Medo, surpresa, alegria tímida. Tudo ao mesmo tempo.
O que ela faria agora? Como ela conseguiria lidar com tudo isso? E, principalmente, como iria contar a Alessandro?
— Doutora Alice? — A enfermeira interrompeu seus pensamentos, olhando para ela com uma expressão de preocupação. — Você está bem?
Alice respirou fundo e forçou um sorriso, mas sua mente estava em uma confusão completa.
— Sim. Eu... eu só preciso de um momento. — Ela olhou para a enfermeira, que estava observando-a com empatia. — Você pode me deixar sozinha com o Dr. Matteo por um tempo?
A enfermeira assentiu, fechando a porta suavemente atrás de si. Alice permaneceu ali, sozinha, sentindo o peso da realidade cair sobre ela. Ela estava grávida de Alessandro. Mas ele não se lembrava dela, e ela não sabia como ele reagiria quando soubesse.
A única coisa que ela sabia com certeza era que a vida dela havia mudado para sempre. E, de alguma forma, isso a deixava mais assustada do que qualquer outra coisa que ela já tivesse enfrentado.
— O que eu vou fazer, Matteo? — a voz de Alice saiu baixa, carregada de angústia. — Como eu vou dizer isso para ele? Eu não sei o que fazer. Ele nem se lembra de mim... Como vou contar que estou grávida dele, se ele sequer sabe quem eu sou?
Matteo sentiu uma pontada no peito ao ouvir a dor na voz de Alice. Ele sabia que ela estava lidando com mais do que poderia suportar. O dilema em seu rosto era impossível de esconder. Ele também sabia que o amor que ela sentia por Alessandro era inegável. E, apesar de tudo, a recuperação de Alessandro parecia demorar, como se as peças de seu próprio quebra-cabeça estivessem em constante movimento.
Ele suspirou fundo, tentando organizar os pensamentos.
— Alice... — começou ele, com a voz suave, mas firme. — Eu sei que tudo isso é complicado. Eu sei que você está apavorada, mas eu vejo a forma como você o olha. E sei que ele ainda sente algo por você, mesmo que não lembre. Os sentimentos não desaparecem, mesmo que as memórias se apaguem.
Ela olhou para ele com os olhos marejados, as palavras pesando como pedras em sua mente. Ela queria acreditar nas palavras de Matteo, mas o medo de que ele estivesse apenas tentando consolá-la a fazia hesitar.
— E se ele não quiser saber? — Alice perguntou, a voz embargada. — E se ele não se lembrar de mim, não se lembrar de nós... ou de tudo o que tivemos? Eu... eu não sei como viver com essa incerteza, Matteo.
Matteo deu um passo à frente, colocando uma mão suave sobre o ombro de Alice. Ela olhou para ele, percebendo o cuidado em seu gesto, mas também a sinceridade de suas palavras.
— Alice, ele pode não lembrar de você agora, mas isso não significa que ele não sinta sua falta. Não significa que ele não queira ser parte da sua vida, e da vida do filho que vocês terão. Não posso prometer que será fácil... mas eu posso prometer que você não está sozinha nisso. Não importa o que aconteça, eu estarei aqui. E Alessandro... ele vai entender. Não de imediato, talvez. Mas o tempo é aliado de quem ama, e você não está lutando sozinha. O bebê, ele... vai ser um elo entre vocês dois. Um novo começo.
Ela sabia que, se não fosse por ele, talvez ela nem tivesse forças para sequer entrar naquele quarto e falar com Alessandro. Mas a realidade ainda era dura. Como ela poderia aproximar-se de Alessandro de novo? Como poderia esperar que ele a aceitasse depois de tudo?
— Eu... eu não sei o que fazer. Não sei por onde começar. E se ele não me perdoar por me afastar tanto tempo, por ter sido tão egoísta? — Alice balbuciou, o medo tomando conta dela novamente.
Matteo apertou seu ombro, tentando passar confiança.
— Alice, você não foi egoísta. Você só estava confusa com os seus sentimentos, da mesma forma que ele estava quando entrou naquela carro para viajar até Toscana.
Ela respirou fundo, mais uma vez, antes de voltar seu olhar para Matteo.
— Eu... eu vou falar com ele. Eu tenho que falar. Não posso mais fugir... Esse filho é dele... — Sua voz saiu mais firme desta vez, decidida. Matteo sorriu, sem dizer nada, mas seu olhar dizia tudo. Ele sabia que ela estava encontrando a força para dar o primeiro passo.
Alice se levantou, caminhando em direção à porta. Ela ainda não sabia como seria o futuro, mas uma coisa estava clara: ela não enfrentaria isso sozinha. E, no final, ela faria tudo o que fosse possível para lutar pelo que havia restado de Alessandro, pelo que os unia, e pelo bebê que ela agora carregava em seu ventre.
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